É Portugal no seu melhor. Zangam-se os políticos, começam a descobrir-se algumas verdades sobre as vergonhas da governação. Zangam-se os políticos, começam a conhecer-se algumas mentiras que valeram vitórias eleitorais, até maiorias absolutas. Mas não são só os políticos que devem sentar-se, de uma vez por todas, no banco dos réus. Nesta história miserável feita de embustes existem os autores e os cúmplices, os que sabiam o que os políticos sabiam e o esconderam conscientemente da opinião pública. Nesta história nauseabunda ninguém fica bem na fotografia. E o pântano, até agora mais ou menos disfarçado com os nenúfares do costume, começa a aparecer aos olhos de muitos portugueses como algo impróprio de um país civilizado e de gente de bem. Este sítio está, se ainda houvesse alguma dúvida, muito mal frequentado.
Nesta história miserável das contas públicas, cheia de sombras e mentiras, o difícil é encontrar inocentes. E os próprios beneficiários de privilégios inadmissíveis, que já começaram a esbracejar e a ameaçar o Governo de Sócrates, são, também eles, dignos da mais viva censura. Foram espertos. E com a sua esperteza saloia atiraram este Portugal para uma situação de pré--falência.
Cavaco Silva, o novo guru da esquerda, aprovou o sistema retributivo da função pública, aumentou de forma exponencial a despesa do Estado e anda por aí a dizer mal do monstro que ele próprio criou. Cadilhe, seu ministro das Finanças de 85 a Janeiro de 90, demorou 15 anos para acusar o putativo candidato presidencial de nada ter feito para combater o descontrolo do défice e de ter ganho as eleições de 1991 à conta de Portugal. Depois de Cavaco veio Guterres, que aprovou o escandaloso estatuto da carreira docente, engordou ainda mais a administração pública e esteve quase a obter a maioria absoluta em 99. Depois chegou Durão com a mentira do choque fiscal, veio a seguir Santana com a fábula do fim da austeridade e eis que entrou em cena José Sócrates com a farsa do não aumento dos impostos. Tudo mentiras, como se vê. E se muitos funcionários públicos estão a torcer a orelha por terem votado no PS sem saber que o seu líder se preparava, em segredo, para lhes aumentar a idade da reforma e retirar imensos privilégios ilegítimos, que socialistas e sociais-democratas andaram a esbanjar ao longo de anos de feliz democracia, esperem pelo pior.
É que as mentiras ainda não acabaram. O chamado Estado social é insustentável, as falências vão disparar e o desemprego atingir números impensáveis. Verdades que os mentirosos do costume ainda escondem dos portugueses.
António Ribeiro Ferreira
( In Diário de Notícias de hoje)








