06 maio 2005

Teatro em Portugal...24ª edição do "Fazer a Festa" - Porto

É debaixo de um chuveiro de críticas que se inicia hoje a 24.ª edição do "Fazer a Festa", festival internacional de teatro que decorre em diversos espaços do Palácio de Cristal, no Porto, até ao próximo dia 15.
Organizado uma vez mais pelo Teatro Art'Imagem, o certame apresentará um total de 25 representações, distribuídas por 15 companhias. Além das portuguesas, que se deslocam dos mais variados pontos do País, está assegurada a presença de grupos brasileiros e franceses. Não perdendo esse carácter de reunião anual das diversas sensibilidades teatrais portuguesas e estrangeiras, "o festival está a perder o seu espírito", lamenta José Leitão, director do Art'Imagem.
"Temos um festival a diminuir de ano para ano", prossegue o responsável. "Porque o apoio do ministério da Cultura [87500 euros anuais para toda a actividade] mantém-se inalterado desde há dez anos, ao contrário do que acontece a outros festivais da cidade. E nós temos de pagar não só as despesas de cada edição, que aumentam com o passar do tempo, como também fazer a manutenção do nosso espaço e assegurar três novas produções por ano." O director disparou também fortes críticas ao actual executivo da Câmara do Porto, liderado por Rui Rio.
Apesar disso, não está posta em causa a realização do festival em 2006, assegura José Leitão. Poderá é emagrecer ainda mais. A proposta de uma "aldeia tetral", com espectáculos de manhã à noite, e que em alguns anos chegou a atingir as 70 apresentações e a acolher 35 companhias, parece de facto debilitada, apesar do interesse que continua a suscitar entre os portuenses.
Quanto à programação deste ano, destaque-se as apresentações de sábado e domingo, às 22 horas, da companhia francesa Couleurs Mécaniques e o espectáculo dos Artistas Unidos, Se o Mundo não fosse assim, na próxima segunda. Outro momento alto será a homenagem à cantora de ópera brasileira, Bidú Sayão, nos dias 14 e 15.E há grupos que vêm de Almada, Tondela, Portalegre ou Covilhã.

05 maio 2005

Notícias da nossa Saúde...

"Será conhecida dentro de dias a situação financeira [da saúde] herdada em toda a sua extensão. Receamos o pior". O recado foi deixado ontem pelo ministro da Saúde, na tomada de posse dos cinco novos presidentes das Administrações Regionais de Saúde (ARS). Na cerimónia, Correia de Campos deixou vários alertas para a necessidade de conter as contas, acusando o anterior Governo de ter "suborçamentado" o sector.
O "receio" do novo titular da pasta é "não tanto no que ficou por pagar, embora muito será", mas sobretudo "pela inconsciente suborçamentação operada no orçamento de 2005 em que ninguém acreditou, a começar pelo então Governo". A situação das finanças da saúde levaram ainda o ministro a deixar o aviso sobre o próximo orçamento rectificativo. A sua preparação "em cumprimento das obrigações auto-formuladas pelo Plano de Estabilidade e Crescimento, implicará decisões difíceis e duras, todas tomadas antes do Verão", afirmou Correia de Campos. Por isso, o governante deixou o apelo aos recém-nomeados para que não gastem de mais. "Temos todos a noção do desperdício que nos rodeia. Na saúde, que ninguém se considere isento da obrigação de lutar pela economia do gasto".
Alcindo Barbosa (Norte), António Branco (Lisboa e Vale do Tejo), Fernando Regateiro (Centro), Rosa Matos (Alentejo) e Rui Lourenço (Algarve) assumem a presidências das ARS com uma carta de missão onde se comprometem a atingir objectivos até ao final do mandato. Contudo, estes não serão tornados públicos.Correia de Campos voltou a apontar o dedo a decisões do seu antecessor na pasta, Luís Filipe Pereira o acordo com a Câmara do Porto para a construção do Centro Materno Infantil do Norte e a contratualização de camas para cuidados continuados com as misericórdias. "Não podemos tolerar, em ministério de enorme exigência financeira o desvio de recursos para outros fins como a habitação social ou a sustentação dos sectores privado e social sem contrapartidas de serviços", disse.
( In DN de hoje )

04 maio 2005

Mais uma frase...

...para pensar um pouco!

O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior!

Hoje, à falta de assunto ou inspiração...

ofereço-vos uma frase para que o vosso dia seja um pouco melhor:

ONTEM FOI PASSADO, AMANHÃ É FUTURO, HOJE É UMA PRENDA. É POR ISSO QUE LHE CHAMAM PRESENTE!!!

Não é linda?

03 maio 2005

Pelo sonho é que vamos...

.

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

(Sebastião da Gama)

(Dedico este pequeno poema à minha filha Maria que neste momento luta para conseguir o sonho dela: ser bailarina.
Sonha filha! Pelo sonho é que chegamos!)

02 maio 2005

Ser escritor...

.
O escritor escolheu a revelação do mundo e especialmente a revelação do homem aos outros homens para que estes adquiram, em face do objecto assim desnudado, toda a sua responsabilidade. Ninguém pode fingir ignorar a lei, porque há um código, e porque a lei é coisa escrita: depois disto, pode infringi-la, mas sabe os riscos que corre. Do mesmo modo, a função do escritor é fazer com que ninguém possa ignorar o mundo e que ninguém se possa dizer inocente.

Jean-Paul Sartre, in 'Situações II'

28 abril 2005

Um poema para começar o dia...

Encontrei este belíssimo soneto num blogue amigo que visito, não tantas vezes como gostaria, mas sempre que me batem as saudades de ler um pouco de poesia: poetrycafé.weblog.com.pt
Visitem-no. Depois digam-me se gostaram.

A criança que eu fui chora na estrada

A criança que eu fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

( Fernando Pessoa )



Camada de Ozono...

..preocupa cientistas.
Os cientistas britânicos estão preocupados com o nível da redução da camada de ozono sobre o Ártico, que neste Inverno atingiu o seu mínimo em 40 anos. Esta redução poderá contribuir para um possível aumento de casos de cancro de pele no hemisfério Norte. Investigadores da Universidade de Cambridge revelam que a redução do ozono deve-se a um efeito colateral das alterações climáticas.

26 abril 2005

Uma semana inteira sem televisão...

...pela família e pela vida.

Nos Estados Unidos, esta é a semana sem televisão, uma iniciativa de mais de 70 organizações médicas e educacionais, destinada a combater a teledependência da sociedade norte-americana, particularmente os jovens.
E a teledependência é um facto. Um estudo publicado no mês passado pela Universidade do Illinois constata que as crianças americanas passam mais tempo em frente da televisão (1023 horas) que na escola (900 horas); que 51% das crianças vivem em casas onde a televisão está sempre ligada, mesmo quando ninguém está a olhar para ela; que 63% das famílias deixam a televisão ligada durante o jantar e que 68% das crianças americanas têm um televisor nos seus quartos.
"Dados os nossos hábitos de televisão, não é de surpreender que estejamos a criar a mais sedentária e obesa geração de jovens da história", afirma David Satcher, ex-Cirurgião Geral americano. O clínico sublinha que "ao crescerem, essas crianças terão maiores riscos de doenças de coração, diabetes e outros problemas de saúde, a não ser que desliguem o televisor e se tornem fisicamente activas. Esta semana destina-se a salvar vidas".
Assim, Satcher aconselha "andem de bicicleta, joguem futebol, saltem à corda, lancem papagaios, dancem, façam jardinagem, corram, nadem, limpem o vosso quarto, façam ginástica, aprendam a patinar, mas desliguem a televisão".O mote da campanha deste ano, na sua décima edição, é Desliguem a TV, Liguem a Vida e conta com apoios especiais, particularmente das escolas, desde aulas suplementares de ginástica e jogos no termo do dia escolar, até passeios por parques pela tarde fora.
A campanha é apoiada também por organizações de defesa e apoio à família. Como diz Odessa Yates, coordenadora de actividades das escolas elementares, esta semana "dá às famílias a possibilidade de se unirem, de passarem juntas um tempo agradável, ajudando-se mutuamente nos trabalhos de casa, lendo em conjunto e aproveitando para se conhecerem melhor. Há muitos pais e filhos que na verdade não se conhecem, porque habitualmente não têm tempo suficiente para passarem juntos".

22 abril 2005

25 de Abril, sempre!!!

...fascismo nunca mais!!!

"
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas serras
atalhos veredas lezírias
e praias claras um povo
que levantava sobre um rio
de pobreza a bandeira
em que ondulava a sua
própria grandeza!"

(Ary dos Santos )

O pastor alemão...

Joseph Ratzinger tem a inflexibilidade doutrinária de Karol Wojtyla, mas não o seu talento para cativar as multidões - é um conservador sem rosto humano, um soldado da Igreja há décadas fechado no Vaticano, onde se entreteve a silenciar todos os teólogos que ambicionaram ir além do mero papaguear do catecismo.
A escolha da mais autoritária das figuras da Cúria romana para dirigir os destinos da cristandade é muito significativa quanto às opções da Igreja Católica no mundo. Com Bento XVI, a Igreja vai cerrar ainda mais as suas fileiras, guarnecer a doutrina, e atirar-se de unhas e dentes à decadência dos costumes e ao relativismo dos valores que supostamente campeiam por aí.
Evidentemente, houve muita gente que ficou contente com o nome do novo Papa. Os católicos mais fervorosos e o Opus Dei rejubilaram. Os ateus e os agnósticos que votam à direita e que entendem que a função da Igreja é disciplinar o rebanho e levantar o estandarte dos valores ocidentais adoraram. E os católicos obedientes, que aceitariam até se o anel de pescador fosse enfiado no dedo de um guarda suíço, acataram e aplaudiram.
Só os católicos ditos progressistas, que trabalham dentro da Igreja para que ela evolua nas suas posições, foram atacados de catalepsia, e entraram em choque. Compreendo-os e solidarizo-me. Mas acrescento que me parece haver nessa posição uma ingenuidade estrutural a de supor que a Igreja Católica é reformável e que se fortaleceria ao abrir-se ao mundo.
Os 115 cardeais que escolheram Ratzinger para Papa parecem não ter dúvidas quanto a isso a força da Igreja reside na perenidade das suas inabaláveis certezas. Claro que as palavras de Jesus não podem estar mais distantes dessa atitude autoritária. Mas é também por isso que Bento XVI é uma garantia para o Vaticano: ele será sempre mais fiel à Igreja do que aos Evangelhos.

21 abril 2005

Ler para brilhar...

...o pensamento que vos ofereço para hoje:

"Para uma pessoa que leia um livro com o fim de saber, gozar e aproveitar o que ele diz, há vinte que só lêem para dizer que o leram e poder brilhar fazendo citações dele. "

(Miguel de Unamuno, in 'Solilóquios e Conversações' )

20 abril 2005

O Referendo...

A interrupção voluntária da gravidez vai ser sujeita a um referendo.

O Presidente da República afastou ontem de forma clara a possibilidade de realização de um referendo ao aborto até ao Verão, por não poder ser garantida uma participação cívica significativa.

A propósito desta etapa da nossa vida quotidiana lembrei-me de uma discussão na Assembleia da República no final de 1982. Os intervenientes foram a deputada Natália Correia, grande figura do meio intelectual e uma excelente poetisa e um deputado do CDS de nome João Morgado.

O deputado tinha dito isto em pleno plenário da Assembleia: “ …o acto sexual é para fazer filhos”.

Natália Correia respondeu-lhe com este delícioso poema:

“ POEMA DO TRUCA-TRUCA”

Já que o coito, diz Morgado,
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisca manduca
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – pouca ração!
- uma vez.

Quantos morgados andarão por aí?

Nós aqui neste espaço somos pela discussão aberta e urgente deste problema.
Pensamos que este assunto não deve continuar a servir só de mais um ponto a ser apresentado nos programas políticos dos partidos em campanha eleitoral e depois guardado ( esquecido ) no fundo da uma gaveta.

A interrupção involuntária da gravidez tem de ser uma garantia reconhecida politicamente pois na vida ela é uma realidade vivida por muitos milhares de mulheres.

19 abril 2005

Portugueses...

...têm habilitações literárias baixas.

Portugal é o país da União Europeia onde as qualificações a nível de habilitações literárias são mais baixas, revelou um inquérito do Eurostat. Dois em cada três portugueses que vivem em zonas urbanas têm um baixo nível de habilitações literárias. A situação agrava-se nas regiões com menos população. Grécia e Espanha são os únicos países que se aproximam de Portugal.

18 abril 2005

O Amor e a Eternidade...

"O amor de alguém é um presente tão inesperado e tão pouco merecido que devemos espantar-nos que não no-lo retirem mais cedo. Não estou inquieto por aqueles que ainda não conheces, ao encontro de quem vais e que porventura te esperam: aquele que eles vão conhecer será diferente daquele que eu julguei conhecer e creio amar. Não se possui ninguém (mesmo os que pecam não o conseguem) e, sendo a arte a única forma de posse verdadeira, o que importa é recriar um ser e não prendê-lo. Gherardo, não te enganes sobre as minha lágrimas: vale mais que os que amamos partam quando ainda conseguimos chorá-los. Se ficasses, talvez a tua presença, ao sobrepor-se-lhe, enfraquecesse a imagem que me importa conservar dela. Tal como as tuas vestes não são mais que o invólucro do teu corpo, assim tu também não és mais para mim do que o invólucro de um outro que extraí de ti e que te vai sobreviver. Gherardo, tu és agora mais belo que tu mesmo. Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos."
( Marguerite Yourcenar, in 'Sistina' )

15 abril 2005

Leonardo Da Vinci...


Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, na pequena cidade de Vinci, perto de Florença, centro intelectual e científico da Itália. O seu talento artístico cedo se revelou, mostrando excepcional habilidade na geometria, na música e na expressão artística. Reconhecendo estas suas capacidades, o seu pai, Ser Piero da Vinci, mostrou os desenhos do filho a Andrea del Verrocchio. O grande mestre da renascença ficou encantado com o talento de Leonardo e tornou-o seu aprendiz. Em 1472, com apenas vinte anos, Leonardo associa-se ao núcleo de pintores de Florença.
Não se sabe muito mais acerca da educação e formação do artista, no entanto, muitos autores afirmam que o seu conhecimento não provém de fontes tradicionais, mas sim da observação pessoal e da aplicação prática das suas ideias.
Pintor, escultor, arquitecto e engenheiro, Leonardo da Vinci foi o talento mais versátil da Itália do Renascimento. Os seus desenhos, combinando uma precisão científica com um grande poder imaginativo, reflectem a enorme vastidão dos seus interesses, que iam desde a biologia, à fisiologia, à hidráulica, à aeronáutica e à matemática.
Durante o apogeu do renascimento, Da Vinci, enquanto anatomista, preocupou-se com os sistemas internos do corpo humano, e enquanto artista interessou-se pelos detalhes externos da forma humana, estudando exaustivamente as suas proporções e trabalhando a "divina proporção"
Em 1482, Leonardo abandonou Florença e partiu rumo a Milão, onde permaneceu durante 18 anos. Na corte de Milão, trabalhou como retratista e cenarista, fez projectos arquitectónicos e concebeu uma grande estátua equestre.Para além da actividade artística, que conheceu o seu maior expoente durante esta estada em Milão, Leonardo dedicou-se ao aprofundamento dos seus estudos mais técnicos. Assim, estuda vários problemas técnicos, examina obras de canais realizadas nas imediações, desenha máquinas de guerra e outros inventos igualmente vanguardistas. Além disso, começa a investigar as bases da mecânica e da natureza da água.Leonardo já deixara de ser apenas um artista para se tornar num verdadeiro homem do Renascimento, atento a tudo o que se passava à sua volta e sempre em permanente demanda de respostas às suas questões.
Apesar de Leonardo sempre se ter mantido afastado das lutas políticas da época, em 1499 foi obrigado a tomar uma posição devido à entrada dos franceses em Milão. Depois do seu patrono de longos anos, Ludovico, o Mouro, ter fugido da cidade, Leonardo viu-se obrigado a estabelecer contacto com os franceses.Embora o rei francês tivesse ficado muito impressionado com o trabalho de Leonardo, o artista resolveu abandonar Milão devido à insegurança política que lá se vivia. Assim, em Dezembro de 1499, partiu para Mântua na companhia dos seus alunos e do matemático Luca Pacioli. De Mântua, partiu rumo a Veneza e, em meados de 1500, regressou a Florença.Aí permaneceu durante seis anos, tendo voltado à cidade de Milão a convite do seu novo patrono, o rei de França. Os sete anos que aí passou foram dedicados à arquitectura, aos projectos de esculturas, à engenharia, à anatomia e às ilustrações científicas. Nesta fase, pouco tempo dedicou à pintura.
Depois da expulsão dos franceses de Milão, em 1513, Leonardo foi convidado a ir para Roma, onde prosseguiu com os seus estudos científicos, tendo feito o levantamento e o registo cartográfico da cidade.Após três anos de permanência em Roma, partiu para França em 1517 a convite de Francisco I. Aí viveu os últimos três anos de vida, num pequeno palácio campestre, próximo do palácio de Verão do rei, em Amboise, no Loire, junto do seu discípulo preferido, Francesco Melzi.Apesar de o rei apenas o chamar para lhe pedir conselhos ou para conversarem, Leonardo possuía o título de "premier peintre, architecte et mécanicien du roi".
A 2 de Maio de 1518 morria Leonardo da Vinci, um dos maiores vultos da História da Arte. A sua morte ficou envolta numa aura de mistério, cercada de lendas e enigmas, não se sabendo até hoje, quais as circunstâncias exactas em que morreu.Foi sepultado na igreja do Convento de São Florêncio, em Amboise, segundo o desejo que deixara explícito em testamento. Apesar de se saber onde foi enterrado, o seu túmulo é, actualmente, impossível de identificar, devido a circunstâncias infelizes.
( Parabéns Leonardo, somos grandes admiradoras tuas...para sempre!!!)

14 abril 2005

A Casa da Música....

é inaugurada hoje. Finalmente!
Se tudo correr como previsto, hoje vai fazer-se silêncio. Não para o fado, mas para toda a música. Abre a Casa da Música do Porto e começam a desfilar os elogios à monumental obra do arquitecto Rem Koolhaas, sem dúvida uma chave da modernidade que marcará a capital do Norte nos próximos anos. O caos que rodeia o edifício - das obras exteriores às "interiores" indefinições sobre financiamentos, administração e direcção artística - será abafado pelo som de Lou Reed. No entanto, o silêncio que hoje se fará, e a música que no seu lugar se ouvirá, não é de ouro. Nem fica bem. É um silêncio de culpa, um silêncio feito de negligência, demagogia, promessas e irresponsabilidades. Foram seis anos de "Portugal no seu pior" quatro datas de abertura prometidas e não cumpridas, uma brutal derrapagem nos custos (de 40 para 100 milhões de euros!), intrigas, polémicas, demissões, administrações sucessivas. Numa obra privada - ou numa obra pública de um país civilizado... - tinham rolado cabeças e tinham sido penalizados responsáveis. Na Casa da Música do Porto, os danos foram suaves demissões que resultaram em novos empregos, ou regressos a antigos empregos. Ou seja, não aconteceu nada àqueles que permitiram gastar três vezes mais do que o previsto e caucionaram um atraso na obra que poderia ter sido evitado se não se lançassem promessas gratuitas para conquistar apoios e simpatias.
Já se sabia que uma obra daquela dimensão - especialmente daquela natureza inovadora e experimental - estava sujeita a um tempo de construção (e, por isso mesmo, a um preço) muito maior do que os longínquos 40 milhões de euros. Sabia-se, mas fez-se de conta que não era nada. Como se fosse natural. Como se o dinheiro fosse de ninguém.

13 abril 2005

Ser mãe em Portugal...


As portuguesas são as mães que mais trabalham num universo de 25 países da UE .

A taxa de emprego das mulheres portuguesas com filhos menores de 12 anos é das mais elevadas da União Europeia a 25, somente abaixo da Eslovénia, Dinamarca e Lituânia, revela um relatório do Eurostat, ontem divulgado. Portugal detém ainda a terceira maior proporção de mulheres empregadas com três ou mais filhos, ou seja, a taxa de emprego nesta situação é de 60%.
O relatório sobre a conciliação entre o trabalho e a família em 2003 mostra que em Portugal a taxa de emprego das mulheres com filhos menores de 12 anos é de 76%, sendo que na Eslovénia é de 85%, na Dinamarca 80% e na Lituânia 79%.
No extremo oposto, as mais baixas taxas de emprego de mulheres naquelas condições situam-se em Malta (27%), Itália e Hungria, ambas com 50%. Em Espanha a taxa é de 51% um pouco abaixo da Grécia e da República Checa.
De acordo com o gabinete de estatística da União Europeia as mulheres com filhos recorrem mais ao trabalho em part-time. A taxa mais elevada regista-se na Holanda (55%), seguida pelo Reino Unido, com 36% e pela Alemanha, com 35%. Em Portugal a taxa de emprego das mulheres em horário parcial é das mais baixas, atinge apenas 7,2%.

12 abril 2005

A essência da poesia segundo Pablo Neruda...

.
"Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio. Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma acção passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a acção, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde.
E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde. De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum."
Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer' (Discurso na entrega do Prémio Nobel)

11 abril 2005

Europa...

Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar. Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.
(Milan Kundera, in 'A Arte do Romance' )