06 abril 2005

Um amor assim...

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"Duvida que as estrelas sejam fogo,
Duvida que o Sol gire da Terra em redor,
Duvida que a verdade mentira seja logo,
Não duvides jamais do meu amor!
Ó querida Ofélia, adoeço a medir versos:
Arte não tenho para medir os meus suspiros; mas amo-te sobre todas as coisas e pessoas.
Ó melhor das melhores, crê-me!
Adeus...
Teu para sempre, ó querida das queridas,
Teu enquanto dure esta corpórea máquina,


Hamlet."

( William Shakespeare )

Uma receita c/ chocolate...

Mousse de Chocolate com Nougat

Ingredientes:

2 pacotes de nougat de chocolate com amêndoas de 300 g
160 g de manteiga
½ colher de chá de café instantâneo
¾ chávena de leite
80 g de açúcar
¼ chávena de brandy
¼ de litro de natas doces frias
(película aderente, a necessária)

Para a decoração:

¼ de litro de natas doces
4 colheres de sopa de açúcar glaceado
¼ colher de chá de extracto de baunilha

Preparação:

Ponha o nougat de chocolate com amêndoas a derreter em banho-maria com 60 g de manteiga, o café e o leite.
Uma vez derretido, retire do lume e deixe o xarope com amêndoas a arrefecer.
Bata o resto da manteiga com o açúcar em ponto de cordão, junte o xarope frio e o brandy até que fique tudo bem incorporado; reserve.
Bata as natas doces até que fiquem em espuma e incorpore a mistura anterior de modo a que fique bem envolvido.

Com a película aderente, cubra uma taça pequena de batedeira (em forma de balão) e deixe uma margem de película dos lados.

Ponha a preparação na taça e leve ao frigorífico durante 3 horas.

Decoração:

Para o creme de chantilly, bata as natas doces; quando estiverem espumosas, junte o açúcar glaceado, pouco a pouco e, no final, o extracto de baunilha.
Coloque o creme de chantilly num saco de pasteleiro com bico em forma de flor.
Tire a forma do frigorífico; esvazie-a sobre uma travessa de serviço redonda e tire a película que a envolve; decore com o creme a toda a volta da mousse.

Sirva imediatamente.

Notas:


Para 10 pessoas.
Tempo de preparação: 1H30 minutos
Tempo de refrigeração: 3 horas

05 abril 2005

Para reflectirmos...

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Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.
(Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud' )

Mais chocolate...

É das sementes do cacaueiro - Theobrama cacao - que se retira a manteiga de cacau e o cacau em pó. Após a colheita, os grãos passam por processos de descasque, fermentação, secagem, torrefacção e trituração, no final dos quais se obtém uma pasta muito gordurosa e amarga. A manteiga de cacau resulta da prensagem da referida pasta e o cacau em pó obtém-se, por moagem e peneiração, da manteiga de cacau.
O chocolate é uma mistura de ingredientes que inclui cacau e manteiga de cacau. Quanto maior for a quantidade de cacau, mais escuro será o chocolate que pode ir do muito escuro - chocolate preto - ao muito claro. O chocolate branco não tem cacau.
O açúcar é um dos ingredientes obrigatórios no fabrico do chocolate e aquele que entra, quase sempre, em maior quantidade. Dependendo da imaginação dos fabricantes, aos chocolates podem ser ainda adicionados diversos ingredientes: nozes, passas, licores, massapão, iogurte, bolacha, caramelo, etc. Enfim a panóplia de possibilidades pode ser ilimitada.
Claro que a composição nutricional de um chocolate está dependente da sua lista de ingredientes, mas, em média, é composto por 60% de hidratos de carbono, a maioria dos quais são açúcares simples (de absorção rápida); 35% de gorduras, principalmente saturadas; e 5% de proteínas. Contém ainda potássio, magnésio, fósforo e ferro e o seu valor calórico por 100 g raramente é inferior a 500 calorias.
Um chocolate de boa qualidade é um chocolate macio ao tacto, de grão fino e superfície brilhante. Relativamente à conservação, deve ser guardado em local seco e fresco, e normalmente tem um prazo de validade superior a um ano. Quando apresenta manchas esbranquiçadas à superfície, significa que sofreu alterações de temperatura, não devendo ser consumido nestas condições.
Além de ser consumido como tablete, o chocolate é utilizado na confecção de sobremesas e doces, na aromatização de leite e de iogurtes e na preparação de batidos.
Como é um produto rico em açúcar e gordura, deve ser consumido excepcionalmente e de forma moderada, já que desequilibra a ração alimentar. O seu elevado teor em açúcares de absorção rápida provoca um grande aumento de glicose no sangue, fazendo com que o pâncreas produza e liberte a insulina necessária à assimilação dessa glicose. Esta assimilação, que é também rápida, provoca um défice de glicose no sangue, causando uma sensação de fome e de fraqueza. Devido à grande quantidade de açúcar que o compõe, e também porque é um produto muito aderente, o chocolate pode provocar cárie dentária, pelo que é conveniente lavar os dentes e a boca após o seu consumo.
O chocolate contém várias substâncias que provocam efeitos nefastos: a cafeína e a teobromina que, com o seu efeito estimulante, causam irritabilidade e diminuem o sono; o tanino, que causa obstipação; a feniletilamina, que tem um efeito anti-depressivo, conferindo uma sensação de bem-estar, o que leva, muitas vezes, a um aumento do consumo de chocolate em situações de desconforto.

04 abril 2005

Chocolate!!!

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O chocolate conquistou a humanidade a partir do século XVI, quando o colonizador espanhol Hernán Cortés o conheceu no México, na corte de Montezuma II, e o levou para a Europa. Era uma bebida amarga e fria, preparada a partir da fruta do cacaueiro, árvore nativa das regiões tropicais da América.
Chamava-se xocolati (água amarga), levava pimenta e outras especiarias. Chegando à Europa, aprimorou-se. Na Espanha, perdeu a pimenta e recebeu açúcar, canela e baunilha. No início do século XVII, viajantes e comerciantes introduziram -no na Alemanha, França e Itália. Em 1659, David Chaillou começou a vender em Paris as primeiras tortas de chocolate. Uma década depois o chef Lassagne, que trabalhava para o duque de Plessis-Praslin, criou o primeiro bombom, coberto de caramelo. Em 1828, o holandês Coenraad Van Houten desenvolveu uma máquina revolucionária que separava a pasta de manteiga de cacau. Em 1875, utilizando o leite em pó inventado por seu conterrâneo Henri Nestlé, o suíço Daniel Peter apresentou ao mundo o chocolate ao leite. Na primeira década do século XX, surgiram as marcas internacionais: Neuhaus e Godiva, Callebaut e Cacao Barry, na Bélgica; Fauchon, La Maison du Chocolat e Menier, na França; Kohler e Lindt, Nestlé e Suchard, na Suíça; Van Houten's, na Holanda; Cadbury e Rowntree, na Inglaterra.

Lembro ainda que o chocolate se revelou igualmente precioso como alimento. Contém proteínas, gorduras, calorias, cálcio, magnésio, ferro, zinco, caroteno, vitaminas E, B1, B2, B3, B6, B12 e C. Outra virtude é a capacidade de substituir a linguagem no relacionamento humano, estabelecendo ou consolidando laços de amizade, solidariedade e amor. Dar uma caixa de bombons significa dizer "feliz aniversário", "boa viagem", "desculpe-me", "saúde" ou "estou apaixonado ". Não é por acaso, que é um presente difundido no Dia dos Namorados. O mesmo acontece no Dia das Mães.

01 abril 2005

As palavras de "Gabo"...

... um escritor que muito admiro:

"(...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco. "

( Gabriel García Marquez, in 'Memória das Minhas Putas Tristes' )

31 março 2005

Um poema para a Xocolaty...

O Milagre da Vida


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...

Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

(Albert Einstein )

( este poema devia ser acompanhado de um lindo ramalhete de girassóis, mas eu ainda não aprendi a publicar imagens aqui )

Um grande beijo para a Xocolaty

Um bom dia para todos

30 março 2005

Terramoto ao largo da Indonésia...

...mar calmo intriga cientistas.
Os sismólogos estão intrigados com o facto de este terramoto não ter provocado um tsunami de grandes dimensões, tal como acontecera a 26 de Dezembro. A comunidade científica debatia ontem uma possível explicação para a ausência de ondas mortíferas aparentemente, a libertação de energia ocorreu num ponto mais profundo da crosta terrestre e a massa de terra que se moveu no leito oceânico foi, por isso, muito menos importante.
Este novo sismo atingiu uma magnitude de 8,7 pontos na escala de Richter. O de Dezembro tivera 9,3. A escala de Richter é logarítmica, pelo que pequenas variações traduzem grandes dife- renças. Anteontem, foi libertada uma quantidade de energia quatro vezes menor do que em Dezembro. Apesar de tudo, ainda o equivalente a cinco mil bombas de Hiroxima, pois este terramoto foi um dos dez maiores dos últimos cem anos (o de Dezembro foi o segundo maior).
O sismo, que devastou a ilha de Nias, na costa oeste de Samatra, ocorreu no mar e teve origem na tensão acumulada na mesma zona onde ocorrera o terramoto de há três meses. Então, os movimentos tectónicos foram de tal forma extensos que provocaram novas situações onde a pressão acumulada teria de ser libertada. Os cientistas sabiam que haveria ali outras catástrofes, embora não soubessem quando.
No segundo grande sismo, o epicentro foi centenas de quilómetros mais a sul, na chamada Fossa de Sunda, no oceano Índico, na separação entre duas placas, a da Índia, que se desloca para norte (uns 60 milímetros por ano), e a microplaca da Birmânia, que abrange a ponta norte da ilha de Samatra. Em Dezembro, ambas as placas foram perturbadas, num rectângulo do tamanho de Portugal. Por exemplo, em consequência do sismo de Dezembro, há modelos que sugerem enormes deslocações de terra o leito marinho pode ter subido cinco metros, a costa da ilha de Samatra afundou ligeiramente e deslocou-se um ou dois metros para norte.
Mas desta vez, por sorte, não houve nenhum grande tsunami, apenas ondas de pequena dimensão, o que limitou as perdas humanas aos efeitos do abalo. Os cientistas sabem que dois sismos menores do que este, na mesma zona, em 1833 e 1861, provocaram ondas mortíferas. Aparentemente, as forças foram libertadas a grande profundidade (talvez mais de 30 quilómetros).Torna-se assim evidente a dificuldade de prever a formação de tsunamis e criar um sistema eficaz de alerta que não produza pânicos injustificados.
( In DN de hoje )

29 março 2005

Pessoa falando dos outros Pessoa...

...os heterónimos que foi criando:

"Umas figuras insiro em contos, ou em subtítulos de livros, e assino com o meu nome o que elas dizem; outras projecto em absoluto e não assino senão com o dizer que as fiz. Os tipos de figuras distinguem-se do seguinte modo: nas que destaco em absoluto, o mesmo estilo, me é alheio, e se a figura o pede, contrário, até, ao meu; nas figuras que subscrevo não há diferença do meu estilo próprio, senão nos pormenores inevitáveis, sem os quais elas se não distinguiriam entre si.
Compararei algumas destas figuras, para mostrar, pelo exemplo, em que consistem essas diferenças. O ajudante de guarda-livros Bernardo Soares e o Barão de Teive – são ambas figuras minhamente alheias – escrevem com a mesma substância de estilo, a mesma gramática e o mesmo tipo e forma de propriedade: é que escrevem com o estilo que, bom ou mau, é o meu. Comparo as duas porque são casos de um mesmo fenómeno – a inadaptação à realidade da vida, e, o que é mais, a inadaptação pelos mesmos motivos e razões. Mas, ao passo que o português é igual no Barão de Teive e em Bernardo Soares, o estilo difere em que o do fidalgo é intelectual, despido de imagens, um pouco como o direi?, hirto e restrito; e o do burguês é fluido, participando da música e da pintura, pouco arquitectural. O fidalgo pensa claro, escreve claro, e domina as suas emoções, se bem que não os seus sentimentos: o guarda-livros nem emoções nem sentimentos domina, e quando pensa é subsidiariamente a sentir.
Há notáveis semelhanças, por outra, entre Bernardo Soares e Álvaro de Campos. Mas, desde logo, surge em Álvaro de Campos o desleixo do português, o desatado das imagens, mais íntimo e menos propositado que o de Soares.
Há acidentes do meu distinguir uns de outros que pesam como grandes fardos no meu discernimento espiritual. Distinguir tal composição musicante de Bernardo Soares de uma composição de igual teor que é a minha ........
Há momentos em que o faço repentinamente, com uma perfeição de que pasmo; e pasmo sem imodéstia, porque, não crendo em nenhum fragmento de liberdade humana, pasmo do que se passa em mim como pasmaria do que se passasse em outros – em dois estranhos.
Só uma grande intuição pode ser bússola nos descampados da alma; só com um sentido que usa da inteligência, mas se não assemelha a ela, embora nisto com ela se funda, se pode distinguir estas figuras de sonho na sua realidade de uma a outra."
( Fernando Pessoa)

28 março 2005

Este é um outro Pessoa...

Poema em Linha Recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapêtes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

24 março 2005

A angústia do Poeta...

...ou o medo da loucura a fazer pregas na alma!

«Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem horror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.


Transbordou.

Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...
Isto.


Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,

Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.


Estou doido a frio,

Estou lúcido a louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura


Porque não são sonhos.
Estou assim...»


( Fernando Pessoa )

23 março 2005

Um comentário ao post anterior...

Um amigo, que por vezes nos visita, deixou este comentário, que publicamos :

"Olá.
Adoro o Fernando Pessoa e os heterónimos, posso dizer que são uma espécie de personagens dotados de complexo de superioridade, tiveram criação precedida por longa experiência de desdobramento psíquico com profundas raízes na sua personalidade. Aos seis anos, um antecessor dos heterónimos, Chevalier de Pas, ditava cartas para ele mesmo, mediunicamente talvez, como a demonstrar desde logo que a origem mental dos heterónimos está na "tendência orgânica e constante à despersonalização e à simulação", e no espiritismo. Esboçava-se o grande teatro introspectivo do qual ele era o dramaturgo, director e único espectador. Podemos então concluir que pelo menos um quarto dos documentos originais ainda não foram publicado. Os inéditos não cessam de aparecer, isto é, Pessoa e seu exército brancaleone de heterónimos ainda continuam a escrever. Fernando Pessoa é uma das personagens mais extraordinárias que Portugal um dia leu e ouviu.Deixo aqui um pensamento que decerto o Fernando comentaria, não devemos deixar de acreditar, tudo tem um sentido, ou nada faz sentido... dependemos de nós próprios para tudo, e devemos sofrer com todas as forças quando as coisas não são como deveriam ser. Evasivo, pouco concreto...(não sei, talvez). Primeiro, descobrimos o que somos, depois desfrutamos os momentos, só em seguida entramos no abismo (pensamento) e volta tudo ao principio.
Parabéns por se terem lembrado do Fernando Pessoa.
Cumprimentos Meus.AM."
AM 03.23.05 - 11:28 am #

Fernando Pessoa...

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Espólio Literário

A famosa «arca», que se encontrava em casa de sua irmã Henriqueta Madalena Rosa Dias, e agora se encontra na Biblioteca Nacional de Lisboa, compreende 25 455 originais (escritos pelo poeta) assim repartidos:

· 18 816 manuscritos
· 3 948 dactilografados
· 2 662 mistos
· 29 cadernos de conteúdo variado

Compreende ainda cartas recebidas e enviadas; documentos bibliográficos e biográficos; manuscritos de terceiros (poesia e prosa); documentos anexos de terceiros, perfazendo um total de cerca de 27 000 documentos, contidos em 104 pacotes e embrulhos variados.
Boa parte destes originais, em prosa e verso, permanecem inéditos. Há ainda textos sobre Política, Sociologia, Portugal na História e na sua realidade essencial, poesia em inglês, juízos críticos, textos de ficção, textos sobre ocultismo
, etc.

22 março 2005

Ainda a poesia...

Alberto Caeiro - "o bucólico"
Terá sido a 8 de Março de 1914, o "dia triunfal" de Fernando Pessoa, que surgiram muitos textos depois incluídos no ciclo "O Guardador de Rebanhos" – parte fundamental do que viria a ser o espólio poético do heterónimo Alberto Caeiro.

Vivendo no campo e sem ter ido além da instrução primária, Caeiro era considerado, todavia, o "mestre" dos restantes heterónimos e do próprio Pessoa, aparecendo na sua vida como um rápido meteoro, logo extinto em 1916.

Os seus poemas refugiam-se numa atitude como que colada à natureza e à sua realidade sensível, esvaziando-se de qualquer desejo de compreender o universo e satisfazendo-se com uma existência saboreada à flor de cada sensação.

Ao desistir da busca de um sentido que transcendesse a imanência dos sentidos, Caeiro propõe-nos uma comunhão directa com os seres e as coisas, uma "aprendizagem de desaprender" que por vezes tem sido associada ao budismo zen.



21 março 2005

Hoje é dia de poesia...

( assinalamos assim O Dia Mundial da Poesia )

Magnificat

(Álvaro de Campos )


Quando é que passará esta noite interna, o universo,

E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que dispertarei de estar accordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossivel de fitar.
As estrellas pestanejam frio,
Impossiveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossivel de escutar.
Quando é que passará este drama sem theatro,
Ou este theatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida,
Quem tens lá no fundo?
É Esse! É esse!Esse mandará como Josué parar o sol e eu accordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma: será dia!

(07 de Novembro de 1933)

18 março 2005

As coisas secretas da alma...

Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.
(Mário de Sá-Carneiro, in 'Cartas a Fernando Pessoa' )

17 março 2005

Felicidade...

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Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, como todos nós, morrem. Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.

(José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados' )

16 março 2005

Quilimanjaro sem neve...

pela primeira vez em 11 mil anos.

Uma fotografia divulgada ontem em Londres mostra o cume do monte Quilimanjaro, o ponto mais alto do continente africano, praticamente sem neve ou gelo. Segundo os cientistas, esta é a primeira vez que tal sucede em mais de 11 mil anos, sendo que o fenómeno é atribuído ao aquecimento global.
A imagem está exposta no Museu da Ciência da capital britânica, e consta também de um livro que foi ontem distribuído a ministros da Energia e do Ambiente de 20 países, que se encontram em Londres a discutir a questão das mudanças climáticas no planeta.
Com 5 892 metros de altitude, o Quilimanjaro é o ponto mais alto de um maciço vulcânico que se estende entre o Quénia e a Tanzânia. Segundo os cientistas, o aquecimento global tem vindo a provocar profundas alterações neste maciço, que perdeu 80 por cento da área coberta por neve e gelo no último século e poderá ficar definitivamente descoberto em 2020.
A organização "Climate Change", que elaborou um relatório sobre os fenómenos climáticos a nível mundial, aponta o Quilimanjaro como um exemplo do que poderá suceder se nada for feito para alterar o rumo dos acontecimentos. No caso concreto, o desaparecimento da neve deste maciço poderá traduzir-se em alterações dramáticas em todos os ecossistemas das planícies que o envolvem.
Um dos símbolos do continente africano, o Quilimanjaro atrai anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. A beleza deste monte inspirou o escritor norte-americano Ernest Hemingway no clássico de 1938 "As neves do Kilimandjaro", e serviu também de tema central em vários filmes de Hollywood. Apesar de se encontrar próximo do Equador, num clima tropical, a apenas três graus de latitude sul, a grande altitude do Kilimandjaro tornava possível a queda de neve e gelo.
O aumento das temperaturas, que segundo vários especialistas terão registado os maiores valores já registados em 1998, tem provocado degelos preocupantes noutros glaciares, nomeadamente no Tibete e nos Andes peruanos.
( In Diário de Notícias de hoje )

15 março 2005

Amor!!!

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Assentei o amor pelos meus nessa dádiva de sangue que me corre nas veias e chegou até mim através da consanguinidade de várias gerações da minha família, assim como a mãe assenta o seu amor no leite que dá. É aí que reside o mistério. É preciso começar pelo sacrifício para alicerçar o amor. É preciso vivê-lo para podermos dizer que de facto existimos.

14 março 2005

Rir é o melhor remédio...

"Aspirina previne mais o enfarte nos homens do que nas mulheres

Práticas médicas podem ser alteradas. Estudo com 40 mil mulheres saudáveis com mais de 45 anos mostra grandes diferenças de resposta entre géneros e sugere mais atenção ao sexo feminino.
O uso regular da aspirina não previne enfartes nas mulheres saudáveis com menos de 65 anos, ao contrário do que se passa com os homens. Um estudo de 40 mil mulheres com mais de 45 anos concluiu que há uma resposta muito distinta entre os dois géneros a este tipo de terapia preventiva. Isto leva os cardiologistas a concluir que há que investir mais na observação de mulheres neste tipo de estudos epidemiológicos, que estão muito masculinizados.Durante dez anos, 20 mil mulheres saudáveis com mais de 45 anos submeteram-se a tomas diárias de 100 miligramas de aspirina, uma dose considerada baixa, para verificar se ocorria uma diminuição de casos de enfarte em comparação com um outro grupo de 20 mil mulheres que tomaram placebos (simples comprimidos de açúcar ou farinha, sem acção medicinal), funcionando como grupo de controlo.O estudo, apresentado esta semana na reunião anual do Colégio Americano de Cardiologia por uma equipa de investigadores de várias instituições norte-americanas, prova que há uma diminuição de apenas nove por cento do risco de enfarte. Segundo a equipa, este valor não é significativo para que se continue a aplicar esta terapia preventivamente, tendo em conta alguns efeitos secundários conhecidos, como complicações gástricas.No entanto, a equipa ressalva que a prevenção secundária, ou seja, em mulheres com episódios anteriores de doença cardíaca, ou ainda com mais de 65 anos, deve continuar a ser praticada. O estudo confirma também que o risco de enfarte ou ataque cardíaco em mulheres com mais de 65 anos é maior do que nos homens. Isto prende-se porque, depois de passarem a menopausa, as mulheres perdem aos poucos o efeito benéfico que os estrogénios naturais têm na prevenção cardíaca.Descobriram ainda outro benefício inesperado em relação às tomas diárias de aspirina em mulheres saudáveis - notaram uma diminuição de 24 por cento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), nomeadamente o AVC isquémico, o mais comum, com paragem do fluxo sanguíneo no cérebro, em comparação com o grupo de controlo. A diminuição dos casos de AVC em voluntários que faziam terapia de prevenção com aspirina nunca tinha sido provada em estudos com homens.Estudos anteriores sobre a prevenção primária, ou seja, em pessoas sem episódios anteriores de doença cardíaca, mostraram que tomas diárias de 325 miligramas de aspirina (o equivalente a uma aspirina normal) em homens entre os 40 e os 84 anos, reduzia em 44 por cento o risco de ter um enfarte .Mas o cardiologista Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, explica que o problema das conclusões tidas como referência até hoje nesta área é basearem-se apenas em estudos de homens, esquecendo as mulheres: "É um estudo com uma grande mensagem. O problema é que na medicina os estudos são feitos em homens e existem diferenças importantes entre géneros."O homem, sublinha, "não pode continuar a ser um modelo de estudo. Esta é a grande mensagem. As mulheres têm de estar mais representadas. O que vemos normalmente são estudos com 80 por cento de homens, isto nos casos em que existem mulheres. E já vimos que as generalizações são erradas."Manuel Carrageta acha que estes resultados, que serão publicados na edição de 31 de Março da revista médica norte-americana New England Journal of Medicine, podem vir a alterar a maneira como os médicos encaram a prevenção da doença cardiovascular com aspirina: "É um estudo com um grande poder estatístico, que nos pode levar a concluir que, em termos de prevenção primária, se a mulher for saudável, não se deve dar aspirina, uma vez que, mesmo em pequenas doses, a aspirina pode originar hemorragias digestivas. Só se deve dar a aspirina para prevenção quando o benefício supera estes inconvenientes."Mas o cardiologista frisa que a decisão do médico deve ser tomada com base numa análise caso a caso e nunca esquecendo os benefícios para as mulheres com mais de 65 anos ou para as mulheres com episódios anteriores de AVC, de enfarte ou risco familiar acrescido.O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia chama ainda a atenção para o facto de, em termos cardiovasculares, o AVC afectar mais as mulheres portuguesas do que o enfarte. Anualmente, morrem cerca de 20 mil mulheres em Portugal de AVC e cerca de dez mil, metade, devido a enfarte.
Rir é o melhor remédio... para a saúde cardiovascular.O riso está relacionado com um melhor estado do nosso sistema cardiovascular. Quem o diz são cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore (Estados Unidos). A equipa usou filmes cómicos para pôr a rir um grupo de 20 voluntários - dez homens e dez mulheres saudáveis e não fumadores, com uma idade média de 33 anos -, enquanto analisava, por ultra-sons, a dilatação e contracção dos vasos sanguíneos. Concluiu que o riso ajudava os vasos sanguíneos a dilatarem-se ou expandirem-se, aumentando o fluxo sanguíneo. Por outro lado, quando o mesmo grupo de voluntários foi submetido a cenas de um filme que lhes causava uma sensação de stress, ou mesmo medo, ocorria sempre uma contracção dos vasos sanguíneos. O estudo, apresentado esta semana na reunião anual do Colégio Americano de Cardiologia, em Orlando, na Florida, dizia ainda que, se a principal causa de aterosclerose é a rigidez do endotélio dos vasos sanguíneos, ou seja, o tecido que forma o interior do vaso, pode ser que o riso tenha um efeito terapêutico. O riso pode ajudar a flexibilizar os movimentos de dilatação e contracção, essenciais para que se estabeleça um fluxo sanguíneo normal, reduzindo o risco de acidentes vasculares. A.M."

( In Público de hoje )