ou mais um contributo deste blogue para a campanha eleitoral!
Barrancos"As pessoas estão tristes"
"As pessoas sentem-se tristes e abandonadas. Basta ver o estado das nossas estradas", diz António Gavino, à porta da Sociedade União, a colectividade dos barranquenses ricos, que rivaliza com a Sociedade Recreativa, fundada pelo pobres. Mesmo que o aspecto exterior dos edifícios indicie o contrário.
"É isso que explica que as pessoas não se interessem por política ou por campanhas. Com excepção, talvez, das autárquicas. Como se sentem abandonadas, ligam cada vez menos. Mas fazem mal. Os políticos decidem coisas que nos interessam e, só por isso, as pessoas deviam preocupar-se . Mas infelizmente não é isso que acontece".
"E os políticos", prossegue António Gavino, já reformado e que explora agora um café em Barrancos, "deviam tentar perceber melhor o interior. Deviam visitá-lo mais vezes."O desemprego e o estado da agricultura ajudam a compreender melhor os dramas de Barrancos e de muitas outras localidades do Alentejo, onde a pobreza extrema ainda se faz sentir. Sobretudo nas gerações mais idosas. "Ainda há dias, atendi no café uma pessoa que recebe 50 euros de reforma por mês. Como é que alguém pode viver com isso?"
E a comparação com as zonas de fronteira do lado da Espanha também começa a deixar marcas. "Não sei como é que eles fazem, mas aqui ao lado têm mais dinheiro. Não sei se aproveitaram melhor os dinheiros da CEE ou não, mas nota-se isso."
À porta das duas colectividades, na praça onde se matam os touros durante as festas, o número de pessoas vai aumentando, enquanto António Gavino dá outros exemplos. "Os meus fornecedores são quase todos espanhóis. Os preços são melhores e eles não falham. Se for preciso, levantam-se às 5.30 da manhã e às 7.00 já aqui estão. Os nossos aparecem ao meio-dia e a primeira coisa que fazem é ir almoçar."
(In Diário de Notícias de hoje )