21 janeiro 2005

Sócrates, o grego...

. e a procura da verdade ou eu a tentar perceber o que é que o nome do actual candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista, me faz pensar.
Sócrates, o grego, fez do diálogo, da teia que se tece entre uma sucessão interminável de perguntas e respostas, o caminho da busca da verdade.
O diálogo evoca o poder dos demiurgos e dos feiticeiros, e num diálogo platónico, um dos discípulos, Ménon, deslumbrado e confuso com a incessante descoberta a que o conduz o questionar de Sócrates, confessa "Agora enfeitiçaste-me, encantaste-me, e submeteste-me inteiramente ao teu poder, de tal forma que já não encontro qualquer saída."
Nas mesmas circunstâncias, um outro discípulo, Teeteto, balbucia. "Estou com vertigens." Ao que Sócrates responde. "Isso é o início da filosofia."
Sócrates, o grego, deixa-nos assim essa herança tão actual o questionar, no diálogo, conduz à perplexidade, e é a perplexidade que leva ao entendimento.
O que tem isto a ver com a política, ou com a campanha eleitoral que vivemos?

Desabafos da Melancia em pré-campanha eleitoral...

Um Governo diminuído nas suas capacidades não pode, nem deve, tomar decisões que condicionem o futuro do País.

Quase três anos de governo PSD-PP espremeram os portugueses, sobretudo os de menores rendimentos.

Há uma atmosfera de mediocridade que oscila entre a Teresa Guilherme e a Quinta das Celebridades e parece sufocar tudo o resto num pântano sem remédio.

Os pobres portugueses são os mais pobres da Europa rica e é em Portugal que se encontram as maiores assimetrias entre riqueza e pobreza.

O País precisa de optimismo e de objectivos.

20 janeiro 2005

Será record mundial???

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Os membros do Governo continuam a nomear pessoas para os seus gabinetes. De acordo com o jornal Público, entre a data do anúncio da dissolução do Parlamento, a 30 de Novembro, e o dia de ontem são vários os casos de recrutamento para cargos como adjuntos de gabinete, secretárias ou chefes de gabinetes. Entre o dia 30 de Novembro e o de ontem, foram publicados em Diário da República 2446 despachos de nomeação.

O píncípio da limitação de competências...

Decidimos hoje dar um pequeno contributo para ajudar o nosso Governo a recordar o que está dito na Constituição da República Portuguesa sobre o espaço de intervenção de um governo de gestão:

Artigo 186.º
(Início e cessação de funções)

1. As funções do Primeiro-Ministro iniciam-se com a sua posse e cessam com a sua exoneração pelo Presidente da República.
2. As funções dos restantes membros do Governo iniciam-se com a sua posse e cessam com a sua exoneração ou com a exoneração do Primeiro-Ministro.
3. As funções dos Secretários e Subsecretários de Estado cessam ainda com a exoneração do respectivo Ministro.
4. Em caso de demissão do Governo, o Primeiro-Ministro do Governo cessante é exonerado na data da nomeação e posse do novo Primeiro-Ministro.
5. Antes da apreciação do seu programa pela Assembleia da República, ou após a sua demissão, o Governo limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos.

Assim e para a concretização destes princípios, o Governo não pode continuar a fazer privatizações, nem a adjudicar contratos administrativos de valor significativo, nem a nomear ou demitir pessoas relativamente a cargos públicos de provimento por livre escolha ( pode nomear os apurados em concursos públicos ).

Parece-nos que o frenesim legislativo e decisório em que entrou o actual Governo, desde que apresentou a demissão, é inconstitucional e ilegal.

19 janeiro 2005

Fazer de conta ou fazer as contas...

Em Portugal, governantes e governados têm uma de duas opções ou continuam a fazer de conta ou fazem as contas.A primeira via traduz na perfeição o muito peculiar "portuguese way of life" - que consiste na crença de que o crédito é ilimitado e os fundos comunitários infindáveis e radica numa profunda indiferença sobre os custos que transitam para as gerações futuras.
Se governantes e governados optarem por fazer as contas, isso obrigará a um esforço suplementar com custos eleitorais para os partidos e sacrifícios objectivos para os cidadãos. Mas essa via terá a enorme vantagem de - por uma vez que deve servir de exemplo - encarar a realidade tal como ela é.
Fazer de conta significa, tal como refere o documento de reflexão da SEDES, replicar o ciclo de empobrecimento e de degradação do bem-estar da sociedade portuguesa.

18 janeiro 2005

Desabafo da Melancia...

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O exercício do poder, em mãos que não estão preparadas para isso, pode ser dinamite!

Mais um contributo p/ animar a pré-campanha eleitoral....

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E se um dia houvesse eleições e ninguém fosse votar?


17 janeiro 2005

Legislativas, as garantias e as promessas...

Nas próximas eleições o que vai estar em causa é a escolha entre os que não nos tiraram da crise, os que lá nos meteram e os que fariam pior se lá estivessem.

Os partidos são, no essencial, iguais.

Neste cenário e em consciência ao colocar o meu voto na urna, poderei dizer que exerci um dever democrático?


14 janeiro 2005

Um político falando de lado de fora da política...

"Os portugueses sentem-se defraudados, enganados.Quem exerce um cargo político não pensa no bem comum. Os políticos só pensam nos seus interesses pessoais. Pior, são todos iguais. Este é o retrato de uma sociedade que está no impasse."
(Jorge Coelho - Diário de Notícias)


Contra a abstenção...

Porque não dizem os dois candidatos a primeiro-ministro os nomes dos seus principais ministros, sobretudo o das Finanças? E porque não se comprometem com governos com um máximo de doze ministros? Só lhes ficaria bem dizer com clareza ao que vêm e limitar, à partida, as quotas das clientelas partidárias nos seus executivos
PS aplaude da bancada o festim de asneiras liderado por Pedro Santana Lopes e pelos ministros e assessores que o primeiro-ministro escolheu a dedo. O PS pode rir-se, mas faria melhor se pensasse.O que está em causa não é apenas a queda livre de um primeiro-ministro e a degradação diária de um Governo; o cerne da questão vai bem mais fundo é a imagem da classe política que sai de rastos deste filme. O triste espectáculo do Governo e as omissões do principal partido da oposição só podem ter como corolário um aumento significativo da taxa de abstenção.O combate à abstenção é, talvez, o único pacto de regime exequível em Portugal. Por uma simples razão a eleição dos políticos depende dos votos e são os votos que dão importância aos políticos. A luta contra a abstenção é uma obrigação cívica dos partidos, mas o sucesso dessa missão está dependente da confiança que eles saibam transmitir aos eleitores.
A abstenção irá favorecer o PSD e o PS sabe disso.
Assim no próximo dia 20 de Fevereio se não encontrar solução para a dúvida que neste momento me atormenta: não saber a quem entregar o meu precioso voto, irei votar em branco.Abstenção, nunca!!!

13 janeiro 2005

Ofereço este pequeno texto a todos...

os meus concidadãos que tencionam ir votar no próximo dia 20 de Fevereiro:

Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)

Um nova palavra na Língua Portuguesa...

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para ser adicionada a qualquer bom dicionário:

Santanice (de Portuga Santana) - acto ou acção de alguém que acaba sempre por prejudicar outro alguém e ser também ele prejudicado com esse acto ou acção, sem ter consciência disso. Forma de agir inopinada e irresponsável que prejudica toda a gente envolvida directa ou indirectamente na acção, sem que o autor tenha uma consciência absoluta dos consequências dessa acção - "fez-lhe uma santanice" " acabou por se santanizar" "se disse isso, vai ser santanizado!", - estupidez, parvoíce, inexperiência, irresponsabilidade de grande dimensão, efeito negativo de algo dito ou feito por um inconsciente com poder para o fazer."

Campanha Eleitoral: perguntas da Melancia...


1ª - Como pode um ministro demitir-se se o governo já foi demitido?
2ª - Como pode um ministro ir a S: Tomé em missão "secreta" se o governo está só em "gestão"?
3ª - Os assuntos de Estado não são discutidos pelo Conselho de Ministros?
4ª - O governo já não reune todo?
5ª - Como pode o ministro que tutela as Actividades Económicas, Álvaro Barreto, desconhecer o interesse da Galp no petróleo de S. Tomé e Príncipe?
6ª - Porque gastou o sr ministro 63.200 euros numa viagem que podia ter custado 28.560?

E para terminar uma adivinha: em quantas broncas ( poderemos até chamar-lhe " gaffes" ) já esteve envolvido o ministro Morais Sarmento?

Assim sendo e de consciência tranquila devolvo a este ministro uma frase com que ele presenteou o Sr. Presidente da República, em Dezembro passado: o sr. ministro fala e age com uma "lógica de cauddilho"!!!

12 janeiro 2005

Este blogue já está na pré-campanha eleitoral...


O político que diz não sei o quê

Assumir compromissos claros em campanha transformou-se numa actividade em vias de extinção. O que dá votos também os tira e as contas estão cada vez mais difíceis de fazer. Deve ser por isso que o futuro primeiro-ministro de Portugal passa os dias a desmentir as notícias dos jornais. Em concreto não esclarece nada e com nada se compromete. Sócrates diz generalidades sobre os temas que tem definidos na sua própria agenda e só responde à agenda dos jornais depois das histórias serem publicadas. Foi assim com a co-incineração e o referendo ao aborto. Em nome da maioria absoluta, meta legitimamente ansiada pelo PS, a equipa de Sócrates decidiu que tudo será dito num só dia «A 22 de Janeiro será conhecido o programa de governo». O País precisa de uma maioria e de um rumo - as sondagens garantem a maioria, mas «Agora Portugal vai ter um rumo» ainda só é um slogan.
O PS foi o primeiro partido a sair para a estrada em pré-campanha e o único a pedir maioria absoluta. Organizou um mega-jantar para mostrar que Sócrates vale hoje mais que o camarada Mário Soares e foi testar o apoio popular nas ruas do Porto. A campanha só não corre bem porque os jornalistas insistem em fazer perguntas.O pouco ou nada que sabemos sobre o que vai ser a política do próximo Governo também é a marca do PSD. A verdade é que já nos convencemos que o primeiro-ministro será o eng.º Sócrates e é dele que queremos saber o que pensa fazer deste País. Queremos propostas concretas no lugar das promessas.

( In Diário de Notícias de hoje )
Ponto de Vista
Paulo Baldaia
Jornalista

10 janeiro 2005

A Terra ficou mais 'acelerada'...

Cientistas australianos admitiram ontem que o movimento de rotação da Terra tenha vindo a ficar «permanentemente acelerado» pelo violento sismo de dia 26 de Dezembro ao largo de Aceh, responsável pelo maremoto que provocou mais de 156 mil mortos. A Terra terá sido acelerada em apenas uma fracção de segundo, mas, para todos os efeitos, os dias estarão mesmo mais curtos.
O sismo foi o maior dos últimos 40 anos (grau 9 na escala de Richter) e o mais mortífero de que há memória na história da humanidade. Os cientistas dizem que, para além das várias réplicas que têm vindo a ser assinaladas na região, o próprio planeta ainda está a vibrar devido à potência do abalo.
«Isto não são coisas que nos façam cair da cadeira», esclareceu o investigador australiano Herb McQueen, numa entrevista dada à agência noticiosa Reuters e divulgada em vários jornais. «Mas estão certamente acima do nível de vibração que estamos habituados a registar normalmente.»

07 janeiro 2005

um pensamento para o fim-de-semana...

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Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.

(Sócrates)

06 janeiro 2005

Mulheres ao poder, já!!!

- Temos um dia internacional...
- Sentar de pernas fechadas não dói...
- Podemos usar tanto rosa quanto azul...
- Sabemos SEMPRE que o filho é nosso...
- Temos prioridade em botes salva-vidas...
- Não pagamos a conta. No máximo dividimos...
- A programação da TV é 90% voltada pra nós...
- Somos os primeiros reféns a serem libertados...
- Existem diversas roupas que modelam o nosso corpo...
- A idade não atrapalha nosso desempenho sexual...
- Podemos ir pro trabalho de bermudas e sandálias...
- Podemos ficar excitadas sem que ninguém perceba...
- Podemos fazer sexo por dia quantas vezes quisermos....
- Se somos traídas somos vítimas, se traímos eles são cornos..
- Somos capazes de prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo....
- Mulher de embaixador é embaixatriz; marido de embaixadora não é nada....

- Não precisamos ser perfeitas pra ouvir assobio na rua... basta pôr uma
saia mais curta...

- Somos monogâmicas (embora precisemos testar vários homens para achar um que valha a pena )

- Mulher de presidente é Primeira-Dama; marido de presidenta é um zero à esquerda, mesmo que ele seja de direita...

- Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço, mesmo com 3 bilhões de neurônios a menos, ou seja, nossos neurônios são mais eficientes...

- Se resolvemos exercer profissões predominantemente masculinas, somos "pioneiras", mas se um homem resolve exercer uma profissão tipicamente feminina, é maricas ou bicha...

- E por último: Fazemos tudo o que um homem faz, e de SALTO ALTO!

- E para concluir:

- Uma mulher pode ser em simultâneo e durante as 24 horas do dia, ao serviço da sua família: mãe, amante, amiga, enfermeira, psicóloga, cozinheira, gestora, costureira, empregada doméstica, decoradora, assistente social, educadora de infância, professora, explicadora, consultora de imagem, confidente, cabeleireira e um rol de tarefas quotidianas, sem que para isso seja necessário obter um diploma.

- Uma mulher pode estar em simultâneo ao telemóvel tratando de um assunto profissional, ao computador consultando a conta bancária, ,a escutar os problemas de uma filha adolescente, a ler a última aventura amorosa de filha mais velha no "msn", e a pensar no que vai cozinhar para o jantar!

- As mulheres podem ter capacidades perceptivas e um desenvolvimento da inteligência emocional suficientes para salvar qualquer quotidiano medíocre.

( este post destina-se a assinalar a quase inexistência de mulheres nas listas de todos os partidos para as próximas eleições legislativas )




04 janeiro 2005

Um pensamento da Melancia...

para saudar o ano de 2005:

" O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos "

( dedicado em especial às minhas filhas Sofia e Maria )

29 dezembro 2004

A solidariedade na blogosfera...

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Os blogues, muitas vezes conhecidos como fóruns políticos ou diários íntimos online, tornaram-se actores de primeiro plano depois do tsunami que assolou o sudoeste asiático.

Encontrei hoje esta página que partilho convosco: http://www.tsunamihelp.blogspot.com, onde bloguistas da região abriram as suas páginas aos testemunhos pungentes e ultra-realistas, em primeira mão , dando maior projecção à catástrofe, apoioando os sobreviventes e divulgando formas de ajuda às vítimas desta calamidade.

Efeitos políticos dos tsunamis...

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O adiamento das legislativas nas Maldivas é o primeiro sinal das repercussões políticas do tsunami no Sudeste asiático. Mas mais do que afectar o processo eleitoral no minúsculo arquipélago, o maremoto ameaça também influenciar o conflito separatista em Aceh, na Indonésia, e a guerra civil no Sri Lanka. Em Aceh, região do Norte da ilha de Samatra, o número de mortes causado pelo maremoto poderá rondar os dez mil, mas mesmo assim a guerrilha acusa as tropas indonésias de prosseguirem os combates e estarem a dificultar os socorros. Conhecida pela sua riqueza petrolífera, que hesita em partilhar com o resto da Indonésia, Aceh vive agora a irónica situação de necessitar do auxílio do resto do país. Oficialmente, as autoridades de Jacarta decretaram um cessar-fogo unilateral para se dedicarem às medidas de auxílio às vítimas, mas o Movimento Aceh Livre desmente que tal esteja a acontecer. E deixa no ar a suspeita de que Jacarta pode estar discretamente a punir as populações rebeldes. No Sri Lanka, ao contrário da Indonésia, existem sinais de que a tragédia comum poderá aproximar os separatistas tâmiles e o regime cingalês, ajudando um diálogo que tentava dar frutos nos últimos meses, sob mediação norueguesa. No seu bastião no Norte da ilha, em torno de Jaffna, os Tigres tâmiles estão a organizar as suas próprias operações de socorro, mas os recursos insuficientes levaram-nos a apelar ao auxílio internacional. Mas o Governo propôs já ajudar, invocando a necessidade de um entendimento nacional nesta hora de tragédia. Noutros países da região, a estabilidade política dependerá, sobretudo, da capacidade de recuperação da economia. O caso da Tailândia, e da sua indústria turística, é para acompanhar.


( In Diário de Notícias, hoje >)