.
O adiamento das legislativas nas Maldivas é o primeiro sinal das repercussões políticas do tsunami no Sudeste asiático. Mas mais do que afectar o processo eleitoral no minúsculo arquipélago, o maremoto ameaça também influenciar o conflito separatista em Aceh, na Indonésia, e a guerra civil no Sri Lanka. Em Aceh, região do Norte da ilha de Samatra, o número de mortes causado pelo maremoto poderá rondar os dez mil, mas mesmo assim a guerrilha acusa as tropas indonésias de prosseguirem os combates e estarem a dificultar os socorros. Conhecida pela sua riqueza petrolífera, que hesita em partilhar com o resto da Indonésia, Aceh vive agora a irónica situação de necessitar do auxílio do resto do país. Oficialmente, as autoridades de Jacarta decretaram um cessar-fogo unilateral para se dedicarem às medidas de auxílio às vítimas, mas o Movimento Aceh Livre desmente que tal esteja a acontecer. E deixa no ar a suspeita de que Jacarta pode estar discretamente a punir as populações rebeldes. No Sri Lanka, ao contrário da Indonésia, existem sinais de que a tragédia comum poderá aproximar os separatistas tâmiles e o regime cingalês, ajudando um diálogo que tentava dar frutos nos últimos meses, sob mediação norueguesa. No seu bastião no Norte da ilha, em torno de Jaffna, os Tigres tâmiles estão a organizar as suas próprias operações de socorro, mas os recursos insuficientes levaram-nos a apelar ao auxílio internacional. Mas o Governo propôs já ajudar, invocando a necessidade de um entendimento nacional nesta hora de tragédia. Noutros países da região, a estabilidade política dependerá, sobretudo, da capacidade de recuperação da economia. O caso da Tailândia, e da sua indústria turística, é para acompanhar.
( In Diário de Notícias, hoje >)
29 dezembro 2004
28 dezembro 2004
um pensamento para hoje...
.
Quem não sabe suportar contrariedades nunca terá acesso às coisas grandiosas.
( permitam-me que ofereça este pensamento à minha filha Maria. Ela tem 12 anos e precisa de pensar na possibilidade da vida ter coisas grandiosas à espera dela )
Quem não sabe suportar contrariedades nunca terá acesso às coisas grandiosas.
( permitam-me que ofereça este pensamento à minha filha Maria. Ela tem 12 anos e precisa de pensar na possibilidade da vida ter coisas grandiosas à espera dela )
27 dezembro 2004
TSUNAMI...
.
Ontem esta palavra entrou na minha vida!
Com ela entrou também a dor das imagens de 7 países asiáticos invadidos por enormes paredes de água formadas pelo sismo que teve o epicentro na ilha indonésia de Samatra.
Pelo que vi e senti o meu Natal foi menos feliz pois não consigo deixar de pensar naqueles países: India, Bangladesh, Indonésia, Malásia, Sri Lanka, Maldivas e Tailândia, nos milhares de vítimas e naqueles que são dados como desaparecidos mas que certamente foram arrastados pelas águas enfurecidas.
No dia em que o mar invadiu a terra naqueles locais paradisíacos, onde os turistas europeus com dinheiro gostam de apanhar sol para fugir ao frio dos respectivo países, eu aqui no meu cantinho a tentar proporcionar um Natal mais aconchegante aos meus, aprendi uma terrível palavra:tsunami!
Ontem esta palavra entrou na minha vida!
Com ela entrou também a dor das imagens de 7 países asiáticos invadidos por enormes paredes de água formadas pelo sismo que teve o epicentro na ilha indonésia de Samatra.
Pelo que vi e senti o meu Natal foi menos feliz pois não consigo deixar de pensar naqueles países: India, Bangladesh, Indonésia, Malásia, Sri Lanka, Maldivas e Tailândia, nos milhares de vítimas e naqueles que são dados como desaparecidos mas que certamente foram arrastados pelas águas enfurecidas.
No dia em que o mar invadiu a terra naqueles locais paradisíacos, onde os turistas europeus com dinheiro gostam de apanhar sol para fugir ao frio dos respectivo países, eu aqui no meu cantinho a tentar proporcionar um Natal mais aconchegante aos meus, aprendi uma terrível palavra:tsunami!
22 dezembro 2004
Um pedido de Natal...
.
Natal
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
(Carlos Drummond de Andrade.)
Natal
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
(Carlos Drummond de Andrade.)
17 dezembro 2004
Hino a um Rabanete!
Ó Vegetal dos quintais divinos,
Ó Raiz sensual da minha salada,
Componho-te eu este hino,
Na esperança de um dia ser...
talvez...
a tua amada!
Ó Botãozinho sensualmente vermelho,
Meu doce e picante tesouro,
Pudesse eu, dizer-te sem rodeio,
Que o teu sabor vale ouro!
Ó Maçã do meu Paraíso,
Lua Cheia da minha noite escura,
Só o pensamento do teu sorriso,
Apaga de vez qualquer amargura!
Rabanete do meu coração,
Esquece os leigos que te ignoram!
Acredita que, quando te tenho na mão...
Pelo desejo de te comer...
os meus olhos choram!
Dedicado ao António que ousou considerar um Rabanete como um vegetal sem qualquer importância!
Ó Raiz sensual da minha salada,
Componho-te eu este hino,
Na esperança de um dia ser...
talvez...
a tua amada!
Ó Botãozinho sensualmente vermelho,
Meu doce e picante tesouro,
Pudesse eu, dizer-te sem rodeio,
Que o teu sabor vale ouro!
Ó Maçã do meu Paraíso,
Lua Cheia da minha noite escura,
Só o pensamento do teu sorriso,
Apaga de vez qualquer amargura!
Rabanete do meu coração,
Esquece os leigos que te ignoram!
Acredita que, quando te tenho na mão...
Pelo desejo de te comer...
os meus olhos choram!
Dedicado ao António que ousou considerar um Rabanete como um vegetal sem qualquer importância!
16 dezembro 2004
A Magia do Natal...
Quando era pequena pensava que as figurinhas do presépio andavam. Quando me recordo desses tempos, lembro-me sempre com muita saudade e ternura do cuidado com que a minha mãe coleccionava esses pequenas figurinhas de barro e o quanto nós crianças as olhávamos com reverência como se elas fossem gente.
Todos os anos a minha mãe juntava uma nova figura. A recordação mais antiga que a minha memória reteve é um presépio só com a mãe o menino nas palhas, o burro e a vaca. Estas figuras eram muito antigas, a minha mãe trouxe-as dos Açores, quando se mudou para o Continente atrás do Amor.Foi nos anos quarenta , logo a seguir ao fim da II Guerra mundial.
Depois vieram os pastores, os reis magos, o anjo, o pai e outras figuras do povo: uma mulher com uma bilha de água à cabeça, um velho sentado olhando em frente que a minha mãe colocava junto a um pequeno caminho bordejado de musgo, por onde os reis magos haviam de passar em direcção à gruta onde estava o menino.
Junto a um lago feito c/ um espelho também bordejado de musgo que a minha mãe cuidadosamente apanhava no pinhal, pois naquele tempo não se comprava o musgo nas floristas…) eram colocados uns patinhos brancos, uns junto à margem e outros em cima do lago) e um conjunto de crianças que brincavam.
No dia em que se montava o presépio as figuras dos pastores e dos reis magos ficavam no início do caminho, a um nível inferior à gruta que era a mais alta e a mais destacada, e na noite de Natal lá estavam pastores e reis em frente à gruta, adorando o menino.
Ccom orgulho, nós crianças, dizíamos que as nossas figuras, por magia, andavam. Em família, os adultos sorriam com cumplicidade e a minha mãe fazia gestos para que se calassem. As outras pessoas fora da família por vezes troçavam de nós, da nossa ingenuidade.
Eu como mais velha fui a primeira a descobrir o mistério das figuras que andavam. A minha mãe iniciou-me nesse segredo de natal de todos os dias depois das crianças adormecerem ir ao presépio e fazer avançar um pouco as figurinhas que queríamos que chegassem à gruta na noite mais longa.
Estou muito grata à vida por me ter dado a oportunidade de poder viver este segredo compartilhado com a minha mãe. Recordo aquele tempo de pobreza vivida com o calor do amor com saudade e gratidão.
Hoje procuro dar um toque de maravilha ao Natal dos que amo, tanto na decoração da casa, como nos pratos que cozinho, ou nas prendas que escolho, para que um dia, no futuro, me recordem com saudade e gratidão e digam que o meu amor foi para eles a estrela luminosa que os guiou nos sonhos da infância.
Todos os anos a minha mãe juntava uma nova figura. A recordação mais antiga que a minha memória reteve é um presépio só com a mãe o menino nas palhas, o burro e a vaca. Estas figuras eram muito antigas, a minha mãe trouxe-as dos Açores, quando se mudou para o Continente atrás do Amor.Foi nos anos quarenta , logo a seguir ao fim da II Guerra mundial.
Depois vieram os pastores, os reis magos, o anjo, o pai e outras figuras do povo: uma mulher com uma bilha de água à cabeça, um velho sentado olhando em frente que a minha mãe colocava junto a um pequeno caminho bordejado de musgo, por onde os reis magos haviam de passar em direcção à gruta onde estava o menino.
Junto a um lago feito c/ um espelho também bordejado de musgo que a minha mãe cuidadosamente apanhava no pinhal, pois naquele tempo não se comprava o musgo nas floristas…) eram colocados uns patinhos brancos, uns junto à margem e outros em cima do lago) e um conjunto de crianças que brincavam.
No dia em que se montava o presépio as figuras dos pastores e dos reis magos ficavam no início do caminho, a um nível inferior à gruta que era a mais alta e a mais destacada, e na noite de Natal lá estavam pastores e reis em frente à gruta, adorando o menino.
Ccom orgulho, nós crianças, dizíamos que as nossas figuras, por magia, andavam. Em família, os adultos sorriam com cumplicidade e a minha mãe fazia gestos para que se calassem. As outras pessoas fora da família por vezes troçavam de nós, da nossa ingenuidade.
Eu como mais velha fui a primeira a descobrir o mistério das figuras que andavam. A minha mãe iniciou-me nesse segredo de natal de todos os dias depois das crianças adormecerem ir ao presépio e fazer avançar um pouco as figurinhas que queríamos que chegassem à gruta na noite mais longa.
Estou muito grata à vida por me ter dado a oportunidade de poder viver este segredo compartilhado com a minha mãe. Recordo aquele tempo de pobreza vivida com o calor do amor com saudade e gratidão.
Hoje procuro dar um toque de maravilha ao Natal dos que amo, tanto na decoração da casa, como nos pratos que cozinho, ou nas prendas que escolho, para que um dia, no futuro, me recordem com saudade e gratidão e digam que o meu amor foi para eles a estrela luminosa que os guiou nos sonhos da infância.
15 dezembro 2004
Tango Profundo...
Puxa-me para o meio do salão...
Canta-me no ouvido...
Promete-me coisas sem sentido!
Ata-me a ti nesta canção!
Deixa-me dizer-te Querido:
"Trago uma rosa na liga...
E o teu nome tatuado no umbigo!"
Abraça-te a mim nesta canção!
Deixa-me deixar-te perdido...
Com este Refrão:
"Trago Uma Rosa na liga
E o teu nome tatuado no umbigo!"
Promete-me a Lua!
Entrega-me o Mundo!
Puxa a rosa da liga!
Imagina-me rodopiando nua,
Nos teus braços dançando...
Este Tango...
Deixa-me gemer-te ao ouvido...
Enquanto gravo lá dentro...no fundo:
"Amor, trago esta rosa na liga...
E o teu nome gravado...aqui...no umbigo!"
Esquece que lá fora há um mundo,
Entrega-te aqui, agora e com tudo!
Deixa-me seduzir-te neste Tango Profundo,
De rosa na liga e promessas sentidas!
Deixa-me prometer-te Querido,
Que serei tua!
Enquanto a música tocar
E nos teus braços este tango dançar,
Desejo-te e gemo no teu ouvido:
"Trago uma rosa na liga...
e o teu nome tatuado no umbigo!"
Canta-me no ouvido...
Promete-me coisas sem sentido!
Ata-me a ti nesta canção!
Deixa-me dizer-te Querido:
"Trago uma rosa na liga...
E o teu nome tatuado no umbigo!"
Abraça-te a mim nesta canção!
Deixa-me deixar-te perdido...
Com este Refrão:
"Trago Uma Rosa na liga
E o teu nome tatuado no umbigo!"
Promete-me a Lua!
Entrega-me o Mundo!
Puxa a rosa da liga!
Imagina-me rodopiando nua,
Nos teus braços dançando...
Este Tango...
Deixa-me gemer-te ao ouvido...
Enquanto gravo lá dentro...no fundo:
"Amor, trago esta rosa na liga...
E o teu nome gravado...aqui...no umbigo!"
Esquece que lá fora há um mundo,
Entrega-te aqui, agora e com tudo!
Deixa-me seduzir-te neste Tango Profundo,
De rosa na liga e promessas sentidas!
Deixa-me prometer-te Querido,
Que serei tua!
Enquanto a música tocar
E nos teus braços este tango dançar,
Desejo-te e gemo no teu ouvido:
"Trago uma rosa na liga...
e o teu nome tatuado no umbigo!"
14 dezembro 2004
Um conselho da Melancia...
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A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos!
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos!
10 dezembro 2004
O CDS não percebeu...
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O CDS-PP continua a não perceber as razões que levaram Jorge Sampaio a dissolver o Parlamento e a convocar eleições antecipadas. «Depois de termos ouvido as razões do Presidente da República, saímos daqui [Palácio de Belém] sem perceber a decisão», afirmou António Pires de Lima, aos jornalistas, após a delegação do CDS-PP ter reunido com o chefe de Estado por mais de meia hora.
Coitados!Agora o pagode anda a gozá-los e a dizer que o intelecto dos políticos da direita é mesmo muito pequeno.
Vá lá pessoal, alguém pode explicar aos rapazes do Paulo Portas as razões que levarem o Presidente da República a tomar esta decisão que ele levou quatro meses a ponderar???
O CDS-PP continua a não perceber as razões que levaram Jorge Sampaio a dissolver o Parlamento e a convocar eleições antecipadas. «Depois de termos ouvido as razões do Presidente da República, saímos daqui [Palácio de Belém] sem perceber a decisão», afirmou António Pires de Lima, aos jornalistas, após a delegação do CDS-PP ter reunido com o chefe de Estado por mais de meia hora.
Coitados!Agora o pagode anda a gozá-los e a dizer que o intelecto dos políticos da direita é mesmo muito pequeno.
Vá lá pessoal, alguém pode explicar aos rapazes do Paulo Portas as razões que levarem o Presidente da República a tomar esta decisão que ele levou quatro meses a ponderar???
09 dezembro 2004
Podemos confiar na Justiça???
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Em 1999, o relatório do SIS identificava mais de 20 estrangeiros suspeitos de pedofilia em território nacional. O PDiário «encontrou» quatro, mas nenhum deles está a cumprir pena
No final dos anos 90 o Serviço de Informações e Segurança (SIS) investigou a existência de alegadas redes de pedofilia em território nacional e concluiu que mais de 20 estrangeiros suspeitos de abuso sexual de menores e de ligações a redes de pornografia infantil estavam ou tinham estado em Portugal.
O relatório terá ficado concluído em 1999, mas só depois de rebentar o escândalo de pedofilia na «Casa Pia» se soube da sua existência.
Dos diversos nomes referidos no relatório do SIS o PortugalDiário descobriu que, entre 1999 a 2004, pelo menos quatro deles foram acusados e condenados por crimes relacionados com abuso sexual de menores. No entanto, nenhum está a cumprir pena. Um está à espera da decisão de um recurso e os outros, depois de serem condenados, evaporaram-se no mundo.
( In PortugalDiário de hoje )
Em 1999, o relatório do SIS identificava mais de 20 estrangeiros suspeitos de pedofilia em território nacional. O PDiário «encontrou» quatro, mas nenhum deles está a cumprir pena
No final dos anos 90 o Serviço de Informações e Segurança (SIS) investigou a existência de alegadas redes de pedofilia em território nacional e concluiu que mais de 20 estrangeiros suspeitos de abuso sexual de menores e de ligações a redes de pornografia infantil estavam ou tinham estado em Portugal.
O relatório terá ficado concluído em 1999, mas só depois de rebentar o escândalo de pedofilia na «Casa Pia» se soube da sua existência.
Dos diversos nomes referidos no relatório do SIS o PortugalDiário descobriu que, entre 1999 a 2004, pelo menos quatro deles foram acusados e condenados por crimes relacionados com abuso sexual de menores. No entanto, nenhum está a cumprir pena. Um está à espera da decisão de um recurso e os outros, depois de serem condenados, evaporaram-se no mundo.
( In PortugalDiário de hoje )
07 dezembro 2004
Melancia filosofando...
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Aprendi a procurar a felicidade limitando os desejos, em vez de tentar satisfazê-los.
Aprendi a procurar a felicidade limitando os desejos, em vez de tentar satisfazê-los.
03 dezembro 2004
O anúncio de um pesadelo...
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Eu até já andava um pouco melhor. Já há algum tempo que não tenho aqueles pesadelos acordada, logo pela manhã, assim que abro um jornal ou me ligo à Internet.
Tenho estado calada, não comento a decisão do Presidente e até, para a família e os amigos, tenho-me reservado e não conto anedotas sobre o Santana.
Neste estado de alma que já é um prenúncio natalício, neste sentir o mês de Dezembro com preocupações que oscilam entre receitas de sonhos de abóbora e torta de bacalhau para a noite da consoada, neste intervalo que dei a mim mesma entre o cachecol para a minha filha Maria que ando a tricotar e o xaile de croché que prometi à Xocolaty para ela usar na passagem de ano, eis que hoje abro o jornal e dou de caras, assim de rompante e sem anestesia com o seguinte título: Jardim disponível para “meter o país na ordem”.
Então é assim, segundo o jornal Público de hoje, Alberto João Jardim está disposto “ a partir de agora”, a ir para Lisboa “meter o país na ordem”. A declaração do governante madeirense parece relançar a sua velha aspiração de ser candidato à Presidência da República.
E se for verdade? Será possível?
Não me chegava ter como primeiro-ministro um antigo participante do concurso televisivo do Albarran “ A cadeira do Poder”?
Agora tenho que levar com um Presidente que chama a todos os continentais de cubanos e tem como ponto alto da sua agenda política desfilar seminu no Carnaval madeirense?
Que vai ser da minha sanidade mental?
Eu até já andava um pouco melhor. Já há algum tempo que não tenho aqueles pesadelos acordada, logo pela manhã, assim que abro um jornal ou me ligo à Internet.
Tenho estado calada, não comento a decisão do Presidente e até, para a família e os amigos, tenho-me reservado e não conto anedotas sobre o Santana.
Neste estado de alma que já é um prenúncio natalício, neste sentir o mês de Dezembro com preocupações que oscilam entre receitas de sonhos de abóbora e torta de bacalhau para a noite da consoada, neste intervalo que dei a mim mesma entre o cachecol para a minha filha Maria que ando a tricotar e o xaile de croché que prometi à Xocolaty para ela usar na passagem de ano, eis que hoje abro o jornal e dou de caras, assim de rompante e sem anestesia com o seguinte título: Jardim disponível para “meter o país na ordem”.
Então é assim, segundo o jornal Público de hoje, Alberto João Jardim está disposto “ a partir de agora”, a ir para Lisboa “meter o país na ordem”. A declaração do governante madeirense parece relançar a sua velha aspiração de ser candidato à Presidência da República.
E se for verdade? Será possível?
Não me chegava ter como primeiro-ministro um antigo participante do concurso televisivo do Albarran “ A cadeira do Poder”?
Agora tenho que levar com um Presidente que chama a todos os continentais de cubanos e tem como ponto alto da sua agenda política desfilar seminu no Carnaval madeirense?
Que vai ser da minha sanidade mental?
02 dezembro 2004
Mais um poema do "Poetinha"...
.
O mais-que-perfeito
Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora...)
Ah, quem me dera ir-me!
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te!
Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado...
Ah, quem me dera ver-te!
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...
Vinicius de Moraes
Montevidéu, 01.11.1958
in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
O mais-que-perfeito
Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora...)
Ah, quem me dera ir-me!
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te!
Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado...
Ah, quem me dera ver-te!
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...
Vinicius de Moraes
Montevidéu, 01.11.1958
in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
Um pensamento da Melancia...
após ter tido a péssima ideia de visitar uma grande superfície comercial:
"Depois de nos precavermos contra o frio, a fome, a sede; de assegurarmos o conforto da família e a educação dos filhos, tudo o mais não passa de vaidade e excesso!!!"
"Depois de nos precavermos contra o frio, a fome, a sede; de assegurarmos o conforto da família e a educação dos filhos, tudo o mais não passa de vaidade e excesso!!!"
30 novembro 2004
Um poeta antigo nesta manhã chuvosa...
.
Casimiro de Abreu nasceu a 4 de Janeiro de 1839 na Vila da Barra de São João, Rio de Janeiro, Brasil, e morreu em 19 de Outubro de 1860, com vinte e dois anos, aquele que é um dos mais qualificados representantes da segunda geração do Romantismo brasileiro.
Precoce, aos dezasseis anos era redactor da Ilustração Luso-Brasileira, ao lado de Alexandre Herculano e Rebelo da Silva, entre outros.
Lirismo conseguido, linguagem clara e suave, ocupa a primeira galeria dos românticos brasileiros, onde o seu saudosismo e a sua formal expressividade não encontram paralelo.
Um poeta antigo que vos dou a conhecer hoje:
“ MINH’ALMA É TRISTE
Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulho que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.
E, como a rola que perdeu o esposo,
Minh’alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.
E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.
Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minh’alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.
Dizem que há gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que prazer consiste.
- Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei por que – mas a minh’alma é triste! “
(Muito lindo! Espero que tenham gostado...)
Casimiro de Abreu nasceu a 4 de Janeiro de 1839 na Vila da Barra de São João, Rio de Janeiro, Brasil, e morreu em 19 de Outubro de 1860, com vinte e dois anos, aquele que é um dos mais qualificados representantes da segunda geração do Romantismo brasileiro.
Precoce, aos dezasseis anos era redactor da Ilustração Luso-Brasileira, ao lado de Alexandre Herculano e Rebelo da Silva, entre outros.
Lirismo conseguido, linguagem clara e suave, ocupa a primeira galeria dos românticos brasileiros, onde o seu saudosismo e a sua formal expressividade não encontram paralelo.
Um poeta antigo que vos dou a conhecer hoje:
“ MINH’ALMA É TRISTE
Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulho que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.
E, como a rola que perdeu o esposo,
Minh’alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.
E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.
Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minh’alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.
Dizem que há gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que prazer consiste.
- Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei por que – mas a minh’alma é triste! “
(Muito lindo! Espero que tenham gostado...)
26 novembro 2004
O pensamento de hoje...
.
" Quando a gente pensa que sabe todas as respostas...
Vem a vida e muda todas as perguntas! "
" Quando a gente pensa que sabe todas as respostas...
Vem a vida e muda todas as perguntas! "
25 novembro 2004
Testamento...
Dedicado a quem nunca entendeu a beleza dum céu azul, do cheiro da chuva a cair numa tarde de Inverno. Dedicado a quem insiste em chamar Sexo Urgente de Amor. Dedicado a quem, felizmente, eu um dia me consegui desprender...)
"Você que só ganha pra juntar
O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irrnão!
(Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo... E você com todo o seu baú, vai ficar por lá na mais total solidão, pensando à beça que não levou nada do que juntou: só seu terno de cerimônia. Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...)
Você que não pára pra pensar
Que o tempo é curto e não pára de passar
Você vai ver um dia, que remorso!
Como é bom parar
Ver um sol se pôr
Ou ver um sol raiar
E desligar, e desligar
(Mas você, que esperança... Bolsa, títulos, capital de giro, public relations (e tome gravata!), protocolos, comendas, caviar, champanhe (e tome gravata!), o amor sem paixão, o corpo sem alma, o pensamento sem espírito(e tome gravata!) e lá um belo dia, o enfarte; ou, pior ainda, o psiquiatra)
Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir
Você vai ver um dia
Em que toca você foi bulir!
A mulher foi feita
Pro amor e pro perdão
Cai nessa não, cai nessa não
(Você, por exemplo, está aí com a boneca do seu lado, linda e chiquérrima, crente que é o amo e senhor do material. É, amigo, mas ela anda longe, perdida num mundo lírico e confuso, cheio de canções, aventura e magia. E você nem sequer toca a sua alma. É, as mulheres são muito estranhas, muito estranhas)
Você que não gosta de gostar
Pra não sofrer, não sorrir e não chorar
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar!
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!"
Vinicius de Moraes
"Você que só ganha pra juntar
O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irrnão!
(Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo... E você com todo o seu baú, vai ficar por lá na mais total solidão, pensando à beça que não levou nada do que juntou: só seu terno de cerimônia. Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...)
Você que não pára pra pensar
Que o tempo é curto e não pára de passar
Você vai ver um dia, que remorso!
Como é bom parar
Ver um sol se pôr
Ou ver um sol raiar
E desligar, e desligar
(Mas você, que esperança... Bolsa, títulos, capital de giro, public relations (e tome gravata!), protocolos, comendas, caviar, champanhe (e tome gravata!), o amor sem paixão, o corpo sem alma, o pensamento sem espírito(e tome gravata!) e lá um belo dia, o enfarte; ou, pior ainda, o psiquiatra)
Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir
Você vai ver um dia
Em que toca você foi bulir!
A mulher foi feita
Pro amor e pro perdão
Cai nessa não, cai nessa não
(Você, por exemplo, está aí com a boneca do seu lado, linda e chiquérrima, crente que é o amo e senhor do material. É, amigo, mas ela anda longe, perdida num mundo lírico e confuso, cheio de canções, aventura e magia. E você nem sequer toca a sua alma. É, as mulheres são muito estranhas, muito estranhas)
Você que não gosta de gostar
Pra não sofrer, não sorrir e não chorar
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar!
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!"
Vinicius de Moraes
24 novembro 2004
um pensamento da Melancia...
que ofereço a todos com amizade!
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. "
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. "
22 novembro 2004
Dedicado à minha nova amiga
São Rosas:
DESPEDIDA DE SOLTEIRA
Aos homens da minha vida
(Não importa se muitos, poucos ou nada!)
Venho, deste modo, participar
Que amanhã serei mulher casada!
Vamos, portanto, combinar
Aqui e agora,
Amanhã não me podem raptar!
Pelo menos antes de chegada a hora...
Aos meus queridos amigos,
Amantes e pretendentes
E ainda aos dissidentes:
"Escolham lá outros perigos,
Que este reformou-se de Expedientes!"
Está, portanto, combinado
Que ninguém ousará entrar,
No lugar assinalado
Para a forca começar!
E, se mesmo assim,
Alguém pensar aparecer,
Meus queridos, fica aqui dito por mim
Que a vida é uma selva
E um dia havia de acontecer!!!
DESPEDIDA DE SOLTEIRA
Aos homens da minha vida
(Não importa se muitos, poucos ou nada!)
Venho, deste modo, participar
Que amanhã serei mulher casada!
Vamos, portanto, combinar
Aqui e agora,
Amanhã não me podem raptar!
Pelo menos antes de chegada a hora...
Aos meus queridos amigos,
Amantes e pretendentes
E ainda aos dissidentes:
"Escolham lá outros perigos,
Que este reformou-se de Expedientes!"
Está, portanto, combinado
Que ninguém ousará entrar,
No lugar assinalado
Para a forca começar!
E, se mesmo assim,
Alguém pensar aparecer,
Meus queridos, fica aqui dito por mim
Que a vida é uma selva
E um dia havia de acontecer!!!
19 novembro 2004
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