04 novembro 2004

Bom dia Angola...

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Saudamos com alegria e amizade o nosso visitante que hoje entrou neste espaço âs 10 horas e 16 minutos através da Ebonet, Angola.

Volta sempre!!!Ficamos orgulhosas e gratas pela tua amizade!!!

02 novembro 2004

Morir en Sevilla...

(Parte 1)

Em pequena, sentava-se, lá na aldeira para os lados das beiras, em cima do poço e, olhando a serra, pensava para consigo:
- Hermelinda, quando fores grande vais dançar o flamenco, em Sevilla!

Quando atingiu os dezoito anos e já cansada de trabalhar a terra, numa aldeia ostracizada no interior de Portugal, Hermelinda decidiu atravessar a fronteira e aprender a dançar o flamenco.

Fugiu de casa, numa madrugada de nevoeiro e fez-se à estrada pedindo boleia aos camiões que passavam. Nunca tinha saido da aldeia e, de Espanha, apenas sabia que chamavam Melocotón aos pêssegos e mantequilla à manteiga, dançavam flamenco ao mesmo tempo que faziam ruídos com umas conchinhas chamadas castanholas e falavam cantando. Não interessava! Por certo ou por supuesto seria bem mais interessante do que a aldeia no meio da Serra!

Chegou a Sevilha carregando a mala de cartão e, maravilhada com os edifícios, as pessoas, os carros, a vida que fervilhava nas ruas, procurou lugar para dormir.
Queria ser bailarina e esse era o único pormenor em que se concentrava. Aprender flamenco!

No bairro histórico, num dos muitos becos que por lá existem, descobriu o "Hostal Doller" (presumo que quisessem dizer dolar, mas não o posso garantir com convicção!). À entrada lia-se em vários cartazes, com letras garrafais: "Aceitam-se DOLLER"! You can pay with DOLLER". Os quartos encontravam-se dispersos por um pátio interior, em jeito de construção clandestina, feita para colmatar a crescente procura de quartos alugados à hora, pelas senhoras que trabalhavam no beco do lado.

Hermelinda ficou num dos primeiros quartos do hostal, cuja porta estava constantemente tapada por lençois (colocados em estendais espalhados por todo o pátio e ali esquecidos durante vários dias). Não era limpo, cheirava a urina e a ratos, tinha uns clientes estranhos que dormiam muito pouco, mas não interessava! Hermelinda deixara as Beiras para "Morir en Sevilla"!

29 outubro 2004

Um amigo enviou-nos umas palavras...

como presente pelo nosso aniversário!
Palavras maravilhosas na sua simplicidade e que nos encantam:

AS PALAVRAS


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

( Eugénio de Andrade )


( muito gratas ao Artur )

Post de apoio ao Portugal Profundo

A censura
“Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
E eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram atrás dos judeus
E eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram atrás dos sindicalistas
E eu não disse nada porque não era sindicalista.
Então vieram atrás de mim
E já não havia mais ninguém para falar por mim.”

Martin Niemöeller, prisioneiro em Sachsenhausen e Dachau de 1938 a 1945, (tradução do António)

Este Post é a forma que encontrei de mostrar solidariedade ao meu primeiro amigo da Blogosfera e, por muitos motivos, especial.

O António tem prosseguido com uma obstinação surpreendente o trilho das pistas do Processo Casa Pia, tal como o MUITO MENTIROSO o fez um dia!

No entanto, como todos sabemos, este processo não começa nas classes baixas, nem na média. Este processo está na classe alta e política. E, como prova disso, o António está a ser investigado pela Policia Judiciária e afins, ou se preferirem, por apêndices dos pedófilos, corruptos e demagogos que governam este país, que transformaram Portugal num país ainda mais na cauda da Europa.

António, não páres a investigação!

Para os ditos apêndices dos pedófilos que nos governam, deixo apenas esta breve nota:

Primeiro foi um e calaram-no, depois vieram dois e já houve testemunhas, depois veio uma multidão e não conseguiu ser esmagada!

28 outubro 2004

uma prenda de aniversário...

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para todos os amigos e leitores do FrutoXocolaty:

O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.

(Miguel Torga)

Parabéns a nós...

Hoje sim...! Hoje fazemos um ano de existência.

Por um lado, parece tão longe o primeiro post do Blog. Aconteceu-me tanta coisa desde o primeiro dia. Aliás, aconteceu-nos a todas nós na blogosfera e na realidade.

Por outro lado, parece que foi ontem.

Tenho pensado nisso, assim como na minha teoria que ter um Blogue é fazer auto-psicanálise e que todos os blogues duram cerca de 1 ano (data prevista por mim, como normal para este tratamento psicanalítico).

Nasceu o blog da caramelice das autoras. Explorámos as ferramentas, decorámos a casa. Fomo-nos instalando aos poucos e actualizando a "casa". Estabelecemos contactos, uns deram em amizades, outros em discordia de opiniões. No entanto, todos foram frutíferos. Não é essa a essência dos contactos inter-pessoais? A experiência adquirida!

Estou feliz por tudo o que fizemos e por tudo o que aprendemos na Blogosfera. Tenho pena da falta de tempo que tenho actualmente para escrever. Tenho pena de ter a cabeça preenchida com trabalho, com problemas profissionais e pessoais que me bloqueiam a criatividade. Malditos clientes, malditos homens que me ocupam a cabeça... Talvez um dia faça um post sobre isso: A minha vida amorosa. Até já imagino o título e sub-título: A vida amorosa de Xocolaty - Diário de um harém caótico! Enfim, é arriscado escrever sobre essas coisas na net, não vá um dos visados descobrir que pertence a um harém...

De qualquer das formas, começámos com passos pequenos, aos poucos. Cada uma de nós foi arranjando um cantinho da sua vida para este Blog (à excepção da Ginja, que com muita pena minha não bloga há quase um ano). O Frutó Xocolaty assumiu-se como um filho, aliás no meu caso acho que o transformei num baú de memórias, desejos e sentimentos. No entanto, esse é o nosso objectivo. Pretendemos, acima de tudo, escrever o que nos vai na alma. Mostrar o quanto é bom sentir.

Parabéns Frutó Xocolaty!

Dicionário da Bananas

Expressão nº 4

Divertimento numa manhã de tempestade é parar o carro na faixa de emergência de uma auto-estrada completamente congestionada, ligar os piscas e esperar pela Brigada de Trânsito.

Chegarem os parolos dos polícias e, discretamente, pôr a Brigada de Trânsito a mudar o pneu, "porque as minhas unhas partem-se Sr. Guarda e sou mulher e sou tão fraquinha e esse bigode é de homem forte..."

27 outubro 2004

Paulo Coelho...

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O novo romance do autor de "O Alquimista " tem como personagem principal um escritor de «literatura mística» ou quase esotérica, que vende milhões de exemplares e que tenta responder às inquietações dos seus milhões de leitores.
Preparem-se: Paulo Coelho descobriu a autobiografia!

26 outubro 2004

Deixar de fumar: missão possível!

Se deixar de fumar fosse fácil e imediato, provavelmente o tabaco já faria parte do passado da maioria das pessoas. Basta pensar que cerca de 70% dos fumadores já manifestou o desejo de deixar de fumar. São poucos os que conseguem, na medida que a nicotina tece amarras difíceis de soltar, causando dependência, uma dependência em forma de prazer, de bem-estar, de descontracção – em nome do convívio e da integração social.
Fuma-se porque outros fumam, aliás é assim que quase sempre se começa: por imitação, imitam-se colegas e amigos, procurando no gesto de acender um cigarro a aceitação que, de outra forma, poderia ser mais difícil alcançar. Numa ocasião social, quando um cigarro se acende, acendem-se logo dois ou três. É quase inevitável.
Todavia, a maioria das pessoas admite que o tabaco é prejudicial à saúde, identifica as doenças associadas ao tabagismo, receia mesmo o cancro do pulmão e as disfunções respiratórias…Mas continua a fumar, quem sabe acreditando com esperança que isso só acontece aos outros. Ou arriscando porque, mesmo conhecendo os malefícios, obtém do fumo prazeres únicos, dos quais não abdica.
Num só cigarro consomem-se cerca de 4720 substâncias tóxicas. Sobre a maioria delas ainda não se sabe como interferem no nosso organismo. A mais conhecida é a nicotina. Ela é a causadora do vício, ela é a responsável pela dependência.
Alguns fumadores encontram uma solução para tentarem abandonar este hábito: a ilusão “light". É verdade que entre os fumadores se instalaram já os cigarros “light”, uma tentativa de minorar os efeitos nocivos do tabaco. Têm baixos teores de nicotina e alcatrão, mas isso tem um preço: é que foi necessário adicionar outras dez substâncias, todas elas prejudiciais. São cigarros leves, mas não são saudáveis, com a agravante de, iludidos, os fumadores desenvolverem novos hábitos: acreditando que estes cigarros prejudicam menos a saúde, acabam por fumar mais e inalar o fumo mais profundamente. Até porque necessitam de mais cigarros para obter a mesma nicotina e a mesma satisfação.
Mas devemos admirar todos os que entrando por este caminho conseguem superar a síndrome da abstinência e triunfar sobre a nicotina.
Dedico este post a alguém que muito amo, é mesmo o meu primeiro, verdadeiro e grande amor, a minha filha grande. A ela deixo a seguinte mensagem de amor: nunca é tarde para deixar de fumar. Vale sempre a pena, temos tudo a ganhar. Se não conseguires sozinha, procura ajuda com um médico ou com outro fumador que também queira deixar de fumar. Deixar de fumar é duro e difícil mas não conheço ninguém mais teimoso do que tu. Sempre que a força de vontade vacilar, lembra-te daquele exemplo de alguém que deixou da fumar há cerca de 16 anos, exactamente no dia em que sentiu que a filha de 14 anos tinha começado a fumar a sério, alegremente e sem pensar (nunca se pensa nestas coisas aos 14 anos) no caminho perigoso que acabava de iniciar.
Para terminar este já tão longo post digo com muita mágoa que a recordação mais viva que me ficou do meu pai, já falecido há dez anos, é a sua respiração sibilante, a sua tosse irritante de grande e incorrigível fumador. Nunca esquecerei o sofrimento que a insuficiência respiratória lhe causou.
Deixar de fumar é uma missão espinhosa: uma luta diária contra o hábito e o vício, mesmo contra o prazer que se obtém de um cigarro. Força de vontade é meio caminho andado .Pensar no dinheiro que se gasta para alimentar este péssimo hábito também ajuda. Temos que escolher: tabaco ou saúde?

Dicionário da Bananas

Expressão nº 2:

Creme anti-rugas para a alma é:
Entrar na FNAC e ficar uma manhã toda a ler livros de poesia, sair e ir almoçar ao Jardim do Tabaco e ficar ali "ad-eternum" a olhar o rio, a pensar na vida e a compor poemas de improviso...
Ir até ao cinema (à sessão da tarde) ver aquele filme de chorar (ai Bananas esquecida como se chama???...ai...ai...O Diário do nosso Amor... será Paixão...??), depois deliciarmo-nos com um chá numa dessas pastelarias da Baixa e escutar as conversas das velhas, usando-as como fonte de inspiração para histórias de outros tempo e de outras gentes...

Depois, entrar numa loja bem grande e experimentar todas as roupas estranhas que lá existem. Inventar toiletes e personagens a partir das histórias das velhas da pastelaria.

Após este tratamento garante-se que a alma volta a ficar esticadinha e com cheiro de pêssego, como se tivesse acabado de renascer!!!!

Beijinhos grandes Melancia!

P.S. - Estás a precisar de passar um dia comigo em Lisboa!


Um desabafo!!!

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Preciso com urgência de um bom creme anti-rugas para a alma!!!

25 outubro 2004

um poema inédito da Sophia...

que traduz exactamente o meu estado de espírito hoje.

«Quem me roubou…»


Quem me roubou o tempo que era um
Quem me roubou o tempo que era meu
O tempo todo inteiro que sorria
Onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
E onde por si mesmo o poema se escrevia

( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Setembro 2001

22 outubro 2004

Um poema...

...que encontrei há pouco e de que gostei muito.
(Não conhecia este poeta mas senti uma enorme admiração pela forma como organiza as ideias)
Espero que gostem como eu gostei:

CARDIOLOGIA

Talvez na sua vida o maior estímulo
fosse a curiosidade.
Era o motor de tudo: aproximava-se
de todas as mulheres que conhecia,
mas só lhe interessavam os seus corações.

Cultivava com método essa obsessão
e tal como as crianças costumam fazer
aos brinquedos preferidos,
também ele queria vê-los por dentro,
saber ao certo como funcionavam (…)

Após cada experiência, observava
aqueles corações já desmontados
e, por não conseguir juntar as peças,
guardava-as no peito.
Era um lugar seguro
e com tantos pedaços de outras vidas
na sua pulsação descompassada
podia enfim acreditar
que tinha também ele um coração.

( Fernando Pinto do Amaral )
No livro Pena Suspensa

o pensamento para hoje...

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Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.

(Goethe)


21 outubro 2004

É só para...

...
informar...
...
que...
voltei!
E...
estou feliz por isso!
E...
quero enviar muitos beijinhos...
para ti...
e para ti...
e para ti também...
ah...
... e tu e tu e tu e tu também merecem beijinhos!!!!!

Dicionário da Bananas

Expressão nº 1

Viver no mundo da Lua é...
Acordar de manhã, não me conseguir mexer... e gritar escandalizada:

- CREDOOOOO! De onde veio tanto gato?

e saltar muito indignada da cama a pensar quem terá enchido a casa com gatos...

20 outubro 2004

LEMBRAS-TE?

Quando a noite caía sobre a serra,
Amor...?
E juntos nos sentávamos,
De mão dada...
Quando, sem dizer nada,
Os gestos saíam,
Espontâneos..
Atropelando-se...
Atropelando-nos...

Lembras-te?

E,
juntos,
compúnhamos sinfonias...
cantarolávamos melodias...
criávamos mundos,
uivávamos à Lua...
no meio da rua...
Saudávamos quem passava,
Com sorrisos...
e palavras de improviso...?

Lembras-te?

Quando nós éramos...
Simplesmente nós...
E,
Mesmo assim,
Nos amávamos?

Lembras-te?

Quando juntos éramos...
Um!
E
Separados
Nenhum!

Lembras-te?

Um amigo...

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que nos visita, Anonymous, deixou registado nos "comentários" ao post de ontem, que o poema do Eugénio de Andrade estava incompleto.

Assim republicamos hoje o poema integral porque fica incomparavelmente mais belo:

" ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Quando os meus olhos brilhavam,
às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus "

(Eugénio de Andrade)

19 outubro 2004

Um poema numa manhã chuvosa...

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" QUANDO OS MEUS OLHOS BRILHAVAM

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus "

(Eugénio de Andrade)

18 outubro 2004

Descubra as diferenças...

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Bagão Félix : “O orçamento do Estado não difere muito do honesto orçamento familiar, gasta-se apenas aquilo que se tem. Se não tem não compra, não se deve endividar”, em Setembro de 2004.

António de Oliveira Salazar: “Advoguei sempre uma política tão clara e simples como a que pode fazer qualquer boa dona de casa; política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despender mais do que os próprios recursos”, em Junho de 1928.