13 setembro 2004

Uma Melancia triste é uma tristeza!!!

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Nasci para contemplar o mundo e meditar sobre a vida. Nasci talvez para ser um monge tibetano ou qualquer outro eremita, longe do inquietante quotidiano das cidades, mais para meditar sobre os mistérios da existência. Quase toda a minha vida tem sido um constante interrogar: quem sou? Porque estou aqui? Para onde irei depois?

Anseio por dias tranquilos, à beira mar, sempre acompanhada de um livro de poesia. A minha alma pertence a um qualquer oceano pois é ao pé do mar que sinto um enorme sentimento de plenitude e bem-estar que só é igualado quando estou com as minhas filhas.

A realidade que vivo é bem outra. Há dias em que não consigo estar só ou ler um pouco. A minha actividade profissional, o trabalho em casa, a família, absorvem-me totalmente. Por vezes à noite ainda tento ler um pouco, mas sou vencida pelo cansaço. A minha alma está no corpo errado e no tempo errado...

Tenho a sorte de ter uma filha como a Xocolaty que me deu a oportunidade deste espaço. Aqui escrevo os meus lamentos e por vezes sinto a gratificante alegria de um comentário vosso. È muito bom saber que outros me entendem e que têm perante a vida e o mundo as mesmas preocupações, interrogações. O que aqui vou deixando registado são pequenos bocados roubados ao quotidiano absorvente e resultam no triunfo do meu dia-a-dia. Não é um exercício de narcisismo. É psicanálise pura!

Hoje, nesta manhã de segunda-feira, dia que começou cinzento, dei uma volta pelas notícias e o mundo ainda é um lugar violento; as vítimas de pedofilia continuam à espera de justiça; o ano lectivo vai começar com falta de professores; Bagão Félix fala hoje ao país para nos dizer que teremos que ganhar menos para ele governar melhor.

Não há por aí um buraquinho onde eu possa hibernar??? Preciso tanto de silêncio, de ouvir a minha alma…


10 setembro 2004

Sophia, sempre!!!

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" quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo."

( disse Sophia de Mello Breyner Andresen, no dia em que recebeu o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores, em 1964)

09 setembro 2004

o sentimento de uma ocidental...

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O presidente dos EUA acredita que está a fazer história e que a razão e a verdade estão do seu lado. Recusa fazer mea culpa sobre o Iraque, mas admite que reza muito. Excepto por Saddam.
Será que o deus a que ele reza entende esta excepção???

06 setembro 2004

Um pensamento p/ início de semana...

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Os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem.

(Autor desconhecido)

03 setembro 2004

Ofereço este poema...

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a todos os que acreditam que ainda seja possível um país liberto, uma vida limpa e um tempo justo.


" ESTA GENTE

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo "

( escrito em 1967 por Sophia de Mello Breyner Andresen )

02 setembro 2004

Voltei...

Olá!

Acabaram as férias. Tive que voltar!!!

Estes 26 dias longe do Frutó passaram tão rápido que penso que vocês nem deram pela minha falta.

Hoje como é de esperar nem consigo inspiração...nem consigo encontrar vontade para escrever...a bem dizer o meu espírito ainda lá está...não posso é dizer isto alto para que quem trabalha comigo pense que eu já cá estou.

Ai!As saudades do mar já são mais que muitas!

Para suavizar o meu regresso esta chuvinha que acelera o regresso total de mim!

26 agosto 2004

Dança do Ventre

Hoje quero fazer-te uma dança do ventre!
Quero que comeces a despir-me com o olhar!
Quero que sintas o meu ventre a dançar,
Entre as tuas mãos e imaginando o som do mar.

A Belly Dance...
Just for you, my love!

Quero que entres em transe,
E o meu corpo em serpente se transforme,
Percorrendo-te...
Agitando-te...
Fazendo-te vibrar!!!
Como se eu fosse uma onda do mar!!!

Oh não, não!!!!
Misericórdia?
Não, meu querido!
Primeiro hipnotizo-te com o umbigo,
Depois faço-te avançar!

Nesta dança não há misericórdia,
Só vale gemer, mexer e gritar!

25 agosto 2004

Ministros de Santana pediram 50 carros novos

O Portugal Díário escreve este título hoje e ousa continuar:
"Direcção do Património disse que só havia dinheiro para três. Veículos do Executivo de Durão Barroso já não servem. Pressões continuam junto de secretário do Tesouro".


Mas que grande lata. Então os senhores ministros agora têm de usar carros usados só porque nós portugueses, em geral, somos obrigados a apertar o cinto?

Meus amigos... tsss...tssss... status é status e um ministro tem todo o direito em ostentar todos os sinais exteriores de riqueza próprios dum executivo dum País com 5% da população activa no desemprego, com 6% da população geral analfabeta, com reformados a viver com reformas de 150 €, com os preços da gasolina mais caros da Europa, etc. etc...

Francamente... agora só falta escreverem sobre quem paga as casas de luxo, os fatos de luxo, os almoços em restaurantes de luxo, a educação dos filhos dos ministros e respectivo staff, as flores para as amantes, os móteis dos encontros fortuítos, o pessoal doméstico...

Vamos lá ver se nos entendemos... ser ministro não é ser português!
Ser ministro significa viver bem, à conta de todos os otários que não foram nem dados nem achados para o actual governo! Ser ministro é viver em grande, sem gastar um único euro e amealhar todos os cêntimos possíveis. Ser ministro é usar estes anitos de férias (ao serviço do governo) para arranjar um emprego melhor numa qualquer instituição financeira ou, quiça, na Presidência Europeia. Ser ministro é assegurar o futuro!

Agora meus amigos, deixem lá os senhores descansar que eles também já foram portugueses, um dia.... e trabalhem que este governo vai precisar que trabalhemos muito para o sustentar!

24 agosto 2004

Pensamento do Dia


Fille bohémienne devant La Musciera, Pablo Picasso, Barcelona 1898

De nada adianta remoer coisas do passado, a felicidade é feita de pequenos momentos...

23 agosto 2004

Cinema e Vida...Vida e Cinema

Ontem vi, pela segunda vez, um dos filmes que mais me marcaram, A.I. - Inteligência Artificial. Mais uma vez impressionou-me e mais uma vez chorei.
Não chorei pela vida do robot, mas sim pela forma como o Ser Humano se comporta. Temos o dom de criar e preferimos destruir. Temos o dom de ver, pensar e assimilar conclusões, mas preferimos aceitar sem questionar.
Aquele filme fala-nos de algo muito mais profundo que o avanço da ciência, a capacidade de construir uma inteligência artificial! Fala-nos do desespero que todos temos em procurar o amor. Foi criada uma máquina capaz de amar. Mas para quê? Suplicamos por amor, mas não somos capazes de amar. Não somos capazes de amar os animais e basta ver a quantidade de cães e gatos abandonados. Não somos capazes de amar os velhos e basta vê-los abandonados nos lares à espera da morte.
Essa é a essência deste filme e é também a questão que muitas pessoas esqueceram nos dias de hoje. Procuramos amor, aliás, exigimos amor. Quando atingimos o objectivo de sermos amados, queremos mais. Inventamos outra coisa, porque afinal descobrimos que não era aquilo que queríamos. Brincamos com os sentimentos uns dos outros, mas no fundo só nos enganamos a nós próprios.
Chorei com a forma como as máquinas abandonadas procuravam sobreviver, como choro quando vejo um cão a correr na auto-estrada, desesperado para encontrar de novo o carro que o abandonou. Chorei com o encontro da máquina com o criador, como choro quando vejo alguém a maltratar uma criança. Chorei com o realizar do sonho da máquina, como choro quando passo por um lar de idosos e um velho me pede para o levar a passear.
Enfim, às vezes o cinema lembra-nos que existem coisas na vida que preferimos esquecer, mas que devíamos pensar bem nelas. Talvez a falta de amor comece por nós próprios...

20 agosto 2004

Vi-te por ai...

Tens um sorriso bonito.
Um olhar carinhoso.
Uns gestos delicados.
Vi-te...
Estavas calma e serena
numa tarde ensoleirada
fresca como uma flor
bem disposta e
bem humorada...


(enviado por um amigo especial)
Obrigada!

19 agosto 2004

Conselho do Dia

Quando:

- a tua mão te desobedece e começas a escrever-lhe e a tua cabeça te manda fechar o e-mail sem enviar a mensagem a pedir-lhe desculpa;

- dás por ti a ouvir a voz do outro lado da linha a tua voz não consegue dizer olá a quem telefonaste... nem te sai o "desculpa, Amor"...

Talvez esteja na hora de repensares tudo!... de examinares porque te pesa a consciência! Porque o corpo não te obedece? Porque a imagem dela não te sai da cabeça?

Talvez esteja na hora de lhe mostrares que gostas dela... sendo sincero!
Talvez ela te perdoe...mais uma vez!

17 agosto 2004

Um poema para a Xocolaty ...

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Mãe


Mãe
terminou o tempo
de sorrir
desculpa-me a morte
das plantas

tatuei a tua antiga
imagem loura
em todos os pulsos
que anjos inclinam
de existires

perdi-me noite na planície
branca
sobrevivente das madrugadas
da memória

tocaram-me os dias
e as ruas de ancas
verticais
e as minhas mãos incompletas

trouxe-te
um naufrágio de flores
cansadas
e o único jardim d'amor
que cultivei
de navios ancorados
ao espaço

( Maria Teresa Horta )
in Espelho Inicial 1960

16 agosto 2004

Ainda mais tristeza...

Não existem Leis no mundo dos homens para punir crimes desta natureza!

Mas eu tenho esperança que existam noutro lado qualquer!

Tenho esperança que, algures, exista uma Lei que puna quem age desta maneira asséptica, fria, metódica, calculada.

... Alguém que viole uma criança, mas que antes a manda desinfectar-se. Alguém que trata crianças dum estracto social como lixo, apenas porque são pobres. Alguém que lhes tira o que de mais puro têm e lhes dá uns trocos, como se o dinheiro limpasse a alma e as dores da perda de inocência. Alguém que se esqueceu das suas raízes. Alguém a quem não se pode tratar por homem, por senhor....

Do fundo do meu coração, desejo que estes alguéns (que não podem pertencer à classe humana) tenham tudo o que merecem, a triplicar!

Hoje estou...

...triste, muito triste.

Evito saber das notícias do mundo, mas quando o faço, uma tristeza percorre-me e só me apetece chorar. Não sei porque ainda me dou ao trabalho de ler um jornal, de ver um noticiário na televisão, ou até de sair de casa. A única novidade é que cada vez o mundo está pior e os valores que me ensinaram em criança, estão, a cada dia que passa, mais errados.

Hoje estou num desses dias em que devia ter ficado na cama, protegida pelos gatos, aninhado o dia inteiro nos lençóis até que amanhã me levantaria e voltaria ao trabalho.

Como não é possível, infelizmente, venham eles que logo se vê como lidar com as situações...

06 agosto 2004

Arrábida

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Pequeno país este! Temos belas paisagens, belas praias, locais paradisíacos mas não sabemos preservar o nosso património ambiental.

Há muitos anos, podem crer que mesmo muitos, que amo toda a zona protegida da Serra da Arrábida. Quando ainda empequena me acontecia passear por aquelas encostas e lá do alto conseguia avistar o mar, ficava maravilhada, extasiada e penso que foi aí nesses anos da infância que começou esta minha paixão pelo Atlântico.

Hoje leio nos jornais que as praias estão desertas em pleno mês de Agosto. O perigo de derrocada nas falésias da Arrábida, obrigou ao encerramento da estrada. O grande incêndio da semana passada veio agravar uma situação que já tem alguns anos.

Mas apesar de toda a gente saber da situação, do governo aos Instituto das Estradas de Portugal, ninguém fez absolutamente nada!!!

Quem tem o seu dia-a-dia preso à actividade económica daquela bela zona já fala em tragédia económica. Perante esta situação, ergue-se um coro de protestos, denunciando que o alerta sobre o perigo não foi ouvido por quem de direito.

Assim, só quem tenha barco é que poderá usufruir das belezas naturais destas praias. Eu não tenho barco e como eu milhares de outras pessoas iremos ficar afastados desta região não se sabe por quanto tempo.

As idas à Praia do Portinho, da Anicha, do Monte da Areia Branca, de Galápos de Galapinhos, da Praia dos Coelhos, Figueirinha, das Grutas e do acesso às grutas pela Praia dos Pilotos ( sempre com maré baixa) ou mesmo dos passeios pela Mata do Solitário, recordando os poemas de Sebastião da Gama, naquele livro “Serra-Mãe” que faz um tributo de amor a estas paragens, estão suspensas por negligência de alguém.

Mas uma outra ameaça está já no horizonte: no Inverno, as águas da chuva irão precipitar a queda das pedras resultantes da fractura das falésias .Diz quem entende destas coisas que serão precisos mais de oito meses para consolidar a falésia e isto se os trabalhos forem iniciados de imediato.

Minha amada Arrábida, quando poderei voltar a ti e maravilhar-me junto da frescura e transparência das águas das tuas praias?

05 agosto 2004

Vai um soneto da Florbela???

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TARDE NO MAR

A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...


Florbela Espanca

Um pensamento

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para todos os que não foram de férias e ainda nos visitam:

"Aquele que desperdiça o dia de hoje, lamentando o de ontem, desperdiçará o de amanhã, lamentando o de hoje."


Bom dia!!!

04 agosto 2004

preciso urgentemente de férias...

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e de sentir tembém com urgência o cheiro do mar.

Tenho tantas saudades do mar que já sonho com ele.Hoje de manhã, ainda em casa, no meio de uma pequena vila, nos arredores de Lisboa, mas longe do mar, de repente ouvi gaivotas.

Foi um som estranho nequele local e àquela hora mas foi suficientemente real para evocar todas as minhas saudades dele!

Ainda faltam três dias para o início das minhas férias e eu entrei em contagem decrescente: faltam 3 dias e algumas horas para eu chegar ao Algarve e assim que o carro parar vou correr em direcção e ele e olhá-lo, cheirá-lo e senti-lo. Sei que vou parecer uma doida, mas que me importa, o amor que lhe tenho e as saudades que trago no peito justificam um comportamento mais ou menos estranho.

Assim que conseguir dar um mergulho vou sentar-me na areia dourada daquela bela praia ( talvez Meia-Praia, talvez D. Ana, talvez Porto de Mós ou quem sabe outra) e vou respirar calmamente a minha felicidade e neste estado de espírito saborear o prazer do reencontro com aquela massa de água azul que tanto amo.

Depois sentirei que os dias vão passar a correr e terei novamente a nostalgia da partida que me fará voltar para um quotidiano sem ele. Depois regressarei à poesia da Sophia onde o mar é evocado com ternura e senimento. Depois os meus dias serão de novo de uma amargurada saudade do mar!!!

Mas este ano tenciono comprar um grande búzio e vou trazê-lo para junto da minha mesa de trasbalho: sempre que a saudade apertar, encostarei o búzio ao ouvido e assim vou ouvir aquele som de águas revoltas e ondas morrendo na areia que tanto me acalma.

Um dia quando partir desta vida para sempre o que restar de mim será devolvido às águas do oceano Atlântico. Eu pertenço a este mar!

03 agosto 2004

Já se pode encomendar um bébé???

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É de meia-idade, reside na Beira Alta há mais de ano e meio, entende português e vive de biscates. É assim a mulher búlgara identificada pela Directoria de Coimbra da PJ como a cabecilha do negócio de tráfico de bebés, cujas mães da mesma nacionalidade chegaram a Portugal, por via terrestre, para vender os filhos com falsa identidade a casais portugueses.

A PJ de Coimbra alertada pelo Ministério Público inicia a investigação que esconde este drama humano, em finais de Maio, mas é com a identificação desta mulher búlgara que os investigadores detectam outra situação similar, envolvendo mais uma parturiente da mesma nacionalidade. Dado o vazio legal para este crime, a cabecilha do negócio poderá incorrer apenas no crime de co-autoria de falsificação de documentos. Isto porque as parturientes chegaram à maternidade, no fim da gestação, identificando-se como portuguesas para que os filhos fossem posteriormente registados com o nome dos pais compradores. As mulheres vinham propositadamente da Bulgária para este negócio. Uma das búlgaras, casada e já com outro filho, prontificou-se a vender o bebé por dez mil euros. Em França e em Itália, há casos idênticos que envolvem cidadãs do mesmo país. A PJ já está a trabalhar em colaboração com a Interpol.

O negócio parece rentável e podemos até pensar que pode ter já algum tempo de funcionamento. Quantas crianças já nascidas e registadas em Portugal terão sido resultado deste sistema infame???