Ontem vi, pela segunda vez, um dos filmes que mais me marcaram, A.I. - Inteligência Artificial. Mais uma vez impressionou-me e mais uma vez chorei.
Não chorei pela vida do robot, mas sim pela forma como o Ser Humano se comporta. Temos o dom de criar e preferimos destruir. Temos o dom de ver, pensar e assimilar conclusões, mas preferimos aceitar sem questionar.
Aquele filme fala-nos de algo muito mais profundo que o avanço da ciência, a capacidade de construir uma inteligência artificial! Fala-nos do desespero que todos temos em procurar o amor. Foi criada uma máquina capaz de amar. Mas para quê? Suplicamos por amor, mas não somos capazes de amar. Não somos capazes de amar os animais e basta ver a quantidade de cães e gatos abandonados. Não somos capazes de amar os velhos e basta vê-los abandonados nos lares à espera da morte.
Essa é a essência deste filme e é também a questão que muitas pessoas esqueceram nos dias de hoje. Procuramos amor, aliás, exigimos amor. Quando atingimos o objectivo de sermos amados, queremos mais. Inventamos outra coisa, porque afinal descobrimos que não era aquilo que queríamos. Brincamos com os sentimentos uns dos outros, mas no fundo só nos enganamos a nós próprios.
Chorei com a forma como as máquinas abandonadas procuravam sobreviver, como choro quando vejo um cão a correr na auto-estrada, desesperado para encontrar de novo o carro que o abandonou. Chorei com o encontro da máquina com o criador, como choro quando vejo alguém a maltratar uma criança. Chorei com o realizar do sonho da máquina, como choro quando passo por um lar de idosos e um velho me pede para o levar a passear.
Enfim, às vezes o cinema lembra-nos que existem coisas na vida que preferimos esquecer, mas que devíamos pensar bem nelas. Talvez a falta de amor comece por nós próprios...