11 junho 2004

Sonhos

Está quase na hora de fechar o computador, arrumar os papéis, encher-me de perfume e sair daqui airosa e fresca.

Está quase na hora de mais um mergulho no mar do teu amor; de mais uns dias nadando no oceano dos teus braços.

Está quase na hora de te amar, novamente e, mais uma vez, como se esta fosse a última...

Depois? Enquanto houver Mar, nadaremos de mãos dadas... Quando acabar, recordaremos com ternura o oceano que um dia percorremos juntos.

09 junho 2004

Sorri

"
Estás triste e desiludida...
Mas deixa-me dizer-te, amiga:
O Amor existe e sorri-te!
Ele é uma Estrela no Céu,
Cintilando reflectido no teu olhar.
Ele é uma flor numa montanha
Que sobrevive sozinha, olhando o Mar.
Ele é o teu sorriso,
A tua forma de estar!
As tuas palavras de conforto,
Ele é a palavra Mãe...
Que usamos
Para mostrar que te amamos,
Para te recordar
Que tu és a razão
De nos encontrarmos,
Mais uma vez, neste lugar!

Sorri!
Lembra-te de mim,
Dos pêssegos,
Do cheiro do jasmim,
Dos gatos travessos,
Das vidas que se cruzaram na tua,
Do quanto tu iluminas quem te vê na rua!

Lembra-te sempre que não és só mais uma!
És Mãe, Mulher, Ser, Uno! És tua!
És uma flor que insiste em viver no deserto!
És o Sol das nossas vidas e mais a Lua!

E nunca te esqueças que vives aqui tão perto...
Neste lugar chamado coração,
De quem insiste em repetir:
Não!
Não és só mais uma!
Toma-o por certo!
És a nossa Luz, o nosso motivo de Existir!

És a nossa vida e mais a tua!"
Gelatina - 09/06/2004

Dedicado à Melancia, essa mulher especial que nos deu a vida e que, por vezes, se esquece do quanto é importante para quem a ama.
Nunca te esqueças Melancia que não estás só! Nunca! Tens um batalhão de gente ao teu lado que te ama e que se lembra do teu sorriso, das tuas palavras de conforto e força, nos momentos de fraqueza!

Sê sempre feliz e sorri. A vida assim torna-se mais fácil para todos nós, os que te recordam a sorrir.

Um beijinho grande da tua filha mais velha!

08 junho 2004

Como eu não possuo

Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá Carneiro

07 junho 2004

Uma prenda:

"Nunca me amarás verdadeiramente, sem antes te amares a ti próprio!

Ama-te e serás o melhor amante!"

04 junho 2004

03 junho 2004

Tempo

Sinto saudades de escrever. Falta-me tempo para me sentar e escrever todas as histórias que ainda tenho para contar. Falar das personagens reais e inventadas, das suas vidas, dos cenários, dos sonhos ou de simples pensamentos meus.

Falta-me tempo para me sentar em frente a ti, numa mesa de café qualquer, apenas para te olhar nos olhos e contemplar-te calada. Ouvir-te, sem pensar. Até tu me dizeres com essa cara de homem envergonhado: "Que olhar é esse?" e eu te responder: "Estou apenas a olhar para ti!"

Falta-me tempo para tudo o que faço e mais aquilo que quero fazer. Vinte e quatro horas é pouco para trabalhar, estar com a familia, com os amigos, passear e estar contigo.

Juntar-vos todos ainda é mais complicado! Há conversas que não se têm, há assuntos que não se discutem e há conselhos que não se dão quando se juntam pessoas que não se conhecem.

Tenho saudades de desenhar. Gostava de passar uma vida tocando-te no rosto, sentindo os contornos do teu corpo, deslizar as minhas mãos por ele e decorar-te os pormenores. Passá-los para o papel e todos os dias olhar para o desenho e acrescentar mais uma curva, mais um sinal, mais uma cicatriz.

Falta-me tempo para dormir. Falta-me tempo para os gatos, para as flores, para o mar, para o campo.

Falta-me tempo para mim!

Mas, mesmo assim, ainda me perguntam se não durmo. Durmo sim, mas não dispenso o tempo passado com as pessoas que amo, ou com as minhas responsabilidades, ou com as coisas que gosto de fazer.

Falta-me tempo para viver e mesmo assim a minha vida tem a velocidade estonteante de três ou quatro normais.

Mas, no fundo, lá no fim da análise de toda a minha vida, sinto-me plena por poder olhar-te, por poder conversar com os amigos, por estar com a família, por ouvir o ronronar dos gatos, por ouvir a música que tanto me aquece o coração.

Neste momento, sou plena e estou-te grata por isso!

Obrigada por me dares espaço! Obrigada por me deixares viver! Obrigada por saberes que te amo e que não vou fugir, nem sentires ciumes de todas as pessoas que, contigo, constituem o universo do meu Ser!

02 junho 2004

Beijo

.
Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena
Dedicado ao fado que me entrou na vida de forma mais rápida que um furacão!

01 junho 2004

O TEU OLHAR

.
Quando fito o teu olhar,
Duma tristeza fatal,
Dum tão íntimo sonhar,
Penso logo no luar
Bendito de Portugal!

O mesmo tom de tristeza,
O mesmo vago sonhar,
Que me traz a alma presa
Às festas da Natureza
E à doce luz desse olhar!

Se algum dia, por meu mal,
A doce luz me faltar
Desse teu olhar ideal,
Não se esqueça Portugal
De dizer ao seu luar

Que à noite, me vá depor
Na campa em que eu dormitar,
Essa tristeza, essa dor,
Essa amargura, esse amor,
Que eu lia no teu olhar!

Florbela Espanca

(um mimo dum amigo para me levantar o astral por hoje andar de óculos)

31 maio 2004

Desabafos de 2ª Feira

"O Poder fascina-me com a mesma intensidade com que o sexo fascina um padre.
Provoca-me, insinua-se, oferece-se e, no entanto, é, tão pouco comparado com o que tenho!"

Bananas Filósofa

28 maio 2004

um poema para iniciar o dia...

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Porque


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.




( Sophia de Mello Breyner Andresen )



27 maio 2004

o dia a seguir à vitória...

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Por vezes ouvimos e vemos coisas que no levam a pensar que é um sonho, que aquilo não foi de facto dito.

Ontem um grupo de adeptos do Futebol Clube do Porto regressava de avião ao Porto. Devido a problemas com o tráfego aéreo foram desviados para aterrar em Lisboa.

Então não é que para um canal de televisão, esta manhã, um adepto dizia:

- ou voltamos de avião ou de comboio! De autocarro cheio de lisboetas é que nunca!

Se calhar ouvi mal… mas mesmo assim fico inquieta. Será só a opinião daquela besta? Ou será opinião generalizada da população do Porto?

Não sou lisboeta mas amo Lisboa e tenho uma grande nostalgia motivada pelas saudades que tenho da cidade do Porto. Adoro passear pela Ribeira, junto ao Douro, olhar a outra margem e deixar-me envolver pelos ruídos das suas gentes com um sotaque que eu acho maravilhoso.

Nunca poderei acreditar que depois de uma vitória daqueles que muito me alegrou ontem alguém tenha dito que não viajava com gente de Lisboa.

Mas mesmo assim: Viva o Porto, carago!!!

Desabafos...

Maldito hotmail que está sempre a dar erro!

Grrrrrrrrr... Que raiva!

Quero ver os nossos e-mails!

Grrrrrrrrr

26 maio 2004

Poderá uma gota no oceano fazer diferença?
Faz apenas um oceano!

Poderá um raio de Sol aquecer uma tarde de Verão?
Ilumina-a ainda mais!

Poderá um sorriso meu aquecer-te a alma?
No entanto sorris!

carta aberta a uma filha adolescente...

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Ólho para ti e parece-me impossível que já tenhas quase doze anos. O tempo passa por mim a correr e eu ainda tento apanhá-lo para ganhar algum. Estás quase uma mulher e ainda ontem nasceste.

Procuro olhar para ti e perceber as mudanças. Dizem os especialistas que a adolescência é um período difícil de viver. É verdade. Ainda me lembro da minha.

Estou apreensiva pois tu que eras uma menina doce e feliz, sempre com um ar de grande tranquilidade e equilíbrio, tornaste-te um ser sempre à beira do choro. No tumulto da tua rebeldia emergente, por vezes surge de novo a bebé que me pede colo. São tão inconstantes as tuas mudanças de humor e tão inquietante a forma como te olhas ao espelho que o meu coração está sempre em sobressalto.

Sabes bem que és um fruto do meu amor. Sabes que te trouxe à minha vida aos quarenta e dois anos de idade, quando a maioria das mulheres já está a pensar em ter netos. Mas não te posso pedir que me dês umas pequenas tréguas. Não posso invocar os meus quase 54 anos para que me dês tempo para te perceber. A adolescência é um processo urgente de crescer.

Sei que a adolescência é uma fase e que aquilo que me parece ser uma grande fragilidade emocional irá um destes dias transformar-se numa maravilhosa idade adulta.
Hoje és um pequeno ser à procura do teu lugar no mundo dos grandes e qual crisálida um destes dias serás uma maravilhosa e colorida borboleta.

Entretanto estou aqui no meio do torvelinho e segurar as pontas para não te perder!

Faz do meu amor o teu porto de abrigo. Olha estou aqui, sou a mãe!Estarei sempre contigo!

25 maio 2004

Poema Explosivo

Esquece-me!
Faz de conta que parti!
Melhor ainda! Desaparece!
Eu para ti morri!

Façamos melhor!
Estás a ver aquele hotel?
Entra num quarto e baixa o estore!
Aguarda por mim!... Coberto de mel!

Pode ser que sobrevivas!...
Às formigas!...
Que te enviarei!

Deixa estar, Amor!
Não te guardo rancor!
Nem te perdoo o que sei!

24 maio 2004

um pensamento para começar a semana!!!

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O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.

(Miguel Torga)

21 maio 2004

Sinfonia de Palavras

Anda!
Façamos uma sinfonia,
Eu começo com alegria,
Tu avanças com vontade!
Eu peço piedade!

Tu dizes Sol,
Eu afirmo Lua,
Tu falas com voz mole,
Eu juro ser tua!

Tu cozinhas uma "sopa de letras",
Eu componho uma "sinfonia de palavras"!
Tu ofereces-me malmequeres em cestas,
Eu beijo-te, abraço-te e tiro as aspas!

Tu coras e cantas poemas,
Eu pinto o céu em tom forte.
Tu escreves com penas!
Eu desenho no teu corpo a sorte!

Falas-me no Mar, na areia e nas estrelas!
Eu lembro-te da Lua e do amor à luz de velas!
Façamos uma sinfonia de palavras,
Compondo a música ao som da vida!
Tu entusiasmas-te e não travas!
Eu coro e não me sinto ofendida!

Isto é mais que uma canção!
Só sinfonia...? Também não!
Isto é Amor!
Isto é alegria!

Isto é vontade de fazer, dizer com ardor...
Que a vida é linda e feita de magia!

20 maio 2004

Agustina Bessa-Luís...

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Foi distinguida com o Prémio Camões de 2004.

O júri deliberou por unanimidade.

Foi merecida esta distinção. Ela é uma escritora fabulosa que como disse Vasco Graça Moura, um dos elementos do júri: “Agustina recupera a tradição da grande ficção portuguesa do século XIX, e dimensão camiliana, não deixando, por isso, de ser inovadora, nem esquecendo os aspectos da vida contemporânea.”. E disse ainda que: “ há uma ligação do seu mundo romanesco à sociedade portuguesa, nomeadamente à nortenha, e à condição humana em termos gerais.”

Foi o porteiro do Grémio Literário, em Lisboa, onde ontem almoçava, que lhe deu a notícia.

Ao principio da noite quando chegava sozinha de comboio ao Porto, Agustina com aquele seu ar de menina brincalhona, disse aos jornalistas: Agora só me falta o Nobel, mas para isso ainda tenho que esperar mais cinquenta anos.

Parabéns Agustina! Nós aqui neste espaço amamos os teus livros, as imagens do Douro e as suas paisagens que descreves de uma forma admirável, imortalizadas nos filmes de Manuel Oliveira. Acima de tudo nunca esqueceremos a tua Sibila!

19 maio 2004

Todas as cartas de amor são ridículas...

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e a felicidade é não pensarmos nisso enquanto as escrevemos.
Ficam aqui as belíssimas palavras que o poeta escolheu para falar de cartas de amor:

«
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)»


(Álvaro de Campos )

18 maio 2004

decididamente a poesia...

veio para ficar esta semana aqui no Frutó!

Aproveitando as emoções que por aqui andam à solta, ofereço-vos um texto de um poeta que muito amo:
"
O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade... E diz assim: "É preciso saber olhar..."

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás... E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha... E comove-se com cousas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de Sol depois de um dia chuvoso...

E acha que tudo é importante... E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...

E reparou que os homens estavam tristes...

E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."

(Sebastião da Gama)