.
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
( Sophia de Mello Breyner Andresen )
28 maio 2004
27 maio 2004
o dia a seguir à vitória...
.
Por vezes ouvimos e vemos coisas que no levam a pensar que é um sonho, que aquilo não foi de facto dito.
Ontem um grupo de adeptos do Futebol Clube do Porto regressava de avião ao Porto. Devido a problemas com o tráfego aéreo foram desviados para aterrar em Lisboa.
Então não é que para um canal de televisão, esta manhã, um adepto dizia:
- ou voltamos de avião ou de comboio! De autocarro cheio de lisboetas é que nunca!
Se calhar ouvi mal… mas mesmo assim fico inquieta. Será só a opinião daquela besta? Ou será opinião generalizada da população do Porto?
Não sou lisboeta mas amo Lisboa e tenho uma grande nostalgia motivada pelas saudades que tenho da cidade do Porto. Adoro passear pela Ribeira, junto ao Douro, olhar a outra margem e deixar-me envolver pelos ruídos das suas gentes com um sotaque que eu acho maravilhoso.
Nunca poderei acreditar que depois de uma vitória daqueles que muito me alegrou ontem alguém tenha dito que não viajava com gente de Lisboa.
Mas mesmo assim: Viva o Porto, carago!!!
Por vezes ouvimos e vemos coisas que no levam a pensar que é um sonho, que aquilo não foi de facto dito.
Ontem um grupo de adeptos do Futebol Clube do Porto regressava de avião ao Porto. Devido a problemas com o tráfego aéreo foram desviados para aterrar em Lisboa.
Então não é que para um canal de televisão, esta manhã, um adepto dizia:
- ou voltamos de avião ou de comboio! De autocarro cheio de lisboetas é que nunca!
Se calhar ouvi mal… mas mesmo assim fico inquieta. Será só a opinião daquela besta? Ou será opinião generalizada da população do Porto?
Não sou lisboeta mas amo Lisboa e tenho uma grande nostalgia motivada pelas saudades que tenho da cidade do Porto. Adoro passear pela Ribeira, junto ao Douro, olhar a outra margem e deixar-me envolver pelos ruídos das suas gentes com um sotaque que eu acho maravilhoso.
Nunca poderei acreditar que depois de uma vitória daqueles que muito me alegrou ontem alguém tenha dito que não viajava com gente de Lisboa.
Mas mesmo assim: Viva o Porto, carago!!!
Desabafos...
Maldito hotmail que está sempre a dar erro!
Grrrrrrrrr... Que raiva!
Quero ver os nossos e-mails!
Grrrrrrrrr
Grrrrrrrrr... Que raiva!
Quero ver os nossos e-mails!
Grrrrrrrrr
26 maio 2004
carta aberta a uma filha adolescente...
.
Ólho para ti e parece-me impossível que já tenhas quase doze anos. O tempo passa por mim a correr e eu ainda tento apanhá-lo para ganhar algum. Estás quase uma mulher e ainda ontem nasceste.
Procuro olhar para ti e perceber as mudanças. Dizem os especialistas que a adolescência é um período difícil de viver. É verdade. Ainda me lembro da minha.
Estou apreensiva pois tu que eras uma menina doce e feliz, sempre com um ar de grande tranquilidade e equilíbrio, tornaste-te um ser sempre à beira do choro. No tumulto da tua rebeldia emergente, por vezes surge de novo a bebé que me pede colo. São tão inconstantes as tuas mudanças de humor e tão inquietante a forma como te olhas ao espelho que o meu coração está sempre em sobressalto.
Sabes bem que és um fruto do meu amor. Sabes que te trouxe à minha vida aos quarenta e dois anos de idade, quando a maioria das mulheres já está a pensar em ter netos. Mas não te posso pedir que me dês umas pequenas tréguas. Não posso invocar os meus quase 54 anos para que me dês tempo para te perceber. A adolescência é um processo urgente de crescer.
Sei que a adolescência é uma fase e que aquilo que me parece ser uma grande fragilidade emocional irá um destes dias transformar-se numa maravilhosa idade adulta.
Hoje és um pequeno ser à procura do teu lugar no mundo dos grandes e qual crisálida um destes dias serás uma maravilhosa e colorida borboleta.
Entretanto estou aqui no meio do torvelinho e segurar as pontas para não te perder!
Faz do meu amor o teu porto de abrigo. Olha estou aqui, sou a mãe!Estarei sempre contigo!
Ólho para ti e parece-me impossível que já tenhas quase doze anos. O tempo passa por mim a correr e eu ainda tento apanhá-lo para ganhar algum. Estás quase uma mulher e ainda ontem nasceste.
Procuro olhar para ti e perceber as mudanças. Dizem os especialistas que a adolescência é um período difícil de viver. É verdade. Ainda me lembro da minha.
Estou apreensiva pois tu que eras uma menina doce e feliz, sempre com um ar de grande tranquilidade e equilíbrio, tornaste-te um ser sempre à beira do choro. No tumulto da tua rebeldia emergente, por vezes surge de novo a bebé que me pede colo. São tão inconstantes as tuas mudanças de humor e tão inquietante a forma como te olhas ao espelho que o meu coração está sempre em sobressalto.
Sabes bem que és um fruto do meu amor. Sabes que te trouxe à minha vida aos quarenta e dois anos de idade, quando a maioria das mulheres já está a pensar em ter netos. Mas não te posso pedir que me dês umas pequenas tréguas. Não posso invocar os meus quase 54 anos para que me dês tempo para te perceber. A adolescência é um processo urgente de crescer.
Sei que a adolescência é uma fase e que aquilo que me parece ser uma grande fragilidade emocional irá um destes dias transformar-se numa maravilhosa idade adulta.
Hoje és um pequeno ser à procura do teu lugar no mundo dos grandes e qual crisálida um destes dias serás uma maravilhosa e colorida borboleta.
Entretanto estou aqui no meio do torvelinho e segurar as pontas para não te perder!
Faz do meu amor o teu porto de abrigo. Olha estou aqui, sou a mãe!Estarei sempre contigo!
25 maio 2004
Poema Explosivo
Esquece-me!
Faz de conta que parti!
Melhor ainda! Desaparece!
Eu para ti morri!
Façamos melhor!
Estás a ver aquele hotel?
Entra num quarto e baixa o estore!
Aguarda por mim!... Coberto de mel!
Pode ser que sobrevivas!...
Às formigas!...
Que te enviarei!
Deixa estar, Amor!
Não te guardo rancor!
Nem te perdoo o que sei!
Faz de conta que parti!
Melhor ainda! Desaparece!
Eu para ti morri!
Façamos melhor!
Estás a ver aquele hotel?
Entra num quarto e baixa o estore!
Aguarda por mim!... Coberto de mel!
Pode ser que sobrevivas!...
Às formigas!...
Que te enviarei!
Deixa estar, Amor!
Não te guardo rancor!
Nem te perdoo o que sei!
24 maio 2004
um pensamento para começar a semana!!!
.
O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.
(Miguel Torga)
O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.
(Miguel Torga)
21 maio 2004
Sinfonia de Palavras
Anda!
Façamos uma sinfonia,
Eu começo com alegria,
Tu avanças com vontade!
Eu peço piedade!
Tu dizes Sol,
Eu afirmo Lua,
Tu falas com voz mole,
Eu juro ser tua!
Tu cozinhas uma "sopa de letras",
Eu componho uma "sinfonia de palavras"!
Tu ofereces-me malmequeres em cestas,
Eu beijo-te, abraço-te e tiro as aspas!
Tu coras e cantas poemas,
Eu pinto o céu em tom forte.
Tu escreves com penas!
Eu desenho no teu corpo a sorte!
Falas-me no Mar, na areia e nas estrelas!
Eu lembro-te da Lua e do amor à luz de velas!
Façamos uma sinfonia de palavras,
Compondo a música ao som da vida!
Tu entusiasmas-te e não travas!
Eu coro e não me sinto ofendida!
Isto é mais que uma canção!
Só sinfonia...? Também não!
Isto é Amor!
Isto é alegria!
Isto é vontade de fazer, dizer com ardor...
Que a vida é linda e feita de magia!
Façamos uma sinfonia,
Eu começo com alegria,
Tu avanças com vontade!
Eu peço piedade!
Tu dizes Sol,
Eu afirmo Lua,
Tu falas com voz mole,
Eu juro ser tua!
Tu cozinhas uma "sopa de letras",
Eu componho uma "sinfonia de palavras"!
Tu ofereces-me malmequeres em cestas,
Eu beijo-te, abraço-te e tiro as aspas!
Tu coras e cantas poemas,
Eu pinto o céu em tom forte.
Tu escreves com penas!
Eu desenho no teu corpo a sorte!
Falas-me no Mar, na areia e nas estrelas!
Eu lembro-te da Lua e do amor à luz de velas!
Façamos uma sinfonia de palavras,
Compondo a música ao som da vida!
Tu entusiasmas-te e não travas!
Eu coro e não me sinto ofendida!
Isto é mais que uma canção!
Só sinfonia...? Também não!
Isto é Amor!
Isto é alegria!
Isto é vontade de fazer, dizer com ardor...
Que a vida é linda e feita de magia!
20 maio 2004
Agustina Bessa-Luís...
.
Foi distinguida com o Prémio Camões de 2004.
O júri deliberou por unanimidade.
Foi merecida esta distinção. Ela é uma escritora fabulosa que como disse Vasco Graça Moura, um dos elementos do júri: “Agustina recupera a tradição da grande ficção portuguesa do século XIX, e dimensão camiliana, não deixando, por isso, de ser inovadora, nem esquecendo os aspectos da vida contemporânea.”. E disse ainda que: “ há uma ligação do seu mundo romanesco à sociedade portuguesa, nomeadamente à nortenha, e à condição humana em termos gerais.”
Foi o porteiro do Grémio Literário, em Lisboa, onde ontem almoçava, que lhe deu a notícia.
Ao principio da noite quando chegava sozinha de comboio ao Porto, Agustina com aquele seu ar de menina brincalhona, disse aos jornalistas: Agora só me falta o Nobel, mas para isso ainda tenho que esperar mais cinquenta anos.
Parabéns Agustina! Nós aqui neste espaço amamos os teus livros, as imagens do Douro e as suas paisagens que descreves de uma forma admirável, imortalizadas nos filmes de Manuel Oliveira. Acima de tudo nunca esqueceremos a tua Sibila!
Foi distinguida com o Prémio Camões de 2004.
O júri deliberou por unanimidade.
Foi merecida esta distinção. Ela é uma escritora fabulosa que como disse Vasco Graça Moura, um dos elementos do júri: “Agustina recupera a tradição da grande ficção portuguesa do século XIX, e dimensão camiliana, não deixando, por isso, de ser inovadora, nem esquecendo os aspectos da vida contemporânea.”. E disse ainda que: “ há uma ligação do seu mundo romanesco à sociedade portuguesa, nomeadamente à nortenha, e à condição humana em termos gerais.”
Foi o porteiro do Grémio Literário, em Lisboa, onde ontem almoçava, que lhe deu a notícia.
Ao principio da noite quando chegava sozinha de comboio ao Porto, Agustina com aquele seu ar de menina brincalhona, disse aos jornalistas: Agora só me falta o Nobel, mas para isso ainda tenho que esperar mais cinquenta anos.
Parabéns Agustina! Nós aqui neste espaço amamos os teus livros, as imagens do Douro e as suas paisagens que descreves de uma forma admirável, imortalizadas nos filmes de Manuel Oliveira. Acima de tudo nunca esqueceremos a tua Sibila!
19 maio 2004
Todas as cartas de amor são ridículas...
.
e a felicidade é não pensarmos nisso enquanto as escrevemos.
Ficam aqui as belíssimas palavras que o poeta escolheu para falar de cartas de amor:
«
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)»
(Álvaro de Campos )
e a felicidade é não pensarmos nisso enquanto as escrevemos.
Ficam aqui as belíssimas palavras que o poeta escolheu para falar de cartas de amor:
«
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)»
(Álvaro de Campos )
18 maio 2004
decididamente a poesia...
veio para ficar esta semana aqui no Frutó!
Aproveitando as emoções que por aqui andam à solta, ofereço-vos um texto de um poeta que muito amo:
"
O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade... E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás... E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha... E comove-se com cousas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de Sol depois de um dia chuvoso...
E acha que tudo é importante... E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...
E reparou que os homens estavam tristes...
E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."
(Sebastião da Gama)
Aproveitando as emoções que por aqui andam à solta, ofereço-vos um texto de um poeta que muito amo:
"
O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade... E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás... E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha... E comove-se com cousas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de Sol depois de um dia chuvoso...
E acha que tudo é importante... E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...
E reparou que os homens estavam tristes...
E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."
(Sebastião da Gama)
O teu fado
Teu olhar triste
De menino abandonado.
Diz-me que ai existe
Um homem domado!
Teu sorriso doce
De menino só
Talvez fosse
Uma prenda...tivesse eu dó!
Tua voz suave
De homem sabido,
Lembra-me que é grave
O destino ter-nos unido!
Teus modos desconcertantes
Avisam-me em boa hora!
De seres um homem errante,
A quereres-me hoje, aqui e agora!
És um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem e mal!
Se agora me apetece aquecer,
Ferver e provocar-te!
Amanhã apetece-me esquecer,
Fugir e afastar-te!
És um doce, um querido!
És feio por fora e, por dentro, bonito!
Baralhei-te agora
Com esta rima torta!
Isto é um fado, meu querido!
Não pode ser perfeito,
bonzinho e janota!
Mas és um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem e mal!
És terrivel como um doce gatinho!
És meigo como um leão ferido!
És assim, eu sei!
Meiguinho...
E bandido!
És um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem! És mal!
Termino por agora
Este fado vadio!
Desejo-te pela vida fora,
Amor, sorte, loucura
E um ainda maior desvio!
De menino abandonado.
Diz-me que ai existe
Um homem domado!
Teu sorriso doce
De menino só
Talvez fosse
Uma prenda...tivesse eu dó!
Tua voz suave
De homem sabido,
Lembra-me que é grave
O destino ter-nos unido!
Teus modos desconcertantes
Avisam-me em boa hora!
De seres um homem errante,
A quereres-me hoje, aqui e agora!
És um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem e mal!
Se agora me apetece aquecer,
Ferver e provocar-te!
Amanhã apetece-me esquecer,
Fugir e afastar-te!
És um doce, um querido!
És feio por fora e, por dentro, bonito!
Baralhei-te agora
Com esta rima torta!
Isto é um fado, meu querido!
Não pode ser perfeito,
bonzinho e janota!
Mas és um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem e mal!
És terrivel como um doce gatinho!
És meigo como um leão ferido!
És assim, eu sei!
Meiguinho...
E bandido!
És um fado doce, suave e brutal!
És homem e menino!
És bem! És mal!
Termino por agora
Este fado vadio!
Desejo-te pela vida fora,
Amor, sorte, loucura
E um ainda maior desvio!
17 maio 2004
TANGO DE VERÃO
Foi numa noite de Verão
Em que o Amor me abandonou,
Que te conheci no salão
Num Tango que me marcou!
A música começou,
Tu apareceste-me de rosa na boca,
Eu aceitei, dizendo: “Já cá estou!”.
Entrelacei-me!
Colei-me a ti!
Fiz-me de louca!
Roubei-te a rosa com um beijo...
Na boca!
Fizeste-me calor!
Rodopiei (segura por uma nádega)!
Inclinaste-me!
Beijaste-me com ardor!
Oh sim, foi um Tango, meu Amor!
Dancei nas tuas mãos,
Chamaste-me boneca,
Transformámos aquele Tango...
Numa queca!
Oh não, não foi um Tango meu Amor!
Fui marioneta!
Seguravas-me...
Agarravas-me...
Beijavas-me...
Largavas-me...
E eu fugia de ti...
Pensando:
“Oh meu Deus,
Se isto não fosse aqui...?”
Ajoelhavas-te
E beijavas-me a púbis,
Para mais tarde me agarrares,
Inclinares e prometeres rubis!
Largaste-me no meio de salão
Quando a última nota soprou!
Fiquei sozinha cantando o refrão!
Sonhando com o homem que nunca me amou!
Sim, sim! É um Tango meu Amor!
Em que o Amor me abandonou,
Que te conheci no salão
Num Tango que me marcou!
A música começou,
Tu apareceste-me de rosa na boca,
Eu aceitei, dizendo: “Já cá estou!”.
Entrelacei-me!
Colei-me a ti!
Fiz-me de louca!
Roubei-te a rosa com um beijo...
Na boca!
Fizeste-me calor!
Rodopiei (segura por uma nádega)!
Inclinaste-me!
Beijaste-me com ardor!
Oh sim, foi um Tango, meu Amor!
Dancei nas tuas mãos,
Chamaste-me boneca,
Transformámos aquele Tango...
Numa queca!
Oh não, não foi um Tango meu Amor!
Fui marioneta!
Seguravas-me...
Agarravas-me...
Beijavas-me...
Largavas-me...
E eu fugia de ti...
Pensando:
“Oh meu Deus,
Se isto não fosse aqui...?”
Ajoelhavas-te
E beijavas-me a púbis,
Para mais tarde me agarrares,
Inclinares e prometeres rubis!
Largaste-me no meio de salão
Quando a última nota soprou!
Fiquei sozinha cantando o refrão!
Sonhando com o homem que nunca me amou!
Sim, sim! É um Tango meu Amor!
um poema para início de semana...
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
14 maio 2004
Melancia
Anda comigo voar...
Para um sítio longe dos homens...
Perto do mar!
Vem comigo sentir...
A brisa na cara...
Enquanto voamos,
Na nossa pressa de fugir!
Deixa-me levar-te a um lugar,
Onde os livros têm vida,
Os homens coração...
Deixa-me ajudar-te a sonhar!
Anda!
Traz três ou quatro gatos!
Traz as duas Marias
e mais as orquídeas e os tachos!
Anda!
Vamos dançar,
enroladas pelo vento,
Saltando nas nuvens
e, de seguida, mergulhando no mar!
(dedicado à mãe, que é apenas e tão somente a super mulher que me deu a vida e continua a dar)
Para um sítio longe dos homens...
Perto do mar!
Vem comigo sentir...
A brisa na cara...
Enquanto voamos,
Na nossa pressa de fugir!
Deixa-me levar-te a um lugar,
Onde os livros têm vida,
Os homens coração...
Deixa-me ajudar-te a sonhar!
Anda!
Traz três ou quatro gatos!
Traz as duas Marias
e mais as orquídeas e os tachos!
Anda!
Vamos dançar,
enroladas pelo vento,
Saltando nas nuvens
e, de seguida, mergulhando no mar!
(dedicado à mãe, que é apenas e tão somente a super mulher que me deu a vida e continua a dar)
o mundo no feminino...
.
onde eu vivi a infância era povoado por uma grande quantidade de mulheres. Em casa éramos eu e as minhas duas irmãs e a minha mãe. A mãe do meu pai vinha do Alentejo em visita e por cá ficava três ou quatro meses. Depois nestes alturas vinham as irmãs do meu pai para estarem connosco e com a mãe delas. Além disto no bairro onde vivíamos a minha mãe era amiga de uma série de vizinhas mães de amigos nossos e as trocas e visitas entre casas eram uma prática a que estávamos habituados.
Assim havia sempre uma mulher adulta junto aos mais pequenos. A educação era dada a filhos, netos, sobrinhos e vizinhos com o mesmo amor e cuidado por todas elas.As crianças viviam protegidas neste casulo de conversas e de trabalhos domésticos onde com naturalidade aprendiam a vida sob o ponto de vista das mulheres.
Aprendi por intuição e por vocação que uma mulher ama a vida e protege-a mais que não seja por ser naturalmente dotada de instinto maternal. As brincadeiras e os brinquedos da minha infância eram sempre relacionados com a vida e o cuidado com as crianças. Ainda amo a memória de todas as poucas bonecas que tive. Ainda me lembro que à falta de bonecas se lavavam e vestiam os irmãos mais novos como se fossem os nossos mais preciosos brinquedos.
Isto a propósito de ter vivido muitos anos de minha vida ligada a essa forma de educação que me foi dada. Durante longos anos da adolescência à idade adulta fui feminista. Assumi que as mulheres eram descriminadas na família e na sociedade e que eu as iria defender sempre.
E foi a pensar assim que vivi os anos 70 e 80 do século passado. Apaixonadamente, li , estudei, pesquisei, vi filmes, assisti a debates e a tudo o que foi produzido neste mundo sobre este tema. Cultivei alguns amores na literatura e na política. Admirei mulheres que se destacarem pela inteligência e pelo bom senso. Reprovei outras que estando no poder nos seus países praticaram políticas tão retrógradas como qualquer homem no seu tempo.
E tudo isto para vos dizer que como já devem ter percebido pelo que tenho escrito neste espaço, hoje sou uma cinquentona desiludida a fazer um enorme esforço pessoal para não se tornar uma mulher amarga.
É com mágoa, revolta e nojo que tomo conhecimento que uma mulher grávida de quatro meses e que está como soldado americano no Iraque, aparece em fotografias praticando sexo com vários parceiros em simultâneo. A criança foi concebida neste cenário de guerra.
Sim a soldado Lynndie England além de promíscua é também torturadora. Gosta do que faz e sorri para as câmaras fotográficas num palco de tortura de prisioneiros com evidente prazer e alegria.
As imagens que vi foram para mim de uma violência demolidora. No site onde as vi havia muitas dezenas delas. Não consegui ver mais de sete ou oito. Desisti. Foi demasiado para mim.
Esta mulher jovem ficará para mim e para sempre como um símbolo: tudo o que odeio está condensado no estilo de vida que ela tem.
Já não há qualquer possibilidade de eu voltar a ser a mulher que era antes de ter visionado aquelas imagens. Hoje li que os congressistas americanos também não conseguiram visionar todo o vídeo que foi apresentado ao Congresso onde a soldado aparece em tais práticas sexuais. Eles abandonaram a sala, não aguentaram. Estas imagens filmadas não chegarão a ser do conhecimento do público. Ainda bem digo eu aliviada.
Devo esse favor, o de ser poupada a tais imagens ao Secretário de Estado da Defesa Donald Rumsfeld que proibiu a divulgação dos vídeos. Não lhe agradeço por achar que ele é uma figura tenebrosa e por achar que ele esconde muitos actos inqualificáveis das tropas americanas para que o mundo não entre numa onda de choque sem regresso.
Hoje preciso de poesia que me fale ao coração para que consiga respirar. Hoje procuro a música como quem toma um comprimido contra a dor!!!
onde eu vivi a infância era povoado por uma grande quantidade de mulheres. Em casa éramos eu e as minhas duas irmãs e a minha mãe. A mãe do meu pai vinha do Alentejo em visita e por cá ficava três ou quatro meses. Depois nestes alturas vinham as irmãs do meu pai para estarem connosco e com a mãe delas. Além disto no bairro onde vivíamos a minha mãe era amiga de uma série de vizinhas mães de amigos nossos e as trocas e visitas entre casas eram uma prática a que estávamos habituados.
Assim havia sempre uma mulher adulta junto aos mais pequenos. A educação era dada a filhos, netos, sobrinhos e vizinhos com o mesmo amor e cuidado por todas elas.As crianças viviam protegidas neste casulo de conversas e de trabalhos domésticos onde com naturalidade aprendiam a vida sob o ponto de vista das mulheres.
Aprendi por intuição e por vocação que uma mulher ama a vida e protege-a mais que não seja por ser naturalmente dotada de instinto maternal. As brincadeiras e os brinquedos da minha infância eram sempre relacionados com a vida e o cuidado com as crianças. Ainda amo a memória de todas as poucas bonecas que tive. Ainda me lembro que à falta de bonecas se lavavam e vestiam os irmãos mais novos como se fossem os nossos mais preciosos brinquedos.
Isto a propósito de ter vivido muitos anos de minha vida ligada a essa forma de educação que me foi dada. Durante longos anos da adolescência à idade adulta fui feminista. Assumi que as mulheres eram descriminadas na família e na sociedade e que eu as iria defender sempre.
E foi a pensar assim que vivi os anos 70 e 80 do século passado. Apaixonadamente, li , estudei, pesquisei, vi filmes, assisti a debates e a tudo o que foi produzido neste mundo sobre este tema. Cultivei alguns amores na literatura e na política. Admirei mulheres que se destacarem pela inteligência e pelo bom senso. Reprovei outras que estando no poder nos seus países praticaram políticas tão retrógradas como qualquer homem no seu tempo.
E tudo isto para vos dizer que como já devem ter percebido pelo que tenho escrito neste espaço, hoje sou uma cinquentona desiludida a fazer um enorme esforço pessoal para não se tornar uma mulher amarga.
É com mágoa, revolta e nojo que tomo conhecimento que uma mulher grávida de quatro meses e que está como soldado americano no Iraque, aparece em fotografias praticando sexo com vários parceiros em simultâneo. A criança foi concebida neste cenário de guerra.
Sim a soldado Lynndie England além de promíscua é também torturadora. Gosta do que faz e sorri para as câmaras fotográficas num palco de tortura de prisioneiros com evidente prazer e alegria.
As imagens que vi foram para mim de uma violência demolidora. No site onde as vi havia muitas dezenas delas. Não consegui ver mais de sete ou oito. Desisti. Foi demasiado para mim.
Esta mulher jovem ficará para mim e para sempre como um símbolo: tudo o que odeio está condensado no estilo de vida que ela tem.
Já não há qualquer possibilidade de eu voltar a ser a mulher que era antes de ter visionado aquelas imagens. Hoje li que os congressistas americanos também não conseguiram visionar todo o vídeo que foi apresentado ao Congresso onde a soldado aparece em tais práticas sexuais. Eles abandonaram a sala, não aguentaram. Estas imagens filmadas não chegarão a ser do conhecimento do público. Ainda bem digo eu aliviada.
Devo esse favor, o de ser poupada a tais imagens ao Secretário de Estado da Defesa Donald Rumsfeld que proibiu a divulgação dos vídeos. Não lhe agradeço por achar que ele é uma figura tenebrosa e por achar que ele esconde muitos actos inqualificáveis das tropas americanas para que o mundo não entre numa onda de choque sem regresso.
Hoje preciso de poesia que me fale ao coração para que consiga respirar. Hoje procuro a música como quem toma um comprimido contra a dor!!!
13 maio 2004
Confidências
.
Sou uma pessoa afectuosa. Sempre me senti uma pessoa sensível e necessitada de manifestações de afecto. Mas não sou “beijoqueira”. No trato social não gosto de grandes manifestações de afecto. Sou atenta e sensível mas resguardo-me ( defendo-me) numa atitude que poderá ser catalogada de fria.
A família é no entanto o meu oásis. No mais profundo da minha alma estive desde sempre carente dos afectos da minha mãe. Ela nunca foi muito pródiga a distribuir afagos ou beijos. Consigo lembrar-me dela a lavar roupa, a cozinhar ou mesmo a tratar da nossa higiene diária, mas não consigo recordar-me dos beijos dela. Ainda hoje, agora que já tenho mais cabelos brancos do que a minha mãe, ainda hoje sempre que estou junto dela tento enviar-lhe mensagens “telepáticas” para que ela sinta necessidade de me abraçar. Nunca resultou!
Sei que isto que sinto deve ter explicação. Sei que em psicologia esta carência deve ter um nome.
E como mãe sei que sou levada a exageros. Ando sempre atrás das minhas filhas para senti-las, beijá-las, abraçá-las e dizer-lhes pequenas coisas tão simples que a qualquer outra pessoa poderiam parecer ridículas.
Quando a mais velha era pequena ia de noite para junto da cama dela só para afagá-la devagarinho a contar-lhe pequenas coisas do nosso quotidiano, para que assim sonhasse comigo. Como era bom vê-la a dormir e sentir a sua suave respiração de menina!
Ao fim de quase trinta anos ainda me recordo do cheiro doce que tinha quando nasceu. Trazia a pele coberta de milhões de pelos macios e loiros que ao tocá-la me faziam sentir a macieza de um pêssego. Curiosamente foi de pêssegos o meu desejo de grávida.
Por vezes acontece pensar na morte como fim da minha passagem pela vida, sinto uma enorme tranquilidade por saber que existirei sempre dentro das minhas filhas.
Aí nesse lugar maravilhoso que é o sítio mais belo onde eu sempre existirei estou eu completa, cheia de defeitos contabilizados ao nível das qualidades e no saldo final a mãe que quero ser para elas.
Quando a mais nova tinha três anos, perguntou-me um dia: mãe tu vais morrer também? Fiquei aflita, não esperava semelhante preocupação naquela pequena criatura que ainda mal sabia verbalizar as suas emoções. Respondi apontando para o céu e indicando-lhe uma pequena estrela numa constelação de duas estrelas gémeas, mas a mais brilhante e disse-lhe: - Vês aquela estrelinha? Quando um dia tiver que partir, todos partimos um dia, estarei lá à tua espera.É lá que está o avô, à minha espera também. Desde aquele dia lá atrás na primeira infância da Gudi, já lá vão quase nove anos, eu sei que ela perdeu o medo de me perder!
Sei que nasci para ser mãe e através das minhas filhas conseguir o meu quinhão de céu. Não existo fora do seu amor!
Esta poderia ser uma carta de amor. E como todas as cartas de amor também é de certeza singelamente ridícula.
Sou uma pessoa afectuosa. Sempre me senti uma pessoa sensível e necessitada de manifestações de afecto. Mas não sou “beijoqueira”. No trato social não gosto de grandes manifestações de afecto. Sou atenta e sensível mas resguardo-me ( defendo-me) numa atitude que poderá ser catalogada de fria.
A família é no entanto o meu oásis. No mais profundo da minha alma estive desde sempre carente dos afectos da minha mãe. Ela nunca foi muito pródiga a distribuir afagos ou beijos. Consigo lembrar-me dela a lavar roupa, a cozinhar ou mesmo a tratar da nossa higiene diária, mas não consigo recordar-me dos beijos dela. Ainda hoje, agora que já tenho mais cabelos brancos do que a minha mãe, ainda hoje sempre que estou junto dela tento enviar-lhe mensagens “telepáticas” para que ela sinta necessidade de me abraçar. Nunca resultou!
Sei que isto que sinto deve ter explicação. Sei que em psicologia esta carência deve ter um nome.
E como mãe sei que sou levada a exageros. Ando sempre atrás das minhas filhas para senti-las, beijá-las, abraçá-las e dizer-lhes pequenas coisas tão simples que a qualquer outra pessoa poderiam parecer ridículas.
Quando a mais velha era pequena ia de noite para junto da cama dela só para afagá-la devagarinho a contar-lhe pequenas coisas do nosso quotidiano, para que assim sonhasse comigo. Como era bom vê-la a dormir e sentir a sua suave respiração de menina!
Ao fim de quase trinta anos ainda me recordo do cheiro doce que tinha quando nasceu. Trazia a pele coberta de milhões de pelos macios e loiros que ao tocá-la me faziam sentir a macieza de um pêssego. Curiosamente foi de pêssegos o meu desejo de grávida.
Por vezes acontece pensar na morte como fim da minha passagem pela vida, sinto uma enorme tranquilidade por saber que existirei sempre dentro das minhas filhas.
Aí nesse lugar maravilhoso que é o sítio mais belo onde eu sempre existirei estou eu completa, cheia de defeitos contabilizados ao nível das qualidades e no saldo final a mãe que quero ser para elas.
Quando a mais nova tinha três anos, perguntou-me um dia: mãe tu vais morrer também? Fiquei aflita, não esperava semelhante preocupação naquela pequena criatura que ainda mal sabia verbalizar as suas emoções. Respondi apontando para o céu e indicando-lhe uma pequena estrela numa constelação de duas estrelas gémeas, mas a mais brilhante e disse-lhe: - Vês aquela estrelinha? Quando um dia tiver que partir, todos partimos um dia, estarei lá à tua espera.É lá que está o avô, à minha espera também. Desde aquele dia lá atrás na primeira infância da Gudi, já lá vão quase nove anos, eu sei que ela perdeu o medo de me perder!
Sei que nasci para ser mãe e através das minhas filhas conseguir o meu quinhão de céu. Não existo fora do seu amor!
Esta poderia ser uma carta de amor. E como todas as cartas de amor também é de certeza singelamente ridícula.
um poeta árabe
.
«
Escreve!
Sou árabe!
Sou um homem sem título.
Espero , paciente, num país
Em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
Foram enterradas antes do início dos tempos
Antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido erva.
O meu pai descende do arado,
E não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
Sem honras nem títulos,
E ensinou-me o orgulho do sol
Antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
Feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.»
( Mahmud Darwish )
«
Escreve!
Sou árabe!
Sou um homem sem título.
Espero , paciente, num país
Em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
Foram enterradas antes do início dos tempos
Antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido erva.
O meu pai descende do arado,
E não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
Sem honras nem títulos,
E ensinou-me o orgulho do sol
Antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
Feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.»
( Mahmud Darwish )
Post Express
É só para dar as boas vindas à Melancia e devolver-lhe as chaves da casa.
Beijinho grande que eu estou cheia de trabalho...
Beijinho grande que eu estou cheia de trabalho...
12 maio 2004
Mostra-me...
... O teu lado negro.
Mostra-mo!
... enquanto ainda é de dia!
Mostra-me a Lua Nova...
...e deixa-me compará-la com a Cheia!
...enquanto ainda não te amo!
Deixa-me percorrer-te no todo.
Deixa-me amar-te pelo que és!
...E não pelo que me mostras.
Deixa-me explorar-te!
Não me deixes amar-te...
...antes de ser Lua Nova!
Mostra-mo!
... enquanto ainda é de dia!
Mostra-me a Lua Nova...
...e deixa-me compará-la com a Cheia!
...enquanto ainda não te amo!
Deixa-me percorrer-te no todo.
Deixa-me amar-te pelo que és!
...E não pelo que me mostras.
Deixa-me explorar-te!
Não me deixes amar-te...
...antes de ser Lua Nova!
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