20 abril 2004

as palavras de Homero...

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« Antes ser na terra escravo de um escravo
Do que ser no outro mundo rei de todas as sombras »

( Homero, Odisseia )

19 abril 2004

um odor acariciante

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Esta manhã ao sair de casa, muito cedo, ainda não eram oito horas, senti um cheiro diferente no ar. Era tão intenso que foi suficiente para me acordar, quase sempre saio ainda meio adormecida. Cheirava a flor de laranjeira! Era um cheiro maravilhosamente doce e quente, um cheiro de tal forma impressionante que me remeteu de imediato para a ideia de ver de onde vinha.

Em vez de entrar no carro segui o meu nariz. Um pouco mais abaixo, num quintal logo a seguir ao segundo prédio depois da minha casa, nesse quintal junto ao muro estava a laranjeira em quem eu nunca tinha reparado. Bela, toda de branco vestida, adornada de milhares de pequenas flores brancas, um esplendor para os olhos e o nariz.

Foi muito bom! De repente acordei, senti-me muito feliz com aquele odor inebriante e o meu dia teve um começo diferente e ainda agora sinto um leve cheiro a flor de laranjeira
sempre que penso nela. Que bom!!!

o pensamento para iniciar a semana é...

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Para a mentira ser segura
e atingir profundidade,
deve trazer à mistura
qualquer coisa de verdade...

( António Aleixo )
poeta popular

16 abril 2004

encarar um outro ao espelho...

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Aquilo que deixo escrito por aqui é a minha forma de ver e sentir o mundo, as formas multifacetadas com que analiso o meu existir e tento de alguma forma fazer despertar nos outros as mesmas preocupações que sinto.

Durante uma parte da minha vida as palavras homossexualidade, lésbica, transsexual ou a expressão “mudança de sexo” não fizeram parte do meu vocabulário. Não conhecia, não usava e no meu circulo familiar e da amigos não eram usadas.

Já devia ter uns doze anos quando comecei a perceber que podia acontecer rapazes gostarem de rapazes. Só muito mais tarde é que assimilei a ideia de que as raparigas podiam gostar de raparigas.

Estes novos conceitos de relação amorosa entraram em mim como uma coisa natural. Não me senti motivada para análises críticas ou condenações comportamentais. Aceitei como coisa natural e pronto.

Vem isto a propósito de uma reportagem que uma estação de televisão transmitiu na passada quarta-feira à noite. Acidentalmente, pois liguei o televisor estar entretida enquanto passava a ferro a roupa da semana, conheci a vida de Maria del Mar.

Maria del Mar é natural de Bilbau. Pertence à marinha espanhola, teve consciência do seu problema de erro de identidade desde os catorze anos e foi vítima de descriminação desde que resolveu assumir que era uma mulher dentro de um corpo de homem.

Hoje já tem direito a bilhete de Identidade como mulher. Conseguiu ganhar essa batalha com o estado espanhol. Agora quer conseguir regressar ao seu trabalho sem ser perseguida por isso. Precisa de dinheiro para a operação que a transformará naquilo que sempre sentiu ser: uma mulher!

Ao olhar para ela, ao ouvir a sua voz, ao ver os seus gestos, ao analisar as palavras e expressões que usou enquanto falou aos jornalistas, senti que de facto é verdade: a natureza pode enganar-se.

Meditando sobre este tema concluí que todos temos o direito de procurar a felicidade e como não tenho crença religiosa , não posso pedir ajuda divina que me alivie o peito, tenho que acreditar que o percurso de uma pessoa pode ter que ser ajustado de acordo com o que está definido na sua matriz . Por vezes as hormonas falam mais alto…

Todos esperamos ver reflectido no espelho o nosso rosto com o olhar que nos identifica e o sorriso com que brindamos o mundo. Ao olharmo-nos ao espelho esperamos o reflexo da nossa alma, não o de um intruso!!!

15 abril 2004

Theias anda de autocarro...

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será que usa "passe social" ou terá um módulo de pré-comprados???

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O debate, promovido pelos Verdes, tinha como tema o «Desenvolvimento sustentável, ambiente, ordenamento do território e transportes». Quem deu a cara pelo Governo foi o fragilizado ministro do Ambiente, Amílcar Theias. Que acabou por ter como papel anunciar a única novidade que o Executivo tinha na manga para o debate parlamentar de ontem. Mesmo que a nova dissesse respeito não ao seu mas ao ministério de Carmona Rodrigues, o das Obras Públicas. «Até ao final do mês, o Governo entrará em negociações para garantir que nenhum cidadão seja afectado», disse Amílcar Theias, em resposta à ameaça das empresas privadas de transportes colectivos abandonarem o sistema do passe social.

A oposição não poupou nas críticas ao ano de trabalho que o sucessor de Isaltino Morais leva no Governo: «Investe em coisa nenhuma» (Isabel Castro, PEV), «um desastre» (Silva Pereira, PS), «cede aos lobbies imobiliários» (Luís Fazenda, Bloco de Esquerda).

A discussão centrou-se muito na política de transportes. A esse respeito, Theias, depois de sucessivamente visado, não resistiu e lançou aos deputados da oposição: «Os senhores sabem os números da carreiras dos autocarros que passam pelo Parlamento? Devem vir de autocarro, com essa militância pelos transportes públicos!»

A resposta veio pronta. Bruno Dias (PCP) levantou-se e atirou «é o 100». Ao ministro não restou senão tentar sair da situação garantindo saber o número da carreira que passa junto ao seu ministério. Só que mesmo aí hesitou, respondendo primeiro tratar-se do 49 e só depois mencionando o 92.
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( fonte DN de hoje )

14 abril 2004

Nasci sob o signo de Leão

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e era a primeira gravidez da minha mãe. Era Verão, quase final de Julho, um dia de calor de morrer e a minha mãe ainda hoje não sabe se foi do calor ou se era já fim do tempo. Naquele tempo não havia ecografias e ela durante a gravidez toda nunca foi ao médico. Nasci no campo e em casa. Na hora de parir a minha mãe ficou absolutamente só. O meu pai foi numa correria chamar a D. Olívia que era a parteira lá da terra. Foi grande a aflição da minha mãe. Em vez de um bebé, nasceram dois. Éramos gémeas, duas meninas.

Assim, logo ao nascer, tive o meu futuro definido. Aprendi logo ali naquele momento a repartir. Até a hora de nascer não foi só minha.

A vida era dura naquele tempo em que o fascismo era governo neste país. A minha mãe não tinha emprego e o meu pai trabalhava nos caminhos de ferro. Assentava vias. Andava sempre por esse Sul , semanas inteiras sem vir a casa.

A solidão e a pobreza atacaram a minha mãe como se fossem uma doença grave. Numa noite de maior fome e frio correu pelo quintal até à borda do poço para se atirar. Diz que ouviu a voz da mãe dela ( a minha avó morreu tinha a minha mãe dezoito anos ) a pedir-lhe: -Não Maria, não faças isso, pensa nas meninas!

Ela não fez. Resolveu pensar nas filhas e esquecer tudo o que não tinha na vida e esperar a volta do marido ausente.

Não foi fácil para ela. Com pouco mais de um ano a minha irmã morreu-lhe nos braços no consultório do médico que ficava a 10 quilómetros da localidade onde vivíamos. Foram a pé com a menina quase morta ao colo da minha mãe e eu ao colo do meu pai Era meningite e quando o médico a viu disse aos meus pais que ela já estava cega e surda.

A minha mãe nunca mais foi a mesma. Durante toda a minha infância, adolescência e idade adulta, nunca a minha mãe comemorou o meu aniversário. Na infância eu sentia-me culpada pela sua tristeza. Cheguei a lamentar não ter morrido com a minha gémea.
É duro para uma criança não ter festa de aniversário. Mas muito mais duro é as lágrimas que a mãe chora sempre que olha para nós mesmo em dia de aniversário.

Hoje sinto falta dessa irmã que perdi. Sempre tenho sentido que me falta metade de mim.

Mas a vida tem sido boa para mim. Tenho duas filhas que adoro e que me adoram São as duas do signo Zodíaco de “caranguejo” e como se sabe eles os caranguejos adoram as mães…

13 abril 2004

Overdose de Xocolaty

A Lua Cheia já passou mas...

não me saem da cabeça as palavras Estevas e Lua e a imagem de dois corpos deitados nas estevas sob o doce brilho da Lua Cheia!

Acho que abusei nas amêndoas de Xocolaty....

Ai as estevas, as estevas...

Muros:

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Pouca gente sabe quem é Luís Paulo Conde, mas ele arrisca a fama mundial:costuma acontecer a quem constrói muros. O vice-governador e secretário estadual do meio ambiente do Rio de Janeiro vai cercar parte da famosa favela da Rocinha por um muro de três metros. Mais três favelas da cidade terão também direito à cortina de betão.

( no DN de hoje )

12 abril 2004

o pensamento de hoje

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Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.

( Goethe )

07 abril 2004

Pronto...

Está decidido!

Fugimos de Lisboa e vamos para a praia!

Algarve?

Não! Eles estão lá todos!

Fugimos agora do emprego, fingimos uma dor de barriga qualquer e vamos beber cocktails para a praia.

O último a chegar paga as rodadas todas!

XuacK

06 abril 2004

Pensamentos

É nesta altura do ano, quando os felinos largam o casaco de Inverno e vestem o de Verão, quando eu os escovo e encho um saco de Supermercado com bolas de pelo, que penso de mim para comigo:

"Xocolaty Sofia devias ter comprado três peixinhos, ao invés das três panteras de meter no bolso!"

05 abril 2004

Filosofia com sabor a fruta

A perfeição é imperfeita!

Boa semana

Depois de um fim-de-semana com tempo bem distribuído pela família, pelos amigos, pelos gatos e, inclusive, com tempo para mim... depois de ter tido tempo para pensar bastante em ti, entro no carro e ainda em sonhos penso: "Que bela vida, que dia tranquilo, será domingo? Onde andam eles? Não há trânsito? Não há confusão na rua? Xocolaty entraste no carro e vais trabalhar num domingo!"

Oiço as notícias no rádio e fico a saber que afinal estou acordada! Andei a sonhar no fim-de-semana e voltei à vida real. O locutor acordou-me com as belas notícias da realidade:

- Hopitais S.A. com relatórios e contas adulterados a pedido do Ministro da Saúde e com a concordância da Ministra das Finanças. As fantásticas empresas deram lucro, pois foi omitida a compra de medicamentos; (assim também eu criava uma super empresa)

- Governo sabia que a Bombardier ia fechar desde Janeiro, através de um estudo pedido nessa altura. No entanto, não tiveram oportunidade de garantir postos de trabalho e a subsistência destas centenas de famílias; (governar ocupa-lhes demasiado o tempo)

- Familiares das vítimas da tragédia de Entre-os-Rios sentem-se abandonados pelo poder local e acusam o Presidente da Câmara de se ter servido deles para ascenção política... (e valerá a pena comentar esta?)

De volta à vida real! Boa semana para vocês!

02 abril 2004

Pensamento do dia

Beijar-te é como trincar um pêssego e aproveitar cada gota de doce, cada pedaço de fruta, sempre com a certeza que a próxima dentada pode não ter o mesmo sabor, nem o próximo pêssego ser igual!

(dedicado à Melancia, esse pilar do Frutoxocolaty, para que coma muitos "pêssegos" nas férias e volte ainda com mais paciência para nos aturar!)

Paixão de Cristo

Ontem fui, finalmente, ver "A Paixão de Cristo". Não me chocou a violência física, não me impressionou os "bidons" de ketchup usados pelo Mel Gibson, embora confesse que fechei muitas vezes os olhos para não ver as chagas e as consequências da tortura que Jesus passou.

Para mim, muito pior que a violência física que o filme contém, é a violência psicológica, é o ter consciência que hoje, 2004 anos depois, as mentalidade mantêm-se. É imaginar que ainda hoje, 2004 anos depois, o Homem ainda faz as mesmas perguntas e ainda não encontrou as respostas: "Onde está a Verdade? Como atingi-la? Como reconhecê-la?"

Hoje, no século XXI, no ano 2004, milhões de católicos por todo o mundo professam uma fé cujas origens não conhecem. Citam um livro, cujo teor não entendem, nem meditam.

Chorei, sem ser católica, ao pensar apenas isto: Se Jesus fosse vivo, hoje, morreria da mesma maneira, com a mesma crueldade.

Quantos católicos já pensaram nisso? Quantos católicos sabem a verdadeira definição da palavra Amor? Quantos sabem o que significa a frase em torno de todo o filme, em torno de todo o sacrifício de Jesus Cristo: A Verdade Universal do Amor...

É época de Páscoa. Talvez a melhor altura para os cristãos meditarem nestas coisas...

vou de férias ...mas volto!

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Durante uns dias vou estar ausente deste espaço. Vou de férias durante a próxima semana.

Vou para uma pequena aldeia, muito próximo da Serra da Estrela, em plena Beira Baixa.

Lá, na minha pequena casa, não tenho computador, telefone, aparelhagem de som, a televisão não se liga e cozinhamos a forno de lenha. Temos tempo para falar com os vizinhos. À noite lemos ou conversamos em família.

O tempo tem outra velocidade, as horas não contam, o que conta é o passar da vida.
Passeamos pelo campo, ouvimos os ruídos da terra: a água do rio Alva a passar por entre as pedras formando pequenas cachoeiras, o vento assobiando entre o arvoredo, os pássaros logo pela manhã, aí pelas 7.00, os bois que passam para irem lavrar as terras, os rebanhos que saem para os pastos, a chuva batendo nas janelas, enfim sons que aos meus ouvidos soam a música. Nunca tenho saudade dos toques do telefone ou campainha de porta.

Quando passeamos pelo campo arranjo sempre forma para ir ensinando a minha filha Maria que tem onze anos, a conhecer o nome das árvores, , a conhecer a forma de identificar o rosmaninho, o alecrim, a giesta, os cardos. Se sei o nome do pássaro que vai a passar digo-lhe. Sabemos o nome dos cães e gatos nossos vizinhos.

Sei que vou ter saudades vossas! Todos os dias vou pensar nos que virão aqui para me ler e não me vão encontrar. Como sou optimista digo a mim própria - melhor assim, quando voltar já terão saudades…

Entretanto desejo que todos aproveitam os feriados religiosos que irão prolongar o próximo fim-de-semana. Aproveitem bem, sejam felizes e obrigada por me aturarem!


01 abril 2004

A política e a mentira

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Para assinalarmos o Dia da Mentira deixamos aqui algumas ideias:

- "os portugueses nunca penalizam os governantes por faltarem à verdade";

- "ou as mentiras dos nossos políticos são mais singelas ou os portugueses convivem melhor com a falta de verdade";

- "além de tolerarem as mentiras, os portugueses normalmente também se consolam com o mal dos outros";

- "na Assembleia da República, o substantivo "mentira" e o adjectivo "mentiroso" polvilharam os debates ao longo de quase 30 anos de democracia";

- a troca de galhardetes faz-se invariavelmente entre a oposição e as bancadas que suportam o Governo em funções. O que é verdade para uns é mentira para os outros.

- "a vá o povo , sem dotes de analista político, saber quem subverte a realidade";

- "os políticos portugueses podem dar graças por as respectivas fadas-madrinhas não serem tão severas quanto a de Pinóquio".

( fonte: Diário de Notícias de hoje )

31 março 2004

bloco de notas da melancia

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Será que alguém acredita que o Prof. Marcelo lê aqueles 50 livros que ele diz ter lido durante a semana e ao domingo comenta???
(fazer um pequeno inquérito a amigos e colegas )
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Não esquecer de perguntar aqui às outras frutas e sabores...

o pensamento de hoje...

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Uma alegria compartilhada transforma-se numa dupla alegria; uma tristeza compartilhada em meia tristeza.

( autor desconhecido )

30 março 2004

poderemos salvar os oceanos???

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Temos preocupações ambientais e somos sensíveis a todas as notícias que nos retratam os problemas que põem em risco as coisas que amamos. Sim gostamos todas muito de mar!
Hoje encontrei esta notícia no “Diário de Notícias”


150 mares em risco por falta de oxigénio

Cerca de 150 zonas de oceanos e mares de todo o mundo têm falta de oxigénio, o que constitui uma ameaça para as reservas de peixe. De acordo com um relatório ontem divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) essas áreas, consideradas «zonas mortas», resultam da acumulação de um excesso de nutrientes, como o azoto, produzidos por fertilizantes agrícolas ou pela poluição automóvel e industrial.

Segundo os especialistas da ONU, essas zonas são «uma grande ameaça» para as reservas de peixe e para as comunidades humanas que dependem da pesca. O documento será apresentado durante o Fórum Mundial Ministerial do Ambiente que se iniciou ontem em Jeju, na Coreia do Sul, e que termina quarta-feira. Neste encontro participa uma delegação portuguesa chefiada pelo secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins.

O relatório das Nações Unidas - «Dimensão Ambiental da Água, do Saneamento e das Instalações Humanas» - sublinha que a utilização abusiva de fertilizantes no planeta e o crescimento de zonas oceânicas sem oxigénio são duas novas questões a que os governos de todo o mundo devem dedicar mais atenção. «Em algumas regiões, como em muitos países africanos, a falta de azoto impede que a agricultura dê resposta às crescentes necessidades alimentares. Essas regiões sentem desesperadamente falta de suplementos para fertilização. Todavia, em muitos outros países do mundo, o uso excessivo de fertilizantes químicos agrava o problema das zonas mortas», explica-se naquele relatório.

Muitas das zonas oceânicas consideradas «mortas» pela falta de oxigénio são de pequena dimensão, mas outras chegam já a atingir os 70 mil quilómetros quadrados. As primeiras zonas mortas apareceram no Mar Báltico, no Mar Negro e a norte do Mar Adriático. Outras surgiram depois na América Latina, China, Japão, sudeste da Austrália e Nova Zelândia.

Não queremos que de futuro estes mares, sejam apenas imagens de arquivo, que iremos deixar como legado aos nossos netos!