30 março 2004

poderemos salvar os oceanos???

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Temos preocupações ambientais e somos sensíveis a todas as notícias que nos retratam os problemas que põem em risco as coisas que amamos. Sim gostamos todas muito de mar!
Hoje encontrei esta notícia no “Diário de Notícias”


150 mares em risco por falta de oxigénio

Cerca de 150 zonas de oceanos e mares de todo o mundo têm falta de oxigénio, o que constitui uma ameaça para as reservas de peixe. De acordo com um relatório ontem divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) essas áreas, consideradas «zonas mortas», resultam da acumulação de um excesso de nutrientes, como o azoto, produzidos por fertilizantes agrícolas ou pela poluição automóvel e industrial.

Segundo os especialistas da ONU, essas zonas são «uma grande ameaça» para as reservas de peixe e para as comunidades humanas que dependem da pesca. O documento será apresentado durante o Fórum Mundial Ministerial do Ambiente que se iniciou ontem em Jeju, na Coreia do Sul, e que termina quarta-feira. Neste encontro participa uma delegação portuguesa chefiada pelo secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins.

O relatório das Nações Unidas - «Dimensão Ambiental da Água, do Saneamento e das Instalações Humanas» - sublinha que a utilização abusiva de fertilizantes no planeta e o crescimento de zonas oceânicas sem oxigénio são duas novas questões a que os governos de todo o mundo devem dedicar mais atenção. «Em algumas regiões, como em muitos países africanos, a falta de azoto impede que a agricultura dê resposta às crescentes necessidades alimentares. Essas regiões sentem desesperadamente falta de suplementos para fertilização. Todavia, em muitos outros países do mundo, o uso excessivo de fertilizantes químicos agrava o problema das zonas mortas», explica-se naquele relatório.

Muitas das zonas oceânicas consideradas «mortas» pela falta de oxigénio são de pequena dimensão, mas outras chegam já a atingir os 70 mil quilómetros quadrados. As primeiras zonas mortas apareceram no Mar Báltico, no Mar Negro e a norte do Mar Adriático. Outras surgiram depois na América Latina, China, Japão, sudeste da Austrália e Nova Zelândia.

Não queremos que de futuro estes mares, sejam apenas imagens de arquivo, que iremos deixar como legado aos nossos netos!

29 março 2004

Nota complementar ao post anterior

Tenho saudades de escrever...

flores para a Xocolaty!

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A Xocolaty anda com muito trabalho. Tanto que tem dias em que não almoça.Chega a casa muito tarde e nem tem tempo para vir aqui ler-nos. Mal tem tempo para ela e para os seus queridos "meninos": os três belos gatos.
Se eu soubesse copiar imagens para dentro do Frutoxocolaty agora iria publicar um belo ramo de papoilas, as flores que a Xoco mais ama.
Assim resta-me dizer que gostava de lhas oferecer e deixar aqui as muitas saudades que temos dela.
Um dia feliz para ti amiga !!!



N.R. da Xocolaty - Melancia, obrigada e aqui fica a imagem (fico feliz com a fotografia de apenas uma papoila, em vez de um lindo campo vermelho).
Obrigada e um beijinho grande para todos!

era uma vez um país...

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que parecia inventado! Viveu esquecido e abandonado ao sabor de ventos totalitários e políticas fascistas durante meio século. Tinha apetites de colonizador. Coisa que lhe vinha desde há séculos ainda andava de caravelas por esses mares fora. Gostava de se misturar com os povos que encontrava mas também gostava de lhes sugar tudo , o ouro, café, cacau, pedras preciosas e até escravos.
Dando provas de que não estava totalmente a dormir este povo levantou-se e fez uma revolução. Foi admirado e respeitado por isso. Fez as descolonizações.
Nesse país tudo era inesperado e surprendente. O povo que parecia adormecido, votava por hábito, vivia ao sabor do correr dos dias. Não havia hábitos de leitura nem a cultura era acessível .A educação era um problema crónico e a as questões com a saúde serviam para o povo inventar as mais pitorescas anedotas.
Mas o futebol era o orgulho nacional. Todos vibravam às segundas de manhã discutindo o desempenho da sua equipa e não havia ninguém que não conhecesse a cotação dos principais jogadores. Havia uma falta quase generalizada de infra-estruturas de apoio à infância: creches, jardins escola, bibliotecas. As escolas de regiões interiores estavam a fechar pois a natalidade estava a decrescer. Mas este povo construiu nada mais nada menos do que dez estádios de futebol, do mais moderno que havia para a realização de um evento internacional.
A glória do futebol estava no seu apogeu. Todas as televisões lhe prestavam tributo com longos directos dos novos estádio, dando mais material de interesse para as segundas de manhã.
É verdade que havia coisas que entristeciam este povo. Tinham um caso
de pedofilia . Havia uma crescente violência urbana. Havia um agravamento da toxicodependência Tinham um governo ao ataque nas conquistas da revolução. Todos os dias saíam leis para retirar mais um pouco do que havia sido conquistado e sobretudo este povo via todos os meses o seu rendimento a descer e o custo de vida a aumentar. Havia um desenfreado apetite legislador em todas as áreas que pudessem transmitir segurança aos patrões e que o governo anunciava com o toque de trompas como sendo a única forma de saírem da crise.
Neste país surgiu um juiz que depressa o povo apelidou de “super-juiz”. Tinha o caso da pedofilia e passou a ser um rosto conhecido. Quando parecia que já ninguém acreditava na justiça, ele disse numa entrevista: “Ser juiz é a melhor profissão do mundo”.
Neste país de lendas e fábulas o primeiro ministro visitava os países que haviam emergido das antigas colónias. Numas dessas visitas a um país pobre e subdesenvolvido, que havia sido tratado durante séculos de política colonialista com o saque das suas riquezas naturais ele apresentou o antigo país colonizador da seguinte forma: podem contar connosco para o vosso desenvolvimento, e paternalista disse: “ainda mais importante do que a língua é o facto de termos uma linguagem comum,. Uma maneira de ser e de sentir que partilhamos em vários aspectos”. O povo esqueceu décadas de guerra colonial mais décadas de guerra civil, esqueceu os mutilados e os soldados sem emprego e bateu muitas palmas e dançou para o primeiro ministro do país europeu que o havia colonizado.
Neste pequeno país de lendas, poetas, futebol e milagres religiosos, governado por uma "plutocracia", ainda há quem continue a acreditar na busca quotidiana de uma vida melhor!!!

26 março 2004

um pensamento para o fim-de-semana...

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" Enquanto não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la. Porém se a não corrigires, não a alcançarás.Entretanto não te resignes."

(José Saramago - História do Cerco de Lisboa )

notícias de um país surreal...

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Existe um país belo e solarengo de lindas paisagens à beira mar plantadas.
Nesse país o povo vive feliz e ligeiramente distraído. Gostam de música, de futebol e de cantar a vida de uma maneira muito original: o fado.
País de poetas, de grandes escritores, este país é visitado por milhões de pessoas em busca das suas belíssimas praias e da sua deliciosa maneira de receber.

Mas esse belo país tem desde ontem um problema. Desde ontem o mundo ficou a saber que nesse país as pontes caem de causas naturais.

Durante séculos as pontes construídas pelos romanos resistiram a todos os vendavais e a todo o tipo de tormentas. Estão ainda muitas orgulhosamente inteiras, de pé, desafiando todos os cálculos da engenharia actual.

Mas outras constuídas na actualidade podem cair devido a cheias...

Assim um juiz, deste país surreal, irá ficar na história da jurisprudência. Ontem ele anunciou ao mundo que uma ponte sobre o maior rio da região norte deste país, caiu por causa das cheias de 2001.

O aviso ficou a pairar no ar: então e as outras pontes, viadutos e passagens superiores também poderão cair de causas naturais???

Não se sabe ainda o que pensam os engenheiros dos organismos oficiais que existem com a função principal de fiscalizar e manter seguras estas estruturas, pois devido ao adiantado da hora em que a decisão do juíz foi conhecida, ainda não houve tempo para um comunicado oficial.

De futuro qualquer um terá que andar mais atento às previsões do tempo. Não poderá continuar distraído, antes de viajar tem que saber se irá chover muito, pelo que deverá evitar qualquer ponte, pois é natural que possam cair...

E desde ontem que o povo está avisado, não deve passar sobre as pontes em dias de grandes chuvadas pois a passagem de veículos sobre as pontes provoca a sua queda.

25 março 2004

hoje estou assim...

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Encontrei ainda há pouco num pequeno verso da Sophia de Mello Breyner Andresen, no livro “O nome das Coisas”, as palavras que eu gostaria de ter escrito sobre o meu estado de espírito:

“ Dia

Mergulho no dia como em mar ou seda
Dia passado comigo e com a casa
Perpassa pelo ar um gesto de asa
Apesar de tanta dor e tanta perda “



saudação da primavera...

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Andávamos tristes. Muito tristes e cansadas do Inverno. Quando pensávamos escrever todas sentíamos muito cinza à nossa volta. Precisávamos de uma mudança visual que nos desse uma nova alma.
Temos outros paladares para entrar no nosso dia-a-dia.
Aconteceu!
Estamos hoje cheias de azul, flores, borboletas e esta magnífica lua que nos enche de luar. Apetece namorar passeando nesta noite de lua cheia!
Aqui no Frutó abrimos a época para o romance, a felicidade, e a esperança que seja possível viver num mundo melhor.

Para esta mudança ser possível, contámos com a ajuda amiga do D. Quixote. Um grande beijo para ele, (aqui eu já devia de saber fazer o “link” para o blog dele, o”Poetry Café”, nem conto as vezes que a Xocolaty já me ensinou, mas de facto burra velha não aprende …) sozinhas não tínhamos conseguido. Eu não percebo quase nada de computadores, sou uma ocasional “utilizadora”.
As outras variedades de sabores e frutas estão umas com problemas no trabalho outras sem tempo para escrever.
Enfim estamos com nova maquilhagem e umas roupinhas de tempo quente. O fundo a lembrar mergulhos em águas cristalinas e muito pouco que fazer.

Proponho um brinde aos dias felizes. Brindemos!!!

Espero que gostem. São sempre bem-vindos!

23 março 2004

pensamentos da melancia

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E agora???Quem estará nas miras dos mísseis, por esse mundo fora???
Ódio e mais ódio para justificar o aparecimento de mais ódio.
Já dizia Ghandi:" olho por olho e o mundo acabará cego ".

22 março 2004

será a paz uma utopia???

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Israel está em estado de alerta máximo depois da morte do líder espiritual do Hamas, o xeque Ahmed Yassin. Milhares de palestinianos manifestam-se nas ruas de Gaza e da Cisjordânia e o correspondente da BBC nos territórios ocupados reporta a fúria e raiva da multidão, que não reúne apenas os partidários do movimento islamista. O mundo reagiu com apelos à calma e contenção dos dois lados.

A Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, braço militar do movimento Fatah, do líder palestiniano Yasser Arafat, veio já declarar guerra a Israel e disse que «dentro de algumas horas» dará uma resposta à morte do xeque. Também o Hamas prometeu fazer correr o sangue de «centenas» de israelitas para vingar a morte do seu líder. Diz o movimento de Yassin que o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, «abriu os portões do inferno». E promete um «tremor de terra» para Israel.

Entretanto, Ariel Sharon felicitou as tropas pela morte do chefe espiritual do Hamas. Sharon justifica o assassinato alegando que «o povo judeu tem o direito a golpear aqueles cujo único objectivo é a nossa exterminação». Por sua vez os EUA negaram qualquer implicação no ataque.

Quantos inocentes irão morrer agora com as ameaças de vigança do Hamas???

pensamento para hoje...

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A paz vem de dentro de ti próprio, não a procures à tua volta.

( Buda )

19 março 2004

Pai!

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Chamava-se Lenine. Nasceu no Alentejo pobre, rude e abandonado pelo fascismo.
Aos seis anos, em vez de ir à escola , andava a guardar porcos pelos montes. Verão ou Inverno, descalço ,mal vestido e com fome. Sim, passou fome. Era analfabeto. Dizia com amargura que as primeiras botas que calçou foram as da tropa.
Durante a tropa, no final da segunda guerra, foi para os Açores. Lá conheceu a rapariga mais linda que até aí tinha visto. Amou-a, voltou ao continente sem ela., mas ela veio atrás dele.
Deixou a sua terra à procura de um futuro melhor na capital do país. Foi trabalhar numa grande fábrica têxtil. Aí formou-se a sua consciência política. Enraizou-se nele uma profunda consciência de classe. Sempre se situou aí. Sabia onde estavam os exploradores e os explorados.
Fez exame de instrução primária já com filhos na escola. Sabia discutir Marx e Engels. Era um autodidacta. Amava os livros e a palavra escrita. Sabia do que falava e interpretava o que lia. Ao ouvi-lo podíamos pensar que era licenciado em ciências políticas. Fazia poemas de inspiração repentina, não os escrevia mas declamava-os com uma dicção impecável.
Chamava-se Lenine e isso custou-lhe ser perseguido. Esse nome valeu-lhe anos de desemprego e perseguição.
Aos trinta e seis anos num acidente de trabalho na fábrica, ficou sem a perna direita, abaixo do joelho. Acabaram-se os jogos de futebol com amigos e colegas e acabaram-se os bailes. Era bom bailarino. Dizia que durante muitos anos sonhava que tinha os dois pés.

Era alegre, jovial cheio de actividade e nunca aceitou a mutilação, sofreu muito para se habituar a andar com uma prótese. Durante alguns anos encontrou uma fuga para a sua desventura no álcool.

O seu anjo da guarda foi a Maria. Ela foi durante toda a sua vida, a partir do acidente, as duas pernas que ele não tinha, a sua ajuda a sua amiga.
Foram anos difíceis, de pobreza e desamparo, mas nunca deixou de amar os filhos acima de todas as coisas ele era um bom pai. Depois a sua grande paixão foram os netos. Eram a luz dos seus olhos. Não se inibia de lhes dedicar um grande carinho.

Era meu pai!
Faz hoje dez anos que estive com ele pela última vez. Era dia do pai, calhou ao fim-de-semana e houve almoço para toda a gente lá em casa. Estava feliz o meu velho.

Morreu no dia 26 de Março, passada uma semana, uma operação de urgência aos intestinos levou-o. Não tive tempo de me despedir dele e de lhe dizer pela primeira vez que o amava. Não tinha sido uma convivência fácil a nossa. Ele era autoritário e rude como a terra que o viu nascer, e eu era uma adolescente muito rebelde. Tivemos as nossas acesas discussões. Mas ele não desistiu nunca de me mostrar que as suas ideias e ideais eram o caminho para uma vida de adulto responsável e consciente. Na altura eu não sabia, mas estava a aprender, a absorver e a cimentar uma grande amizade com ele.
Já às portas de morte a última coisa que disse a uma irmã minha, com uma voz quase inaudível, foi : dá beijinhos aos meus netos. Foi a sua despedida. Partiu nessa mesma madrugada.
Morreu-me e faz-me falta. Ainda estou de luto. Com ele também partiu a mulher que a minha mãe era. Se ela foi as pernas que ele não tinha, ele foi a alma da casa a alma da família. Ela está lá, mas mais de metade dela partiu com ele.
Que saudades meu velho! Ainda guardo no meu coração a tua voz cantando o teu Alentejo amado!

18 março 2004

um pouco de poesia...

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OFÍCIO DE VIVER


Vou sempre além de mim mesmo
em teu dorso, ó verso.
O que não sou nasce em mim
e, máscara mais verdadeira
do que o rosto, toma conta
de meus símbolos terrestres.
Imaginação! teu véu
envolve humildes objectos
que na sombra resplandecem.
Vestíbulo do informulável,
poesia, és como a carne,
atrás de ti é que existes.
E as palavras são moedas.
Com elas, tudo compramos,
a árvore que nasce no espaço
e o mar que não escutamos,
formas tangíveis de um corpo
e a terra em que não pisamos.

Se inventar é o meu destino,
invento e invento-me. Canto.

(Ledo Ivo
Poeta brasileiro
Personalidade das mais relevantes do Neomodernismo )

trabalho de minuciosa lavra...

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«Um dia, leitor, hei-de contar as ânsias e tormentos com que se vai martelando esta artesania da escrita, em que ainda sobrevive a mão do caldeireiro ou, do fazedor de autómatos, e explicar como é desolador chegar ao nascer da roxa aurora e ao rumor dos primeiros autocarros apenas com duas ou três páginas sofrivelmente apontadas. Só este trabalho de minuciosa lavra, em traiçoeira brenha, não contando com o resto, havia de ser, não principescamente, não regiamente, mas imperialmente pago.»

(Mário de Carvalho, em " Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina" )

17 março 2004

Aconteça o que acontecer... nunca te esqueças de sorrir!

Se não conseguires... pensa no sorriso que um dia te fez a pessoa mais feliz do Mundo!

16 março 2004

Madame Antonietta Vasconcellos e Dom Leonardo del Pozo Real

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Esta é a história de Madame Antonietta de Vasconcellos e de seu gato D. Leonardo del Pozo Real. Madame pertencia à mais fina e apurada aristocracia europeia, correndo-lhe nas veias o invejável sangue dos mais refinados cruzamentos de famílias reais. D. Leonardo del Pozo, o gato, pertencia à família real espanhola e nas suas veias corria o sangue de centenas de gatos persas, pertencentes à casa real espanhola. À falta de descendentes humanos directos do rei, D. Leonardo concorria de igual para igual na corrida ao trono com qualquer primo em quinto grau do rei de Espanha.

Madame Antonietta e D. Leonardo viviam no Estoril, num palacete dos finais do séc. XVIII, com traça colonial, muito bem conservado e situado em frente à praia. Madame era uma velha cheia de tiques, achaques e achiques, alérgica ao pó, sofria de tremores com a luz do Sol, alérgica a quase todas as flores e aromas e só comia carne de vaca importada da Polónia. Dizia que o seu tetra-avô durou até aos 130 anos não só pelo sangue real, mas também por comer apenas carne de vaca do seu país. Não valia a pena dizer-lhe nada em contrário, pois Madame não admitia opiniões contrárias às suas, achando-as de um péssimo gosto, dignas do pessoal menor. Convém, entretanto, referir o pormenor que pessoal menor somos todos nós, ao não nos correr nas veias o sangue de trinta e sete gerações de reis europeus. D. Leonardo, por seu turno, alimentava-se de ovas de estrujão importadas pela própria Madame (sem intermediários) da Ucrânia.

Madame tinha uma educação espartana e muito católica, pelo que não admitia atrasos a ninguém, nem mesmo a D. Leonardo, a quem exigia pontualidade sobretudo às refeições.

As refeições eram a hora mais importante do dia. Eram tomadas na sala de jantar, numa mesa de vinte lugares. Madame e D. Leonardo sentavam-se cada um em sua ponta da mesa, como exige a etiqueta. D. Leonardo sentava-se na cadeira e uma das duas criadas, que o serviam vinte e quatro horas por dia, dava-lhe cuidadosamente as ovas de estrujão à boca, limpando-lhe os bigodes entre cada garfada.

Era um gato extremamente gordo e calmo, sempre cansado da vida e das mesquinhices do pessoal menor. No entanto, era um gato! E, como tal, as dezenas de gerações reais que lhe formavam a cadeia genética não conseguiram eliminar a tara por pássaros. Era a única tara que a Madame admitia a D. Leonardo, dando-se inclusive ao trabalho de estimulá-la ao ponto de ter a casa ocupada por centenas de canários que cantavam o dia todo para deleite do Dom.

Para que Sua Excelência não se enfastiasse, Madame Antonietta contratou um violinista, cuja tarefa era unicamente tocar violino doze horas por dia. Tocava para deleite do Dom e para avivar e refinar o canto dos canários, que o acompanhavam em coro. Quando o Dom dormia, o violinista estava autorizado a fumar um cigarro na área de serviço do palacete.

A Madame tinha horror aos passeios do Dom pelo jardim. Um gato real, puro sangue persa, era demasiado perfeito para se passear pelos jardins do palacete à mercê de qualquer rafeiro ...ou rafeira que por ali passasse. No entanto, Dom Leonardo baldava-se sempre que podia e marcava território pelos vários cantos do jardim, destruindo antúrios, girassois, túlipas, malmequeres e outras flores que Madame tão bem tratava e amava.

Certo dia, Dom Leonardo foi até ao jardim e nunca mais voltou. Madame pediu ajuda à polícia, aos bombeiros. Contratou inclusive um detective particular.

Depois de muito procurar e de seguir muitas pistas, o detective localizou o Dom, sujo, magro, aleijado numa praia ali perto e acompanhado por uma gata preta. Conseguiu fotografá-lo mas não havia caviar que convencesse Dom Leonardo a voltar ao fastio da velha casa. Trocara a vida de rei pelo amor de uma gata preta rafeira e passeava como um vagabundo pelas praias da linha.

Conta-se que Madame se fechou em casa e que morreu de tanto chorar e que ainda hoje, passados cinquenta anos, se houve o fantasma dela tocando violino no velho palacete, olhando o mar...

15 março 2004

Notícia da China

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Na China, a escolha do sexo que o filho irá ter, faz milhões de solteiros.
Entre 30 a 40 milhões de chineses em idade de casar em 2020 não vão encontrar parceira.
Na origem do fenómeno está o desequilíbrio entre o número de homens e mulheres, resultante da actual tendência para a escolha “ilegal” do sexo das crianças na China.
Para controlar a natalidade foi legislado que cada casal só pode ter um filho. Daí que as raparigas são condenadas a não nascer. Por tradição ancestral as famílias optam por filhos homens.

Segundo dados divulgados recentemente, a proporção era de uma rapariga para cada 16 rapazes, em 2000.

Como é que vai ser em 2020??? Irão exportar solteiros ou importar solteiras???

14 março 2004

Post amigo...

Estou muito preocupada com a formação sexual dos deputados do PP. Preocupa-me o facto de estes senhores não terem tido a experiência de vida necessária para saber o que é um clítoris!

Como tal (e por achar que antes de criticar devo ter um papel orientador) transcrevo a descrição da tão misteriosa palavra:
"clítoris
substantivo masculino 2 números
ANATOMIA pequeno órgão eréctil do aparelho genital feminino, situado na junção dos pequenos lábios, na parte superior da vulva;

(Do gr. kleitorís, «o que fecha»)

© Copyright 2003-2004, Porto Editora. "

Temos também a descrição para as crianças das escolas primárias, com legendas, medidas, funções, etc...

E por não querer que lhes falte nada, pois o Português é uma língua traiçoeira, posso traduzir ainda o atrás explicado, acrescentando que o clitóris é aquilo que os senhores deputados vêem quando espreitam o canal 18. É aquele bocadinho de pele, ligeiramente levantado que se encontra localizado bem no centro do orgão sexual feminino.

Também, existe sempre a hipótese de perguntar às mães dos senhores deputados o que achariam da ideia de um dia perderem o orgão! Talvez assim se chegue à conclusão científica se é dispensável para a mulher ou não!

Agora, se não se importam, eu mantenho o meu! Pois dá-me bastante jeito para aquilo que os senhores possivelmente nunca fizeram ou tiveram curiosidade em ver...

E, por favor, poupem-me as descrições legislativas sobre o clitóris e a pouca importância que ele tem na vida da mulher! Será o pénis algo irrelevante para um homem?

Sê tu próprio!

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Sê como o Sol e aquece o dia;
Sê como a Lua e ilumina a noite;
Sê como o sorriso e dá-nos uma esperança;
Sê tu próprio e mostra-nos a diferença;

Sê porque existes e não porque te olham;
Sê porque pensas e não porque te dizem;
Sê porque amas e não porque te amam;

Sê tudo o que poderes e sempre que quiseres;
Sê feliz e brinda-nos com a plenitude!

13 março 2004

Pensamentos

Hoje fui à Matriz e encontrei 3 belas frases que me dizem tudo sobre a vida, a blogosfera e... todos nós!

Esta dedico-a aos distraídos:
«Cuidado com aquilo que finges ser, porque tu és aquilo que finges ser.
- Kurt Vonnegut»

Esta dedico-a a todos os que se recusam a ajudar na evolução do País:
«Avoid reality at all costs.»

Esta dedico-a ao António e ao seu esforço gigantesco em revelar o fundo do poço do caso "Casa Pia" (para que não desista de vasculhar):
«O que é A Matriz? Não se pode dizer a ninguém o que é A Matriz. É algo que só pode ver por si mesmo. Escolha o comprimido vermelho e descubra quão funda é a toca do coelho... Acorde para a realidade.»

Espero que a Matriz não se importe que use as palavras deles. Mas são tão certas...