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«Um dia, leitor, hei-de contar as ânsias e tormentos com que se vai martelando esta artesania da escrita, em que ainda sobrevive a mão do caldeireiro ou, do fazedor de autómatos, e explicar como é desolador chegar ao nascer da roxa aurora e ao rumor dos primeiros autocarros apenas com duas ou três páginas sofrivelmente apontadas. Só este trabalho de minuciosa lavra, em traiçoeira brenha, não contando com o resto, havia de ser, não principescamente, não regiamente, mas imperialmente pago.»
(Mário de Carvalho, em " Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina" )
18 março 2004
17 março 2004
16 março 2004
Madame Antonietta Vasconcellos e Dom Leonardo del Pozo Real
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Esta é a história de Madame Antonietta de Vasconcellos e de seu gato D. Leonardo del Pozo Real. Madame pertencia à mais fina e apurada aristocracia europeia, correndo-lhe nas veias o invejável sangue dos mais refinados cruzamentos de famílias reais. D. Leonardo del Pozo, o gato, pertencia à família real espanhola e nas suas veias corria o sangue de centenas de gatos persas, pertencentes à casa real espanhola. À falta de descendentes humanos directos do rei, D. Leonardo concorria de igual para igual na corrida ao trono com qualquer primo em quinto grau do rei de Espanha.
Madame Antonietta e D. Leonardo viviam no Estoril, num palacete dos finais do séc. XVIII, com traça colonial, muito bem conservado e situado em frente à praia. Madame era uma velha cheia de tiques, achaques e achiques, alérgica ao pó, sofria de tremores com a luz do Sol, alérgica a quase todas as flores e aromas e só comia carne de vaca importada da Polónia. Dizia que o seu tetra-avô durou até aos 130 anos não só pelo sangue real, mas também por comer apenas carne de vaca do seu país. Não valia a pena dizer-lhe nada em contrário, pois Madame não admitia opiniões contrárias às suas, achando-as de um péssimo gosto, dignas do pessoal menor. Convém, entretanto, referir o pormenor que pessoal menor somos todos nós, ao não nos correr nas veias o sangue de trinta e sete gerações de reis europeus. D. Leonardo, por seu turno, alimentava-se de ovas de estrujão importadas pela própria Madame (sem intermediários) da Ucrânia.
Madame tinha uma educação espartana e muito católica, pelo que não admitia atrasos a ninguém, nem mesmo a D. Leonardo, a quem exigia pontualidade sobretudo às refeições.
As refeições eram a hora mais importante do dia. Eram tomadas na sala de jantar, numa mesa de vinte lugares. Madame e D. Leonardo sentavam-se cada um em sua ponta da mesa, como exige a etiqueta. D. Leonardo sentava-se na cadeira e uma das duas criadas, que o serviam vinte e quatro horas por dia, dava-lhe cuidadosamente as ovas de estrujão à boca, limpando-lhe os bigodes entre cada garfada.
Era um gato extremamente gordo e calmo, sempre cansado da vida e das mesquinhices do pessoal menor. No entanto, era um gato! E, como tal, as dezenas de gerações reais que lhe formavam a cadeia genética não conseguiram eliminar a tara por pássaros. Era a única tara que a Madame admitia a D. Leonardo, dando-se inclusive ao trabalho de estimulá-la ao ponto de ter a casa ocupada por centenas de canários que cantavam o dia todo para deleite do Dom.
Para que Sua Excelência não se enfastiasse, Madame Antonietta contratou um violinista, cuja tarefa era unicamente tocar violino doze horas por dia. Tocava para deleite do Dom e para avivar e refinar o canto dos canários, que o acompanhavam em coro. Quando o Dom dormia, o violinista estava autorizado a fumar um cigarro na área de serviço do palacete.
A Madame tinha horror aos passeios do Dom pelo jardim. Um gato real, puro sangue persa, era demasiado perfeito para se passear pelos jardins do palacete à mercê de qualquer rafeiro ...ou rafeira que por ali passasse. No entanto, Dom Leonardo baldava-se sempre que podia e marcava território pelos vários cantos do jardim, destruindo antúrios, girassois, túlipas, malmequeres e outras flores que Madame tão bem tratava e amava.
Certo dia, Dom Leonardo foi até ao jardim e nunca mais voltou. Madame pediu ajuda à polícia, aos bombeiros. Contratou inclusive um detective particular.
Depois de muito procurar e de seguir muitas pistas, o detective localizou o Dom, sujo, magro, aleijado numa praia ali perto e acompanhado por uma gata preta. Conseguiu fotografá-lo mas não havia caviar que convencesse Dom Leonardo a voltar ao fastio da velha casa. Trocara a vida de rei pelo amor de uma gata preta rafeira e passeava como um vagabundo pelas praias da linha.
Conta-se que Madame se fechou em casa e que morreu de tanto chorar e que ainda hoje, passados cinquenta anos, se houve o fantasma dela tocando violino no velho palacete, olhando o mar...
Esta é a história de Madame Antonietta de Vasconcellos e de seu gato D. Leonardo del Pozo Real. Madame pertencia à mais fina e apurada aristocracia europeia, correndo-lhe nas veias o invejável sangue dos mais refinados cruzamentos de famílias reais. D. Leonardo del Pozo, o gato, pertencia à família real espanhola e nas suas veias corria o sangue de centenas de gatos persas, pertencentes à casa real espanhola. À falta de descendentes humanos directos do rei, D. Leonardo concorria de igual para igual na corrida ao trono com qualquer primo em quinto grau do rei de Espanha.
Madame Antonietta e D. Leonardo viviam no Estoril, num palacete dos finais do séc. XVIII, com traça colonial, muito bem conservado e situado em frente à praia. Madame era uma velha cheia de tiques, achaques e achiques, alérgica ao pó, sofria de tremores com a luz do Sol, alérgica a quase todas as flores e aromas e só comia carne de vaca importada da Polónia. Dizia que o seu tetra-avô durou até aos 130 anos não só pelo sangue real, mas também por comer apenas carne de vaca do seu país. Não valia a pena dizer-lhe nada em contrário, pois Madame não admitia opiniões contrárias às suas, achando-as de um péssimo gosto, dignas do pessoal menor. Convém, entretanto, referir o pormenor que pessoal menor somos todos nós, ao não nos correr nas veias o sangue de trinta e sete gerações de reis europeus. D. Leonardo, por seu turno, alimentava-se de ovas de estrujão importadas pela própria Madame (sem intermediários) da Ucrânia.
Madame tinha uma educação espartana e muito católica, pelo que não admitia atrasos a ninguém, nem mesmo a D. Leonardo, a quem exigia pontualidade sobretudo às refeições.
As refeições eram a hora mais importante do dia. Eram tomadas na sala de jantar, numa mesa de vinte lugares. Madame e D. Leonardo sentavam-se cada um em sua ponta da mesa, como exige a etiqueta. D. Leonardo sentava-se na cadeira e uma das duas criadas, que o serviam vinte e quatro horas por dia, dava-lhe cuidadosamente as ovas de estrujão à boca, limpando-lhe os bigodes entre cada garfada.
Era um gato extremamente gordo e calmo, sempre cansado da vida e das mesquinhices do pessoal menor. No entanto, era um gato! E, como tal, as dezenas de gerações reais que lhe formavam a cadeia genética não conseguiram eliminar a tara por pássaros. Era a única tara que a Madame admitia a D. Leonardo, dando-se inclusive ao trabalho de estimulá-la ao ponto de ter a casa ocupada por centenas de canários que cantavam o dia todo para deleite do Dom.
Para que Sua Excelência não se enfastiasse, Madame Antonietta contratou um violinista, cuja tarefa era unicamente tocar violino doze horas por dia. Tocava para deleite do Dom e para avivar e refinar o canto dos canários, que o acompanhavam em coro. Quando o Dom dormia, o violinista estava autorizado a fumar um cigarro na área de serviço do palacete.
A Madame tinha horror aos passeios do Dom pelo jardim. Um gato real, puro sangue persa, era demasiado perfeito para se passear pelos jardins do palacete à mercê de qualquer rafeiro ...ou rafeira que por ali passasse. No entanto, Dom Leonardo baldava-se sempre que podia e marcava território pelos vários cantos do jardim, destruindo antúrios, girassois, túlipas, malmequeres e outras flores que Madame tão bem tratava e amava.
Certo dia, Dom Leonardo foi até ao jardim e nunca mais voltou. Madame pediu ajuda à polícia, aos bombeiros. Contratou inclusive um detective particular.
Depois de muito procurar e de seguir muitas pistas, o detective localizou o Dom, sujo, magro, aleijado numa praia ali perto e acompanhado por uma gata preta. Conseguiu fotografá-lo mas não havia caviar que convencesse Dom Leonardo a voltar ao fastio da velha casa. Trocara a vida de rei pelo amor de uma gata preta rafeira e passeava como um vagabundo pelas praias da linha.
Conta-se que Madame se fechou em casa e que morreu de tanto chorar e que ainda hoje, passados cinquenta anos, se houve o fantasma dela tocando violino no velho palacete, olhando o mar...
15 março 2004
Notícia da China
.
Na China, a escolha do sexo que o filho irá ter, faz milhões de solteiros.
Entre 30 a 40 milhões de chineses em idade de casar em 2020 não vão encontrar parceira.
Na origem do fenómeno está o desequilíbrio entre o número de homens e mulheres, resultante da actual tendência para a escolha “ilegal” do sexo das crianças na China.
Para controlar a natalidade foi legislado que cada casal só pode ter um filho. Daí que as raparigas são condenadas a não nascer. Por tradição ancestral as famílias optam por filhos homens.
Segundo dados divulgados recentemente, a proporção era de uma rapariga para cada 16 rapazes, em 2000.
Como é que vai ser em 2020??? Irão exportar solteiros ou importar solteiras???
Na China, a escolha do sexo que o filho irá ter, faz milhões de solteiros.
Entre 30 a 40 milhões de chineses em idade de casar em 2020 não vão encontrar parceira.
Na origem do fenómeno está o desequilíbrio entre o número de homens e mulheres, resultante da actual tendência para a escolha “ilegal” do sexo das crianças na China.
Para controlar a natalidade foi legislado que cada casal só pode ter um filho. Daí que as raparigas são condenadas a não nascer. Por tradição ancestral as famílias optam por filhos homens.
Segundo dados divulgados recentemente, a proporção era de uma rapariga para cada 16 rapazes, em 2000.
Como é que vai ser em 2020??? Irão exportar solteiros ou importar solteiras???
14 março 2004
Post amigo...
Estou muito preocupada com a formação sexual dos deputados do PP. Preocupa-me o facto de estes senhores não terem tido a experiência de vida necessária para saber o que é um clítoris!
Como tal (e por achar que antes de criticar devo ter um papel orientador) transcrevo a descrição da tão misteriosa palavra:
"clítoris
substantivo masculino 2 números
ANATOMIA pequeno órgão eréctil do aparelho genital feminino, situado na junção dos pequenos lábios, na parte superior da vulva;
(Do gr. kleitorís, «o que fecha»)
© Copyright 2003-2004, Porto Editora. "
Temos também a descrição para as crianças das escolas primárias, com legendas, medidas, funções, etc...
E por não querer que lhes falte nada, pois o Português é uma língua traiçoeira, posso traduzir ainda o atrás explicado, acrescentando que o clitóris é aquilo que os senhores deputados vêem quando espreitam o canal 18. É aquele bocadinho de pele, ligeiramente levantado que se encontra localizado bem no centro do orgão sexual feminino.
Também, existe sempre a hipótese de perguntar às mães dos senhores deputados o que achariam da ideia de um dia perderem o orgão! Talvez assim se chegue à conclusão científica se é dispensável para a mulher ou não!
Agora, se não se importam, eu mantenho o meu! Pois dá-me bastante jeito para aquilo que os senhores possivelmente nunca fizeram ou tiveram curiosidade em ver...
E, por favor, poupem-me as descrições legislativas sobre o clitóris e a pouca importância que ele tem na vida da mulher! Será o pénis algo irrelevante para um homem?
Como tal (e por achar que antes de criticar devo ter um papel orientador) transcrevo a descrição da tão misteriosa palavra:
"clítoris
substantivo masculino 2 números
ANATOMIA pequeno órgão eréctil do aparelho genital feminino, situado na junção dos pequenos lábios, na parte superior da vulva;
(Do gr. kleitorís, «o que fecha»)
© Copyright 2003-2004, Porto Editora. "
Temos também a descrição para as crianças das escolas primárias, com legendas, medidas, funções, etc...
E por não querer que lhes falte nada, pois o Português é uma língua traiçoeira, posso traduzir ainda o atrás explicado, acrescentando que o clitóris é aquilo que os senhores deputados vêem quando espreitam o canal 18. É aquele bocadinho de pele, ligeiramente levantado que se encontra localizado bem no centro do orgão sexual feminino.
Também, existe sempre a hipótese de perguntar às mães dos senhores deputados o que achariam da ideia de um dia perderem o orgão! Talvez assim se chegue à conclusão científica se é dispensável para a mulher ou não!
Agora, se não se importam, eu mantenho o meu! Pois dá-me bastante jeito para aquilo que os senhores possivelmente nunca fizeram ou tiveram curiosidade em ver...
E, por favor, poupem-me as descrições legislativas sobre o clitóris e a pouca importância que ele tem na vida da mulher! Será o pénis algo irrelevante para um homem?
Sê tu próprio!
.
Sê como o Sol e aquece o dia;
Sê como a Lua e ilumina a noite;
Sê como o sorriso e dá-nos uma esperança;
Sê tu próprio e mostra-nos a diferença;
Sê porque existes e não porque te olham;
Sê porque pensas e não porque te dizem;
Sê porque amas e não porque te amam;
Sê tudo o que poderes e sempre que quiseres;
Sê feliz e brinda-nos com a plenitude!
Sê como o Sol e aquece o dia;
Sê como a Lua e ilumina a noite;
Sê como o sorriso e dá-nos uma esperança;
Sê tu próprio e mostra-nos a diferença;
Sê porque existes e não porque te olham;
Sê porque pensas e não porque te dizem;
Sê porque amas e não porque te amam;
Sê tudo o que poderes e sempre que quiseres;
Sê feliz e brinda-nos com a plenitude!
13 março 2004
Pensamentos
Hoje fui à Matriz e encontrei 3 belas frases que me dizem tudo sobre a vida, a blogosfera e... todos nós!
Esta dedico-a aos distraídos:
«Cuidado com aquilo que finges ser, porque tu és aquilo que finges ser.
- Kurt Vonnegut»
Esta dedico-a a todos os que se recusam a ajudar na evolução do País:
«Avoid reality at all costs.»
Esta dedico-a ao António e ao seu esforço gigantesco em revelar o fundo do poço do caso "Casa Pia" (para que não desista de vasculhar):
«O que é A Matriz? Não se pode dizer a ninguém o que é A Matriz. É algo que só pode ver por si mesmo. Escolha o comprimido vermelho e descubra quão funda é a toca do coelho... Acorde para a realidade.»
Espero que a Matriz não se importe que use as palavras deles. Mas são tão certas...
Esta dedico-a aos distraídos:
«Cuidado com aquilo que finges ser, porque tu és aquilo que finges ser.
- Kurt Vonnegut»
Esta dedico-a a todos os que se recusam a ajudar na evolução do País:
«Avoid reality at all costs.»
Esta dedico-a ao António e ao seu esforço gigantesco em revelar o fundo do poço do caso "Casa Pia" (para que não desista de vasculhar):
«O que é A Matriz? Não se pode dizer a ninguém o que é A Matriz. É algo que só pode ver por si mesmo. Escolha o comprimido vermelho e descubra quão funda é a toca do coelho... Acorde para a realidade.»
Espero que a Matriz não se importe que use as palavras deles. Mas são tão certas...
12 março 2004
Momento de luto
O terrorismo está para a sociedade exactamente da mesma forma que o violador está para a mulher! Ambos usam a violência e o terror para impôr o poder! Ambos nos fazem gelar, tremer, desconfiar...
Não choro os mortos de ontem, nem os mortos de nenhum outro ataque terrorista. Choro os vivos, aqueles que vivem com a dor da perda, com o medo da violência, com o ódio no coração. Odeiam alguém, não sabem quem! Odeiam o nome de um grupo armado, odeiam homens e mulheres que, como eles, também a vida lhes mostrou um dia a face do ódio.
Choro todos aqueles que vivem com o coração amargurado! Choro os feridos graves que ainda não entenderam o que aconteceu e lutam pela vida! Choro pela vergonha que carrego por também eu pertencer à “Humanidade”! Choro por ser portuguesa e não concordar com nenhuma medida da política externa do actual governo! Choro porque gostava de ter a força e o poder da palavra para lutar da forma certa contra o terrorismo!
Para mim, terrorista não é o desgraçado que coloca a bomba num local público ou que a detona no próprio corpo. Não o condeno! Simplesmente, porque não posso condenar quem chegou ao limite da racionalidade, quem desistiu de pensar e se deixa manipular. No meu entender, terrorista é aquele que planeia e comanda o ataque! É aquele que usa o poder da violência para furar lobbies e instituições, influenciando políticas, sem nunca sujar as mãos, pôr a própria vida em perigo ou mostrar a cara. Para mim, terroristas são todos aqueles que preferem a violência ao diálogo e manipulam para ganhar ainda mais poder.
Hoje também eu estou de luto! Não pelos mortos, mas pelos vivos que há muito perderam a capacidade de amar!
Não choro os mortos de ontem, nem os mortos de nenhum outro ataque terrorista. Choro os vivos, aqueles que vivem com a dor da perda, com o medo da violência, com o ódio no coração. Odeiam alguém, não sabem quem! Odeiam o nome de um grupo armado, odeiam homens e mulheres que, como eles, também a vida lhes mostrou um dia a face do ódio.
Choro todos aqueles que vivem com o coração amargurado! Choro os feridos graves que ainda não entenderam o que aconteceu e lutam pela vida! Choro pela vergonha que carrego por também eu pertencer à “Humanidade”! Choro por ser portuguesa e não concordar com nenhuma medida da política externa do actual governo! Choro porque gostava de ter a força e o poder da palavra para lutar da forma certa contra o terrorismo!
Para mim, terrorista não é o desgraçado que coloca a bomba num local público ou que a detona no próprio corpo. Não o condeno! Simplesmente, porque não posso condenar quem chegou ao limite da racionalidade, quem desistiu de pensar e se deixa manipular. No meu entender, terrorista é aquele que planeia e comanda o ataque! É aquele que usa o poder da violência para furar lobbies e instituições, influenciando políticas, sem nunca sujar as mãos, pôr a própria vida em perigo ou mostrar a cara. Para mim, terroristas são todos aqueles que preferem a violência ao diálogo e manipulam para ganhar ainda mais poder.
Hoje também eu estou de luto! Não pelos mortos, mas pelos vivos que há muito perderam a capacidade de amar!
Um povo exemplar!!!
.
Não tinha muito boa impressão dos espanhóis. Durante anos ouvi o adágio popular “de Espanha nem bom vento nem bom casamento “ e os meus pais falavam com frequência da arrogância e de complexos de superioridade que nuestros hermanos sentiam em relação aos portugueses.
Não tenho tido muitos contactos com eles e o pouco que conheço de Espanha resume-se a alguns passeio que tenho dado pela Andaluzia, onde vou sempre que posso e estou no Algarve, ou por duas vezes à Galiza, onde fui por ter um grande desejo de conhecer Santiago de Compostela. No entanto dessas poucas vezes o que senti foi que eles vivem bem melhor que nós e que têm as suas cidades limpas, agradáveis e organizadas. Também fiquei com e ideia de que eles levam as questões relacionadas com a preservação do histórico muito a sério.
Mas não é das minhas idas a Espanha que hoje quero falar! Hoje, o dia seguinte ao horror, quero falar do seu povo!!!!
Aquilo que as imagens me mostraram durante o dia de ontem foi um povo solidário, educado, fraterno e disponível para participar na pronta e exemplar resposta ao terrorismo que acabava de matar 192 pessoas utentes dos caminhos de ferro e ferir perto de 1500, que ontem de manhã, perto das 7.30 se dirigiam para a cidade para trabalhar, estudar ou por outra razão de ordem pessoal.
Fiquei espantada com eles, com o seu comportamento colectivo, com a forma como falaram às câmaras dos diversos media que acorreram ao local.
Foram três os cenários de catástrofe numa cidade muito movimentada, numa hora de ponta, onde é muito difícil transitar, mas em menos de uma hora eles montaram vários hospitais de campanha de uma forma muito organizada e profissional.
Não vi ninguém a olhar, para “fazer orçamento” dos estragos ou para comentários imbecis para as televisões. O que vi foi a dor espelhada nos rostos e as pessoas a saírem do local ordeiramente, sempre dizendo que tinham de deixar as equipas de socorro trabalhar.
Pararam todos à hora marcada em silêncio contra o terrorismo. À noite foram ao local deixar velas em homenagem sentida. Vierem de todos os lados para oferecer ajuda. As autoridades pediam pessoas com formação nas áreas da psicologia, medicina ou mesmo só pessoas com facilidade de comunicação para conversarem com as vítimas ou com as suas famílias. Pediram sangue. Os espanhóis responderam em massa. Vieram generosamente participar naquela hora de dor.
Hoje posso afirmar que os admiro. A partir de ontem vou olhar para eles, enquanto povo, com muita admiração. Nunca mais contarei anedotas torpes sobre eles. Eles não merecem. São um povo exemplar!!!
Esta é a minha humilde homenagem às vítimas do terrorismo cobarde e assassino que ontem massacrou inocentes nas estações de Atocha, El Pozo del Tio Raimundo e Santa Eugenia, em Madrid.
Não tinha muito boa impressão dos espanhóis. Durante anos ouvi o adágio popular “de Espanha nem bom vento nem bom casamento “ e os meus pais falavam com frequência da arrogância e de complexos de superioridade que nuestros hermanos sentiam em relação aos portugueses.
Não tenho tido muitos contactos com eles e o pouco que conheço de Espanha resume-se a alguns passeio que tenho dado pela Andaluzia, onde vou sempre que posso e estou no Algarve, ou por duas vezes à Galiza, onde fui por ter um grande desejo de conhecer Santiago de Compostela. No entanto dessas poucas vezes o que senti foi que eles vivem bem melhor que nós e que têm as suas cidades limpas, agradáveis e organizadas. Também fiquei com e ideia de que eles levam as questões relacionadas com a preservação do histórico muito a sério.
Mas não é das minhas idas a Espanha que hoje quero falar! Hoje, o dia seguinte ao horror, quero falar do seu povo!!!!
Aquilo que as imagens me mostraram durante o dia de ontem foi um povo solidário, educado, fraterno e disponível para participar na pronta e exemplar resposta ao terrorismo que acabava de matar 192 pessoas utentes dos caminhos de ferro e ferir perto de 1500, que ontem de manhã, perto das 7.30 se dirigiam para a cidade para trabalhar, estudar ou por outra razão de ordem pessoal.
Fiquei espantada com eles, com o seu comportamento colectivo, com a forma como falaram às câmaras dos diversos media que acorreram ao local.
Foram três os cenários de catástrofe numa cidade muito movimentada, numa hora de ponta, onde é muito difícil transitar, mas em menos de uma hora eles montaram vários hospitais de campanha de uma forma muito organizada e profissional.
Não vi ninguém a olhar, para “fazer orçamento” dos estragos ou para comentários imbecis para as televisões. O que vi foi a dor espelhada nos rostos e as pessoas a saírem do local ordeiramente, sempre dizendo que tinham de deixar as equipas de socorro trabalhar.
Pararam todos à hora marcada em silêncio contra o terrorismo. À noite foram ao local deixar velas em homenagem sentida. Vierem de todos os lados para oferecer ajuda. As autoridades pediam pessoas com formação nas áreas da psicologia, medicina ou mesmo só pessoas com facilidade de comunicação para conversarem com as vítimas ou com as suas famílias. Pediram sangue. Os espanhóis responderam em massa. Vieram generosamente participar naquela hora de dor.
Hoje posso afirmar que os admiro. A partir de ontem vou olhar para eles, enquanto povo, com muita admiração. Nunca mais contarei anedotas torpes sobre eles. Eles não merecem. São um povo exemplar!!!
Esta é a minha humilde homenagem às vítimas do terrorismo cobarde e assassino que ontem massacrou inocentes nas estações de Atocha, El Pozo del Tio Raimundo e Santa Eugenia, em Madrid.
11 março 2004
um poema para um dia triste!
.
"NUNCA MAIS"
Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
(Sophia de Mello Breyner)
"NUNCA MAIS"
Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
(Sophia de Mello Breyner)
Horror em Madrid...
Acabei de ler no Portugal Diário:
"Pelo menos 125 pessoas morreram esta manhã na capital espanhola na sequência de três explosões nas estações ferroviárias de Atocha, El Pozo e Santa Eugénia, em Madrid. Este é o último balanço adiantado pelos serviços do Ministério do Interior espanhol.
O Ministério considerou quinta-feira a série de explosões em estações ferroviárias de Madrid como o «pior atentado em toda a história da ETA».
Esta é a primeira declaração oficial do governo espanhol, que atribui ao movimento separatista basco a autoria das explosões.
Na estação de Atocha, que serve as ligações internacionais e de longo curso, os bombeiros indicam 20 mortos, enquanto registam 15 vítimas mortais na estação de Santa Eugénia, para os comboios de ligações regionais.
A confusão está instalada nas imediações daquelas estações e da de El Pouzo, onde também se registou uma explosão que vitimou 18 pessoas.
Os dois hospitais das imediações estão congestionados e as autoridades estão a fazer apelos para donativos de sangue. O último balanço aponta para 250 feridos.
As autoridades continuam em alerta máxima e à procura de viaturas com matrículas falsas que se encontrem nas imediações das estações ferroviárias, tentando detectar outros veículos armadilhados.
Até ao momento não há conhecimento de portuguesas entre as vítimas deste atentado. O comboio português que se dirigia para Madrid foi desviado para San Martin.
Os atentados ocorreram a três dias das eleições legislativas espanholas. "
Mais uma vez o terrorismo colhe vidas de inocentes que se dirigiam para o trabalho, se calhar alheados da política e entregues à luta quotidiana de sobreviver!!!
Que podemos dizer???Que podemos dizer???´só nos restam lágrimas e força para aqui e agora dizermos que condenamos todas as formas de terrorismo...
"Pelo menos 125 pessoas morreram esta manhã na capital espanhola na sequência de três explosões nas estações ferroviárias de Atocha, El Pozo e Santa Eugénia, em Madrid. Este é o último balanço adiantado pelos serviços do Ministério do Interior espanhol.
O Ministério considerou quinta-feira a série de explosões em estações ferroviárias de Madrid como o «pior atentado em toda a história da ETA».
Esta é a primeira declaração oficial do governo espanhol, que atribui ao movimento separatista basco a autoria das explosões.
Na estação de Atocha, que serve as ligações internacionais e de longo curso, os bombeiros indicam 20 mortos, enquanto registam 15 vítimas mortais na estação de Santa Eugénia, para os comboios de ligações regionais.
A confusão está instalada nas imediações daquelas estações e da de El Pouzo, onde também se registou uma explosão que vitimou 18 pessoas.
Os dois hospitais das imediações estão congestionados e as autoridades estão a fazer apelos para donativos de sangue. O último balanço aponta para 250 feridos.
As autoridades continuam em alerta máxima e à procura de viaturas com matrículas falsas que se encontrem nas imediações das estações ferroviárias, tentando detectar outros veículos armadilhados.
Até ao momento não há conhecimento de portuguesas entre as vítimas deste atentado. O comboio português que se dirigia para Madrid foi desviado para San Martin.
Os atentados ocorreram a três dias das eleições legislativas espanholas. "
Mais uma vez o terrorismo colhe vidas de inocentes que se dirigiam para o trabalho, se calhar alheados da política e entregues à luta quotidiana de sobreviver!!!
Que podemos dizer???Que podemos dizer???´só nos restam lágrimas e força para aqui e agora dizermos que condenamos todas as formas de terrorismo...
Sinfonia para cravo...
Passaram cinquenta anos desde a morte de Joaquim, mas Emília ainda se sentava no cravo todas as noites, vestida e pintada a rigor, com um copo de conhaque a seu lado, tocando para ele as mais belas sinfonias de amor!
A paixão com que os dedos percorriam o teclado do cravo, a velocidade com que tocava, a paixão das notas libertas, faziam-me recordar que o amor ainda vivia naquela casa, em forma de pensamento!
Quando ouvia o canto alegre do cravo soltando as notas de amor, quando sentia o cheiro dos jasmins nas floreiras das janelas, quando fechava os olhos e flutuava ao som da melodia, viajava até outro local. Entrava noutro mundo, ou noutro tempo.
Sentava-me numa sala onde uma mulher jovem e alegre tocava cravo, enquanto um homem jovem e apaixonado recitava poemas de amor, em pé ao lado dela. Sorriam e criavam as mais belas músicas. O cheiro do chá de hortelã-pimenta invadia-nos as narinas e a felicidade inundava-nos, sem pedir licença!
Passados cinquenta anos da morte de Joaquim, Emília comporta-se como se ele ainda estivesse naquela sala, recitando poemas para ela. Olha em frente, fixando o vazio e deixa os dedos tomarem vida própria, como se o cravo fosse um ser vivo com sentimentos, chorando e recitando versos de amor. Pára para molhar os lábios no conhaque, fixa-me, sorri e diz: "O Joaquim pediu-me esta!"
Apetece-me levantar, fechar os olhos e deixar-me embriagar pela melodia do cravo, pelos dedos da Emília, pela voz do Joaquim, pelo cheiro dos jasmins e do chá de hortelã-pimenta e dançar. Dançar como se vivesse nos anos trinta e rodopiar pelo enorme salão. Sentir a felicidade de existir, rodopiando e gravando no meu coração que só morre quem cai no esquecimento. Só desaparece para sempre quem nos recusamos a recordar como um tesouro doce e agradável!
O amor vive naquela casa, na melodia do cravo, no cheiro dos jasmins, no sorriso de Emília, na disposição dos móveis, mostrando-nos que não é apenas um pensamento vago, mas a essência da vida. Ali, o amor é tudo e nada! Ali, aprendemos a sonhar e a ir mais além, sem medos e sem dor. O Amor é isso! Um pensamento doce e forte, um travo de conhaque e um cravo a tocar! O amor é o ar que respiramos num salão antigo e que nos faz recordar que podemos ser e ter o que quisermos, basta fechar os olhos e pensar!
A paixão com que os dedos percorriam o teclado do cravo, a velocidade com que tocava, a paixão das notas libertas, faziam-me recordar que o amor ainda vivia naquela casa, em forma de pensamento!
Quando ouvia o canto alegre do cravo soltando as notas de amor, quando sentia o cheiro dos jasmins nas floreiras das janelas, quando fechava os olhos e flutuava ao som da melodia, viajava até outro local. Entrava noutro mundo, ou noutro tempo.
Sentava-me numa sala onde uma mulher jovem e alegre tocava cravo, enquanto um homem jovem e apaixonado recitava poemas de amor, em pé ao lado dela. Sorriam e criavam as mais belas músicas. O cheiro do chá de hortelã-pimenta invadia-nos as narinas e a felicidade inundava-nos, sem pedir licença!
Passados cinquenta anos da morte de Joaquim, Emília comporta-se como se ele ainda estivesse naquela sala, recitando poemas para ela. Olha em frente, fixando o vazio e deixa os dedos tomarem vida própria, como se o cravo fosse um ser vivo com sentimentos, chorando e recitando versos de amor. Pára para molhar os lábios no conhaque, fixa-me, sorri e diz: "O Joaquim pediu-me esta!"
Apetece-me levantar, fechar os olhos e deixar-me embriagar pela melodia do cravo, pelos dedos da Emília, pela voz do Joaquim, pelo cheiro dos jasmins e do chá de hortelã-pimenta e dançar. Dançar como se vivesse nos anos trinta e rodopiar pelo enorme salão. Sentir a felicidade de existir, rodopiando e gravando no meu coração que só morre quem cai no esquecimento. Só desaparece para sempre quem nos recusamos a recordar como um tesouro doce e agradável!
O amor vive naquela casa, na melodia do cravo, no cheiro dos jasmins, no sorriso de Emília, na disposição dos móveis, mostrando-nos que não é apenas um pensamento vago, mas a essência da vida. Ali, o amor é tudo e nada! Ali, aprendemos a sonhar e a ir mais além, sem medos e sem dor. O Amor é isso! Um pensamento doce e forte, um travo de conhaque e um cravo a tocar! O amor é o ar que respiramos num salão antigo e que nos faz recordar que podemos ser e ter o que quisermos, basta fechar os olhos e pensar!
10 março 2004
As mulheres da Nazaré
.
Por favor, digam-me que não foi verdade! Digam-me que eu sonhei, que tive uma alucinação, que ando a imaginar coisas estranhas ou que o meu mundo psíquico constrói imagens que para mim são realidade.
Eu vi ontem na televisão um grupo de mulheres da Nazaré, a quem foi oferecido um jantar no dia 8, para comemorarem o Dia Internacional da Mulher. Até aqui tudo bem mas como sobremesa elas tiveram a actuação de strippers masculinos.
As imagens que eu vi falam por si. Mulheres do campo, mulheres de trabalho, mulheres que se calhar nunca foram ao teatro, a um concerto ou nunca foram a um passeio a uma grande cidade onde visitassem por exemplo um museu, ou nunca tiveram nas suas vidas espaço para fazer qualquer coisa que fosse exclusivamente para se distraírem, sim a estas mulheres foi oferecido verem homens a despirem-se. Podiam ter recebido de presente um livro, ou um ramo de rosas, não, elas receberam homens a despirem-se!!!
Elas riam, algumas tapavam o rosto com vergonha das câmaras, outras tentavam tirar a tanga ao rapaz, mulheres de todas as idades mas muitas delas já com ar de serem avós e que pareciam não acreditar que estavam ali!
Eu que condeno a exploração do corpo da mulher também tenho de condenar a exploração do corpo de um homem. Nunca vi nem nunca me passou pela cabeça tirar qualquer tipo de sensação de um espectáculo destes.
Pergunto a todos vocês: foi verdade ou eu sonhei??? Se foi verdade quem ofereceu este presente àquelas mulheres???Foi com dinheiro de alguma autarquia???Se foi mentira digam-me por favor que foi uma partidinha daquele canal de televisão. Se foi uma montagem televisiva, então as figurantes deviam receber um prémio de representação!
Por favor, digam-me que não foi verdade! Digam-me que eu sonhei, que tive uma alucinação, que ando a imaginar coisas estranhas ou que o meu mundo psíquico constrói imagens que para mim são realidade.
Eu vi ontem na televisão um grupo de mulheres da Nazaré, a quem foi oferecido um jantar no dia 8, para comemorarem o Dia Internacional da Mulher. Até aqui tudo bem mas como sobremesa elas tiveram a actuação de strippers masculinos.
As imagens que eu vi falam por si. Mulheres do campo, mulheres de trabalho, mulheres que se calhar nunca foram ao teatro, a um concerto ou nunca foram a um passeio a uma grande cidade onde visitassem por exemplo um museu, ou nunca tiveram nas suas vidas espaço para fazer qualquer coisa que fosse exclusivamente para se distraírem, sim a estas mulheres foi oferecido verem homens a despirem-se. Podiam ter recebido de presente um livro, ou um ramo de rosas, não, elas receberam homens a despirem-se!!!
Elas riam, algumas tapavam o rosto com vergonha das câmaras, outras tentavam tirar a tanga ao rapaz, mulheres de todas as idades mas muitas delas já com ar de serem avós e que pareciam não acreditar que estavam ali!
Eu que condeno a exploração do corpo da mulher também tenho de condenar a exploração do corpo de um homem. Nunca vi nem nunca me passou pela cabeça tirar qualquer tipo de sensação de um espectáculo destes.
Pergunto a todos vocês: foi verdade ou eu sonhei??? Se foi verdade quem ofereceu este presente àquelas mulheres???Foi com dinheiro de alguma autarquia???Se foi mentira digam-me por favor que foi uma partidinha daquele canal de televisão. Se foi uma montagem televisiva, então as figurantes deviam receber um prémio de representação!
09 março 2004
Esperando por ti...
Saio do trabalho e acelero pela avenida. Tenho apenas um desejo em mente: sentar-me naquela esplanada do Rossio. Sento-me e peço um café. Agora sim, estou pronta! Estou pronta para ti!
Passam aos milhares por mim. Parecem-me gente, mas… serão? Gente que pensa e age, gente que passa a pensar? Gente que sente e vive? Parecem-me autómatos, seres que aceleram pela praça com um destino em mente. Normais por fora e desfigurados por dentro. Gente que passa por passar ali ou aqui ou acolá! Calhou ser assim…
Penso se também um dia nós seremos assim. Seres que vivem por viver, seres que respiram e trabalham porque isso é condição para comer. Seres que não sentem a vida e a deixam escorrer por entre a mão mal fechada, como se dum fio de areia se tratasse. Como se a vida fosse um acessório, algo secundário ao ser.
Dou por mim a pensar, quantos deles ouviram os pássaros a cantar na avenida? Quantos deles conseguem isolar o som dos carros e sentir a vida que existe nas árvores, alheia aos carros, à gente que passa sem sentir? Quantos olharam para aquela janela acolá e imaginaram a vida que existe lá dentro?
Seremos assim um dia? Poderemos um dia respirar o ar do campo juntos, sentir a força do sol nas nossas peles e viver, dizendo em plenos pulmões que a vida é mais que o circuito de casa para o trabalho? Que a vida é viver sentindo o que nos rodeia e entendendo que amar é sentir um todo e não apenas alguém?
Será que, um dia, também nós passearemos no Rossio sem notarmos na vida que nos rodeia? Nas pessoas que sofrem? Que riem? Que correm? Que amam? Nos olhares que nos rodeiam? Nos carros que passam?
Não quero ser assim! Amas-me? Então ajuda-me a sentir e a abrir ainda mais os olhos. Ajuda-me a amar a vida e este e aquele e todos os que por mim passarem! Ajuda-me a mostrar que o nosso amor não é só nosso. Nós apenas o descobrimos ali, naquele café…um dia.
Neste momento, viver é estar a teu lado e partilhar contigo o canto dos pássaros na avenida, o café na esplanada, o livro na livraria, o ronronar dum gato nos nossos colos, o bater das ondas na praia. Amar-te e saber que somos um e mesmo assim sonhar com a ideia de um dia podermos ser uno para sempre. Amar-te é sentir o teu abraço de conforto, o teu beijo de amor, as tuas palavras doces e dizer-te ao ouvido: Sou feliz!
Passam aos milhares por mim. Parecem-me gente, mas… serão? Gente que pensa e age, gente que passa a pensar? Gente que sente e vive? Parecem-me autómatos, seres que aceleram pela praça com um destino em mente. Normais por fora e desfigurados por dentro. Gente que passa por passar ali ou aqui ou acolá! Calhou ser assim…
Penso se também um dia nós seremos assim. Seres que vivem por viver, seres que respiram e trabalham porque isso é condição para comer. Seres que não sentem a vida e a deixam escorrer por entre a mão mal fechada, como se dum fio de areia se tratasse. Como se a vida fosse um acessório, algo secundário ao ser.
Dou por mim a pensar, quantos deles ouviram os pássaros a cantar na avenida? Quantos deles conseguem isolar o som dos carros e sentir a vida que existe nas árvores, alheia aos carros, à gente que passa sem sentir? Quantos olharam para aquela janela acolá e imaginaram a vida que existe lá dentro?
Seremos assim um dia? Poderemos um dia respirar o ar do campo juntos, sentir a força do sol nas nossas peles e viver, dizendo em plenos pulmões que a vida é mais que o circuito de casa para o trabalho? Que a vida é viver sentindo o que nos rodeia e entendendo que amar é sentir um todo e não apenas alguém?
Será que, um dia, também nós passearemos no Rossio sem notarmos na vida que nos rodeia? Nas pessoas que sofrem? Que riem? Que correm? Que amam? Nos olhares que nos rodeiam? Nos carros que passam?
Não quero ser assim! Amas-me? Então ajuda-me a sentir e a abrir ainda mais os olhos. Ajuda-me a amar a vida e este e aquele e todos os que por mim passarem! Ajuda-me a mostrar que o nosso amor não é só nosso. Nós apenas o descobrimos ali, naquele café…um dia.
Neste momento, viver é estar a teu lado e partilhar contigo o canto dos pássaros na avenida, o café na esplanada, o livro na livraria, o ronronar dum gato nos nossos colos, o bater das ondas na praia. Amar-te e saber que somos um e mesmo assim sonhar com a ideia de um dia podermos ser uno para sempre. Amar-te é sentir o teu abraço de conforto, o teu beijo de amor, as tuas palavras doces e dizer-te ao ouvido: Sou feliz!
Dia Internacional da Mulher
Ontem comemorou-se mais um Dia Internacional da Mulher.
O panorama em Portugal foi-nos dado pelo Diário de Notícias:
“As mulheres precisam de um curso superior para terem um salário próximo dos homens. Eles ganham sempre mais, mesmo que apenas possuam o ensino primário. Elas, apesar de terem mais habilitações, ocupam profissões pouco recompensadas e raramente são chamadas a chefiar. Isto num país, onde o trabalho pago é mal remunerado - para ambos os sexos - e o não pago é basicamente suportado por elas.
Aquelas são algumas das conclusões de um estudo que aguarda publicação, Homens e Mulheres entre Família e Trabalho, coordenado pela socióloga Anália Torres. Este revela que o País tem de percorrer muitas etapas para a efectiva igualdade entre os sexos.
As desigualdades sentem-se sobretudo a nível dos salários e das chefias. «Há sempre uma diferença de rendimentos. E o caso português é mais chocante porque é o País onde as mulheres mais trabalham a tempo inteiro, gastam mais horas com o trabalho não pago e tem menos apoios» à família, sublinha Anália Torres.
Mais de metade das mulheres recebe menos de 375 euros mensais (ordenado limpo) enquanto que a média dos homens ganha entre 376 e 750 euros. Só quando elas possuem um curso superior começam a ter um salário mais próximo dos seus pares, de 751 a 1250 euros. Isso só acontece com 35,1% das inquiridas, contra 40,3% no masculino.
Sublinhe-se, ainda, que 4,8% dos homens ganha entre 2251 e 2750, escalão onde elas não chegam, o que é explicado pelo facto de estarem excluídas dos lugares de direcção. Apenas 13,5% das mulheres supervisionam outros trabalhadores, em geral do sexo feminino e apenas uma ou duas pessoas. Além disso, elas estão no comércio e serviços pessoais (25,8%) ou em empregos não qualificados (23,1%), enquanto que eles se concentram na indústria e nos transportes (41%).
Mas os salários portugueses são baixos: 58,8% dos agregados familiares gerem montantes inferiores a 1251 euros mensais. Refira-se que 71,6% das mulheres contribuem para estes rendimentos, percentagem que aumenta para 89% no caso dos homens.
E, na família? «O casamento para a maioria das mulheres implica alguma diminuição do tempo profissional e um aumento muito mais significativo do tempo doméstico. Em contrapartida, os ganhos para o homem são claríssimos. Os homens sós desempenham muito mais tarefas domésticas que os casados, dedicando os últimos mais tempo em actividades profissionais», revela o estudo.
Eles gastam nove horas diárias no trabalho, mais uma do que as mulheres, mas têm direito a três horas para o lazer e cuidados pessoais, mais uma do que elas. O desequilíbrio dá-se em casa, já que o sexo feminino ocupa quase quatro horas diárias com o trabalho doméstico e com os filhos e outros familiares, enquanto que o sexo masculino gasta uma hora e 20 minutos.
Nesta pesquisa foram inquiridas 1700 homens e mulheres representativos da população portuguesa entre os 20 e os 50 anos, sendo que a média de idades foi de 36 anos. Foi desenvolvido no âmbito do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas (ISCTE). Insere-se numa rede europeia e tem o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O livro é editado com o apoio da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).”
Transcrevo o trabalho da jornalista Céu Neves, com o título “Ganham sempre pior”. Um trabalho importante e muito incisivo, cheio de números que retratam a realidade do país . Obrigada.
O panorama em Portugal foi-nos dado pelo Diário de Notícias:
“As mulheres precisam de um curso superior para terem um salário próximo dos homens. Eles ganham sempre mais, mesmo que apenas possuam o ensino primário. Elas, apesar de terem mais habilitações, ocupam profissões pouco recompensadas e raramente são chamadas a chefiar. Isto num país, onde o trabalho pago é mal remunerado - para ambos os sexos - e o não pago é basicamente suportado por elas.
Aquelas são algumas das conclusões de um estudo que aguarda publicação, Homens e Mulheres entre Família e Trabalho, coordenado pela socióloga Anália Torres. Este revela que o País tem de percorrer muitas etapas para a efectiva igualdade entre os sexos.
As desigualdades sentem-se sobretudo a nível dos salários e das chefias. «Há sempre uma diferença de rendimentos. E o caso português é mais chocante porque é o País onde as mulheres mais trabalham a tempo inteiro, gastam mais horas com o trabalho não pago e tem menos apoios» à família, sublinha Anália Torres.
Mais de metade das mulheres recebe menos de 375 euros mensais (ordenado limpo) enquanto que a média dos homens ganha entre 376 e 750 euros. Só quando elas possuem um curso superior começam a ter um salário mais próximo dos seus pares, de 751 a 1250 euros. Isso só acontece com 35,1% das inquiridas, contra 40,3% no masculino.
Sublinhe-se, ainda, que 4,8% dos homens ganha entre 2251 e 2750, escalão onde elas não chegam, o que é explicado pelo facto de estarem excluídas dos lugares de direcção. Apenas 13,5% das mulheres supervisionam outros trabalhadores, em geral do sexo feminino e apenas uma ou duas pessoas. Além disso, elas estão no comércio e serviços pessoais (25,8%) ou em empregos não qualificados (23,1%), enquanto que eles se concentram na indústria e nos transportes (41%).
Mas os salários portugueses são baixos: 58,8% dos agregados familiares gerem montantes inferiores a 1251 euros mensais. Refira-se que 71,6% das mulheres contribuem para estes rendimentos, percentagem que aumenta para 89% no caso dos homens.
E, na família? «O casamento para a maioria das mulheres implica alguma diminuição do tempo profissional e um aumento muito mais significativo do tempo doméstico. Em contrapartida, os ganhos para o homem são claríssimos. Os homens sós desempenham muito mais tarefas domésticas que os casados, dedicando os últimos mais tempo em actividades profissionais», revela o estudo.
Eles gastam nove horas diárias no trabalho, mais uma do que as mulheres, mas têm direito a três horas para o lazer e cuidados pessoais, mais uma do que elas. O desequilíbrio dá-se em casa, já que o sexo feminino ocupa quase quatro horas diárias com o trabalho doméstico e com os filhos e outros familiares, enquanto que o sexo masculino gasta uma hora e 20 minutos.
Nesta pesquisa foram inquiridas 1700 homens e mulheres representativos da população portuguesa entre os 20 e os 50 anos, sendo que a média de idades foi de 36 anos. Foi desenvolvido no âmbito do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas (ISCTE). Insere-se numa rede europeia e tem o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O livro é editado com o apoio da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).”
Transcrevo o trabalho da jornalista Céu Neves, com o título “Ganham sempre pior”. Um trabalho importante e muito incisivo, cheio de números que retratam a realidade do país . Obrigada.
Pergunta do dia
Pergunta-se nos vários meios de comunicação, há já demasiado tempo, se os portugueses saberão o que é a Europa e terão consciência que vivem nela.
Discute-se este assunto como se do sexo dos anjos se tratasse e gastam-se resmas de papel e quilos de tinta à volta deste tema.
Pergunto eu:
Não será mais sensato perguntarmos por que raio hão-de os portugueses pensar que vivem na Europa quando não vivem em Portugal?
Antes de perguntarmos se a Europa existe para os portugueses, não convém perguntarmos se Portugal existe para os portugueses?
Discute-se este assunto como se do sexo dos anjos se tratasse e gastam-se resmas de papel e quilos de tinta à volta deste tema.
Pergunto eu:
Não será mais sensato perguntarmos por que raio hão-de os portugueses pensar que vivem na Europa quando não vivem em Portugal?
Antes de perguntarmos se a Europa existe para os portugueses, não convém perguntarmos se Portugal existe para os portugueses?
08 março 2004
o rosto da minha mãe
.
Olho o rosto da minha mãe e tento encontrar a mulher que ela foi na minha infância. Hoje com 80 anos ela é uma velhinha doce e doente que tentar fingir que está bem para não nos preocupar. Olho bem dentro daqueles queridos olhos e tento ver o que lá está, lá bem dentro do seu interior. Vejo medo, resignação abandono e sofrimento.
Ela foi uma linda rapariga de pela branca, olhos negros e longas tranças de cabelo preto quase azeviche. Era alta, magra, bela e altiva. É açoriana, de S. Miguel e ainda hoje fala com um pouco daquele interessante sotaque. Veio atrás do amor da vida dela, logo após a 2ª Guerra Mundial, em 1948 e com a passagem dos anos foi-se esquecendo da sua terra longínqua.
Sempre que estou com ela falo-lhe com doçura e cuidado pois tenho grande necessidade de olhá-la de perto. Parece que tem medo dos meus exames ao seu interior. Resguarda-se. Olho o seu rosto e tento guardá-lo para sempre gravado na minha memória pois o seu contorno todos os dias parece mais ténue, mais apagado. Parece que todos os dias ela se vai apagando.
O rosto está sempre sereno, digno, a boca está mais fina com as comissuras ligeiramente descaídas, as rugas estão dispostas ao redor da boca com aparente rudeza. O nariz é o mesmo pequenino e arrebitado .Tem olhos castanhos e recordo-me de serem muito brilhantes e vivos. Usa óculos e olha-nos com os olhos muito abertos sempre com ar de espanto.
Quando estou junto dela tenho vontade de a abraçar com força contra o peito mas temo quebrá-la. A osteoporose tem-lhe rendilhado os ossos. Está mais baixa, tão pequenina!
Aquela mulher da minha infância uma torre de força e coragem que vento nenhum parecia abanar, onde está? Hoje olho-a, sempre para baixo, e tento encontrar a mulher que durante tantos anos trabalhou com seis teares, em simultâneo, e ao mesmo tempo criou quatro filhos.
Minha querida pequenina será que partirás assim tão levemente com esse ar de quem pede desculpa por ter vivido??
Só as minhas filhas ocupam dentro de mim um espaço parecido ao que a minha mãe tem e as emoções e sensações dentro do meu peito são iguais para qualquer delas, mas para a minha mãe eu sempre reservarei o canto mais luminoso, doce, colorido e secreto que o tempo não consiga apagar.
Com os anos tenho vindo a ficar parecida com a minha mãe. Agora olho-me ao espelho e do outro lado está uma mulher de cabelo branco, com óculos e com o rosto que a minha mãe tinha há já alguns anos atrás, quando eu era uma rapariga cheia de sonhos.
Do outro lado do espelho está o rosto da minha mãe, olhando–me com olhos de espanto!
Olho o rosto da minha mãe e tento encontrar a mulher que ela foi na minha infância. Hoje com 80 anos ela é uma velhinha doce e doente que tentar fingir que está bem para não nos preocupar. Olho bem dentro daqueles queridos olhos e tento ver o que lá está, lá bem dentro do seu interior. Vejo medo, resignação abandono e sofrimento.
Ela foi uma linda rapariga de pela branca, olhos negros e longas tranças de cabelo preto quase azeviche. Era alta, magra, bela e altiva. É açoriana, de S. Miguel e ainda hoje fala com um pouco daquele interessante sotaque. Veio atrás do amor da vida dela, logo após a 2ª Guerra Mundial, em 1948 e com a passagem dos anos foi-se esquecendo da sua terra longínqua.
Sempre que estou com ela falo-lhe com doçura e cuidado pois tenho grande necessidade de olhá-la de perto. Parece que tem medo dos meus exames ao seu interior. Resguarda-se. Olho o seu rosto e tento guardá-lo para sempre gravado na minha memória pois o seu contorno todos os dias parece mais ténue, mais apagado. Parece que todos os dias ela se vai apagando.
O rosto está sempre sereno, digno, a boca está mais fina com as comissuras ligeiramente descaídas, as rugas estão dispostas ao redor da boca com aparente rudeza. O nariz é o mesmo pequenino e arrebitado .Tem olhos castanhos e recordo-me de serem muito brilhantes e vivos. Usa óculos e olha-nos com os olhos muito abertos sempre com ar de espanto.
Quando estou junto dela tenho vontade de a abraçar com força contra o peito mas temo quebrá-la. A osteoporose tem-lhe rendilhado os ossos. Está mais baixa, tão pequenina!
Aquela mulher da minha infância uma torre de força e coragem que vento nenhum parecia abanar, onde está? Hoje olho-a, sempre para baixo, e tento encontrar a mulher que durante tantos anos trabalhou com seis teares, em simultâneo, e ao mesmo tempo criou quatro filhos.
Minha querida pequenina será que partirás assim tão levemente com esse ar de quem pede desculpa por ter vivido??
Só as minhas filhas ocupam dentro de mim um espaço parecido ao que a minha mãe tem e as emoções e sensações dentro do meu peito são iguais para qualquer delas, mas para a minha mãe eu sempre reservarei o canto mais luminoso, doce, colorido e secreto que o tempo não consiga apagar.
Com os anos tenho vindo a ficar parecida com a minha mãe. Agora olho-me ao espelho e do outro lado está uma mulher de cabelo branco, com óculos e com o rosto que a minha mãe tinha há já alguns anos atrás, quando eu era uma rapariga cheia de sonhos.
Do outro lado do espelho está o rosto da minha mãe, olhando–me com olhos de espanto!
06 março 2004
A vida na minha aldeia...
O Alcides é um jovem punk que vive cá na aldeia!
Não tenho nada contra os punks! Não ... não...
Gosto de os ver saltitar com aquele andar gingão, de polpa levantada, de correr atrás deles, de língua de fora e ...
upss...
dar-lhes beijinhos felinos, claro!
O Jonny Bravo, por outro lado, não é punk...
O pai é o dono da mercearia da rua principal e sonha, um dia, ser um grande magnata...
, passear-se de charuto na boca, em carro com motorista, com uma pin-up ao lado, ao mesmo tempo que atira notas de 100 € pela janela do carro.
Esta é a minha mãe! A D. Madalena de Bengala
, sempre a seguir-me os passos, sempre a controlar-me os movimentos... preocupada com as minhas brincadeiras felinas e a dizer: "Não comas o Alcides Sofia, não comas o Alcides!"
O Jonny Bravo tem animais de estimação, com quem brincamos e que me fazem sonhar por refeições mais excêntricas. Os peixinhos, Jacinto
e a namorada Josefina
! O Manuel Monteiro
, o caniche que raramente está em casa e que, quando chega, acha que um dia será Primeiro-Ministro lá do pedaço!
Por fim, temos a D. Valquíria (nossa professora) e sua irmã Antonieta
, responsável pela estação de correios local, dona do ciber café de onde vos escrevo, dona do único salão de cabeleireiro cá da aldeia e taxista nas horas vagas!
Somos uma suculenta e feliz aldeia, onde cada um é diferente dos demais e aprendemos a viver com estas diferenças, respeitando-nos e sonhando em conjunto por um dia melhor!
Será a minha aldeia diferente da tua?
Não tenho nada contra os punks! Não ... não...
Gosto de os ver saltitar com aquele andar gingão, de polpa levantada, de correr atrás deles, de língua de fora e ...
upss...
dar-lhes beijinhos felinos, claro!
O Jonny Bravo, por outro lado, não é punk...
O pai é o dono da mercearia da rua principal e sonha, um dia, ser um grande magnata...
, passear-se de charuto na boca, em carro com motorista, com uma pin-up ao lado, ao mesmo tempo que atira notas de 100 € pela janela do carro.
Esta é a minha mãe! A D. Madalena de Bengala
, sempre a seguir-me os passos, sempre a controlar-me os movimentos... preocupada com as minhas brincadeiras felinas e a dizer: "Não comas o Alcides Sofia, não comas o Alcides!"
O Jonny Bravo tem animais de estimação, com quem brincamos e que me fazem sonhar por refeições mais excêntricas. Os peixinhos, Jacinto
e a namorada Josefina
! O Manuel Monteiro
, o caniche que raramente está em casa e que, quando chega, acha que um dia será Primeiro-Ministro lá do pedaço!
Por fim, temos a D. Valquíria (nossa professora) e sua irmã Antonieta
, responsável pela estação de correios local, dona do ciber café de onde vos escrevo, dona do único salão de cabeleireiro cá da aldeia e taxista nas horas vagas!
Somos uma suculenta e feliz aldeia, onde cada um é diferente dos demais e aprendemos a viver com estas diferenças, respeitando-nos e sonhando em conjunto por um dia melhor!
Será a minha aldeia diferente da tua?
Bom Dia Alegria
Depois destas semanas infernais em que a constipação me deitou no tapete e por pouco sai em K.O. técnico, venho informar que já estou 70% boa. Já quase que recuperei o olfacto, o paladar também está quase recuperado e acho que já consigo escrever sem me doer a cabeça!
05 março 2004
Mc'Nazi???
.
Uma multinacional do fast food fez uma parceria com as Câmaras de Lisboa e Porto no sentido de levar 500 crianças do ensino básico a ver um jogo de futebol do “Euro2004”.
Até aqui tudo bem! A ideia era original e iria proporcionar à criançada um dia bem passado, apesar de terem que comer uns hamburgueres (que nisto... eles não fazem por menos).
Mas numa pequena, quase microscópica, cláusula do contrato estava escrito que a selecção das crianças exigia que fossem afastadas as crianças com deficiências físicas e mentais.
A vereadora da cultura da CML, Helena Lopes da Costa considerou esta imposição de “aberrante” e que a Câmara se retirava da iniciativa. A Câmara do Porto reagiu de igual modo.
Para Paulo Agostinho Branquinho do município portuense “só falta dizer que as crianças têm de ser altas e loiras”.
Não me ocorre outra palavra para classificar isto: nazismo!!!
Uma multinacional do fast food fez uma parceria com as Câmaras de Lisboa e Porto no sentido de levar 500 crianças do ensino básico a ver um jogo de futebol do “Euro2004”.
Até aqui tudo bem! A ideia era original e iria proporcionar à criançada um dia bem passado, apesar de terem que comer uns hamburgueres (que nisto... eles não fazem por menos).
Mas numa pequena, quase microscópica, cláusula do contrato estava escrito que a selecção das crianças exigia que fossem afastadas as crianças com deficiências físicas e mentais.
A vereadora da cultura da CML, Helena Lopes da Costa considerou esta imposição de “aberrante” e que a Câmara se retirava da iniciativa. A Câmara do Porto reagiu de igual modo.
Para Paulo Agostinho Branquinho do município portuense “só falta dizer que as crianças têm de ser altas e loiras”.
Não me ocorre outra palavra para classificar isto: nazismo!!!
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