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Aprendemos a amar não quando encontramos a pessoa perfeita mas quando conseguimos ver de maneira perfeita uma pessoa imperfeita.
22 janeiro 2004
A VÃ GLÓRIA DE RIMAR
De sílabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.
Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A Poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um Poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
e poesia o que tem de ser é orgasmo.
POESIA-ORGASMO, José Carlos Ary dos Santos
"O nome de Ary dos Santos diz-lhe alguma coisa?" perguntou o Diário de Notícias aos portugueses, em jeito de homenagem ao poeta no vigésimo aniversário da sua morte.
Triste mas previsivelmente, a maioria não sabia quem tinha sido Ary dos Santos.
No entanto, os portugueses sabem tudo sobre futebol - leem regularmente a Bola ou o Record; as portuguesas sabem tudo sobre casamentos e divórcios, traições e disfunções- leem regularmente a Maria, a Holla e outras perversões.
Só não sabem quem foi Ary dos Santos.
Que falta nos tem feito o José Carlos!!!
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.
Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.
A Poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um Poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?
Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
e poesia o que tem de ser é orgasmo.
POESIA-ORGASMO, José Carlos Ary dos Santos
"O nome de Ary dos Santos diz-lhe alguma coisa?" perguntou o Diário de Notícias aos portugueses, em jeito de homenagem ao poeta no vigésimo aniversário da sua morte.
Triste mas previsivelmente, a maioria não sabia quem tinha sido Ary dos Santos.
No entanto, os portugueses sabem tudo sobre futebol - leem regularmente a Bola ou o Record; as portuguesas sabem tudo sobre casamentos e divórcios, traições e disfunções- leem regularmente a Maria, a Holla e outras perversões.
Só não sabem quem foi Ary dos Santos.
Que falta nos tem feito o José Carlos!!!
21 janeiro 2004
Os meus gatos
Hoje apetece-me escrever sobre este amor que dura praticamente desde que nasci. São vinte e nove anos de vida em que os gatos entram e saem da minha vida, de acordo verbal mostrando livre e plena vontade.
Foram muitos os gatos que amei e que partilharam a minha vida. Todos tiveram nomes. O meu primeiro casamento, que durou catorze anos, chamava-se Tareca. Conheci-a com sete anos e, na fase de criança rebelde e envolta em demasiados desgostos e preocupações para a idade, foi amor à primeira vista. Ela ia comigo ao supermercado, ela ia comigo brincar na rua, ia acampar para a praia e pulava atrás de mim na areia fugindo das ondas. Na adolescência e nos fins-de-semana passados com o namorado, a Tareca esperava pacientemente o meu regresso, deitada na minha cama, virada para a porta da rua, fazendo intervalos rápidos para comer e usar a casa-de-banho. Esperava por mim, como uma mãe espera pela filha que tarda em regressar e quando eu voltava era uma festa de miados e beijinhos.
A Tareca percorreu a minha infância, adolescência e, quando comecei a viver sozinha, manteve-se comigo como fiel companheira. Um dia ganhou um quisto numa mama e foi uma questão de meses até ao momento da morte. Chorei, como teria chorado por uma irmã, por uma filha. Só entende quem passou por uma experiência destas. É difícil descrever. Mas, hoje, passados cinco anos ainda recordo a Tareca deitada na cama sem se conseguir mexer, olhando-me nos olhos, miando baixinho. Na última noite de vida ela chorou. Levantou-se, veio na minha direcção, deitou-se no meu colo e gemeu baixinho, olhando-me nos olhos... como se chorasse no momento da despedida. Foi uma dor muito grande decidir abatê-la, poupar-lhe aquela dor e foi uma dor muito maior, mas um alívio, quando ela me morreu nos braços a caminho do veterinário. A minha doce Tareca, a mais doce recordação de infância e adolescência.
Nos dias seguintes, entrar em casa e ouvir o silêncio era horrível. Fugia de casa, evitava dormir aqui, na austeridade do vazio. Abria a porta e faltava-me a minha companheira de vida, que me seguia para onde quer que fosse, me aquecia no Inverno, me lavava as mãos, me avisava de quem subia as escadas.
Um dia tomei a decisão de ter mais um gato. Pouco tempo depois foi-me oferecido um gato preto de olho verde com três meses. Era uma pulga eléctrica saltitante e a casa voltou a ter vida. Eu voltei a arranjar desculpas para vir para casa. Tinha quem me esperasse. Queria chamar-lhe Sebastião, mas fui proibida pela minha mãe, não fosse o outro Sebastião sentir-se ofendido por ter um gato homónimo. O meu seria Sebastião José de Carvalho e Mello, mas foi rejeitado na mesma.
No entanto, eu defendo que os gatos devem ter os nomes adequados à sua personalidade e sempre sonantes, pois felino nenhum tem personalidade passiva. Ficou Barbazul, o gato preto que se torna azul, com o brilho do pelo na luz! Barbazul, o pirata que coleccionava namoradas pelo mundo.
Mais tarde decidi que deveria haver uma namorada, pois essa foi a minha grande mágoa com a Tareca. Morreu virgem! Falei com a Ginja, mãe adoptiva de cinco gatos e adoptada por outros vinte das redondezas.
Veio duma viela, algures em Almada, a gata mais bonita que alguma vez vi. Pequenina, toda ela redondinha, parecia uma gata Lua. Castanha e riscas negras como um Tigre, arisca como um Felino com um grande “F”, meiga como uma menina órfã à procura de casa. Chamei-lhe Cleópatra, não só pelas riscas nos olhos, que lembram os olhos da homónima, mas também pelo alter-ego revelado em tenra idade e que a tornou na dona da casa. Cleópatra a imperatriz cá da casa. A gata de motor sempre “on”. Está sempre a ronronar e a olhar para mim!
No auge da felicidade conjugal felina, passados três anos da primeira entrada, lembrei-me de passear num Centro Comercial e de olhar para uma loja de animais. Vi um gato pardo, igual à Cleo, a pular dentro de uma gaiola, eléctrico, feliz. No fundo da gaiola estava uma bola de pêlo preto redonda. Olhei melhor e constatei tratar-se de outro gato. Estava doente, triste, cheio de ramelas nos olhos e no nariz. As pulgas já tinham pouco espaço livre para pular em cima dele e a barriga estava demasiado inchada pelos vermes que a habitavam. Conclusão: paguei dois mil escudos e lá veio o terceiro hóspede cá para casa. Foi uma faca no coração da Cleópatra, que não gostou de dividir o espaço com mais um felino. Foi uma alegria para o Barbazul, que descobriu a sua veia de mãe e foi o começo dos rios de dinheiro que já gastei em gatos e veterinário. Chamei-lhe Silvestre em homenagem ao gato que insiste em perseguir o irritante Piu-piu.
O doce e inocente Silvestre desapareceu não me lembro bem onde, em que lugar do tempo… dando lugar a uma fera preta, louca, vingativa, tarada por pernas, demoníaca. Estava claro que o nome tinha sido mal escolhido, pois o pobre Silvestre era um santo sempre enganado pelo pássaro irritante e eu tinha trazido cá para casa um demónio de quinze centímetros. Então surgiu a conjugação de duas palavras demónio e negro, ou seja Serafim (de anjo) e negro porque ele é preto como o carvão. Ficou Serafim! Foi educado pelo Barbazul e pela Cleópatra, respectivamente mãe e pai. A Cleópatra batia-lhe e procurava qualquer tipo de desculpa para um confronto directo, o Barbazul (como uma verdadeira mãe) protegia o menino, lavava-o, alimentava-o, ensinava-o a caçar (não sei como isto foi possível porque o Barbazul nunca caçou uma única mosca), entrava em batalhas ferozes com a Cleópatra. Enfim…esta casa transformou-se num apartamento de gatos, comandada por eles, com os seus problemas conjugais e familiares e habitada por mim, com a sua permissão.
Hoje, não imagino a minha vida sem estas criaturas que me tratam como uma igual, que enchem o espaço de vida, que ocupam o meu coração de carinho e que me fazem sentir uma pessoa especial. Mostram-me com todos os símbolos que existem na linguagem felina que, ser-se amado por um gato, é ser especial, é estar acima do comum dos mortais. Ser-se respeitado por um gato é motivo de orgulho para qualquer ser humano.
Hoje sei que se os homens amassem como os gatos, com sinceridade e pureza, não havia lugar para guerras no mundo, pois apesar das diferenças, existe sempre espaço para mais um, desde que se tenha consciência do território alheio.
Só posso agradecer às centenas de gatos que me passaram pela vida o terem partilhado o seu espaço comigo e só posso agradecer aos meus três bebés deixarem-me viver cá em casa. Os meus três bebés que pesam oito ou nove quilos cada um e que insistem em deitar-se todos em cima de mim ao mesmo tempo, esmagando-me contra qualquer superfície e lembrando-me que eu sou a humana deles.
Foram muitos os gatos que amei e que partilharam a minha vida. Todos tiveram nomes. O meu primeiro casamento, que durou catorze anos, chamava-se Tareca. Conheci-a com sete anos e, na fase de criança rebelde e envolta em demasiados desgostos e preocupações para a idade, foi amor à primeira vista. Ela ia comigo ao supermercado, ela ia comigo brincar na rua, ia acampar para a praia e pulava atrás de mim na areia fugindo das ondas. Na adolescência e nos fins-de-semana passados com o namorado, a Tareca esperava pacientemente o meu regresso, deitada na minha cama, virada para a porta da rua, fazendo intervalos rápidos para comer e usar a casa-de-banho. Esperava por mim, como uma mãe espera pela filha que tarda em regressar e quando eu voltava era uma festa de miados e beijinhos.
A Tareca percorreu a minha infância, adolescência e, quando comecei a viver sozinha, manteve-se comigo como fiel companheira. Um dia ganhou um quisto numa mama e foi uma questão de meses até ao momento da morte. Chorei, como teria chorado por uma irmã, por uma filha. Só entende quem passou por uma experiência destas. É difícil descrever. Mas, hoje, passados cinco anos ainda recordo a Tareca deitada na cama sem se conseguir mexer, olhando-me nos olhos, miando baixinho. Na última noite de vida ela chorou. Levantou-se, veio na minha direcção, deitou-se no meu colo e gemeu baixinho, olhando-me nos olhos... como se chorasse no momento da despedida. Foi uma dor muito grande decidir abatê-la, poupar-lhe aquela dor e foi uma dor muito maior, mas um alívio, quando ela me morreu nos braços a caminho do veterinário. A minha doce Tareca, a mais doce recordação de infância e adolescência.
Nos dias seguintes, entrar em casa e ouvir o silêncio era horrível. Fugia de casa, evitava dormir aqui, na austeridade do vazio. Abria a porta e faltava-me a minha companheira de vida, que me seguia para onde quer que fosse, me aquecia no Inverno, me lavava as mãos, me avisava de quem subia as escadas.
Um dia tomei a decisão de ter mais um gato. Pouco tempo depois foi-me oferecido um gato preto de olho verde com três meses. Era uma pulga eléctrica saltitante e a casa voltou a ter vida. Eu voltei a arranjar desculpas para vir para casa. Tinha quem me esperasse. Queria chamar-lhe Sebastião, mas fui proibida pela minha mãe, não fosse o outro Sebastião sentir-se ofendido por ter um gato homónimo. O meu seria Sebastião José de Carvalho e Mello, mas foi rejeitado na mesma.
No entanto, eu defendo que os gatos devem ter os nomes adequados à sua personalidade e sempre sonantes, pois felino nenhum tem personalidade passiva. Ficou Barbazul, o gato preto que se torna azul, com o brilho do pelo na luz! Barbazul, o pirata que coleccionava namoradas pelo mundo.
Mais tarde decidi que deveria haver uma namorada, pois essa foi a minha grande mágoa com a Tareca. Morreu virgem! Falei com a Ginja, mãe adoptiva de cinco gatos e adoptada por outros vinte das redondezas.
Veio duma viela, algures em Almada, a gata mais bonita que alguma vez vi. Pequenina, toda ela redondinha, parecia uma gata Lua. Castanha e riscas negras como um Tigre, arisca como um Felino com um grande “F”, meiga como uma menina órfã à procura de casa. Chamei-lhe Cleópatra, não só pelas riscas nos olhos, que lembram os olhos da homónima, mas também pelo alter-ego revelado em tenra idade e que a tornou na dona da casa. Cleópatra a imperatriz cá da casa. A gata de motor sempre “on”. Está sempre a ronronar e a olhar para mim!
No auge da felicidade conjugal felina, passados três anos da primeira entrada, lembrei-me de passear num Centro Comercial e de olhar para uma loja de animais. Vi um gato pardo, igual à Cleo, a pular dentro de uma gaiola, eléctrico, feliz. No fundo da gaiola estava uma bola de pêlo preto redonda. Olhei melhor e constatei tratar-se de outro gato. Estava doente, triste, cheio de ramelas nos olhos e no nariz. As pulgas já tinham pouco espaço livre para pular em cima dele e a barriga estava demasiado inchada pelos vermes que a habitavam. Conclusão: paguei dois mil escudos e lá veio o terceiro hóspede cá para casa. Foi uma faca no coração da Cleópatra, que não gostou de dividir o espaço com mais um felino. Foi uma alegria para o Barbazul, que descobriu a sua veia de mãe e foi o começo dos rios de dinheiro que já gastei em gatos e veterinário. Chamei-lhe Silvestre em homenagem ao gato que insiste em perseguir o irritante Piu-piu.
O doce e inocente Silvestre desapareceu não me lembro bem onde, em que lugar do tempo… dando lugar a uma fera preta, louca, vingativa, tarada por pernas, demoníaca. Estava claro que o nome tinha sido mal escolhido, pois o pobre Silvestre era um santo sempre enganado pelo pássaro irritante e eu tinha trazido cá para casa um demónio de quinze centímetros. Então surgiu a conjugação de duas palavras demónio e negro, ou seja Serafim (de anjo) e negro porque ele é preto como o carvão. Ficou Serafim! Foi educado pelo Barbazul e pela Cleópatra, respectivamente mãe e pai. A Cleópatra batia-lhe e procurava qualquer tipo de desculpa para um confronto directo, o Barbazul (como uma verdadeira mãe) protegia o menino, lavava-o, alimentava-o, ensinava-o a caçar (não sei como isto foi possível porque o Barbazul nunca caçou uma única mosca), entrava em batalhas ferozes com a Cleópatra. Enfim…esta casa transformou-se num apartamento de gatos, comandada por eles, com os seus problemas conjugais e familiares e habitada por mim, com a sua permissão.
Hoje, não imagino a minha vida sem estas criaturas que me tratam como uma igual, que enchem o espaço de vida, que ocupam o meu coração de carinho e que me fazem sentir uma pessoa especial. Mostram-me com todos os símbolos que existem na linguagem felina que, ser-se amado por um gato, é ser especial, é estar acima do comum dos mortais. Ser-se respeitado por um gato é motivo de orgulho para qualquer ser humano.
Hoje sei que se os homens amassem como os gatos, com sinceridade e pureza, não havia lugar para guerras no mundo, pois apesar das diferenças, existe sempre espaço para mais um, desde que se tenha consciência do território alheio.
Só posso agradecer às centenas de gatos que me passaram pela vida o terem partilhado o seu espaço comigo e só posso agradecer aos meus três bebés deixarem-me viver cá em casa. Os meus três bebés que pesam oito ou nove quilos cada um e que insistem em deitar-se todos em cima de mim ao mesmo tempo, esmagando-me contra qualquer superfície e lembrando-me que eu sou a humana deles.
Evocando um poeta
A Máquina Fotográfica
"É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água
água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boca nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato.
Chego de longe. Venho em férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
o tempo de onze meses de ordenado;
por isso, meu amor, viajo a nado
não por ser português mal empregado
mas por sofrer dos pés
e estar desidratado.
Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única sombra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva.
Moras aonde eu sei.
É na distância
onde chego de táxi.
Sou turista
com trinta e seis hipóteses no rolo;
venho ao teu miradoiro ver a vista
trago a minha tristeza a tiracolo.
Enquadro-te regulo-te disparo-te
revelo-te retoco-te repito-te
compro um frasco de tédio e um aparo
nas tuas costas ponho uma estampilha
e escrevo aos meus amigos que estão longe
charmant pays
the sun is shining
love.
Emendo-te rasuro-te preencho-te
assino-te destino-te comando-te
és o lugar concreto onde procuro
a noite de passagem o abrigo seguro
a hora de acordar que se diz ao porteiro
o tempo que não segue o tempo em que não duro
senão um dia inteiro.
Invento-te desbravo-te desvendo-te
surges letra por letra, película sonora,
do sendo à vogal do tema à consoante
sem presença no espaço sem diferença na hora.
És a rota da Índia o sarcasmo do vento
a cãibra do gajeiro o erro do sextante
o acaso a maré o mapa a descoberta
dum novo continente itinerante. "
José Carlos Ary dos Santos
Obra Poética
(a nossa pequena homenagem para assinalar a data do 20º aniversário do seu "passamento" )
"É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água
água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boca nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato.
Chego de longe. Venho em férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
o tempo de onze meses de ordenado;
por isso, meu amor, viajo a nado
não por ser português mal empregado
mas por sofrer dos pés
e estar desidratado.
Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única sombra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva.
Moras aonde eu sei.
É na distância
onde chego de táxi.
Sou turista
com trinta e seis hipóteses no rolo;
venho ao teu miradoiro ver a vista
trago a minha tristeza a tiracolo.
Enquadro-te regulo-te disparo-te
revelo-te retoco-te repito-te
compro um frasco de tédio e um aparo
nas tuas costas ponho uma estampilha
e escrevo aos meus amigos que estão longe
charmant pays
the sun is shining
love.
Emendo-te rasuro-te preencho-te
assino-te destino-te comando-te
és o lugar concreto onde procuro
a noite de passagem o abrigo seguro
a hora de acordar que se diz ao porteiro
o tempo que não segue o tempo em que não duro
senão um dia inteiro.
Invento-te desbravo-te desvendo-te
surges letra por letra, película sonora,
do sendo à vogal do tema à consoante
sem presença no espaço sem diferença na hora.
És a rota da Índia o sarcasmo do vento
a cãibra do gajeiro o erro do sextante
o acaso a maré o mapa a descoberta
dum novo continente itinerante. "
José Carlos Ary dos Santos
Obra Poética
(a nossa pequena homenagem para assinalar a data do 20º aniversário do seu "passamento" )
aquilo que não pode ser explicado
.
entra por vezes na nossa vida e deixa-nos a pensar que se calhar existe um universo rejeitado por séculos de herança de cultura católica mas que nos faz pelo menos meditar.
Esta manhã ouvi na rádio, ainda dentro do carro e a caminho do trabalho, uma notícia no mínimo inquietante. Uma menina russa de 10 anos consegue ver o interior do corpo das pessoas. Os médicos que ao princípio não acreditaram, fizeram-lhe diversos exames e renderam-se. Ela consegue ser mais precisa nos diagnósticos que faz, que os aparelhos usados actualmente para esse mesmo fim. Ela vê e desenha o que vê com pormenores surpreendentes para a ciência.
Ao ouvir esta notícia pensei imediatamente numa personagem do José Saramago, a Blimunda do Memorial do Convento. A Blimunda antes de se levantar, tinha que comer pois isso anulava-lhe a capacidade de ver o interior das pessoas. A Blimunda sofria com o que via.
Também me recordei com saudade de algumas personagens femininas que passam pelos livros da Isabel Allende .Já há algum tempo que tenho o projecto de voltar a ler a Casa dos Espíritos e De Amor e Sombra. Quando os li a primeira vez fiquei deslumbrada pelas mulheres descritas e pela forma como as suas vidas se completam com um destino fantástico de visões e outras advinhações.
Imediatamente senti pena da menina russa. Que destino triste… conseguirá esquecer o que vê e ter uma vida normal de menina a entrar na adolescência?
entra por vezes na nossa vida e deixa-nos a pensar que se calhar existe um universo rejeitado por séculos de herança de cultura católica mas que nos faz pelo menos meditar.
Esta manhã ouvi na rádio, ainda dentro do carro e a caminho do trabalho, uma notícia no mínimo inquietante. Uma menina russa de 10 anos consegue ver o interior do corpo das pessoas. Os médicos que ao princípio não acreditaram, fizeram-lhe diversos exames e renderam-se. Ela consegue ser mais precisa nos diagnósticos que faz, que os aparelhos usados actualmente para esse mesmo fim. Ela vê e desenha o que vê com pormenores surpreendentes para a ciência.
Ao ouvir esta notícia pensei imediatamente numa personagem do José Saramago, a Blimunda do Memorial do Convento. A Blimunda antes de se levantar, tinha que comer pois isso anulava-lhe a capacidade de ver o interior das pessoas. A Blimunda sofria com o que via.
Também me recordei com saudade de algumas personagens femininas que passam pelos livros da Isabel Allende .Já há algum tempo que tenho o projecto de voltar a ler a Casa dos Espíritos e De Amor e Sombra. Quando os li a primeira vez fiquei deslumbrada pelas mulheres descritas e pela forma como as suas vidas se completam com um destino fantástico de visões e outras advinhações.
Imediatamente senti pena da menina russa. Que destino triste… conseguirá esquecer o que vê e ter uma vida normal de menina a entrar na adolescência?
20 janeiro 2004
Histórias de Coragem
Em cada clique de rato pelos (cada vez mais numerosos) endereços da Blogosfera encontro uma surpresa. As surpresas que mais me agradam são histórias de coragem levadas com bom humor ou com frontalidade.
O assunto gay representa na Blogosfera uma boa percentagem de blogues que insistem em escrever histórias de coragem. Talvez por serem marginalizados, por um tabú estupido, eles são mais unidos, mais coesos e mais frontais. Falo das histórias dos homens e das mulheres que um dia decidiram assumir que não eram heterossexuais.
É sem sombra de dúvidas um acto de grande coragem. Admiro-os e faço questão de o dizer alto e escrever as vezes necessárias. Admiro-os pela coragem de serem o que são, pela força em viverem como querem e pelo objectivo de simplesmente lutarem para serem felizes, fugindo das frustrações impostas por uma sociedade demasiado cínica para aceitar a busca de felicidade com a naturalidade que ela merece.
No príncipio descobri o Casal Gay, depois descobriu-nos o Boss (cliente assíduo e acarinhado pelas autoras cá da casa), de seguida fomos adicionadas aos favoritos do Homossexual e hoje veio a Sara, cuja visita retribuí e me inspirou este post, ao ler o desabafo de alguém que luta, aliás, que insiste em ser feliz.
Num assunto que considero não haver discussão possível, uma vez que cada um tem o direito de escolher o rumo que quiser dar à sua vida, sem que para isso atente contra vidas alheias, ocorre-me uma simples questão:
Porque insiste o Ser Humano em perseguir e marginalizar aqueles que, fugindo ao cinzento esbatido e enublado da maioria, teimam em ser felizes?
Aceito a homossexualidade com a mesma naturalidade como aceito a heterossexualidade. Não sinto que seja uma doença, muito menos que se transmita por convívio com eles (os anos de convívio não me contagiaram e fizeram-me apenas admirá-los ainda mais).
Admiro-os por lutarem pelo que querem e acredito que, se todos o fizessemos, o mundo seria um belo lugar para qualquer criança nascer e crescer!
Infelizmente para todos nós, insiste-se em catalogar uma minoria (que eu cada vez mais acredito ser maioria), em marginalizá-la e rotulá-la de doente, quando a verdadeira doença subsiste no facto de não se aceitar a procura e alcance de felicidade alheia...ou própria...
O assunto gay representa na Blogosfera uma boa percentagem de blogues que insistem em escrever histórias de coragem. Talvez por serem marginalizados, por um tabú estupido, eles são mais unidos, mais coesos e mais frontais. Falo das histórias dos homens e das mulheres que um dia decidiram assumir que não eram heterossexuais.
É sem sombra de dúvidas um acto de grande coragem. Admiro-os e faço questão de o dizer alto e escrever as vezes necessárias. Admiro-os pela coragem de serem o que são, pela força em viverem como querem e pelo objectivo de simplesmente lutarem para serem felizes, fugindo das frustrações impostas por uma sociedade demasiado cínica para aceitar a busca de felicidade com a naturalidade que ela merece.
No príncipio descobri o Casal Gay, depois descobriu-nos o Boss (cliente assíduo e acarinhado pelas autoras cá da casa), de seguida fomos adicionadas aos favoritos do Homossexual e hoje veio a Sara, cuja visita retribuí e me inspirou este post, ao ler o desabafo de alguém que luta, aliás, que insiste em ser feliz.
Num assunto que considero não haver discussão possível, uma vez que cada um tem o direito de escolher o rumo que quiser dar à sua vida, sem que para isso atente contra vidas alheias, ocorre-me uma simples questão:
Porque insiste o Ser Humano em perseguir e marginalizar aqueles que, fugindo ao cinzento esbatido e enublado da maioria, teimam em ser felizes?
Aceito a homossexualidade com a mesma naturalidade como aceito a heterossexualidade. Não sinto que seja uma doença, muito menos que se transmita por convívio com eles (os anos de convívio não me contagiaram e fizeram-me apenas admirá-los ainda mais).
Admiro-os por lutarem pelo que querem e acredito que, se todos o fizessemos, o mundo seria um belo lugar para qualquer criança nascer e crescer!
Infelizmente para todos nós, insiste-se em catalogar uma minoria (que eu cada vez mais acredito ser maioria), em marginalizá-la e rotulá-la de doente, quando a verdadeira doença subsiste no facto de não se aceitar a procura e alcance de felicidade alheia...ou própria...
lingua portuguesa...
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Nós aqui no Fruto Xocolaty nem queriamos acreditar! A notícia caiu literalmente em cima de nós!
“ as telenovelas portuguesas vão passar no Brasil, mas com dobragem”.
È assim mesmo. A história e os actores são os mesmos, só que não falam, por cima da voz deles vão aparecer vozes de actores brasileiros. Ou seja, podemos deduzir que os brasileiros não entendem o português. Podemos deduzir também que o português foi uma língua que os antepassados deles ouviram um dia.
A culpa será dos sucessivos acordos ortográficos que Portugal tem negociado ( ou não )
com o Brasil??
Podemos continuar a dizer que no Brasil se fala Português??
Nós aqui no Fruto Xocolaty nem queriamos acreditar! A notícia caiu literalmente em cima de nós!
“ as telenovelas portuguesas vão passar no Brasil, mas com dobragem”.
È assim mesmo. A história e os actores são os mesmos, só que não falam, por cima da voz deles vão aparecer vozes de actores brasileiros. Ou seja, podemos deduzir que os brasileiros não entendem o português. Podemos deduzir também que o português foi uma língua que os antepassados deles ouviram um dia.
A culpa será dos sucessivos acordos ortográficos que Portugal tem negociado ( ou não )
com o Brasil??
Podemos continuar a dizer que no Brasil se fala Português??
O APETITE INSACIÁVEL DO TEMPO
Regressamos sempre aos velhos lugares aonde amámos a vida. E só então compreendemos que não voltarão jamais todas as coisas que nos foram queridas.
O amor é simples e o tempo devora as coisas simples.
José Eduardo Agualusa, "O Ano em que Zumbi Tomou o Rio"
Carpe diem
O amor é simples e o tempo devora as coisas simples.
José Eduardo Agualusa, "O Ano em que Zumbi Tomou o Rio"
Carpe diem
19 janeiro 2004
soneto
.
Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.
Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.
( Sophia de Mello Breyner Andresen )
( in OBRA POÉTICA)
Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.
Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.
( Sophia de Mello Breyner Andresen )
( in OBRA POÉTICA)
18 janeiro 2004
Notícias Fresquinhas
A redacção do Frutó Xocolaty apurou, junto de fontes seguras e anónimas que Cherne Barroso e o seu governo Kamikase contrataram o melhor mestre de marketing e imagem a nível mundial, já a pensar nas próximas eleições legislativas.
Apurámos também que o dito mestre em imagem política organizou um inquérito a nível nacional, por forma a definir a classificação dada pelos portugueses ao actual governo.
O resultado foi: Incompetentes, párias, filhos das avós, malandros, gatunos, ursos e sanguessugas.
Perante este inquérito arrasador, o mestre em imagem, contratado por Cherne Barroso, tomou uma atitude drástica de melhoria de imagem do actual governo. Perante o escândalo da coligação Kamikase de maioria, fundamentou a sua medida com estas palavras:
"- É melhor falarem mal de nós do que simplesmente não falarem!"
Perante tão forte argumentação, foi aceite por esmagadora maioria a seguinte campanha de melhoria de imagem de Cherne Barroso e demais Kamikases:
1º É vital para a imagem do governo um novo referendo sobre o Aborto;
2º Cherne Barroso mudou o nome para Aborto;
3º Será uma excelente oportunidade para uma campanha de marketing um referendo sobre o Aborto, com a única pergunta:
Qual a sua opinião sobre o Aborto?
Limitando-se as respostas à nova imagem de Cherne, perdão, Aborto Barroso:
a) Tem sido um bom primeiro-ministro.
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz.
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro.
Acreditamos estar perante um excelente Marketing Brain e acreditamos, também, que nas novas eleições legislativas, Aborto Barroso vencerá com esmagadora maioria.
Tememos pela oposição e a sua incapacidade financeira para tais campanhas...
Apurámos também que o dito mestre em imagem política organizou um inquérito a nível nacional, por forma a definir a classificação dada pelos portugueses ao actual governo.
O resultado foi: Incompetentes, párias, filhos das avós, malandros, gatunos, ursos e sanguessugas.
Perante este inquérito arrasador, o mestre em imagem, contratado por Cherne Barroso, tomou uma atitude drástica de melhoria de imagem do actual governo. Perante o escândalo da coligação Kamikase de maioria, fundamentou a sua medida com estas palavras:
"- É melhor falarem mal de nós do que simplesmente não falarem!"
Perante tão forte argumentação, foi aceite por esmagadora maioria a seguinte campanha de melhoria de imagem de Cherne Barroso e demais Kamikases:
1º É vital para a imagem do governo um novo referendo sobre o Aborto;
2º Cherne Barroso mudou o nome para Aborto;
3º Será uma excelente oportunidade para uma campanha de marketing um referendo sobre o Aborto, com a única pergunta:
Qual a sua opinião sobre o Aborto?
Limitando-se as respostas à nova imagem de Cherne, perdão, Aborto Barroso:
a) Tem sido um bom primeiro-ministro.
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz.
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro.
Acreditamos estar perante um excelente Marketing Brain e acreditamos, também, que nas novas eleições legislativas, Aborto Barroso vencerá com esmagadora maioria.
Tememos pela oposição e a sua incapacidade financeira para tais campanhas...
17 janeiro 2004
Publicações do Leitor
A minha amiga (chamemos-lhe Cereja) enviou-nos um texto, que não resisto em publicar, pela sensibilidade expressa e pela verdade tão comum a todos nós:
"
Sim um dia...
Quando paramos para reflectir nas nossas vivências sonhamos sempre que um dia será melhor.
Às vezes parece que não acreditamos na realidade que vivemos, nas dificuldades, nas tristezas, na angústia e no desejo que cada um tem em acordar no dia seguinte e pensar: “Hoje será melhor!”
Encaramos a nossa realidade, o sufoco das despesas que nos batem à porta, o desespero de não termos o pão na mesa, o telefonema que não chega para nos tirar desta aflição, mas, ainda assim... pensar: "É amanhã!"
Será que esse dia vai demorar muito a encontrar-nos?
Será que um dia Ele vai lembrar-se de nós?
Será que as nossas vidas vão cruzar-se com a Felicidade tão desejada?
Será, será será...
Mas, se tivermos a sorte de nos cruzarmos com ela, não podemos ter medo de chorar e enfrentá-la, pois é sinal de que a Vida nos está a SORRIR."
"
Sim um dia...
Quando paramos para reflectir nas nossas vivências sonhamos sempre que um dia será melhor.
Às vezes parece que não acreditamos na realidade que vivemos, nas dificuldades, nas tristezas, na angústia e no desejo que cada um tem em acordar no dia seguinte e pensar: “Hoje será melhor!”
Encaramos a nossa realidade, o sufoco das despesas que nos batem à porta, o desespero de não termos o pão na mesa, o telefonema que não chega para nos tirar desta aflição, mas, ainda assim... pensar: "É amanhã!"
Será que esse dia vai demorar muito a encontrar-nos?
Será que um dia Ele vai lembrar-se de nós?
Será que as nossas vidas vão cruzar-se com a Felicidade tão desejada?
Será, será será...
Mas, se tivermos a sorte de nos cruzarmos com ela, não podemos ter medo de chorar e enfrentá-la, pois é sinal de que a Vida nos está a SORRIR."
Eu sei que...
... tu pensas que eu penso aquilo que tu pensas que eu penso e que ambos pensamos!
Mas... penso mesmo?
Mas... penso mesmo?
15 janeiro 2004
Coisas estranhas...
Este senhor que começou a cantar não é nenhum problema no Blogger.
É a preparação para o primeiro texto interactivo do Frutó Xocolaty.
Para se ler o texto e se sentir o que a autora escreveu, tem de se ouvir este senhor a cantar.
É só hoje e amanhã. Depois o senhor vai cantar para a terra dele e no meu computador.
É a preparação para o primeiro texto interactivo do Frutó Xocolaty.
Para se ler o texto e se sentir o que a autora escreveu, tem de se ouvir este senhor a cantar.
É só hoje e amanhã. Depois o senhor vai cantar para a terra dele e no meu computador.
anjos...
.
Chamava-se Ana Raquel. Tinha 10 anos. Há pouco mais de um ano um médico informou os pais que seria necessário fazer-lhe uma operação à garganta para resolver alguns problemas de infecções nas vias respiratórias aéreas. Ficou em lista de espera.
Na semana passada foi chamada para ser internada no Hospital Amadora - Sintra. Ia finalmente ser operada.
O pai levou-a. Antes de ela entrar e ao despedirem-se, beijou-a amorosamente e disse-lhe baixinho: vai correr tudo bem.
Algum tempo depois da operação um médico veio comunicar-lhe que a sua menina não tinha acordado da operação. Estava em morte cerebral.
Esteve assim quatro dias, depois partiu.
O pai não se conforma com a morte da sua menina. Chora e pergunta porquê.
Ainda não sabe de que morreu a menina que era a sua filha mais nova.
Ana Raquel , não te conheci, não quis ver a tua foto nas mãos do teu pai, mas vou recordar-te sempre como um anjo que partiu, serenamente, olhando com amor os que eventualmente por erro mataram as tuas células cerebrais.
Não queria estar na pele daqueles médicos. Como conseguirão dormir daqui para a frente?
Adeus Ana Raquel.
Chamava-se Ana Raquel. Tinha 10 anos. Há pouco mais de um ano um médico informou os pais que seria necessário fazer-lhe uma operação à garganta para resolver alguns problemas de infecções nas vias respiratórias aéreas. Ficou em lista de espera.
Na semana passada foi chamada para ser internada no Hospital Amadora - Sintra. Ia finalmente ser operada.
O pai levou-a. Antes de ela entrar e ao despedirem-se, beijou-a amorosamente e disse-lhe baixinho: vai correr tudo bem.
Algum tempo depois da operação um médico veio comunicar-lhe que a sua menina não tinha acordado da operação. Estava em morte cerebral.
Esteve assim quatro dias, depois partiu.
O pai não se conforma com a morte da sua menina. Chora e pergunta porquê.
Ainda não sabe de que morreu a menina que era a sua filha mais nova.
Ana Raquel , não te conheci, não quis ver a tua foto nas mãos do teu pai, mas vou recordar-te sempre como um anjo que partiu, serenamente, olhando com amor os que eventualmente por erro mataram as tuas células cerebrais.
Não queria estar na pele daqueles médicos. Como conseguirão dormir daqui para a frente?
Adeus Ana Raquel.
aulas de inglês...
.
Li, algures ontem, que no Porto a ANTRAL ( associação dos proprietários de táxis), vai promover uma acção de formação que possibilite aos taxistas aprenderem a falar inglês. Assim estarão mais bem preparados para receber os turistas que o Porto espera receber na altura do Euro2004.
Acho bem, é sempre bonito receber bem os que nos visitam.
Estas preocupações ficam bem neste país. Estão de acordo com a dimensão que temos. Já não ficariam tão bem aos espanhóis. Não passaria pela cabeça de um espanhol falar inglês dentro de um táxi! Vá se lá saber porquê.
Aproveito para fazer uma pequena sugestão: façam também uma acção de formação no âmbito das boas maneiras e da educação. Alguns iriam beneficiar muito…
Li, algures ontem, que no Porto a ANTRAL ( associação dos proprietários de táxis), vai promover uma acção de formação que possibilite aos taxistas aprenderem a falar inglês. Assim estarão mais bem preparados para receber os turistas que o Porto espera receber na altura do Euro2004.
Acho bem, é sempre bonito receber bem os que nos visitam.
Estas preocupações ficam bem neste país. Estão de acordo com a dimensão que temos. Já não ficariam tão bem aos espanhóis. Não passaria pela cabeça de um espanhol falar inglês dentro de um táxi! Vá se lá saber porquê.
Aproveito para fazer uma pequena sugestão: façam também uma acção de formação no âmbito das boas maneiras e da educação. Alguns iriam beneficiar muito…
14 janeiro 2004
ODES
"
As rosas amo dos jardins de Adónis
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos."
(ODES DE RICARDO REIS)
As rosas amo dos jardins de Adónis
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos."
(ODES DE RICARDO REIS)
Já não sei de nada...
só sei que isto é razão para ter a Judiciária à perna.
Então não é que alguém veio parar ao Frutó Xocolaty pela pesquisa: "Martim+Moniz+Erva"...
Eu juro que não escrevi nada daquilo Sôr Agente! Eu juro! Elas também não escreveram..cá no Bairro já não vendemos erva há muitooooo...e no Martim Moniz nunca o fizemos! Juro...pelas alminhas de todos os meus familiares que partiram!
Juro!
ãããhhh? Busca por Xocolaty Blog?
Não, não sou eu! Este blogue nem é meu! Emprestaram-mo e eu venho aqui escrever as mágoas que me atomentam! Não sou eu, essa Xocolaty com Blogue e que fala em erva no Martim Moniz não sou eu!
Juro!
Então não é que alguém veio parar ao Frutó Xocolaty pela pesquisa: "Martim+Moniz+Erva"...
Eu juro que não escrevi nada daquilo Sôr Agente! Eu juro! Elas também não escreveram..cá no Bairro já não vendemos erva há muitooooo...e no Martim Moniz nunca o fizemos! Juro...pelas alminhas de todos os meus familiares que partiram!
Juro!
ãããhhh? Busca por Xocolaty Blog?
Não, não sou eu! Este blogue nem é meu! Emprestaram-mo e eu venho aqui escrever as mágoas que me atomentam! Não sou eu, essa Xocolaty com Blogue e que fala em erva no Martim Moniz não sou eu!
Juro!
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