.
Mais uma vez vamos fechar a loja por dois dias. Dias 31 de Dezembro e 1 de Janeiro estamos encerradas para inventário.
Mas voltamos. Ah podem crer que voltamos!
Feliz 2004 para todos e... aproveitando as deixas da doce Gelatina...
Um beijinho muito doce para ti! ....
Sim para ti!
Vês aqui mais alguém? É óbvio que me refiro a ti!
XuacK
30 dezembro 2003
Antes
.
Foram Cactos, foram Rosas;
Foi Doce e foi Amargo;
Foi Amor e Dor.
Foi tudo e,
No entanto,
Não foi nada.
Foi Alegria e Tristeza;
Foram Sorrisos e Lágrimas;
Foi Amor e Dor.
Não fui eu,
Mas também,
Não foste tu.
Foram Promessas e Desculpas;
Foram Beijos e foram Gritos;
Foi Amor e Dor.
Fomos Nós!
(Foi apenas o nosso 2003. Desejo que 2004 seja muito, mas muito melhor)
Foram Cactos, foram Rosas;
Foi Doce e foi Amargo;
Foi Amor e Dor.
Foi tudo e,
No entanto,
Não foi nada.
Foi Alegria e Tristeza;
Foram Sorrisos e Lágrimas;
Foi Amor e Dor.
Não fui eu,
Mas também,
Não foste tu.
Foram Promessas e Desculpas;
Foram Beijos e foram Gritos;
Foi Amor e Dor.
Fomos Nós!
(Foi apenas o nosso 2003. Desejo que 2004 seja muito, mas muito melhor)
Nota de Memórias Passadas nº 2003
Amanhã acaba mais um ano, mas não acaba a minha esperança de poder viver tudo o que tenho direito.
Desejo que 2004 traga:
- Liberdade para sorrir;
- Liberdade para ter saúde;
- Liberdade para estudar;
- Liberdade para ler;
- Liberdade para escolher;
- Liberdade para viver;
- Liberdade para amar;
- Liberdade para todas as crianças que desejam sê-lo.
Em 2004, voltarei para recordar o quanto os políticos não nos merecem!
Desejo que 2004 traga:
- Liberdade para sorrir;
- Liberdade para ter saúde;
- Liberdade para estudar;
- Liberdade para ler;
- Liberdade para escolher;
- Liberdade para viver;
- Liberdade para amar;
- Liberdade para todas as crianças que desejam sê-lo.
Em 2004, voltarei para recordar o quanto os políticos não nos merecem!
Bem, resta-me...
...agradecer ao Nauta este mail que me fez rir à gargalhada:
...e dizer que eu também queria uma blusa onde exibisse:
"Feline Fan Club"
...e dizer que eu também queria uma blusa onde exibisse:
"Feline Fan Club"
Introspecção
2003 foi, sem dúvidas, o ano mais intenso da minha vida. Os que me conhecem sabem que tenho vivido de forma bastante intensa. De tal forma que, por palavras da Melancia, estou a sair pela porta da última carruagem do comboio e ainda existem pessoas à espera dele na estação. Este ano, que acaba amanhã, foi isso. Foi uma viagem pela minha vida de T.G.V. e, todos os dias, rezo para que acabe amanhã.
Desejo que 2004 seja um ano mais calmo e que consiga atingir o discernimento necessário para ponderar a vida. Viver intensamente também cansa. Que o digam os meus amigos que, quando levam um ano sem me ver e me perguntam como vai a vida, eu levo quatro ou cinco horas a actualizá-los com os acontecimentos de um ano e eles apenas me ouvem de boca aberta. A sorte é que são realmente bons amigos e gostam de ouvir histórias, ao ponto de as lerem quase todos os dias neste Blogue.
Essa é a minha grande vitória de 2003! Os meus amigos. Os de infância, os de juventude, os dos anteriores trabalhos, os dos copos, os da Blogosfera, os que ainda não sabem que têm um cantinho dentro do meu coração, os que eu ainda não descobri, as minhas loucas companheiras de Blogue… enfim, o mundo que construí à minha volta, ou o mundo de gente que me aceitou nas suas vidas.
No meio da grande introspecção que foi 2003 (das gargalhadas e dos choros, dos nascimentos e das mortes, dos intensos momentos de amor e também intensos de dor, dos projectos realizados e por realizar, da esperança e do desespero), sinto-me feliz. Apenas posso agradecer-vos o cuidado que têm tido em segurar-me para não cair mais fundo. Não existe vocabulário no mundo que descreva o que sinto, a felicidade que tenho em ter-vos como amigos. Por muita emoção que marque os meus textos, garanto-vos que estou sem palavras para retribuir.
Apesar de saber que 2004 nada trará de frutífero para a economia nacional, desejo do fundo do meu coração que todos nós nos encontremos por dentro, que consigamos respeitar os outros, que consigamos enriquecer da única forma realmente válida…por dentro. Peço para 2004 que todos os perdidos se encontrem, que todos os mal amados amem sem medo, que todos os egoístas saibam dar e que todos recebam o que merecem e entendam o porquê.
No fundo desejo que todos nós tenhamos direito a um sorriso por dia, que nos abra o coração para também sorrir a quem precise!
Desejo que 2004 seja um ano mais calmo e que consiga atingir o discernimento necessário para ponderar a vida. Viver intensamente também cansa. Que o digam os meus amigos que, quando levam um ano sem me ver e me perguntam como vai a vida, eu levo quatro ou cinco horas a actualizá-los com os acontecimentos de um ano e eles apenas me ouvem de boca aberta. A sorte é que são realmente bons amigos e gostam de ouvir histórias, ao ponto de as lerem quase todos os dias neste Blogue.
Essa é a minha grande vitória de 2003! Os meus amigos. Os de infância, os de juventude, os dos anteriores trabalhos, os dos copos, os da Blogosfera, os que ainda não sabem que têm um cantinho dentro do meu coração, os que eu ainda não descobri, as minhas loucas companheiras de Blogue… enfim, o mundo que construí à minha volta, ou o mundo de gente que me aceitou nas suas vidas.
No meio da grande introspecção que foi 2003 (das gargalhadas e dos choros, dos nascimentos e das mortes, dos intensos momentos de amor e também intensos de dor, dos projectos realizados e por realizar, da esperança e do desespero), sinto-me feliz. Apenas posso agradecer-vos o cuidado que têm tido em segurar-me para não cair mais fundo. Não existe vocabulário no mundo que descreva o que sinto, a felicidade que tenho em ter-vos como amigos. Por muita emoção que marque os meus textos, garanto-vos que estou sem palavras para retribuir.
Apesar de saber que 2004 nada trará de frutífero para a economia nacional, desejo do fundo do meu coração que todos nós nos encontremos por dentro, que consigamos respeitar os outros, que consigamos enriquecer da única forma realmente válida…por dentro. Peço para 2004 que todos os perdidos se encontrem, que todos os mal amados amem sem medo, que todos os egoístas saibam dar e que todos recebam o que merecem e entendam o porquê.
No fundo desejo que todos nós tenhamos direito a um sorriso por dia, que nos abra o coração para também sorrir a quem precise!
Confissão
Hoje estou triste... disseram-me que me viste passar e que tiveste medo de mim...
...sabes, eu também tenho medo de ti! Tenho medo que não me deixes ser livre e viver pela floresta...
Eu sei que tenho este olhar predador, este rosnar forte, esta boca grande...
Mas peço-te, olha-me melhor...
Vês?... Esta lingua para te lavar... Este ronronar alto e forte, apenas para gritar a toda a floresta que Te Amo!
Vês estes olhos verdes doces?
Dá-me um beijinho e deixa-me amar-te!
Ofereço-te esta fotografia:
A minha melhor pose de Gata, para ti!
(o meu album fotográfico está disponível aqui)
...sabes, eu também tenho medo de ti! Tenho medo que não me deixes ser livre e viver pela floresta...
Eu sei que tenho este olhar predador, este rosnar forte, esta boca grande...
Mas peço-te, olha-me melhor...
Vês?... Esta lingua para te lavar... Este ronronar alto e forte, apenas para gritar a toda a floresta que Te Amo!
Vês estes olhos verdes doces?
Dá-me um beijinho e deixa-me amar-te!
Ofereço-te esta fotografia:
A minha melhor pose de Gata, para ti!
(o meu album fotográfico está disponível aqui)
29 dezembro 2003
Muita Pena...
.
Tenho pena de todas as crianças que deixaram de sorrir...
Tenho pena de todos os homens que decidiram acabar com infâncias...
Tenho ainda mais pena de todos os que não fizeram, não fazem, nem farão nada para ajudar no sorriso de uma criança que nasceu pobre e condenada à miséria social e moral...
Tenho mesmo muita pena!
Tenho pena de todas as crianças que deixaram de sorrir...
Tenho pena de todos os homens que decidiram acabar com infâncias...
Tenho ainda mais pena de todos os que não fizeram, não fazem, nem farão nada para ajudar no sorriso de uma criança que nasceu pobre e condenada à miséria social e moral...
Tenho mesmo muita pena!
Nota para memória futura nº 30
Pergunto-me se, todos os envolvidos no molestamento de crianças do processo Casa Pia, não incriminados, dormirão descansados?
Eu não iria suportar carregar tal peso comigo...
...e os filhos do poder também são crianças...
Eu não iria suportar carregar tal peso comigo...
...e os filhos do poder também são crianças...
28 dezembro 2003
O Pintor
É hoje! Disse o Pintor, dirigindo-se para casa com uma enorme tela. Hoje vou pintar o Amor! Hoje vou pintar o Amor! … Repetia para si entre dentes, com um sorriso nervoso e obstinado na cara, enquanto caminhava com passos largos, como se marchasse para a mais longa e brava guerra. Hoje vou pintar o Amor! Dizia, subindo o lanço de escadas que o conduziam ao pequeno apartamento num primeiro andar, tão degradado, tão desprovido de tudo, mas que obstinadamente insistia em chamar casa.
Entrou e pendurou a enorme tela na parede. Era grande demais para um cavalete e grande demais para ele. Mas o Amor é grande, não é? Esta é a melhor tela para guardar o Amor. Foi tecida algures no Afeganistão. É do mais puro algodão, da mais formosa plantação. É branca e fina como a neve e suficientemente pura para guardar o Amor.
Sentou-se na única cadeira da única divisão da sua casa, a cerca de quatro metros da tela pendurada na parede. Fixou-a de várias posições. Abasteceu-se de café, para poder olhar melhor e manteve-se por horas seguidas a mirar a tela fixa na parede. Dizia para si: Hoje vou pintar o Amor! Mas por onde começo? Quais são as cores do Amor? Quais as formas que o definem?
Caiu a noite e o Pintor manteve-se agarrado à chávena de café, fixando obstinadamente a tela, branca como a neve, pura como a mais formosa donzela. É isso! Gritou de madrugada, assustando as baratas que se passeavam no lava-loiça. Pura como a mais formosa donzela, formosa como a mais pura donzela! Vestiu o casaco e saiu de casa, repetindo esta lenga-lenga na sua cabeça.
A noite estava a terminar e o céu era um campo de batalha, em que o laranja avançava impune em direcção ao negro. O Sol iria surgir e impor-se na escuridão dos céus. O pintor deambulava pelas ruas à procura de uma donzela pura com a cara do Amor e estava tão preocupado nos pormenores da sua busca que não se deteve no espectáculo do céu. No fogo da batalha entre a Luz e a Noite.
Na rua passavam outras pessoas, atarefadas com as suas vidas. Umas iam vender para o mercado, outras iam comprar, outras iam trabalhar, outras iam dormir. O pintor avançava demasiado preocupado para pensar nestes rostos.
Dirigiu-se para a rua mais movimentada da cidade. Entrou num café, sentou-se junto à janela com a melhor vista e pediu um abatanado. Manteve-se ali, sentado, a manhã toda. Abatanado atrás de abatanado fixava com interesse científico todas as jovens que por ali passavam. Nenhuma tinha rosto de Amor!
Levantou-se a saiu. Tropeçou num gato que apanhava os raios de Sol, esticado no meio da rua, a ronronar a quem passava. Não parou, pois o Amor não pode ter forma de gato à procura de calor e dono. Sentou-se no banco do jardim e pensou: O Amor não está no rosto de uma donzela! Pensou, então, o que seria esse Amor que ele queria pintar e que toda a sua vida lhe consumiu a inspiração. Nunca acabou nenhum quadro, pois nenhum deles tinha a perfeição e beleza dignas do Amor. Lembrou-se também que, ele próprio, nunca tinha amado ninguém. Nenhuma mulher possuía o corpo digno de ser desejado, a pureza digna de ser amada, por ele.
À sua frente brincavam duas crianças que, alegremente, riam e corriam atrás de um cão. O Pintor não olhou, nem sorriu. Obviamente que o Amor não está no sorriso de uma criança, nem na amizade de um cão. Dois pássaros cantavam por cima da sua cabeça, na copa de uma árvore. Discutiam apaixonadamente os pormenores de construção de um ninho. Mas o Pintor não ouviu, pois apenas tentava ouvir a voz do Amor, para poder pintá-la. O Amor não está no cantar de dois pássaros que constroem um ninho. Não senhor!
Lembrou-se então o Pintor que tinha encomendado a melhor tela para pintar o Amor, mas que talvez ele próprio não fosse digno dela … ou será que apenas não era digno do Amor?
Pronto! Está decidido! Não existe Amor! Disse o Pintor num grito de raiva que calou as crianças, parou o cão e afugentou os pássaros. Dirigiu-se de novo a casa decidido a pintar a vida. Não há Amor mas existe vida! Na palete colocou o verde, o vermelho, o amarelo, o preto e o branco. Fez um apanhado do dia e resolveu pintar o que se tinha passado à sua volta, quando obstinadamente procurava o rosto do Amor.
No cimo da tela pintou um céu cinzento-escuro e claro e, mais abaixo, acrescentou-lhe o laranja e misturou-o com o vermelho. Era a batalha de todas as alvoradas entre a Noite e o Sol. Mais abaixo, desenhou um prédio e no telhado, um gato preto com um olhar verde e profundo, sentado, a testemunhar a batalha dos céus. Ainda mais abaixo, numa das varandas do prédio, desenhou uma criança a sorrir com o braço esticado e um cravo na mão, a oferecê-lo a alguém que passava na rua. Ao lado da criança, noutra varanda havia roupa estendida numa corda, à espera do Sol que a iria aquecer.
No rés-do-chão do prédio, desenhou uma padaria e estava tão real que, quando vi o quadro, senti o cheiro do pão quente que os clientes que saíam da loja levavam nos sacos. Ao lado da Padaria, pintou uma Florista e à porta exibiu uns lindos malmequeres, ainda mais brancos e puros que a própria tela. Em frente às flores estava uma mulher, ligeiramente dobrada a cheirá-las. Na rua, desenhou um homem com uma pasta na mão, que acenava para a criança da varanda. Mais à direita do homem, estava um carrinho com um fogareiro a assar castanhas e um velho vendia-as a outro homem que passava. O fumo do fogareiro estava tão perfeito que logo imaginei aquele cheiro de castanhas assadas e quentinhas.
Acima do vendedor de castanhas e ao lado do prédio, pintou um parque com lindas árvores e num ramo colocou dois pássaros a construir um ninho. Parece que os oiço cantar, deste lado da tela. No meio do parque colocou dois velhos sentados num banco, que também olhavam o nascer do Sol. Ao lado dos velhos, um cão corria atrás de um gato e duas crianças avançavam de mochila às costas.
Acabou o quadro, afastou-se e pensou: Este é o mais bonito quadro que alguma vez pintei. Aqui está o Amor, não no rosto de uma jovem mulher, mas na vida que palpita das cores do dia, do rosto dos homens, nos cheiros da manhã e nas cores das flores.
Olhou para o relógio, na parede oposta à tela e notou que passara um dia desde o primeiro traço na tela. Tomou um banho, vestiu-se e saiu de casa decidido a ver os pormenores da vida, pois é neles que se manifesta o Amor. Disse boa tarde ao vizinho que encontrou nas escadas, saiu do prédio e acariciou um cão que passou por ele, na rua. Entrou no mesmo café onde tinha procurado o Amor, sentou-se e tomou o pequeno-almoço. Sorriu. Já não estava obstinado. Estava aliviado. Voltou a sair. O mesmo gato estava no mesmo sítio e ronronava da mesma maneira para as pessoas que passavam. Pegou no gato e levou-o para casa. Deu-lhe leite, lavou-o e baptizou-o de Marmelada.
Saiu de casa com uma pequena tela debaixo do braço, uma das muitas que antes achara indignas para albergar o Amor. Avançou calmamente para o mar. Sentou-se na muralha da praia e esperou. Quando no céu começou a surgir o laranja e o vermelho de mais uma batalha vencida pela noite, o Pintor pintou-o decidido a eternizar o descer do Sol no mar.
Esse foi o primeiro de muitos quadros que pintou, decidido a esquecer a essência do Amor e a pintar, apenas, as suas manifestações, o palpitar da vida.
Entrou e pendurou a enorme tela na parede. Era grande demais para um cavalete e grande demais para ele. Mas o Amor é grande, não é? Esta é a melhor tela para guardar o Amor. Foi tecida algures no Afeganistão. É do mais puro algodão, da mais formosa plantação. É branca e fina como a neve e suficientemente pura para guardar o Amor.
Sentou-se na única cadeira da única divisão da sua casa, a cerca de quatro metros da tela pendurada na parede. Fixou-a de várias posições. Abasteceu-se de café, para poder olhar melhor e manteve-se por horas seguidas a mirar a tela fixa na parede. Dizia para si: Hoje vou pintar o Amor! Mas por onde começo? Quais são as cores do Amor? Quais as formas que o definem?
Caiu a noite e o Pintor manteve-se agarrado à chávena de café, fixando obstinadamente a tela, branca como a neve, pura como a mais formosa donzela. É isso! Gritou de madrugada, assustando as baratas que se passeavam no lava-loiça. Pura como a mais formosa donzela, formosa como a mais pura donzela! Vestiu o casaco e saiu de casa, repetindo esta lenga-lenga na sua cabeça.
A noite estava a terminar e o céu era um campo de batalha, em que o laranja avançava impune em direcção ao negro. O Sol iria surgir e impor-se na escuridão dos céus. O pintor deambulava pelas ruas à procura de uma donzela pura com a cara do Amor e estava tão preocupado nos pormenores da sua busca que não se deteve no espectáculo do céu. No fogo da batalha entre a Luz e a Noite.
Na rua passavam outras pessoas, atarefadas com as suas vidas. Umas iam vender para o mercado, outras iam comprar, outras iam trabalhar, outras iam dormir. O pintor avançava demasiado preocupado para pensar nestes rostos.
Dirigiu-se para a rua mais movimentada da cidade. Entrou num café, sentou-se junto à janela com a melhor vista e pediu um abatanado. Manteve-se ali, sentado, a manhã toda. Abatanado atrás de abatanado fixava com interesse científico todas as jovens que por ali passavam. Nenhuma tinha rosto de Amor!
Levantou-se a saiu. Tropeçou num gato que apanhava os raios de Sol, esticado no meio da rua, a ronronar a quem passava. Não parou, pois o Amor não pode ter forma de gato à procura de calor e dono. Sentou-se no banco do jardim e pensou: O Amor não está no rosto de uma donzela! Pensou, então, o que seria esse Amor que ele queria pintar e que toda a sua vida lhe consumiu a inspiração. Nunca acabou nenhum quadro, pois nenhum deles tinha a perfeição e beleza dignas do Amor. Lembrou-se também que, ele próprio, nunca tinha amado ninguém. Nenhuma mulher possuía o corpo digno de ser desejado, a pureza digna de ser amada, por ele.
À sua frente brincavam duas crianças que, alegremente, riam e corriam atrás de um cão. O Pintor não olhou, nem sorriu. Obviamente que o Amor não está no sorriso de uma criança, nem na amizade de um cão. Dois pássaros cantavam por cima da sua cabeça, na copa de uma árvore. Discutiam apaixonadamente os pormenores de construção de um ninho. Mas o Pintor não ouviu, pois apenas tentava ouvir a voz do Amor, para poder pintá-la. O Amor não está no cantar de dois pássaros que constroem um ninho. Não senhor!
Lembrou-se então o Pintor que tinha encomendado a melhor tela para pintar o Amor, mas que talvez ele próprio não fosse digno dela … ou será que apenas não era digno do Amor?
Pronto! Está decidido! Não existe Amor! Disse o Pintor num grito de raiva que calou as crianças, parou o cão e afugentou os pássaros. Dirigiu-se de novo a casa decidido a pintar a vida. Não há Amor mas existe vida! Na palete colocou o verde, o vermelho, o amarelo, o preto e o branco. Fez um apanhado do dia e resolveu pintar o que se tinha passado à sua volta, quando obstinadamente procurava o rosto do Amor.
No cimo da tela pintou um céu cinzento-escuro e claro e, mais abaixo, acrescentou-lhe o laranja e misturou-o com o vermelho. Era a batalha de todas as alvoradas entre a Noite e o Sol. Mais abaixo, desenhou um prédio e no telhado, um gato preto com um olhar verde e profundo, sentado, a testemunhar a batalha dos céus. Ainda mais abaixo, numa das varandas do prédio, desenhou uma criança a sorrir com o braço esticado e um cravo na mão, a oferecê-lo a alguém que passava na rua. Ao lado da criança, noutra varanda havia roupa estendida numa corda, à espera do Sol que a iria aquecer.
No rés-do-chão do prédio, desenhou uma padaria e estava tão real que, quando vi o quadro, senti o cheiro do pão quente que os clientes que saíam da loja levavam nos sacos. Ao lado da Padaria, pintou uma Florista e à porta exibiu uns lindos malmequeres, ainda mais brancos e puros que a própria tela. Em frente às flores estava uma mulher, ligeiramente dobrada a cheirá-las. Na rua, desenhou um homem com uma pasta na mão, que acenava para a criança da varanda. Mais à direita do homem, estava um carrinho com um fogareiro a assar castanhas e um velho vendia-as a outro homem que passava. O fumo do fogareiro estava tão perfeito que logo imaginei aquele cheiro de castanhas assadas e quentinhas.
Acima do vendedor de castanhas e ao lado do prédio, pintou um parque com lindas árvores e num ramo colocou dois pássaros a construir um ninho. Parece que os oiço cantar, deste lado da tela. No meio do parque colocou dois velhos sentados num banco, que também olhavam o nascer do Sol. Ao lado dos velhos, um cão corria atrás de um gato e duas crianças avançavam de mochila às costas.
Acabou o quadro, afastou-se e pensou: Este é o mais bonito quadro que alguma vez pintei. Aqui está o Amor, não no rosto de uma jovem mulher, mas na vida que palpita das cores do dia, do rosto dos homens, nos cheiros da manhã e nas cores das flores.
Olhou para o relógio, na parede oposta à tela e notou que passara um dia desde o primeiro traço na tela. Tomou um banho, vestiu-se e saiu de casa decidido a ver os pormenores da vida, pois é neles que se manifesta o Amor. Disse boa tarde ao vizinho que encontrou nas escadas, saiu do prédio e acariciou um cão que passou por ele, na rua. Entrou no mesmo café onde tinha procurado o Amor, sentou-se e tomou o pequeno-almoço. Sorriu. Já não estava obstinado. Estava aliviado. Voltou a sair. O mesmo gato estava no mesmo sítio e ronronava da mesma maneira para as pessoas que passavam. Pegou no gato e levou-o para casa. Deu-lhe leite, lavou-o e baptizou-o de Marmelada.
Saiu de casa com uma pequena tela debaixo do braço, uma das muitas que antes achara indignas para albergar o Amor. Avançou calmamente para o mar. Sentou-se na muralha da praia e esperou. Quando no céu começou a surgir o laranja e o vermelho de mais uma batalha vencida pela noite, o Pintor pintou-o decidido a eternizar o descer do Sol no mar.
Esse foi o primeiro de muitos quadros que pintou, decidido a esquecer a essência do Amor e a pintar, apenas, as suas manifestações, o palpitar da vida.
27 dezembro 2003
Um último teste de 2003
Bem, andava a investigar a Blogosfera, li a Puta de Vida e descobri este teste sobre almas.
Gostei da minha alma! Aqui vai o resultado:

You're just the happy go-lucky type. You might have
your pet peeves, but other than that, you're
mainly calm. Blending in with your
surroundings, you're the type of person who
everyone likes. Usually it's you who cracks
jokes at social gatherings - after all,
laughter is the best medicine. Sometimes you
pretend to be stupid, but in all actuality, you
could be the next Einstein.
What Type of Soul Do You Have ?
brought to you by Quizilla
Gostei da minha alma! Aqui vai o resultado:

You're just the happy go-lucky type. You might have
your pet peeves, but other than that, you're
mainly calm. Blending in with your
surroundings, you're the type of person who
everyone likes. Usually it's you who cracks
jokes at social gatherings - after all,
laughter is the best medicine. Sometimes you
pretend to be stupid, but in all actuality, you
could be the next Einstein.
What Type of Soul Do You Have ?
brought to you by Quizilla
Inspiração
.
Hoje entendi o motivo porque a minha inspiração está tão depressiva e tão afastada.
É quase Lua Nova...e só para o ano ela volta a brilhar, grande e altiva para me lembrar de ti e para me ajudar a escrever o que sinto neste cantinho fundo que insisto em chamar Coração!
Hoje entendi o motivo porque a minha inspiração está tão depressiva e tão afastada.
É quase Lua Nova...e só para o ano ela volta a brilhar, grande e altiva para me lembrar de ti e para me ajudar a escrever o que sinto neste cantinho fundo que insisto em chamar Coração!
Nota para memória futura nº 17.584,54 3/4
Esqueci-me do número, mas não importa!
Cá vai:
um, dois, três, experiência. Voz off...OFF..O.F.F.
Ahh...ohhh...um-dois-experiência-som SOMMMM
Agora é que vai mesmo:
Como posso eu confiar num homem que se diz Primeiro Ministro, que me reconforta com um discurso rosa-choc e que por trás tem uma lareira falsa? Será, a dita lareira, uma mensagem do inconsciente que prova a mentira das palavras?
Bem, de qualquer modo...fico feliz por me ter lido e ter mudado o tom da base. Ontem estava vermelho. Tão vermelho que parecia uma inglesa agarrada a uma garrafa de gin... ou seria um português agarrado a um garrafão de tinto?
Decorar para lhe transmitir:
Oh Cherne, fofo... conheço uma esteticista que faz milagres com a maquilhagem. O menino que o contacto?
Cá vai:
um, dois, três, experiência. Voz off...OFF..O.F.F.
Ahh...ohhh...um-dois-experiência-som SOMMMM
Agora é que vai mesmo:
Como posso eu confiar num homem que se diz Primeiro Ministro, que me reconforta com um discurso rosa-choc e que por trás tem uma lareira falsa? Será, a dita lareira, uma mensagem do inconsciente que prova a mentira das palavras?
Bem, de qualquer modo...fico feliz por me ter lido e ter mudado o tom da base. Ontem estava vermelho. Tão vermelho que parecia uma inglesa agarrada a uma garrafa de gin... ou seria um português agarrado a um garrafão de tinto?
Decorar para lhe transmitir:
Oh Cherne, fofo... conheço uma esteticista que faz milagres com a maquilhagem. O menino que o contacto?
Flor de Cacto
.
"Flor de cacto, flor que se arrancou
À secura do chão.
Era aí o deserto, a pedra dura,
A sede e a solidão.
Sobre a palma de espinhos, triunfante,
Flor, ou coração?"
José Saramago, Provavelmente Alegria
"Flor de cacto, flor que se arrancou
À secura do chão.
Era aí o deserto, a pedra dura,
A sede e a solidão.
Sobre a palma de espinhos, triunfante,
Flor, ou coração?"
José Saramago, Provavelmente Alegria
26 dezembro 2003
Agradecimentos
Venho agradecer a todos os meus AMIGOS, por me proporcionarem o melhor Natal de sempre.
Este ano descobri que, melhor que qualquer prenda, é a vossa Amizade.
Melhor que qualquer objecto, são os vossos ombros e colos para chorar e as vossas carícias para me reconfortar.
Obrigada, em especial, à Ana, à Beu, à Dondy, à Ginja e à Melancia.
Este ano descobri que, melhor que qualquer prenda, é a vossa Amizade.
Melhor que qualquer objecto, são os vossos ombros e colos para chorar e as vossas carícias para me reconfortar.
Obrigada, em especial, à Ana, à Beu, à Dondy, à Ginja e à Melancia.
23 dezembro 2003
Votos da Equipa do Frutó Xocolaty
A Bananas, a Ginja, a Gelatina, a Maçã Assada (ainda no Iraque), a Melancia e a Xocolaty desejam a todos os leitores e a todos os Blogues um Feliz Natal!
Que todas as caras possam ter um sorriso e que todas as casas sejam aquecidas pelo Amor!
Beijinhos,
A equipa
(dias 24 e 25 o Blogue está encerrado)
P.S. - Já me esquecia: Um beijinho muito especial para o Nauta!
Que todas as caras possam ter um sorriso e que todas as casas sejam aquecidas pelo Amor!
Beijinhos,
A equipa
(dias 24 e 25 o Blogue está encerrado)
P.S. - Já me esquecia: Um beijinho muito especial para o Nauta!
Lembras-te?
.
Fui buscar-te à cama, beijei-te, ofereci-te a mão e disse-te baixinho ao ouvido: Segue-me. Abandonaste o corpo, seguraste-me na mão e voámos para lá. Para aquele sítio onde o tempo não existe, a vida não tem fim e a dor não tem lugar.
Disse-te:
Desta árvore até ao céu, criei o mais lindo campo de girassóis. O Sol brilha acolá, mas eles alimentam-se daqui, do meu amor por ti. Com o amarelo brilhante da Luz, desenhei as pétalas e com a água desta fonte pintei o céu. O negro dos teus olhos serviu para as sementes das flores. Do verde da minha esperança, nasceram e cresceram estas árvores que nos rodeiam e a erva que pisas.
Com a força do meu amor, reguei este campo de girassóis… para ti. Toma! Aceita-os! Esta é a paisagem do meu amor…por ti!
Não conhecias? Ainda bem, fi-lo agora para ti. Este é o nosso lugar, onde o Amor reina e os amantes passeiam. Aqui vive o meu Amor... por ti!
Anda! Agarra a minha mão. Segue-me… Sentes o vento na cara? Gostas de voar? Este é o meu sonho quando te quero encontrar. Aqui abro os braços, salto e voo e viro e avanço até ao Sol…e volto a descer a rodopiar no ar e sento-me…entre os girassóis. Aqui invento os mais lindos poemas de Amor para ti! Queres ouvir? Está gravado na água que corre na fonte, acolá. Vive na seiva destas flores, que são tuas. Rodopia no vento que nos ajuda a voar. Ouves? Desculpa. Não o consigo escrever. Este é o mais lindo poema de Amor. Toma! É teu!
Anda, desce comigo. Fecha os olhos e cheira os girassóis. Este é o cheiro do meu amor…por ti! Estes girassóis têm o cheiro deste amor que a voz teima em não traduzir, quando te digo: Olá!
Sim, quando te digo olá, o meu corpo aquece, o rosto fica rubro, os olhos batem no chão, o coração salta, o peito estremece e o olá significa… Amo-te!
Anda… quero mostrar-te mais! Por detrás daquele Sol que ilumina este lugar há muito mais. Dá-me a mão! Gostas de voar? Rodopia comigo… não tenhas medo que o meu amor segura-te! Voar é ser livre para amar!
Gostas?
Este é o mar das minhas lágrimas. Não fiques triste! São lágrimas de alegria, por estares aqui. Vamos nadar? Este mar é especial. Aqui podes falar e respirar. Este mar és tu e eu, juntos, aqui.
Toma, a mais bonita concha do nosso mar. Não a abras, nem a leves daqui. Deixa-a viver enquanto houver amor, não só em nós, mas… no mundo.
Tenho de voltar. Queres ficar? Deixo-te no meu amor… por ti! Explora-o, ele é teu! Para voltar, basta pensares na tua cama e acordas lá.
Quem sabe se não me encontras a dormir a teu lado…
Fui buscar-te à cama, beijei-te, ofereci-te a mão e disse-te baixinho ao ouvido: Segue-me. Abandonaste o corpo, seguraste-me na mão e voámos para lá. Para aquele sítio onde o tempo não existe, a vida não tem fim e a dor não tem lugar.
Disse-te:
Desta árvore até ao céu, criei o mais lindo campo de girassóis. O Sol brilha acolá, mas eles alimentam-se daqui, do meu amor por ti. Com o amarelo brilhante da Luz, desenhei as pétalas e com a água desta fonte pintei o céu. O negro dos teus olhos serviu para as sementes das flores. Do verde da minha esperança, nasceram e cresceram estas árvores que nos rodeiam e a erva que pisas.
Com a força do meu amor, reguei este campo de girassóis… para ti. Toma! Aceita-os! Esta é a paisagem do meu amor…por ti!
Não conhecias? Ainda bem, fi-lo agora para ti. Este é o nosso lugar, onde o Amor reina e os amantes passeiam. Aqui vive o meu Amor... por ti!
Anda! Agarra a minha mão. Segue-me… Sentes o vento na cara? Gostas de voar? Este é o meu sonho quando te quero encontrar. Aqui abro os braços, salto e voo e viro e avanço até ao Sol…e volto a descer a rodopiar no ar e sento-me…entre os girassóis. Aqui invento os mais lindos poemas de Amor para ti! Queres ouvir? Está gravado na água que corre na fonte, acolá. Vive na seiva destas flores, que são tuas. Rodopia no vento que nos ajuda a voar. Ouves? Desculpa. Não o consigo escrever. Este é o mais lindo poema de Amor. Toma! É teu!
Anda, desce comigo. Fecha os olhos e cheira os girassóis. Este é o cheiro do meu amor…por ti! Estes girassóis têm o cheiro deste amor que a voz teima em não traduzir, quando te digo: Olá!
Sim, quando te digo olá, o meu corpo aquece, o rosto fica rubro, os olhos batem no chão, o coração salta, o peito estremece e o olá significa… Amo-te!
Anda… quero mostrar-te mais! Por detrás daquele Sol que ilumina este lugar há muito mais. Dá-me a mão! Gostas de voar? Rodopia comigo… não tenhas medo que o meu amor segura-te! Voar é ser livre para amar!
Gostas?
Este é o mar das minhas lágrimas. Não fiques triste! São lágrimas de alegria, por estares aqui. Vamos nadar? Este mar é especial. Aqui podes falar e respirar. Este mar és tu e eu, juntos, aqui.
Toma, a mais bonita concha do nosso mar. Não a abras, nem a leves daqui. Deixa-a viver enquanto houver amor, não só em nós, mas… no mundo.
Tenho de voltar. Queres ficar? Deixo-te no meu amor… por ti! Explora-o, ele é teu! Para voltar, basta pensares na tua cama e acordas lá.
Quem sabe se não me encontras a dormir a teu lado…
Pensamento
.
Se fosses flor,
Queria ser Sol;
Se fosses rio,
Queria ser leito;
Se fosses Gato,
Queria ser Lua;
Se fosses lágrima,
Queria ser consolo;
Se fosses árvore,
Queria ser terra;
Se fosses letra,
Queria ser poema;
Mas és homem
E eu quero ser pensamento!
Se fosses flor,
Queria ser Sol;
Se fosses rio,
Queria ser leito;
Se fosses Gato,
Queria ser Lua;
Se fosses lágrima,
Queria ser consolo;
Se fosses árvore,
Queria ser terra;
Se fosses letra,
Queria ser poema;
Mas és homem
E eu quero ser pensamento!
Reclamação para o Chefe do Pai Natal
Caro Senhor,
Hoje fui impedida por uma anã tresloucada, que se intitulava de Duende, de tirar uma foto ao colo do Pai Natal.
Como não havia livro de reclamações, venho por este meio apresentar os motivos do meu descontentamento e solicitar resposta a estas simples perguntas:
- Onde está escrito que uma jovem de 30 anos não pode tirar uma fotografia no colo do Pai Natal?
- Onde está determinado que não se pode ter mais que 1,70m para saltar para o colo do Pai Natal?
- Qual o problema de se pesar mais que 60 kg?
- Por ser adulta, não tenho direito em gostar do Pai Natal e querer brincar com as barbas dele?
Agradeço resposta urgente!
Hoje fui impedida por uma anã tresloucada, que se intitulava de Duende, de tirar uma foto ao colo do Pai Natal.
Como não havia livro de reclamações, venho por este meio apresentar os motivos do meu descontentamento e solicitar resposta a estas simples perguntas:
- Onde está escrito que uma jovem de 30 anos não pode tirar uma fotografia no colo do Pai Natal?
- Onde está determinado que não se pode ter mais que 1,70m para saltar para o colo do Pai Natal?
- Qual o problema de se pesar mais que 60 kg?
- Por ser adulta, não tenho direito em gostar do Pai Natal e querer brincar com as barbas dele?
Agradeço resposta urgente!
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