18 novembro 2003

Hoje...

... o D.N. entrevistou um dos meus autores preferidos. O mestre no verdadeiro Tratado das Paixões da Alma, António Lobo Antunes. Registei muita coisa da entrevista de alguém que, quando fala, sabe o que diz. Partilho convosco duas frases que dizem tudo:

"...Como é que uma pessoa que não escreve consegue suportar o absurdo da vida?..."

"...Nós portugueses, somos admiráveis, vivemos do vento."

Quem o vive na pele, não precisa de explicações. Entende-o!

Frases...

"O conceito de normal foi definido e é comprovado por anormais!"

Digo eu...

Iraque

Poderia chamar-lhe também: "O novo inimigo da Liberdade".

Acabou a Guerra Fria. Caiu o muro de Berlim. O Comunismo foi esmagado. Acabou o papão mau que comia criancinhas ao pequeno almoço e foi instalado na Europa o estado de Liberdade.

Obrigada aos Americanos por defenderem tão bem a Liberdade. Um muito obrigada! Graças a eles sei o que é o McDonalds, sei o que é a Coca-Cola, os tenis Nike, o Hugo Boss. Sou uma consumidora feliz!

Consumo tudo o que é americano com a devida liberdade e felicidade. Estou desempregada, mas posso escolher entre comer americano, vestir americano, fumar americano, conduzir americano...até a comida dos gatos vem dos Estados Unidos. Estou feliz!

Do pouco que conheço da Psicologia da vida, sei que o Homem é um ser insastisfeito e muito ambicioso. Nunca está contente com nada. Quer sempre mais e mais!

Ora, o "Tio Sam" esmagou os maus, os inimigos da Liberdade. Esmigalhou o comunismo soviético e transformou-o em pó. Que felizes que ficámos. Agora não tenho medo de dormir. Sei que no céu há, algures, um satélite americano que me vigia. A mim e a todos nós, os indefesos cidadãos do mundo.

Mas...e agora?

Agora que a velha Europa está livre, como conseguem os americanos vender armas? A sua maior fonte de receitas! Agora que as Kalashnikovs não lhes fazem concorrência... Onde e como vão eles levantar e desenvolver a economia? Esta foi uma dúvida que agitou a C.I.A. durante muito tempo. Descobriu-se a solução. Afinal existem mais papões no mundo. Inimigos da Liberdade. Ditadores terriveis. Papões genocidas. Perdão...eu uso termos modernos para me fazer entender: Existem Terroristas!

Assim surgiram as sucessivas guerras americanas em prol da Liberdade. Digam-me, por favor, um único país invadido e libertado pelos americanos que esteja feliz, melhor e que tenha uma economia crescente e promissora! Contento-me apenas com um! Unzinho...

Daquilo que analiso, como mera espectadora, como cidadã comum, é que todas as guerras trazem sempre interesses económicos no meio. Não é de propósito, eu sei! Sei que o objectivo principal é a Liberdade. Os interesses económicos surgem como uma consequência, uma oferta americana para os pobres.

É com dor que leio coisas como esta e constato que morrem homens que não entendem a causa por que morrem. É com dor que vejo um país entregue aos salteadores, à corrupção, à violência e ao DESTINO em prol de petróleo.

E os homens, mulheres e crianças? Esses importam?

Crónicas de uma Ruiva em Terras das Mil e Uma Noites

Segunda-feira, 18 de Novembro de 2003 - "O Início da Aventura"

Tudo começou há um mês atrás, quando, por ironia dos destino, entreguei o corpo, a alma e as recordações de uma vida bem amada e vivida ao "Fruto Xocolaty".

O Mahir apareceu-me hoje pela primeira vez, mas confessou-me amar as minhas palavras e entender o meu Amor pelo passado bem vivido e a dor em amar um Amor livre, sem amarras. Falou-me que partilhava comigo o prazer em ter um Amor livre. Ofereceu-me uma nova vida nas terras das Mil e Uma Noites. Aceitei! Aceitei pelo rol de novas e excitantes experiências que se avizinham. Aceitei, essencialmente, por amar o desconhecido e a vida.

Saí de casa com a roupa do corpo, os sonetos da Florbela, um maço de cigarros e uma garrafa de vinho do Porto. Não vou precisar de mais nada. Tenciono viver de acordo com os costumes locais. Jantámos e deitei-me cedo. Hoje será um dia repleto de aventuras.

Despeço-me agora de todos os que vivem no meu coração com uma grande beijo e um "Até já"! Volto quando esta terra desconhecida e exótica me tiver oferecido tudo, quando achar que já vivi tudo.

Chegámos a Istambul às 22 horas de Lisboa, mudei de roupa. Assumi bem o papel de Muçulmana. A minha Avó sempre me ensinou: "Em terra onde fores, faz como vires fazer!". E assim o fiz e farei! Quero conhecer Istambul, aliás, quero conhecer a terra dos antepassados longínquos de quem herdei as feições.

Até amanhã...


17 novembro 2003

Anúncio

Após o alerta dado pela redação do Frutó Xocolaty, o Conselho de Administração da Frutó Xocolaty - S.G.P.S., S.A. determinou que é necessário fazer uma nova contratação cá para a redação.

Assim, faz-se público que:

- Estão abertas inscrições para Jovem Romântica com jeito e gosto pela prosa poética;
- Contrato de trabalho temporário;
- Funções: Substituição da Maçã Assada;
- Requisitos fundamentais: Escrever bem o português e ser fã da Florbela Espanca.

As interessadas deverão enviar carta de motivação, acompanhada de Curriculum Vitae para o frutoxocolaty@hotmail.com

Notícias da Maçã Assada

Fomos contactadas pela Maçã Assada. Garantiu-nos que está a ser bem tratada e pediu-nos para divulgarmos o seguinte comentário:

" Infelizmente, a minha veia poética está a desaparecer. Sinto-me a aproximar da crónica de viagem! Tenho medo deste estilo literário desconhecido! Estou a ser bem tratada. Deram-me de comer e lavaram-me em oléo de rosas. Acho que vou para um palácio. Depois escrevo a contar o que se passou. Os árabes acreditam que eu sou ruiva!! eheheh Dá para acreditar? Vou continuar a enganá-los! Afinal de contas...é uma experiência nova!"

Comunicado Oficial do Frutó Xocolaty

A nossa muito amada e estimada Maçã Assada escreveu há momentos que queria um beijo.

Foi beijada e raptada.

Neste momento está em Istambul. Mais precisamente com este jovem, o belo príncipe que a beijou!

Volta Maçã Assada, Voltaaaa!

dás-me?

Hoje estou triste...
Está frio, a casa faz eco...

Quero uma prenda!

Um beijo...

Amiga

_
Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim? ! O que quiseres
É sempre um sonho bom ! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres !

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho ...
Como se os dois nascêsssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho ...

Beija-mas bem ! ... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei prà minha boca ! ...


Florbela Espanca, Sonetos

O desporto radical de medicar um gato

Dar um comprimido a um gato é, sem sombra de dúvidas, um dos mais perigosos desportos radicais alguma vez inventados. Explicaremos o processo mais seguro, aquele em que o "tratador" terá mais hipóteses de sair í­ntegro da operação.

Em primeiro lugar, é importante ter em casa uma toalha de banho grande, a maior que conseguir. Anote que, no mí­nimo, a toalha deverá ser cinco vezes maior que o gato.

Munido com a toalha embrulhada debaixo do braço, dirija-se até à  sala. Sente-se no sofá, como se fosse ver televisão. Seja discreto e aja naturalmente. Nunca, mas nunca, levante suspeitas. Descontraia-se. Deixe a fera pousar no seu colo ou perto de si. Essencialmente, deixe-o descontrair também.

Quando tiver a certeza que o gato está tranquilo e descontraí­do (tenha em atenção que o felino leva entre 5 a 10 minutos a descontrair), abra a toalha, apanhe o gato e enrole-o nesta como se fosse uma salsicha envolvida em couve lombarda. Neste caso, felino em toalha de banho. Não seja condescendente. Será mortal para si. Lembre-se que está a embrulhar uma pequena fera que se pode tornar num tigre nestas alturas.

Já está enrolado? Fugiu? Eu aguardo que o apanhe de novo.

Então, já está? Ah, quer ajuda em saber como apanhá-lo de novo! É simples. Dirija-se ao local onde guarda o comer e faça os movimentos que utiliza normalmente quando o alimenta. Ele não vai resistir. Guarde novamente a comida e corra pela casa a fechar portas. Seja mais rápido que o gato! Essa ginástica anda mal! Limite-lhe o espaço. Agora traga a toalha até ao gato, visto que, se Maomé não vai à montanha, vai esta a Maomé. Atire-a para cima do gato e, enquanto ele está sem ver, embrulhe-o de novo!

Tenha calma! Eu sei que escalar uma montanha é mais simples. Você consegue!

Agora com o gato totalmente embrulhado, com as garras presas dentro da toalha, coloque-o no seu colo como se fosse um bebé a quem está a tentar dar um biberão. Foi uma comparação triste, mas a posição é igual.

Com uma mão segure a extremidade de cima da toalha, de forma a garantir que as garras não saem lá de dentro. Com a outra abra a boca da fera. Note que, tem de ser sempre mais rápido que o gato e tem de o surpreender. Ao contrário do que se diz, eles têm uma memória excelente e gravam cada gesto nosso para a posterioridade. Após abrir a boca da fera, atire o comprimido lá para dentro e tente acertar para a entrada da garganta (a parte final da lí­ngua). Feche a boca e permaneça com a mão a segurar-lhe as mandíbulas. Seja rápido! O processo abrir boca, atirar o comprimido e fechar boca deve levar, no máximo, cinco segundos! Se não atingir estes tempos, não nos responsabilizamos pela integridade das suas mãos e dedos.

Agora, enquanto segura a boca da fera, faça-lhe festas com a outra mão. Tenha cuidado para ele não espernear. Não o solte por nada que ele lhe tente dizer ou ameaçar! Diga-lhe, calmamente: Engole fofinho, engole! Neste momento, o gato já lhe chamou tudo, menos Mãe. Alguns são muito ordinários nas expressões usadas! Ignore-o. Continue a fazer-lhe festas e a pedir-lhe para engolir.

Entretanto registe mais este conselho: O gato é possuidor de uma inteligência extraordinária. Poderá deparar-se, nesta fase, com dois problemas. Primeiro, o gato engoliu, você solta-o, ele olha para si de longe, cospe o comprimido e vai esconder-se bem longe (tenha presente que nunca mais o apanha). Segundo, o gato faz com que o comprimido deslize pelos cantos da boca e terá de lhe dar outro e repetir todo o processo. Para evitar ambas as situações. Abra-lhe a boca, puxe-lhe a língua e verifique onde anda o comprimido. Se estiver de lado, empurre-o de novo para a entrada da garganta. Cuidado com os seus dedos.

Não tenha pressa. Não pode ter pressas. Tem de mostrar ao gato que aquele é o destino dele e ele terá de o aceitar!

Verifique de novo, com o máximo dos cuidados. Já viu debaixo da língua? Dos lados? Por cima? Não está lá nada? Então solte-o com uma festinha e um obrigado.

Tem mais gatos? Pois, esse é o grande problema de muitos de nós. Como já notou, os outros estão no chão, a uma distância segura, a seguir a operação com um olhar incrédulo. Estão totalmente assustados com este filme de terror e acusam-no de ser MAU! Prepare-se, quando libertar a primeira fera, para correr bastante atrás dos demais. Não vai ser tão fácil, mas o processo é igual. Vai descobrir que eles estão em excelente forma e que são bastante hábeis na arte de bem esconder.

Você consegue! Tenha sempre em atenção que este desporto poderá causar-lhe, a si, desde lesões ligeiras a bastante graves!

No próximo "post" sobre desportos radicais, abordaremos o tema: O Desporto Radical de dar banho a um gato.

16 novembro 2003

Andava eu, outra vez, nas minhas viagens pela Blogosfera quando vi um testezito que não resisti a fazer.

E cá está:

A verdadeira personalidade da Xocolaty. Se eu fosse um Deus grego seria a linda e brilhante Athena, mãe e guardiã da cidade de Atenas.

Athena
Athena


?? Which Of The Greek Gods Are You ??
brought to you by Quizilla

Estou de facto, deveras, estonteantemente... maravilhada!!!

Mensagem

"Se as coisas são feitas para serem usadas
E as pessoas para serem amadas, porque amamos
as coisas e usamos as pessoas?"

Autor Desconhecido

Amor

Hoje pedi à Lua que me ajudasse a encontrar-te.
Fico satisfeita por saber que és feliz, sem mim!
O meu Amor transcende o físico e a posse,
o meu Amor é simplesmente ser feliz quando és feliz!

15 novembro 2003

E agora aperto o quê?

Esta noite, no âmbito da "Operação Magusto", a G.N.R. e a P.S.P. apreenderam 32 viaturas pela falta de seguro.

É caso para perguntar:

- Sr. Primeiro Ministro já não tenho cinto! E agora aperto o quê?

Mais opiniões

Andava por ai a navegar, pela cada vez maior Blogosfera, quando dou de caras com a Nova Frente .

Gostei da ideia da SPortugal. Compramos acções da nova sociedade.

Tudo em prol dum país 100% privatizado e capitalizado!

Opiniões, todos as temos

Ontem fui acusada, por um grande crítico social e literário de ser demasiado poética e pouco realista.
Pedi-lhe para exemplificar e ele não quis. Teve medo das contra-argumentações. Eu sei que sou uma mestra na contra-argumentação e que os críticos, que o são por berço, sentem-se intimidados quando lhes pedimos provas, factos.

Mas fiquei a pensar na crítica. Porque uma crítica é uma crítica e deve ser sempre levada a sério, independentemente da boca por onde sai. Sonhei inclusive com o assunto. Fiz um exercício que uso há muito. Adormeci com uma frase que resume o problema. Sonhei com as várias perspectivas da situação e acordei com a única solução que foi cientificamente provada em sonhos.

Analisemos então a situação. Escrevo de dor e a vida não é só dor. Não apresento soluções para os casos que revelo. Deixo a conversa a meio? Não! Então porque não nomeio as situações? Na semana passada fiz um teste que a Bomba Inteligente publicou. A ideia era ver qual a minha tendência política. Coisa que sempre me deixou curiosa, pois não tenho partido, não consigo simpatizar com um único político e voto pelo direito que me é constitucionalmente garantido, pela ideia que ao menos este ainda me deixam exercer.

Juntei as peças do puzzle e, meu caro crítico, cheguei às seguintes conclusões:

Estou na linha da esquerda pacifista, denominada liberal. Para teres uma ideia, naquelas coordenadas estão dois Senhores muito importantes para a História do Mundo, o Dalai Lama e o Gandhi. Não me parece que eles, alguma vez, tenham sido agressivos. Muito pelo contrário, sempre defenderam o entendimento dos povos e a Paz. Pagaram-no caro com críticas como essa e com piores. Não me comparo a nenhum deles, porque não posso. São monstros da política espiritual. São Guias e não Líderes. É esta a questão!

O meu discurso foi-me ensinado pelo meu Mestre. Não interessam nomes. Interessam factos. Sabes que ele nunca me respondeu a uma pergunta que lhe tenha colocado? Sabes então explicar-me como aprendi? Ele lançou-me as várias hipóteses e deixou-me escolhê-las, orientando-me e dando-me conselhos. Escolhi as respostas correctas para mim, visto não haver uma verdade absoluta. Um Guia é um orientador e não um ditador.

Meu querido crítico, indo mais além no discernimento das tuas palavras e da pessoa que és, concordo contigo. Porque do teu lugar ao Sol, muito bem plantado, é-te difícil ver todas as faces da moeda. Aliás, concordemos que dá trabalho. Pegar na moeda, virá-la e enfrentar o desconhecido como algo bom, como mais uma coisa que se pode aprender. É mau!

Mas para quem nasceu para aprender, tudo é bom, incluindo a tua ausência. Essa foi excelente. Graças a ti, aprendi a andar e a pensar sozinha. Cada vez que escrevo um texto, cada vez que quero transmitir uma ideia, faço-o com o coração e deixo o leitor interpretar da forma que entender. Cada um usa a verdade que melhor lhe servir e só não vê quem não quer!

Por isso, meu querido crítico, muito obrigada pela tua deixa. É sempre bom ouvir as opiniões dos outros. Elas abrem-nos novos horizontes e podemos sempre aprender com elas! Sempre! Não te dou conselhos, porque também aprendi, há muito, que não os queres seguir! É difícil desistir das ideias pre-concebidas pelo método da experimentação. É mais fácil e prático transformá-las em Dogmas. Se me permites, tu és um grande Dogma!

Beijos para ti. Ahhh, é verdade, para a próxima publica o comentário. Pois este é um Blog democrático onde cada um é livre de ter a sua opinião e a tua completa-nos.

14 novembro 2003

Coisas da vida...

Ontem fui ao funeral do pai de uma amiga, que já não via há muito.
Perdemos o contacto devido às circunstâncias da vida.
Não me sai da cabeça a cara de espanto dela, ao ver-me.
Também não me sai da cabeça esta frase:

Amigos são aqueles que estão presentes quando precisamos, sem os chamarmos.

E acreditem, chorei pela dor dela, como se nunca tivessemos parado de nos falar!

...Magia...

O Poeta é um Mago
Que, com a caneta,
Traça Magia numa folha de papel...

E apaixona quem o lê!

O Pintor é um Mago
Que, numa tela, cria símbolos
E elege cores que hipnotizam...

E encanta quem o vê!

O Escultor é um Mago
Que, com as mãos, manipula
os elementos da Natureza...

E seduz quem o sente!

A Bailarina é uma Feiticeira
Que, com o corpo, cria Rituais
Que nos iluminam...

E sonha quem a vê!

SEXTA FEIRA, PORÉM 14, E O MEU AMIGO MORTO

Chegámos ao fim de mais uma semana cheia de notícias, umas inquietantes, outras nem por isso.
Tivemos os voluntários da GNR a partir para o Iraque onde vão hipotecar a vida por mais uns euros mensais para acabar de pagar a casa e o carro; tivemos o Ferro Rodrigues de coração aberto, a sangrar de indignação; tivemos, soube há pouco, um jornalista da TSF raptado no Iraque. Sei também que vamos ter proximamente nas bancas o livro de memórias de Rosa Casaco, um gajo porreiro que mais não foi do que uma vítima traída pelo regime e que dá para entender que até nutria uma profunda afeição pelo Humberto Delgado.
Entretanto, à hora do almoço, tive, sentado na mesa ao meu lado, um tipo com cara de pessoa de estudos, que durante quase meia hora fez a apologia apaixonada da Manuela Ferreira Leite que ele acha que foi uma dádiva de Deus que nos caiu do céu. Chato para ela que caiu de cara.
E então lembrei-me do meu amigo há muito morto que costumava dizer que não tinha pachorra para mulheres mal vestidas de cara e de cu. E depois lembrei-me de um poema do José Tolentino Mendonça, que sempre achei ser a "cara" do meu amigo e de muitos de nós, às vezes:

Certas manhãs chegava
esmagado pela luz
longo, frívolo, ofensivo
qualquer gesto aludia
a uma espécie de tremor
a tristeza daqueles que não pertencem
a lugar algum

vivia tudo num instante:
a solidão, os rancores
as alegrias dos outros
o silêncio do outono

nunca o amor tocara o seu corpo
com a intensidade do medo
tornou-se parte de um rito
nem perto, nem longe
da palavra justa

ele só pedia
"não me digam nada"

Posso escolher?

Não quero uma flor...
Quero um sorriso!