Recordo com saudade os passeios na praia, nas tardes de chuva.
Nós dois de mão dada a cheirar o ar, a rir e a sentir a chuva que nos regava a felicidade.
Sabes o que descobri há pouco?
A felicidade é um momento. Apenas um momento.
Mas faz-nos ter coragem para enfrentar a vida toda!
13 novembro 2003
"Enquanto ...
...não alcançares a verdade, não poderás corrigi-la.
Porém, se não a corrigires, não a alcançarás.
Entretanto, não te resignes."
Do livro dos Conselhos
Porém, se não a corrigires, não a alcançarás.
Entretanto, não te resignes."
Do livro dos Conselhos
12 novembro 2003
Dás-me um sorriso?
Maria, chamemos-lhe assim, não se lembra da idade. Acha, pelas contas dela e de quem a ouve, que deve ter passado os 50. Tem a pele gasta, enrugada pelo sol e pela vida dura da rua. Não tem família, aliás, não se lembra que tem. Teve um filho em tempos, talvez...lembra-se vagamente de um bebé embalado nos seus braços.
Seja de Verão ou de Inverno, faça chuva, Sol ou Lua, lá está a Maria na Rua do Ouro. É a casa dela. Chama a rua de casa. Chama a caixa de cartão de cama e transporta-a como se fosse um tesouro. E não é? O seu tesouro abriga-a do frio e esconde-a dos olhares de quem passa. Preenche os dias e as noites a transportar sacos de supermercado, cheios de outros sacos lá dentro. Corre a Baixa de lés a lés. Foge dos Senhores e das Senhoras que a olham com reprovação. Tem medo. Diz-me com um olhar de medo: Uns não me vêem. Passam apressados por mim para uma vida que não têm. Evitam-me. Têm medo que isto se pegue e têm medo de ficar assim! Outros, batem-me e tentam roubar-me os meus tesouros.
É mulher, embora não saiba o que é isso há muito tempo. Chamam-me maluca...diz ela de boca quase fechada, escondendo-nos os dentes que não tem. Dizem que cheiro mal! Fogem de mim, chora a Maria sem verter uma única lágrima. Já as perdeu há muito. Secou-lhe a fonte das lágrimas não se lembra quando. Há muito!
Maria não tem casa, não tem família e tem por amigos os companheiros de infortúnio. Não tem carinho, não tem um sorriso e não se lembra da palavra Amor. Mas a Maria já foi como cada um de nós. Sim, a Maria também já foi uma mulher com casa, com família, com "amigos".
A diferença que nos separa da Maria é uma linha suave ... muito suave. Situa-se onde acaba a vida e começa a Solidão!
Um sorriso para ti, Maria!
Seja de Verão ou de Inverno, faça chuva, Sol ou Lua, lá está a Maria na Rua do Ouro. É a casa dela. Chama a rua de casa. Chama a caixa de cartão de cama e transporta-a como se fosse um tesouro. E não é? O seu tesouro abriga-a do frio e esconde-a dos olhares de quem passa. Preenche os dias e as noites a transportar sacos de supermercado, cheios de outros sacos lá dentro. Corre a Baixa de lés a lés. Foge dos Senhores e das Senhoras que a olham com reprovação. Tem medo. Diz-me com um olhar de medo: Uns não me vêem. Passam apressados por mim para uma vida que não têm. Evitam-me. Têm medo que isto se pegue e têm medo de ficar assim! Outros, batem-me e tentam roubar-me os meus tesouros.
É mulher, embora não saiba o que é isso há muito tempo. Chamam-me maluca...diz ela de boca quase fechada, escondendo-nos os dentes que não tem. Dizem que cheiro mal! Fogem de mim, chora a Maria sem verter uma única lágrima. Já as perdeu há muito. Secou-lhe a fonte das lágrimas não se lembra quando. Há muito!
Maria não tem casa, não tem família e tem por amigos os companheiros de infortúnio. Não tem carinho, não tem um sorriso e não se lembra da palavra Amor. Mas a Maria já foi como cada um de nós. Sim, a Maria também já foi uma mulher com casa, com família, com "amigos".
A diferença que nos separa da Maria é uma linha suave ... muito suave. Situa-se onde acaba a vida e começa a Solidão!
Um sorriso para ti, Maria!
...Perguntas (Im)Pertinentes..no Correr da História...
"...e eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ganância crapolosa, à desgraça invencível, à miséria absoluta, para produzir um rico."
Almeida Garrett
Almeida Garrett
Trivialidades Mundanas...
Chegas a uma discoteca com os teus amigos, olhas em frente e vês o homem mais bonito que alguma vez te passou pela frente.
Olhas para ele, ele olha para ti!
Zás!
Surge a química!
Ficas maravilhada, beliscas-te.
Sim é verdade, está a acontecer!
Ele oferece-te um ramo de rosas vermelhas...assim sem mais nem menos...sem uma única palavra.
Beija-te a mão.
E tu pensas: Deus, finalmente reparaste nesta Tua filha.
De repente, os chatos dos teus amigos puxam-te para dançar,
Perdes o contacto visual com o desconhecido.
Ele procura-te, tu procura-lo...e nada!
E tu a fazeres figura de parva com um ramo de rosas vermelhas na mão a olhar à volta, tipo radar, e...NADA!
Quando dás por ti, tens outro fulano, a dançar colado a teu lado. Feio, chato e sem uma única conversa de jeito.
Neste momento pensas: Deus, eu estou aqui! Olha de novo para aqui! ÓH Deus???... Deus?? Fugiste??
Entretanto, o homem (chamemos-lhe, dos teus sonhos) olha para ti, desiludido.
Estás acompanhada!
Estás?
Não estou nada!
O "acrescento" que se juntou à tua noite de sonho, está a meter conversa com os teus amigos e está íntimo.
Quer trocar de telefones contigo.
Tu dizes: Não posso dar-te o meu telefone. Não tenho! Mas ele faz-se de parvo...não entende ou não quer entender?
A raiva aumenta.
O sonho de uma noite linda transforma-se num pesadelo.
Que fazes?
Qual a tua solução para esta história?
Eu procurei o sonho, agradeci-lhe as flores, despachei o "cromo", dei uma valente lição de moral aos amigos e saí sozinha da discoteca, de nariz arrebitado e com vontade de esganar o mundo...mas com as flores em punho, claro!
Não é todos os dias que me vejo numa noite em que um lindo desconhecido me oferece flores!
Olhas para ele, ele olha para ti!
Zás!
Surge a química!
Ficas maravilhada, beliscas-te.
Sim é verdade, está a acontecer!
Ele oferece-te um ramo de rosas vermelhas...assim sem mais nem menos...sem uma única palavra.
Beija-te a mão.
E tu pensas: Deus, finalmente reparaste nesta Tua filha.
De repente, os chatos dos teus amigos puxam-te para dançar,
Perdes o contacto visual com o desconhecido.
Ele procura-te, tu procura-lo...e nada!
E tu a fazeres figura de parva com um ramo de rosas vermelhas na mão a olhar à volta, tipo radar, e...NADA!
Quando dás por ti, tens outro fulano, a dançar colado a teu lado. Feio, chato e sem uma única conversa de jeito.
Neste momento pensas: Deus, eu estou aqui! Olha de novo para aqui! ÓH Deus???... Deus?? Fugiste??
Entretanto, o homem (chamemos-lhe, dos teus sonhos) olha para ti, desiludido.
Estás acompanhada!
Estás?
Não estou nada!
O "acrescento" que se juntou à tua noite de sonho, está a meter conversa com os teus amigos e está íntimo.
Quer trocar de telefones contigo.
Tu dizes: Não posso dar-te o meu telefone. Não tenho! Mas ele faz-se de parvo...não entende ou não quer entender?
A raiva aumenta.
O sonho de uma noite linda transforma-se num pesadelo.
Que fazes?
Qual a tua solução para esta história?
Eu procurei o sonho, agradeci-lhe as flores, despachei o "cromo", dei uma valente lição de moral aos amigos e saí sozinha da discoteca, de nariz arrebitado e com vontade de esganar o mundo...mas com as flores em punho, claro!
Não é todos os dias que me vejo numa noite em que um lindo desconhecido me oferece flores!
11 novembro 2003
Pequeno Poema
.
Quando eu nasci,
ficou tudo com estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Sòmente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama, Serra-Mãe
Quando eu nasci,
ficou tudo com estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Sòmente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama, Serra-Mãe
ausência
Tenho estado ausente. O meu amado computador, companheiro de jornada, caixinha mágica sobre a vida, sim o meu amigo que tantos amigos me tem apresentado, está doente: deu-lhe uma coisinha má. Mesmo muito má, pois de repente calou-se, ficou mudo e levaram-mo para ver que raio de coisa foi. Fiquei só. Só e isolada.Triste!!!!
Agora escrevo em computadores alheios, quando calha.
Eu tenho saudades vossas.
doces para toda a blogesfera.
Agora escrevo em computadores alheios, quando calha.
Eu tenho saudades vossas.
doces para toda a blogesfera.
Mãe
Deixa-me voltar ao teu útero;
Deixa-me aconchegar dentro de ti;
Deixa-me dormir aquecida por ti;
Protege-me
Enquanto não passa...
Deixa-me esperar, de novo,
Mais nove meses
Deixa-me tentar de novo...
Depois deles se esquecerem de mim ...
Deixa-me aconchegar dentro de ti;
Deixa-me dormir aquecida por ti;
Protege-me
Enquanto não passa...
Deixa-me esperar, de novo,
Mais nove meses
Deixa-me tentar de novo...
Depois deles se esquecerem de mim ...
As palavras que nunca te direi
.
Peço ao vento que te leve as minhas palavras...
Ele leva-as, mas o mar abafa-as e a chuva apaga-as!
Peço à Lua que tas recite,
Quando à noite fechas os olhos.
O vento diz que sorris,
Quando ele as sopra no teu ouvido...
devagar e baixinho...
A Lua diz que as esqueces de manhã,
Depois de teres viajado com elas...
Peço ao vento que te leve as minhas palavras...
Ele leva-as, mas o mar abafa-as e a chuva apaga-as!
Peço à Lua que tas recite,
Quando à noite fechas os olhos.
O vento diz que sorris,
Quando ele as sopra no teu ouvido...
devagar e baixinho...
A Lua diz que as esqueces de manhã,
Depois de teres viajado com elas...
10 novembro 2003
Poema dedicado à Béu
_
Béu, o teu comentário fez-me pensar muito e, realmente existem outras formas de encarar a Liberdade e/ou a falta dela.
Pela amizade que temos e pelo carinho especial que sinto por ti (pois, como sabes, és a minha irmã companheira das loucuras de adolescência), dedico-te um poema.
Foi-me dedicado há muitos anos pela maravilhosa Melancia e faço minhas as palavras que ela em tempos usou para me animar e para me fazer seguir em frente:
"Para seres grande, sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive."
Ricardo Reis
Um beijinho doce da tua amiga,
Béu, o teu comentário fez-me pensar muito e, realmente existem outras formas de encarar a Liberdade e/ou a falta dela.
Pela amizade que temos e pelo carinho especial que sinto por ti (pois, como sabes, és a minha irmã companheira das loucuras de adolescência), dedico-te um poema.
Foi-me dedicado há muitos anos pela maravilhosa Melancia e faço minhas as palavras que ela em tempos usou para me animar e para me fazer seguir em frente:
"Para seres grande, sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive."
Ricardo Reis
Um beijinho doce da tua amiga,
Angústia
_
Tortura do pensar ! Triste lamento !
Quem nos dera calar a tua voz !
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento !
E não se quer pensar ! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz ! -
O brilho duma estrela, com o vento !...
E não se apaga, não... nada se apaga !
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: "O que te resta ? ..."
Ah! não ser mais que o vago, o infinito !
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de Tigre na floresta !
Florbela Espanca, Sonetos
Tortura do pensar ! Triste lamento !
Quem nos dera calar a tua voz !
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento !
E não se quer pensar ! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz ! -
O brilho duma estrela, com o vento !...
E não se apaga, não... nada se apaga !
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: "O que te resta ? ..."
Ah! não ser mais que o vago, o infinito !
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de Tigre na floresta !
Florbela Espanca, Sonetos
Liberdade - Um outro ponto de vista
Tenho 29 anos. Toda a minha vida ouvi: Tens a idade da Liberdade. És filha da Liberdade e não sabes a sorte que tens!
Nasci 3 meses após o 25 de Abril de 1974. Dizem, os mais velhos, que sou uma filha de Abril. Não sei avaliar o que é a Liberdade, porque simplesmente não vivi o Fascismo. Sei o que me contam e o que leio. Não estudei essa época conturbada e rica da nossa história. Para dizer a verdade, ensinaram-me apenas até à última monarquia. Daí para a frente, o Ministério da Educação não achou pertinente educar-me.
Sou comunista por sangue, socialista por doutrina e sem partido por descrédito no sistema político. Sou aquilo que os ditos governos de liberdade quiseram que eu fosse. Salvo o gosto pela leitura e a curiosidade em saber sempre mais, seria uma iletrada, apaixonada por revistas sentimentais, roupas de marca, homens ricos e sem conteúdo. Seria mais uma deslumbrada pela vida que não existe. Infelizmente para mim, vejo além disso e pago-o caro.
Tenho 29 anos e não sou filha da liberdade. Sou irmã dela! Temos a mesma idade e, se ela tivesse rosto, poderíamos ser gémeas!
Lembro-me nestes anos de vida, poucos para uns e muitos para outros, de ouvir histórias do fascismo. Lembro-me do meu avô operário perseguido pela PIDE por se chamar Lénine. Sim, nasceu na altura da Revolução Russa e o padrinho teve o arrojo de lhe colocar o nome de Lénine. Foi perseguido pelo nome, sem nunca terem investigado as suas opções políticas, sem se preocuparem com o pormenor do Lénine ser analfabeto. Lembro-me de muitas outras histórias, sempre associadas ao mesmo assunto: Tens a sorte de teres nascido em Liberdade!
Nas pesquisas que faço, nos livros que leio, nas opiniões que oiço há sempre um conjunto de perguntas que me ocorrem e que não tenho coragem de perguntar. Onde está a Liberdade? Onde está o ensino que o Estado democrático deve garantir a todos os cidadãos? Onde está a saúde, princípio básico da nossa Constituição? Onde está a Segurança Social que me deveria pagar "ordenado" enquanto estiver desempregada? Onde está a polícia que me deveria proteger do crime? Em conversa com a minha mãe, após ter sido despedida, eu e a empresa quase toda, arranjei coragem de lhe fazer uma simples pergunta: Qual é a diferença entre a Liberdade actual e o fascismo? A minha mãe, comunista por sangue, comunista pela vida e actualmente sem partido por descrédito no sistema prático comunista, respondeu-me: Agora és livre para dizeres que passas fome, antigamente não eras! É esta a Liberdade?
Tenho 29 anos, sou irmã da Liberdade e ambas fomos educadas pelo mesmo padrasto! Ambas temos mãe e ambas temos um pai ausente, sem nome. Ambas somos o fruto de sucessivos governos de compadrio e tachos. Ambas crescemos num sistema de um País a brincar. Ambas somos portuguesas, temos orgulho em sê-lo e ambas andamos à procura do mesmo cantinho. O cantinho da Liberdade.
Ambas somos acusadas de pertencer à geração "X". Bonito nome, não é? Foi o nome dado pela geração que nos fez e nos educou! Pelo simples facto de não nos conseguirem definir!
Que bela vida que nós temos Liberdade? Queres emigrar comigo? Achas que haverá nesse mundo algum cantinho que nos aceite? Licenciadas, portuguesas, desempregadas, conhecimento de várias linguas, informática; Quase trintonas... Achas que haverá algum sítio nesse mundo que nos aceite? Aguentas viver neste País mais quanto tempo? Aguentas que o teu nome seja usado em vão por mais quanto tempo? Aguentas que se comentam mais quantos crimes, injustamente em teu nome? Queres emigrar comigo?
Vamos para outro sítio, não interessa onde! Haverá por certo, algures por esse Planeta um cantinho que não se importe de albergar a Liberdade...
Nasci 3 meses após o 25 de Abril de 1974. Dizem, os mais velhos, que sou uma filha de Abril. Não sei avaliar o que é a Liberdade, porque simplesmente não vivi o Fascismo. Sei o que me contam e o que leio. Não estudei essa época conturbada e rica da nossa história. Para dizer a verdade, ensinaram-me apenas até à última monarquia. Daí para a frente, o Ministério da Educação não achou pertinente educar-me.
Sou comunista por sangue, socialista por doutrina e sem partido por descrédito no sistema político. Sou aquilo que os ditos governos de liberdade quiseram que eu fosse. Salvo o gosto pela leitura e a curiosidade em saber sempre mais, seria uma iletrada, apaixonada por revistas sentimentais, roupas de marca, homens ricos e sem conteúdo. Seria mais uma deslumbrada pela vida que não existe. Infelizmente para mim, vejo além disso e pago-o caro.
Tenho 29 anos e não sou filha da liberdade. Sou irmã dela! Temos a mesma idade e, se ela tivesse rosto, poderíamos ser gémeas!
Lembro-me nestes anos de vida, poucos para uns e muitos para outros, de ouvir histórias do fascismo. Lembro-me do meu avô operário perseguido pela PIDE por se chamar Lénine. Sim, nasceu na altura da Revolução Russa e o padrinho teve o arrojo de lhe colocar o nome de Lénine. Foi perseguido pelo nome, sem nunca terem investigado as suas opções políticas, sem se preocuparem com o pormenor do Lénine ser analfabeto. Lembro-me de muitas outras histórias, sempre associadas ao mesmo assunto: Tens a sorte de teres nascido em Liberdade!
Nas pesquisas que faço, nos livros que leio, nas opiniões que oiço há sempre um conjunto de perguntas que me ocorrem e que não tenho coragem de perguntar. Onde está a Liberdade? Onde está o ensino que o Estado democrático deve garantir a todos os cidadãos? Onde está a saúde, princípio básico da nossa Constituição? Onde está a Segurança Social que me deveria pagar "ordenado" enquanto estiver desempregada? Onde está a polícia que me deveria proteger do crime? Em conversa com a minha mãe, após ter sido despedida, eu e a empresa quase toda, arranjei coragem de lhe fazer uma simples pergunta: Qual é a diferença entre a Liberdade actual e o fascismo? A minha mãe, comunista por sangue, comunista pela vida e actualmente sem partido por descrédito no sistema prático comunista, respondeu-me: Agora és livre para dizeres que passas fome, antigamente não eras! É esta a Liberdade?
Tenho 29 anos, sou irmã da Liberdade e ambas fomos educadas pelo mesmo padrasto! Ambas temos mãe e ambas temos um pai ausente, sem nome. Ambas somos o fruto de sucessivos governos de compadrio e tachos. Ambas crescemos num sistema de um País a brincar. Ambas somos portuguesas, temos orgulho em sê-lo e ambas andamos à procura do mesmo cantinho. O cantinho da Liberdade.
Ambas somos acusadas de pertencer à geração "X". Bonito nome, não é? Foi o nome dado pela geração que nos fez e nos educou! Pelo simples facto de não nos conseguirem definir!
Que bela vida que nós temos Liberdade? Queres emigrar comigo? Achas que haverá nesse mundo algum cantinho que nos aceite? Licenciadas, portuguesas, desempregadas, conhecimento de várias linguas, informática; Quase trintonas... Achas que haverá algum sítio nesse mundo que nos aceite? Aguentas viver neste País mais quanto tempo? Aguentas que o teu nome seja usado em vão por mais quanto tempo? Aguentas que se comentam mais quantos crimes, injustamente em teu nome? Queres emigrar comigo?
Vamos para outro sítio, não interessa onde! Haverá por certo, algures por esse Planeta um cantinho que não se importe de albergar a Liberdade...
09 novembro 2003
A Blogosfera...
Como já devem ter notado...somos "garotas novas no pedaço". O que faz com que não tenhamos muita experência na arte de bem blogar!
No entanto, temos vontade, muita e idéias ... essas nem sem falam. Basta sermos mulheres para possuirmos o dom da criatividade (com a devida modéstia claro)!
O resto, é como tudo na vida, vem com a experiência. A primeira vez é a ansiedade do desconhecido que nem dá para lhe sentir o gosto e o prazer. A segunda já tem um saborzinho a delícia e, daí para a frente, ninguém nos pára!
Foi com alegria que lemos o comentário do António no Portugal Profundo e garanto-vos que corámos com o elogio.
Como somos meninas bem educadas (embora nem sempre bem comportadas) deixamos aqui o agradecimento público ao Portugal Profundo, que faz parte das nossas vidas há alguns meses.
Beijinhos doces ao António!
No entanto, temos vontade, muita e idéias ... essas nem sem falam. Basta sermos mulheres para possuirmos o dom da criatividade (com a devida modéstia claro)!
O resto, é como tudo na vida, vem com a experiência. A primeira vez é a ansiedade do desconhecido que nem dá para lhe sentir o gosto e o prazer. A segunda já tem um saborzinho a delícia e, daí para a frente, ninguém nos pára!
Foi com alegria que lemos o comentário do António no Portugal Profundo e garanto-vos que corámos com o elogio.
Como somos meninas bem educadas (embora nem sempre bem comportadas) deixamos aqui o agradecimento público ao Portugal Profundo, que faz parte das nossas vidas há alguns meses.
Beijinhos doces ao António!
08 novembro 2003
Palavras à Lua
Hoje é noite de Lua Cheia e, quando a vi, recordei a nossa primeira noite...
Lembras-te?
Quando eu, farta dos teus olhares provocadores, avancei na tua direcção e te disse à queima roupa:
- Não nos conhecemos de qualquer lado?
E tu respondeste com o olhar fixo nos meus lábios:
- Desde sempre!
As palavras proferidas à Lua nessa noite ficaram lá gravadas.
Sempre que a vejo, cheia e brilhante, recordo o nosso Amor.
E oiço-a murmurar:
- Desde sempre...
Lembras-te?
Quando eu, farta dos teus olhares provocadores, avancei na tua direcção e te disse à queima roupa:
- Não nos conhecemos de qualquer lado?
E tu respondeste com o olhar fixo nos meus lábios:
- Desde sempre!
As palavras proferidas à Lua nessa noite ficaram lá gravadas.
Sempre que a vejo, cheia e brilhante, recordo o nosso Amor.
E oiço-a murmurar:
- Desde sempre...
Melhor Fruta Educação 2003
Por motivos de Planeamento Interno e Gestão Estratégica, o nosso espaço ontem foi inteiramente dedicado ao Amor pelos dedos da nossa romântica Maçã Assada.
Assim e após estudarmos 9 milhões de candidaturas, estamos prontas a divulgar os 4 nomeados para a Fruta Educação 2003:
1- Zézé Camarinha (temido por nós fémeas como o último macho ibérico), pelo esforço em divulgar a educação do puro sangue made in Portugal por todo o mundo;
2- Zézé Castelo Branco pela divulgação da nova vertente da língua portuguesa, sendo o seu apogeu celebrado com a frase: "Quando eu era piqueno vinhamos pá Európa passar as fêrias gandes!";
3- Nelita Ferreira Lête, pela sua persistência em obrigar os jovens portugueses a estudar (se sairem da escola, não têm trabalho, amores. Estudem muito...);
4- At last but not the least, a Portugal Telecom, pela determinação e boa vontade em demonstrar aos consumidores portugueses que entre o direito à reclamação e o direito à devolução existe um espaço abismal!
Assim e após estudarmos 9 milhões de candidaturas, estamos prontas a divulgar os 4 nomeados para a Fruta Educação 2003:
1- Zézé Camarinha (temido por nós fémeas como o último macho ibérico), pelo esforço em divulgar a educação do puro sangue made in Portugal por todo o mundo;
2- Zézé Castelo Branco pela divulgação da nova vertente da língua portuguesa, sendo o seu apogeu celebrado com a frase: "Quando eu era piqueno vinhamos pá Európa passar as fêrias gandes!";
3- Nelita Ferreira Lête, pela sua persistência em obrigar os jovens portugueses a estudar (se sairem da escola, não têm trabalho, amores. Estudem muito...);
4- At last but not the least, a Portugal Telecom, pela determinação e boa vontade em demonstrar aos consumidores portugueses que entre o direito à reclamação e o direito à devolução existe um espaço abismal!
Breve momento
Quando os nossos olhares se cruzam
E os nossos olhos se fixam...
Sabias que ambos perguntamos e respondemos o mesmo?
Sabias que ambos fazemos de um momento uma vida?
E os nossos olhos se fixam...
Sabias que ambos perguntamos e respondemos o mesmo?
Sabias que ambos fazemos de um momento uma vida?
07 novembro 2003
mais pontos de vista...
Ela - Se eu fosse uma papoila num campo tu colhias-me?
Ele - Sim!
Ela - E quando o vento me levasse por entre os teus dedos, tu choravas?
Ele - Sim!
Ela - Porquê?
Ele - Porque tinhas desaparecido, sem teres sido minha.
Ela - E se todos os dias, sabendo que não me podias colher, me olhasses no campo livre, saudável e bela...choravas?
Ele - Talvez! Porquê?
Ela - Porque não te consigo amar presa nas tuas mãos. Devolve-me a liberdade antes que o vento o faça...
Ele - Sim!
Ela - E quando o vento me levasse por entre os teus dedos, tu choravas?
Ele - Sim!
Ela - Porquê?
Ele - Porque tinhas desaparecido, sem teres sido minha.
Ela - E se todos os dias, sabendo que não me podias colher, me olhasses no campo livre, saudável e bela...choravas?
Ele - Talvez! Porquê?
Ela - Porque não te consigo amar presa nas tuas mãos. Devolve-me a liberdade antes que o vento o faça...
06 novembro 2003
Estou Chocada!
Prenderam o Zézé Castelo Branco, aquele ser finíssimo, elegantérrimo por tráfico de joias no aeroporto!
Pobrezinho! Ele e a Betty no Chilindró!
Bem que ele dizia que nós os portugueses eramos uns mal agradecidos!
Preso, aquele casal de seres perfeitos....ohhhh e agora quem nos vale?
Quem temos nós para mostrar o que é ser BEM?
Não haverá uma lei contra prender seres bonitos?
Estou chocadérrima...
Pobrezinho! Ele e a Betty no Chilindró!
Bem que ele dizia que nós os portugueses eramos uns mal agradecidos!
Preso, aquele casal de seres perfeitos....ohhhh e agora quem nos vale?
Quem temos nós para mostrar o que é ser BEM?
Não haverá uma lei contra prender seres bonitos?
Estou chocadérrima...
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