24 Fevereiro 2006

Carnaval para afugentar as recordações tristes...

A cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, ainda em fase de recuperação depois de ter sido devastada pelo furacão Katrina em agosto passado, deu início nesta sexta-feira ao seu mundialmente famoso carnaval, o primeiro após a tragédia.
Mesmo com as críticas dos que consideram que é ainda muito cedo para celebrar festas, o prefeito da cidade, Ray Nagin, decidiu manter a tradição de inaugurar a sessão do Mardi Gras, doze dias depois do natal, argumentando que é a melhor maneira de demonstrar que a Nova Orleans segue em frente.
As celebrações normalmente se concentram no Bairro Francês, uma das áreas menos destruídas pelo Katrina e pelas inundações que arrasaram o resto do núcleo urbano.
Alguns políticos, respaldados por muitas pessoas que tiveram que deixar suas casas por causa do furacão e ainda não puderam voltar, reagiram com duras críticas à decisão de se abrir oficialmente os festejos.
Nagin disse estar consciente de suas preocupações e objeções, mas decidiu seguir em frente por razões, entre outras, de caráter econômico já que o carnaval é uma das principais fontes de capital para a cidade da Luisiana.
O Mardi Gras, cuja festa principal será celebrada no dia 28 de fevereiro, atrai cerca de 135 mil turistas todos os anos.

23 Fevereiro 2006

Os gatinhos do Laerte...

21 Fevereiro 2006

As palavras coloridas de Cesário...


Naquele "pic-nic" de burguesas,
Houve uma cousa simples bela,
E que sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico,
um ramalhete rubro de papoilas.

Pouco depois, em cima dos penhascos,
nós acampávamos, inda o sol se via;
e houve talhadas de melão, damascos,
e pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
dos teus dois seios como duas rolas,
era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoilas!

( Cesário Verde )

20 Fevereiro 2006

Os pensamentos da Melancia...

Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes

17 Fevereiro 2006

Um poema nesta tarde linda...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

( Fernando Pessoa )

16 Fevereiro 2006

Os pensamentos da Melancia...

Errar é humano. Colocar a culpa em alguém, então ... nem se fala!

14 Fevereiro 2006

Para o Mário...



...neste dia com amor tenho para te dizer o seguinte:

Se uma pessoa diz a outra que a ama, a própria linguagem supõe a expressão "para sempre". Não tem sentido dizer: - Amo-te, mas provavelmente só durará uns meses, ou uns anos, desde que continues a ser simpática e agradável, ou eu não encontre outra melhor, ou não fiques feia com a idade. Um "amo-te" que implica "só por algum tempo" não é um amor verdadeiro. É antes um "gosto de ti, agradas-me , sinto-me bem contigo, mas de modo algum estou disposto a entregar-me inteiramente, nem a entregar-te a minha vida".
O amor é uma planta frágil que temos de ir cuidando durante a vida para que cresça feliz e viçosa.
Mas as dificuldades ultrapassadas e a cumplicidade de muitos anos juntos temperaram o nosso amor.
Decorridos 18 anos, sinto-me muito mais consciente dos sentimentos que nos ligam e mais confiante na plenitude da nossa vida em comum.

13 Fevereiro 2006

Agostinho da Silva ...

...os conselhos do filósofo:
"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se a1guns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”

(Agostinho da Silva, "Cartas a um jovem filósofo")

Um homem diferente...



Comemora-se este ano o Centenário do nascimento de Agostinho da Silva, por iniciativa conjunta dos Governos português e brasileiro e da Associação Agostinho da Silva. Figura absolutamente ímpar da cultura luso-brasileira, Agostinho da Silva deixou, entre a sua vinda ao mundo, a 13 de Fevereiro de 1906, e a sua partida dele, no domingo da Ressurreição, em 3 de Abril de 1994, uma vida exemplar e pujante de pensamento e acção: das traduções e estudos clássicos à educação popular, da insubmissão perante o antigo regime à prisão e auto-exílio no Brasil, da fundação de universidades e centros de estudos ao aconselhamento de presidentes, governos e políticas culturais, da criação de vasta rede de amizades em todo o mundo à partilha dos recursos com os mais necessitados, do domínio de múltiplas línguas à publicação de imensa obra pedagógica, científica, literária e filosófica, da conversão da casa de Lisboa em tertúlia aberta à intensa e viva presença mediática.

Espírito livre, inconformista e original em todos os domínios, colocou as ideias e a vida ao serviço do pleno cumprimento de todas as possibilidades humanas. Em conformidade, e na linha de Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Jaime Cortesão, intuiu a superior vocação da cultura portuguesa, brasileira e lusófona como a de oferecer ao mundo o seu espírito fraterno e universalista, contribuindo para a criação de uma comunidade ético-espiritual mundial onde se transcendam e harmonizem as diferenças nacionais, culturais, políticas e religiosas. Inspirador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), antecipou a urgência da ética animal, bem como da consciência ecológica e ecuménica, propondo um verdadeiro diálogo inter e trans-cultural, inter e trans-religioso, entre o Norte e o Sul, o Ocidente e o Oriente, como forma de superar preconceitos e antinomias que sempre resultam em desarmonia, opressão e guerra. Pensador do terceiro milénio, é hoje referência incontornável da cultura lusófona e do debate de ideias que, num ciclo conturbado da civilização, pode promover um novo Renascimento integral e planetário.


(Comissão das Comemorações do Centenário e Associação Agostinho da Silva)

10 Fevereiro 2006

Os pensamentos da Melancia...

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O navio é seguro quando está no porto. Mas não é para isso que se fazem navios.

Os Jogos Olímpicos de Inverno...



Danny Silva o homem-esqui

Nascido em Nova Jersei mas criado na Marinha Grande qualificou-se para ser o oitavo português a participar nos Jogos Olímpicos de Inverno. Mais do que grandes resultados, luta para inaugurar a prática de um novo desporto que considera adequado à capacidade de resistência e ao gosto pela patinagem dos jovens compatriotas.

«Português? Mas há neve em Portugal?»

Esta é uma pergunta recorrente que Danny Silva ouve quando se desloca ao estrangeiro para competir ou treinar. Para simplificar, podia responder que não, que apenas é português por afinidade e que aprendeu tudo nos Estados Unidos, mas não estaria a falar verdade. Por isso, afirma que não só há neve, como existe uma pista de crosse e esquis para alugar na Serra da Estrela, e que se sente hoje, vivendo no centro do Ribatejo, entre vinhas e gado bravo, o mais lusitano dos lusitanos, temperado geneticamente pelo casamento de um transmontano de Mesão Frio com uma atlântica de São Martinho do Porto. A mesma capacidade de adaptação ao calor e ao frio, à neve e ao alcatrão, que lhe permite fazer de conta diariamente nas estradas da lezíria que está a escorregar pelas encostas nevadas de Turim.

09 Fevereiro 2006

Leitura...


Descartes


A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os melhores espíritos dos séculos passados, que foram os seus autores, e até uma conversa estudada, em que eles só nos revelam os seus melhores pensamentos.

Descartes in "Discurso do Método"

03 Fevereiro 2006

O Vaticano tenta novo rumo...

Deus Caritas Est é a encíclica de um Papa que entendeu e digeriu a secularização do mundo, mas que também vê na falência das ideologias uma nova oportunidade para a Igreja. Nesse sentido, é um documento inteligentíssimo, que evita cuidadosamente todos os temas polémicos que contaminam a relação do Vaticano com a cultura laica para se centrar naquilo que é o fundamento da fé cristã, e que qualquer sociedade civilizada dificilmente rejeitará a necessidade do amor e da caridade.
Na sua primeira encíclica, Bento XVI sublinha o que muitos há muito esperam ouvir. Que o amor carnal (eros) não pode ser separado do amor espiritual (agape), ainda que o eros necessite de "disciplina" e "purificação". Que a Igreja "não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado", "mas também não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça". Que a "caridade cristã deve ser independente de partidos e de ideologias", porque é precisamente daí que advém a sua força diante das dificuldades causadas pela "globalização da economia", "a doutrina social da Igreja tornou-se uma indicação fundamental", que pode chegar "muito além das fronteiras eclesiais".
Não admira que a esquerda tenha acolhido a encíclica com entusiasmo. Retirem-lhe as citações bíblicas e muitos dos seus parágrafos poderiam ter sido lidos em voz alta no Fórum de Porto Alegre. Bento XVI cita Santo Agostinho "Um Estado que não se regesse segundo a justiça reduzir-se-ia a um bando de ladrões." Mas ao velho marxismo, que o Vaticano ajudou a enterrar, o novo Papa contrapõe um modelo liberal: "Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie as iniciativas que nascem das diversas forças sociais."Com o mundo num impasse político, entalado entre fundamentalismos vários e um modelo capitalista que agrada a poucos, Bento XVI pressentiu uma janela de oportunidade. Em vez de se ocupar a impor regras morais aos homens, preferiu realçar a necessidade de fazer o bem. Deus Caritas Est é a terceira via do Vaticano uma viragem à esquerda de matriz liberal, com a qual o Papa tenta conquistar um mundo insatisfeito e carente de orientações.
( João Miguel Tavares - DN de hoje )

02 Fevereiro 2006

Os pensamentos da Melancia...

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Pela meditação se ganha a sabedoria; pela falta de meditação se perde a sabedoria. Se o homem conhece este duplo caminho de ganho e perda, coloque-se naquele em que a sabedoria aumenta.