22 Janeiro 2004

A VÃ GLÓRIA DE RIMAR

De sílabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.

Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A Poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um Poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
e poesia o que tem de ser é orgasmo.

POESIA-ORGASMO, José Carlos Ary dos Santos

"O nome de Ary dos Santos diz-lhe alguma coisa?" perguntou o Diário de Notícias aos portugueses, em jeito de homenagem ao poeta no vigésimo aniversário da sua morte.
Triste mas previsivelmente, a maioria não sabia quem tinha sido Ary dos Santos.
No entanto, os portugueses sabem tudo sobre futebol - leem regularmente a Bola ou o Record; as portuguesas sabem tudo sobre casamentos e divórcios, traições e disfunções- leem regularmente a Maria, a Holla e outras perversões.
Só não sabem quem foi Ary dos Santos.
Que falta nos tem feito o José Carlos!!!

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