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Chamava-se Ana Raquel. Tinha 10 anos. Há pouco mais de um ano um médico informou os pais que seria necessário fazer-lhe uma operação à garganta para resolver alguns problemas de infecções nas vias respiratórias aéreas. Ficou em lista de espera.
Na semana passada foi chamada para ser internada no Hospital Amadora - Sintra. Ia finalmente ser operada.
O pai levou-a. Antes de ela entrar e ao despedirem-se, beijou-a amorosamente e disse-lhe baixinho: vai correr tudo bem.
Algum tempo depois da operação um médico veio comunicar-lhe que a sua menina não tinha acordado da operação. Estava em morte cerebral.
Esteve assim quatro dias, depois partiu.
O pai não se conforma com a morte da sua menina. Chora e pergunta porquê.
Ainda não sabe de que morreu a menina que era a sua filha mais nova.
Ana Raquel , não te conheci, não quis ver a tua foto nas mãos do teu pai, mas vou recordar-te sempre como um anjo que partiu, serenamente, olhando com amor os que eventualmente por erro mataram as tuas células cerebrais.
Não queria estar na pele daqueles médicos. Como conseguirão dormir daqui para a frente?
Adeus Ana Raquel.
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