.
Mais uma vez vamos fechar a loja por dois dias. Dias 31 de Dezembro e 1 de Janeiro estamos encerradas para inventário.
Mas voltamos. Ah podem crer que voltamos!
Feliz 2004 para todos e... aproveitando as deixas da doce Gelatina...
Um beijinho muito doce para ti! ....
Sim para ti!
Vês aqui mais alguém? É óbvio que me refiro a ti!
XuacK
30 Dezembro 2003
Antes
.
Foram Cactos, foram Rosas;
Foi Doce e foi Amargo;
Foi Amor e Dor.
Foi tudo e,
No entanto,
Não foi nada.
Foi Alegria e Tristeza;
Foram Sorrisos e Lágrimas;
Foi Amor e Dor.
Não fui eu,
Mas também,
Não foste tu.
Foram Promessas e Desculpas;
Foram Beijos e foram Gritos;
Foi Amor e Dor.
Fomos Nós!
(Foi apenas o nosso 2003. Desejo que 2004 seja muito, mas muito melhor)
Foram Cactos, foram Rosas;
Foi Doce e foi Amargo;
Foi Amor e Dor.
Foi tudo e,
No entanto,
Não foi nada.
Foi Alegria e Tristeza;
Foram Sorrisos e Lágrimas;
Foi Amor e Dor.
Não fui eu,
Mas também,
Não foste tu.
Foram Promessas e Desculpas;
Foram Beijos e foram Gritos;
Foi Amor e Dor.
Fomos Nós!
(Foi apenas o nosso 2003. Desejo que 2004 seja muito, mas muito melhor)
Nota de Memórias Passadas nº 2003
Amanhã acaba mais um ano, mas não acaba a minha esperança de poder viver tudo o que tenho direito.
Desejo que 2004 traga:
- Liberdade para sorrir;
- Liberdade para ter saúde;
- Liberdade para estudar;
- Liberdade para ler;
- Liberdade para escolher;
- Liberdade para viver;
- Liberdade para amar;
- Liberdade para todas as crianças que desejam sê-lo.
Em 2004, voltarei para recordar o quanto os políticos não nos merecem!
Desejo que 2004 traga:
- Liberdade para sorrir;
- Liberdade para ter saúde;
- Liberdade para estudar;
- Liberdade para ler;
- Liberdade para escolher;
- Liberdade para viver;
- Liberdade para amar;
- Liberdade para todas as crianças que desejam sê-lo.
Em 2004, voltarei para recordar o quanto os políticos não nos merecem!
Bem, resta-me...
...agradecer ao Nauta este mail que me fez rir à gargalhada:
...e dizer que eu também queria uma blusa onde exibisse:
"Feline Fan Club"
...e dizer que eu também queria uma blusa onde exibisse:
"Feline Fan Club"
Introspecção
2003 foi, sem dúvidas, o ano mais intenso da minha vida. Os que me conhecem sabem que tenho vivido de forma bastante intensa. De tal forma que, por palavras da Melancia, estou a sair pela porta da última carruagem do comboio e ainda existem pessoas à espera dele na estação. Este ano, que acaba amanhã, foi isso. Foi uma viagem pela minha vida de T.G.V. e, todos os dias, rezo para que acabe amanhã.
Desejo que 2004 seja um ano mais calmo e que consiga atingir o discernimento necessário para ponderar a vida. Viver intensamente também cansa. Que o digam os meus amigos que, quando levam um ano sem me ver e me perguntam como vai a vida, eu levo quatro ou cinco horas a actualizá-los com os acontecimentos de um ano e eles apenas me ouvem de boca aberta. A sorte é que são realmente bons amigos e gostam de ouvir histórias, ao ponto de as lerem quase todos os dias neste Blogue.
Essa é a minha grande vitória de 2003! Os meus amigos. Os de infância, os de juventude, os dos anteriores trabalhos, os dos copos, os da Blogosfera, os que ainda não sabem que têm um cantinho dentro do meu coração, os que eu ainda não descobri, as minhas loucas companheiras de Blogue… enfim, o mundo que construí à minha volta, ou o mundo de gente que me aceitou nas suas vidas.
No meio da grande introspecção que foi 2003 (das gargalhadas e dos choros, dos nascimentos e das mortes, dos intensos momentos de amor e também intensos de dor, dos projectos realizados e por realizar, da esperança e do desespero), sinto-me feliz. Apenas posso agradecer-vos o cuidado que têm tido em segurar-me para não cair mais fundo. Não existe vocabulário no mundo que descreva o que sinto, a felicidade que tenho em ter-vos como amigos. Por muita emoção que marque os meus textos, garanto-vos que estou sem palavras para retribuir.
Apesar de saber que 2004 nada trará de frutífero para a economia nacional, desejo do fundo do meu coração que todos nós nos encontremos por dentro, que consigamos respeitar os outros, que consigamos enriquecer da única forma realmente válida…por dentro. Peço para 2004 que todos os perdidos se encontrem, que todos os mal amados amem sem medo, que todos os egoístas saibam dar e que todos recebam o que merecem e entendam o porquê.
No fundo desejo que todos nós tenhamos direito a um sorriso por dia, que nos abra o coração para também sorrir a quem precise!
Desejo que 2004 seja um ano mais calmo e que consiga atingir o discernimento necessário para ponderar a vida. Viver intensamente também cansa. Que o digam os meus amigos que, quando levam um ano sem me ver e me perguntam como vai a vida, eu levo quatro ou cinco horas a actualizá-los com os acontecimentos de um ano e eles apenas me ouvem de boca aberta. A sorte é que são realmente bons amigos e gostam de ouvir histórias, ao ponto de as lerem quase todos os dias neste Blogue.
Essa é a minha grande vitória de 2003! Os meus amigos. Os de infância, os de juventude, os dos anteriores trabalhos, os dos copos, os da Blogosfera, os que ainda não sabem que têm um cantinho dentro do meu coração, os que eu ainda não descobri, as minhas loucas companheiras de Blogue… enfim, o mundo que construí à minha volta, ou o mundo de gente que me aceitou nas suas vidas.
No meio da grande introspecção que foi 2003 (das gargalhadas e dos choros, dos nascimentos e das mortes, dos intensos momentos de amor e também intensos de dor, dos projectos realizados e por realizar, da esperança e do desespero), sinto-me feliz. Apenas posso agradecer-vos o cuidado que têm tido em segurar-me para não cair mais fundo. Não existe vocabulário no mundo que descreva o que sinto, a felicidade que tenho em ter-vos como amigos. Por muita emoção que marque os meus textos, garanto-vos que estou sem palavras para retribuir.
Apesar de saber que 2004 nada trará de frutífero para a economia nacional, desejo do fundo do meu coração que todos nós nos encontremos por dentro, que consigamos respeitar os outros, que consigamos enriquecer da única forma realmente válida…por dentro. Peço para 2004 que todos os perdidos se encontrem, que todos os mal amados amem sem medo, que todos os egoístas saibam dar e que todos recebam o que merecem e entendam o porquê.
No fundo desejo que todos nós tenhamos direito a um sorriso por dia, que nos abra o coração para também sorrir a quem precise!
Confissão
Hoje estou triste... disseram-me que me viste passar e que tiveste medo de mim...
...sabes, eu também tenho medo de ti! Tenho medo que não me deixes ser livre e viver pela floresta...
Eu sei que tenho este olhar predador, este rosnar forte, esta boca grande...
Mas peço-te, olha-me melhor...
Vês?... Esta lingua para te lavar... Este ronronar alto e forte, apenas para gritar a toda a floresta que Te Amo!
Vês estes olhos verdes doces?
Dá-me um beijinho e deixa-me amar-te!
Ofereço-te esta fotografia:
A minha melhor pose de Gata, para ti!
(o meu album fotográfico está disponível aqui)
...sabes, eu também tenho medo de ti! Tenho medo que não me deixes ser livre e viver pela floresta...
Eu sei que tenho este olhar predador, este rosnar forte, esta boca grande...
Mas peço-te, olha-me melhor...
Vês?... Esta lingua para te lavar... Este ronronar alto e forte, apenas para gritar a toda a floresta que Te Amo!
Vês estes olhos verdes doces?
Dá-me um beijinho e deixa-me amar-te!
Ofereço-te esta fotografia:
A minha melhor pose de Gata, para ti!
(o meu album fotográfico está disponível aqui)
29 Dezembro 2003
Muita Pena...
.
Tenho pena de todas as crianças que deixaram de sorrir...
Tenho pena de todos os homens que decidiram acabar com infâncias...
Tenho ainda mais pena de todos os que não fizeram, não fazem, nem farão nada para ajudar no sorriso de uma criança que nasceu pobre e condenada à miséria social e moral...
Tenho mesmo muita pena!
Tenho pena de todas as crianças que deixaram de sorrir...
Tenho pena de todos os homens que decidiram acabar com infâncias...
Tenho ainda mais pena de todos os que não fizeram, não fazem, nem farão nada para ajudar no sorriso de uma criança que nasceu pobre e condenada à miséria social e moral...
Tenho mesmo muita pena!
Nota para memória futura nº 30
Pergunto-me se, todos os envolvidos no molestamento de crianças do processo Casa Pia, não incriminados, dormirão descansados?
Eu não iria suportar carregar tal peso comigo...
...e os filhos do poder também são crianças...
Eu não iria suportar carregar tal peso comigo...
...e os filhos do poder também são crianças...
28 Dezembro 2003
O Pintor
É hoje! Disse o Pintor, dirigindo-se para casa com uma enorme tela. Hoje vou pintar o Amor! Hoje vou pintar o Amor! … Repetia para si entre dentes, com um sorriso nervoso e obstinado na cara, enquanto caminhava com passos largos, como se marchasse para a mais longa e brava guerra. Hoje vou pintar o Amor! Dizia, subindo o lanço de escadas que o conduziam ao pequeno apartamento num primeiro andar, tão degradado, tão desprovido de tudo, mas que obstinadamente insistia em chamar casa.
Entrou e pendurou a enorme tela na parede. Era grande demais para um cavalete e grande demais para ele. Mas o Amor é grande, não é? Esta é a melhor tela para guardar o Amor. Foi tecida algures no Afeganistão. É do mais puro algodão, da mais formosa plantação. É branca e fina como a neve e suficientemente pura para guardar o Amor.
Sentou-se na única cadeira da única divisão da sua casa, a cerca de quatro metros da tela pendurada na parede. Fixou-a de várias posições. Abasteceu-se de café, para poder olhar melhor e manteve-se por horas seguidas a mirar a tela fixa na parede. Dizia para si: Hoje vou pintar o Amor! Mas por onde começo? Quais são as cores do Amor? Quais as formas que o definem?
Caiu a noite e o Pintor manteve-se agarrado à chávena de café, fixando obstinadamente a tela, branca como a neve, pura como a mais formosa donzela. É isso! Gritou de madrugada, assustando as baratas que se passeavam no lava-loiça. Pura como a mais formosa donzela, formosa como a mais pura donzela! Vestiu o casaco e saiu de casa, repetindo esta lenga-lenga na sua cabeça.
A noite estava a terminar e o céu era um campo de batalha, em que o laranja avançava impune em direcção ao negro. O Sol iria surgir e impor-se na escuridão dos céus. O pintor deambulava pelas ruas à procura de uma donzela pura com a cara do Amor e estava tão preocupado nos pormenores da sua busca que não se deteve no espectáculo do céu. No fogo da batalha entre a Luz e a Noite.
Na rua passavam outras pessoas, atarefadas com as suas vidas. Umas iam vender para o mercado, outras iam comprar, outras iam trabalhar, outras iam dormir. O pintor avançava demasiado preocupado para pensar nestes rostos.
Dirigiu-se para a rua mais movimentada da cidade. Entrou num café, sentou-se junto à janela com a melhor vista e pediu um abatanado. Manteve-se ali, sentado, a manhã toda. Abatanado atrás de abatanado fixava com interesse científico todas as jovens que por ali passavam. Nenhuma tinha rosto de Amor!
Levantou-se a saiu. Tropeçou num gato que apanhava os raios de Sol, esticado no meio da rua, a ronronar a quem passava. Não parou, pois o Amor não pode ter forma de gato à procura de calor e dono. Sentou-se no banco do jardim e pensou: O Amor não está no rosto de uma donzela! Pensou, então, o que seria esse Amor que ele queria pintar e que toda a sua vida lhe consumiu a inspiração. Nunca acabou nenhum quadro, pois nenhum deles tinha a perfeição e beleza dignas do Amor. Lembrou-se também que, ele próprio, nunca tinha amado ninguém. Nenhuma mulher possuía o corpo digno de ser desejado, a pureza digna de ser amada, por ele.
À sua frente brincavam duas crianças que, alegremente, riam e corriam atrás de um cão. O Pintor não olhou, nem sorriu. Obviamente que o Amor não está no sorriso de uma criança, nem na amizade de um cão. Dois pássaros cantavam por cima da sua cabeça, na copa de uma árvore. Discutiam apaixonadamente os pormenores de construção de um ninho. Mas o Pintor não ouviu, pois apenas tentava ouvir a voz do Amor, para poder pintá-la. O Amor não está no cantar de dois pássaros que constroem um ninho. Não senhor!
Lembrou-se então o Pintor que tinha encomendado a melhor tela para pintar o Amor, mas que talvez ele próprio não fosse digno dela … ou será que apenas não era digno do Amor?
Pronto! Está decidido! Não existe Amor! Disse o Pintor num grito de raiva que calou as crianças, parou o cão e afugentou os pássaros. Dirigiu-se de novo a casa decidido a pintar a vida. Não há Amor mas existe vida! Na palete colocou o verde, o vermelho, o amarelo, o preto e o branco. Fez um apanhado do dia e resolveu pintar o que se tinha passado à sua volta, quando obstinadamente procurava o rosto do Amor.
No cimo da tela pintou um céu cinzento-escuro e claro e, mais abaixo, acrescentou-lhe o laranja e misturou-o com o vermelho. Era a batalha de todas as alvoradas entre a Noite e o Sol. Mais abaixo, desenhou um prédio e no telhado, um gato preto com um olhar verde e profundo, sentado, a testemunhar a batalha dos céus. Ainda mais abaixo, numa das varandas do prédio, desenhou uma criança a sorrir com o braço esticado e um cravo na mão, a oferecê-lo a alguém que passava na rua. Ao lado da criança, noutra varanda havia roupa estendida numa corda, à espera do Sol que a iria aquecer.
No rés-do-chão do prédio, desenhou uma padaria e estava tão real que, quando vi o quadro, senti o cheiro do pão quente que os clientes que saíam da loja levavam nos sacos. Ao lado da Padaria, pintou uma Florista e à porta exibiu uns lindos malmequeres, ainda mais brancos e puros que a própria tela. Em frente às flores estava uma mulher, ligeiramente dobrada a cheirá-las. Na rua, desenhou um homem com uma pasta na mão, que acenava para a criança da varanda. Mais à direita do homem, estava um carrinho com um fogareiro a assar castanhas e um velho vendia-as a outro homem que passava. O fumo do fogareiro estava tão perfeito que logo imaginei aquele cheiro de castanhas assadas e quentinhas.
Acima do vendedor de castanhas e ao lado do prédio, pintou um parque com lindas árvores e num ramo colocou dois pássaros a construir um ninho. Parece que os oiço cantar, deste lado da tela. No meio do parque colocou dois velhos sentados num banco, que também olhavam o nascer do Sol. Ao lado dos velhos, um cão corria atrás de um gato e duas crianças avançavam de mochila às costas.
Acabou o quadro, afastou-se e pensou: Este é o mais bonito quadro que alguma vez pintei. Aqui está o Amor, não no rosto de uma jovem mulher, mas na vida que palpita das cores do dia, do rosto dos homens, nos cheiros da manhã e nas cores das flores.
Olhou para o relógio, na parede oposta à tela e notou que passara um dia desde o primeiro traço na tela. Tomou um banho, vestiu-se e saiu de casa decidido a ver os pormenores da vida, pois é neles que se manifesta o Amor. Disse boa tarde ao vizinho que encontrou nas escadas, saiu do prédio e acariciou um cão que passou por ele, na rua. Entrou no mesmo café onde tinha procurado o Amor, sentou-se e tomou o pequeno-almoço. Sorriu. Já não estava obstinado. Estava aliviado. Voltou a sair. O mesmo gato estava no mesmo sítio e ronronava da mesma maneira para as pessoas que passavam. Pegou no gato e levou-o para casa. Deu-lhe leite, lavou-o e baptizou-o de Marmelada.
Saiu de casa com uma pequena tela debaixo do braço, uma das muitas que antes achara indignas para albergar o Amor. Avançou calmamente para o mar. Sentou-se na muralha da praia e esperou. Quando no céu começou a surgir o laranja e o vermelho de mais uma batalha vencida pela noite, o Pintor pintou-o decidido a eternizar o descer do Sol no mar.
Esse foi o primeiro de muitos quadros que pintou, decidido a esquecer a essência do Amor e a pintar, apenas, as suas manifestações, o palpitar da vida.
Entrou e pendurou a enorme tela na parede. Era grande demais para um cavalete e grande demais para ele. Mas o Amor é grande, não é? Esta é a melhor tela para guardar o Amor. Foi tecida algures no Afeganistão. É do mais puro algodão, da mais formosa plantação. É branca e fina como a neve e suficientemente pura para guardar o Amor.
Sentou-se na única cadeira da única divisão da sua casa, a cerca de quatro metros da tela pendurada na parede. Fixou-a de várias posições. Abasteceu-se de café, para poder olhar melhor e manteve-se por horas seguidas a mirar a tela fixa na parede. Dizia para si: Hoje vou pintar o Amor! Mas por onde começo? Quais são as cores do Amor? Quais as formas que o definem?
Caiu a noite e o Pintor manteve-se agarrado à chávena de café, fixando obstinadamente a tela, branca como a neve, pura como a mais formosa donzela. É isso! Gritou de madrugada, assustando as baratas que se passeavam no lava-loiça. Pura como a mais formosa donzela, formosa como a mais pura donzela! Vestiu o casaco e saiu de casa, repetindo esta lenga-lenga na sua cabeça.
A noite estava a terminar e o céu era um campo de batalha, em que o laranja avançava impune em direcção ao negro. O Sol iria surgir e impor-se na escuridão dos céus. O pintor deambulava pelas ruas à procura de uma donzela pura com a cara do Amor e estava tão preocupado nos pormenores da sua busca que não se deteve no espectáculo do céu. No fogo da batalha entre a Luz e a Noite.
Na rua passavam outras pessoas, atarefadas com as suas vidas. Umas iam vender para o mercado, outras iam comprar, outras iam trabalhar, outras iam dormir. O pintor avançava demasiado preocupado para pensar nestes rostos.
Dirigiu-se para a rua mais movimentada da cidade. Entrou num café, sentou-se junto à janela com a melhor vista e pediu um abatanado. Manteve-se ali, sentado, a manhã toda. Abatanado atrás de abatanado fixava com interesse científico todas as jovens que por ali passavam. Nenhuma tinha rosto de Amor!
Levantou-se a saiu. Tropeçou num gato que apanhava os raios de Sol, esticado no meio da rua, a ronronar a quem passava. Não parou, pois o Amor não pode ter forma de gato à procura de calor e dono. Sentou-se no banco do jardim e pensou: O Amor não está no rosto de uma donzela! Pensou, então, o que seria esse Amor que ele queria pintar e que toda a sua vida lhe consumiu a inspiração. Nunca acabou nenhum quadro, pois nenhum deles tinha a perfeição e beleza dignas do Amor. Lembrou-se também que, ele próprio, nunca tinha amado ninguém. Nenhuma mulher possuía o corpo digno de ser desejado, a pureza digna de ser amada, por ele.
À sua frente brincavam duas crianças que, alegremente, riam e corriam atrás de um cão. O Pintor não olhou, nem sorriu. Obviamente que o Amor não está no sorriso de uma criança, nem na amizade de um cão. Dois pássaros cantavam por cima da sua cabeça, na copa de uma árvore. Discutiam apaixonadamente os pormenores de construção de um ninho. Mas o Pintor não ouviu, pois apenas tentava ouvir a voz do Amor, para poder pintá-la. O Amor não está no cantar de dois pássaros que constroem um ninho. Não senhor!
Lembrou-se então o Pintor que tinha encomendado a melhor tela para pintar o Amor, mas que talvez ele próprio não fosse digno dela … ou será que apenas não era digno do Amor?
Pronto! Está decidido! Não existe Amor! Disse o Pintor num grito de raiva que calou as crianças, parou o cão e afugentou os pássaros. Dirigiu-se de novo a casa decidido a pintar a vida. Não há Amor mas existe vida! Na palete colocou o verde, o vermelho, o amarelo, o preto e o branco. Fez um apanhado do dia e resolveu pintar o que se tinha passado à sua volta, quando obstinadamente procurava o rosto do Amor.
No cimo da tela pintou um céu cinzento-escuro e claro e, mais abaixo, acrescentou-lhe o laranja e misturou-o com o vermelho. Era a batalha de todas as alvoradas entre a Noite e o Sol. Mais abaixo, desenhou um prédio e no telhado, um gato preto com um olhar verde e profundo, sentado, a testemunhar a batalha dos céus. Ainda mais abaixo, numa das varandas do prédio, desenhou uma criança a sorrir com o braço esticado e um cravo na mão, a oferecê-lo a alguém que passava na rua. Ao lado da criança, noutra varanda havia roupa estendida numa corda, à espera do Sol que a iria aquecer.
No rés-do-chão do prédio, desenhou uma padaria e estava tão real que, quando vi o quadro, senti o cheiro do pão quente que os clientes que saíam da loja levavam nos sacos. Ao lado da Padaria, pintou uma Florista e à porta exibiu uns lindos malmequeres, ainda mais brancos e puros que a própria tela. Em frente às flores estava uma mulher, ligeiramente dobrada a cheirá-las. Na rua, desenhou um homem com uma pasta na mão, que acenava para a criança da varanda. Mais à direita do homem, estava um carrinho com um fogareiro a assar castanhas e um velho vendia-as a outro homem que passava. O fumo do fogareiro estava tão perfeito que logo imaginei aquele cheiro de castanhas assadas e quentinhas.
Acima do vendedor de castanhas e ao lado do prédio, pintou um parque com lindas árvores e num ramo colocou dois pássaros a construir um ninho. Parece que os oiço cantar, deste lado da tela. No meio do parque colocou dois velhos sentados num banco, que também olhavam o nascer do Sol. Ao lado dos velhos, um cão corria atrás de um gato e duas crianças avançavam de mochila às costas.
Acabou o quadro, afastou-se e pensou: Este é o mais bonito quadro que alguma vez pintei. Aqui está o Amor, não no rosto de uma jovem mulher, mas na vida que palpita das cores do dia, do rosto dos homens, nos cheiros da manhã e nas cores das flores.
Olhou para o relógio, na parede oposta à tela e notou que passara um dia desde o primeiro traço na tela. Tomou um banho, vestiu-se e saiu de casa decidido a ver os pormenores da vida, pois é neles que se manifesta o Amor. Disse boa tarde ao vizinho que encontrou nas escadas, saiu do prédio e acariciou um cão que passou por ele, na rua. Entrou no mesmo café onde tinha procurado o Amor, sentou-se e tomou o pequeno-almoço. Sorriu. Já não estava obstinado. Estava aliviado. Voltou a sair. O mesmo gato estava no mesmo sítio e ronronava da mesma maneira para as pessoas que passavam. Pegou no gato e levou-o para casa. Deu-lhe leite, lavou-o e baptizou-o de Marmelada.
Saiu de casa com uma pequena tela debaixo do braço, uma das muitas que antes achara indignas para albergar o Amor. Avançou calmamente para o mar. Sentou-se na muralha da praia e esperou. Quando no céu começou a surgir o laranja e o vermelho de mais uma batalha vencida pela noite, o Pintor pintou-o decidido a eternizar o descer do Sol no mar.
Esse foi o primeiro de muitos quadros que pintou, decidido a esquecer a essência do Amor e a pintar, apenas, as suas manifestações, o palpitar da vida.
27 Dezembro 2003
Um último teste de 2003
Bem, andava a investigar a Blogosfera, li a Puta de Vida e descobri este teste sobre almas.
Gostei da minha alma! Aqui vai o resultado:

You're just the happy go-lucky type. You might have
your pet peeves, but other than that, you're
mainly calm. Blending in with your
surroundings, you're the type of person who
everyone likes. Usually it's you who cracks
jokes at social gatherings - after all,
laughter is the best medicine. Sometimes you
pretend to be stupid, but in all actuality, you
could be the next Einstein.
What Type of Soul Do You Have ?
brought to you by Quizilla
Gostei da minha alma! Aqui vai o resultado:

You're just the happy go-lucky type. You might have
your pet peeves, but other than that, you're
mainly calm. Blending in with your
surroundings, you're the type of person who
everyone likes. Usually it's you who cracks
jokes at social gatherings - after all,
laughter is the best medicine. Sometimes you
pretend to be stupid, but in all actuality, you
could be the next Einstein.
What Type of Soul Do You Have ?
brought to you by Quizilla
Inspiração
.
Hoje entendi o motivo porque a minha inspiração está tão depressiva e tão afastada.
É quase Lua Nova...e só para o ano ela volta a brilhar, grande e altiva para me lembrar de ti e para me ajudar a escrever o que sinto neste cantinho fundo que insisto em chamar Coração!
Hoje entendi o motivo porque a minha inspiração está tão depressiva e tão afastada.
É quase Lua Nova...e só para o ano ela volta a brilhar, grande e altiva para me lembrar de ti e para me ajudar a escrever o que sinto neste cantinho fundo que insisto em chamar Coração!
Nota para memória futura nº 17.584,54 3/4
Esqueci-me do número, mas não importa!
Cá vai:
um, dois, três, experiência. Voz off...OFF..O.F.F.
Ahh...ohhh...um-dois-experiência-som SOMMMM
Agora é que vai mesmo:
Como posso eu confiar num homem que se diz Primeiro Ministro, que me reconforta com um discurso rosa-choc e que por trás tem uma lareira falsa? Será, a dita lareira, uma mensagem do inconsciente que prova a mentira das palavras?
Bem, de qualquer modo...fico feliz por me ter lido e ter mudado o tom da base. Ontem estava vermelho. Tão vermelho que parecia uma inglesa agarrada a uma garrafa de gin... ou seria um português agarrado a um garrafão de tinto?
Decorar para lhe transmitir:
Oh Cherne, fofo... conheço uma esteticista que faz milagres com a maquilhagem. O menino que o contacto?
Cá vai:
um, dois, três, experiência. Voz off...OFF..O.F.F.
Ahh...ohhh...um-dois-experiência-som SOMMMM
Agora é que vai mesmo:
Como posso eu confiar num homem que se diz Primeiro Ministro, que me reconforta com um discurso rosa-choc e que por trás tem uma lareira falsa? Será, a dita lareira, uma mensagem do inconsciente que prova a mentira das palavras?
Bem, de qualquer modo...fico feliz por me ter lido e ter mudado o tom da base. Ontem estava vermelho. Tão vermelho que parecia uma inglesa agarrada a uma garrafa de gin... ou seria um português agarrado a um garrafão de tinto?
Decorar para lhe transmitir:
Oh Cherne, fofo... conheço uma esteticista que faz milagres com a maquilhagem. O menino que o contacto?
Flor de Cacto
.
"Flor de cacto, flor que se arrancou
À secura do chão.
Era aí o deserto, a pedra dura,
A sede e a solidão.
Sobre a palma de espinhos, triunfante,
Flor, ou coração?"
José Saramago, Provavelmente Alegria
"Flor de cacto, flor que se arrancou
À secura do chão.
Era aí o deserto, a pedra dura,
A sede e a solidão.
Sobre a palma de espinhos, triunfante,
Flor, ou coração?"
José Saramago, Provavelmente Alegria
26 Dezembro 2003
Agradecimentos
Venho agradecer a todos os meus AMIGOS, por me proporcionarem o melhor Natal de sempre.
Este ano descobri que, melhor que qualquer prenda, é a vossa Amizade.
Melhor que qualquer objecto, são os vossos ombros e colos para chorar e as vossas carícias para me reconfortar.
Obrigada, em especial, à Ana, à Beu, à Dondy, à Ginja e à Melancia.
Este ano descobri que, melhor que qualquer prenda, é a vossa Amizade.
Melhor que qualquer objecto, são os vossos ombros e colos para chorar e as vossas carícias para me reconfortar.
Obrigada, em especial, à Ana, à Beu, à Dondy, à Ginja e à Melancia.
23 Dezembro 2003
Votos da Equipa do Frutó Xocolaty
A Bananas, a Ginja, a Gelatina, a Maçã Assada (ainda no Iraque), a Melancia e a Xocolaty desejam a todos os leitores e a todos os Blogues um Feliz Natal!
Que todas as caras possam ter um sorriso e que todas as casas sejam aquecidas pelo Amor!
Beijinhos,
A equipa
(dias 24 e 25 o Blogue está encerrado)
P.S. - Já me esquecia: Um beijinho muito especial para o Nauta!
Que todas as caras possam ter um sorriso e que todas as casas sejam aquecidas pelo Amor!
Beijinhos,
A equipa
(dias 24 e 25 o Blogue está encerrado)
P.S. - Já me esquecia: Um beijinho muito especial para o Nauta!
Lembras-te?
.
Fui buscar-te à cama, beijei-te, ofereci-te a mão e disse-te baixinho ao ouvido: Segue-me. Abandonaste o corpo, seguraste-me na mão e voámos para lá. Para aquele sítio onde o tempo não existe, a vida não tem fim e a dor não tem lugar.
Disse-te:
Desta árvore até ao céu, criei o mais lindo campo de girassóis. O Sol brilha acolá, mas eles alimentam-se daqui, do meu amor por ti. Com o amarelo brilhante da Luz, desenhei as pétalas e com a água desta fonte pintei o céu. O negro dos teus olhos serviu para as sementes das flores. Do verde da minha esperança, nasceram e cresceram estas árvores que nos rodeiam e a erva que pisas.
Com a força do meu amor, reguei este campo de girassóis… para ti. Toma! Aceita-os! Esta é a paisagem do meu amor…por ti!
Não conhecias? Ainda bem, fi-lo agora para ti. Este é o nosso lugar, onde o Amor reina e os amantes passeiam. Aqui vive o meu Amor... por ti!
Anda! Agarra a minha mão. Segue-me… Sentes o vento na cara? Gostas de voar? Este é o meu sonho quando te quero encontrar. Aqui abro os braços, salto e voo e viro e avanço até ao Sol…e volto a descer a rodopiar no ar e sento-me…entre os girassóis. Aqui invento os mais lindos poemas de Amor para ti! Queres ouvir? Está gravado na água que corre na fonte, acolá. Vive na seiva destas flores, que são tuas. Rodopia no vento que nos ajuda a voar. Ouves? Desculpa. Não o consigo escrever. Este é o mais lindo poema de Amor. Toma! É teu!
Anda, desce comigo. Fecha os olhos e cheira os girassóis. Este é o cheiro do meu amor…por ti! Estes girassóis têm o cheiro deste amor que a voz teima em não traduzir, quando te digo: Olá!
Sim, quando te digo olá, o meu corpo aquece, o rosto fica rubro, os olhos batem no chão, o coração salta, o peito estremece e o olá significa… Amo-te!
Anda… quero mostrar-te mais! Por detrás daquele Sol que ilumina este lugar há muito mais. Dá-me a mão! Gostas de voar? Rodopia comigo… não tenhas medo que o meu amor segura-te! Voar é ser livre para amar!
Gostas?
Este é o mar das minhas lágrimas. Não fiques triste! São lágrimas de alegria, por estares aqui. Vamos nadar? Este mar é especial. Aqui podes falar e respirar. Este mar és tu e eu, juntos, aqui.
Toma, a mais bonita concha do nosso mar. Não a abras, nem a leves daqui. Deixa-a viver enquanto houver amor, não só em nós, mas… no mundo.
Tenho de voltar. Queres ficar? Deixo-te no meu amor… por ti! Explora-o, ele é teu! Para voltar, basta pensares na tua cama e acordas lá.
Quem sabe se não me encontras a dormir a teu lado…
Fui buscar-te à cama, beijei-te, ofereci-te a mão e disse-te baixinho ao ouvido: Segue-me. Abandonaste o corpo, seguraste-me na mão e voámos para lá. Para aquele sítio onde o tempo não existe, a vida não tem fim e a dor não tem lugar.
Disse-te:
Desta árvore até ao céu, criei o mais lindo campo de girassóis. O Sol brilha acolá, mas eles alimentam-se daqui, do meu amor por ti. Com o amarelo brilhante da Luz, desenhei as pétalas e com a água desta fonte pintei o céu. O negro dos teus olhos serviu para as sementes das flores. Do verde da minha esperança, nasceram e cresceram estas árvores que nos rodeiam e a erva que pisas.
Com a força do meu amor, reguei este campo de girassóis… para ti. Toma! Aceita-os! Esta é a paisagem do meu amor…por ti!
Não conhecias? Ainda bem, fi-lo agora para ti. Este é o nosso lugar, onde o Amor reina e os amantes passeiam. Aqui vive o meu Amor... por ti!
Anda! Agarra a minha mão. Segue-me… Sentes o vento na cara? Gostas de voar? Este é o meu sonho quando te quero encontrar. Aqui abro os braços, salto e voo e viro e avanço até ao Sol…e volto a descer a rodopiar no ar e sento-me…entre os girassóis. Aqui invento os mais lindos poemas de Amor para ti! Queres ouvir? Está gravado na água que corre na fonte, acolá. Vive na seiva destas flores, que são tuas. Rodopia no vento que nos ajuda a voar. Ouves? Desculpa. Não o consigo escrever. Este é o mais lindo poema de Amor. Toma! É teu!
Anda, desce comigo. Fecha os olhos e cheira os girassóis. Este é o cheiro do meu amor…por ti! Estes girassóis têm o cheiro deste amor que a voz teima em não traduzir, quando te digo: Olá!
Sim, quando te digo olá, o meu corpo aquece, o rosto fica rubro, os olhos batem no chão, o coração salta, o peito estremece e o olá significa… Amo-te!
Anda… quero mostrar-te mais! Por detrás daquele Sol que ilumina este lugar há muito mais. Dá-me a mão! Gostas de voar? Rodopia comigo… não tenhas medo que o meu amor segura-te! Voar é ser livre para amar!
Gostas?
Este é o mar das minhas lágrimas. Não fiques triste! São lágrimas de alegria, por estares aqui. Vamos nadar? Este mar é especial. Aqui podes falar e respirar. Este mar és tu e eu, juntos, aqui.
Toma, a mais bonita concha do nosso mar. Não a abras, nem a leves daqui. Deixa-a viver enquanto houver amor, não só em nós, mas… no mundo.
Tenho de voltar. Queres ficar? Deixo-te no meu amor… por ti! Explora-o, ele é teu! Para voltar, basta pensares na tua cama e acordas lá.
Quem sabe se não me encontras a dormir a teu lado…
Pensamento
.
Se fosses flor,
Queria ser Sol;
Se fosses rio,
Queria ser leito;
Se fosses Gato,
Queria ser Lua;
Se fosses lágrima,
Queria ser consolo;
Se fosses árvore,
Queria ser terra;
Se fosses letra,
Queria ser poema;
Mas és homem
E eu quero ser pensamento!
Se fosses flor,
Queria ser Sol;
Se fosses rio,
Queria ser leito;
Se fosses Gato,
Queria ser Lua;
Se fosses lágrima,
Queria ser consolo;
Se fosses árvore,
Queria ser terra;
Se fosses letra,
Queria ser poema;
Mas és homem
E eu quero ser pensamento!
Reclamação para o Chefe do Pai Natal
Caro Senhor,
Hoje fui impedida por uma anã tresloucada, que se intitulava de Duende, de tirar uma foto ao colo do Pai Natal.
Como não havia livro de reclamações, venho por este meio apresentar os motivos do meu descontentamento e solicitar resposta a estas simples perguntas:
- Onde está escrito que uma jovem de 30 anos não pode tirar uma fotografia no colo do Pai Natal?
- Onde está determinado que não se pode ter mais que 1,70m para saltar para o colo do Pai Natal?
- Qual o problema de se pesar mais que 60 kg?
- Por ser adulta, não tenho direito em gostar do Pai Natal e querer brincar com as barbas dele?
Agradeço resposta urgente!
Hoje fui impedida por uma anã tresloucada, que se intitulava de Duende, de tirar uma foto ao colo do Pai Natal.
Como não havia livro de reclamações, venho por este meio apresentar os motivos do meu descontentamento e solicitar resposta a estas simples perguntas:
- Onde está escrito que uma jovem de 30 anos não pode tirar uma fotografia no colo do Pai Natal?
- Onde está determinado que não se pode ter mais que 1,70m para saltar para o colo do Pai Natal?
- Qual o problema de se pesar mais que 60 kg?
- Por ser adulta, não tenho direito em gostar do Pai Natal e querer brincar com as barbas dele?
Agradeço resposta urgente!
22 Dezembro 2003
Mademoiselle Elvira
Chamei-lhe D. Elvira. Ela fez um ar autoritário e retorquiu: “Trata-me por Menina Elvira, filha. Todos me conhecem assim. Tempos houveram em que eu era a Mademoiselle Elvira, as portas se abriam e os chapéus se curvavam em vénias quando eu passava. Agora, restam-me as memórias dos tempos em que os homens se amontoavam à porta do meu camarim só para me verem de perto, as flores se tornavam insuportáveis pelos exagerados volumes acumulados e eu apenas pedia à vida banhos de espuma demorados, acompanhados por champagne e uns momentos de solidão na minha casa da Ericeira”.
A Mlle. Elvira foi, em tempos, uma grande bailarina. 40 anos da sua vida foram passados em pontas, o seu corpo era a prova de que a gravidade nada mais é que algo a superar e a vencer. Com ela se comoveram homens e mulheres, quando o seu corpo se dobrava e ondulava num movimento elástico, como que desprovido de qualquer osso, ao som de Tchaikovsky e Mlle. era um lindo e belo cisne que agitava as asas e voava em direcção à liberdade.
Incorporou muitos bailados famosos e todos eles pareciam ter sido planeados para a Mademoiselle dançar. Viajou pelo mundo e pouco se demorou em Portugal. Diz-me que éramos e somos um País retrógrado e que, nos seus tempos, o Ballet não era visto como uma arte. As bailarinas eram etiquetadas como meninas da vida. Coristas, era o que lhes chamavam. “Oh Mon Dieux, c'est triste. Portugal est triste…très triste!”, diz Mlle. Elvira com um toque de tragédia grega na voz, num excelente francês.
Mostrou-me várias fotografias de bailados…todas excelentes, todas testemunhando um corpo que tanto teimou, que conseguiu vencer as leis da gravidade. Lindos pés, excelentes posições…uns braços magros, longos, perfeitos. Seja em pontas, em descanso, ou no ar…Mademoiselle Elvira assumia na perfeição o nome de Diva!
Foi uma vida inteira a lutar…a moldar o corpo, a ir mais além…a dobrar mais um pouco, a saltar ainda mais alto e com mais graça, a experimentar mais expressões, a treinar e treinar dias inteiros. Começou em criança e terminou com 50 anos a vida dedicada à dança…ao Ballet.
Hoje Mlle. Elvira já ultrapassou os oitenta anos há muito, tem menos 25 centímetros de altura. O corpo outrora gracioso e seco, dobrou-se numa corcunda, os ossos não aguentaram a vida de esforço. Mantém o andar gracioso e altivo de Diva, de bailarina, mas os joanetes são visíveis. O corpo esconde a fabulosa Mlle. Elvira que outrora inspirou artistas. Os olhos grandes, redondos e negros lembram-me a Lua e fazem-me pensar o quanto terá vivido “La Mademoiselle”. As mãos que se mexem graciosamente e completam o que a boca conta, levam-me a sonhar com palcos, com passos de Ballet, com aplausos.
Menina Elvira, vive só, mas desenganem-se os que acham que está triste. Diz-me com um olhar profundo e triunfante: Foram muitos, filha. Foram tantos e nenhum deles mereceu a minha companhia, apenas porque o meu único amor se chamou e chama Ballet. Hoje estou aqui, na minha casa junto ao mar e acredita, tenho a vida tão cheia de histórias, tenho tanta emoção, tanta recordação que me sinto plena e rica. A casa partilho-a com as flores, os gatos, os cães e o mar. Dos homens guardo as prendas e as promessas estupidamente proferidas, da vida guardo a glória que Deus me ofereceu.
As dores que sinto no corpo, os ossos que insistem em dar de si, nada são… valem o esforço de ter lutado, ter conseguido ser a melhor, ter atingido a glória. Fui feliz, dançando e estou grata à vida por isso! Sou feliz apenas por ter sido apresentada ao Ballet.
(para a Maria Ana, ma petite grande ballerine)
A Mlle. Elvira foi, em tempos, uma grande bailarina. 40 anos da sua vida foram passados em pontas, o seu corpo era a prova de que a gravidade nada mais é que algo a superar e a vencer. Com ela se comoveram homens e mulheres, quando o seu corpo se dobrava e ondulava num movimento elástico, como que desprovido de qualquer osso, ao som de Tchaikovsky e Mlle. era um lindo e belo cisne que agitava as asas e voava em direcção à liberdade.
Incorporou muitos bailados famosos e todos eles pareciam ter sido planeados para a Mademoiselle dançar. Viajou pelo mundo e pouco se demorou em Portugal. Diz-me que éramos e somos um País retrógrado e que, nos seus tempos, o Ballet não era visto como uma arte. As bailarinas eram etiquetadas como meninas da vida. Coristas, era o que lhes chamavam. “Oh Mon Dieux, c'est triste. Portugal est triste…très triste!”, diz Mlle. Elvira com um toque de tragédia grega na voz, num excelente francês.
Mostrou-me várias fotografias de bailados…todas excelentes, todas testemunhando um corpo que tanto teimou, que conseguiu vencer as leis da gravidade. Lindos pés, excelentes posições…uns braços magros, longos, perfeitos. Seja em pontas, em descanso, ou no ar…Mademoiselle Elvira assumia na perfeição o nome de Diva!
Foi uma vida inteira a lutar…a moldar o corpo, a ir mais além…a dobrar mais um pouco, a saltar ainda mais alto e com mais graça, a experimentar mais expressões, a treinar e treinar dias inteiros. Começou em criança e terminou com 50 anos a vida dedicada à dança…ao Ballet.
Hoje Mlle. Elvira já ultrapassou os oitenta anos há muito, tem menos 25 centímetros de altura. O corpo outrora gracioso e seco, dobrou-se numa corcunda, os ossos não aguentaram a vida de esforço. Mantém o andar gracioso e altivo de Diva, de bailarina, mas os joanetes são visíveis. O corpo esconde a fabulosa Mlle. Elvira que outrora inspirou artistas. Os olhos grandes, redondos e negros lembram-me a Lua e fazem-me pensar o quanto terá vivido “La Mademoiselle”. As mãos que se mexem graciosamente e completam o que a boca conta, levam-me a sonhar com palcos, com passos de Ballet, com aplausos.
Menina Elvira, vive só, mas desenganem-se os que acham que está triste. Diz-me com um olhar profundo e triunfante: Foram muitos, filha. Foram tantos e nenhum deles mereceu a minha companhia, apenas porque o meu único amor se chamou e chama Ballet. Hoje estou aqui, na minha casa junto ao mar e acredita, tenho a vida tão cheia de histórias, tenho tanta emoção, tanta recordação que me sinto plena e rica. A casa partilho-a com as flores, os gatos, os cães e o mar. Dos homens guardo as prendas e as promessas estupidamente proferidas, da vida guardo a glória que Deus me ofereceu.
As dores que sinto no corpo, os ossos que insistem em dar de si, nada são… valem o esforço de ter lutado, ter conseguido ser a melhor, ter atingido a glória. Fui feliz, dançando e estou grata à vida por isso! Sou feliz apenas por ter sido apresentada ao Ballet.
(para a Maria Ana, ma petite grande ballerine)
21 Dezembro 2003
Este Amor
.
Este sonho bom…
Que nos embala…
Esta melodia que nos envolve…
O bater das ondas na areia…
O envolver da água em nossos corpos!
Este corpo que te acolhe…
E esses braços que me envolvem…
Esse Sol que nos aquece…
Essa boca que me cala…
Os gritos de Amor…
Que me invadem!
Estas mãos que te percorrem…
E exploram…
E essa boca…
Que me marca…
De amor!
Estes movimentos…
Que esse Oceano cúmplice…
Insiste em perpetrar…
Este prazer que não é dor…
Nem é ser…
Nem estar…
Este prazer que é UNO…
Tu e eu no mar!
(Escrevi-o a pensar em ti e ofereci-o ao Poetry Cafe, para o "Ciclo de Poesia Erótica". No entanto, não resisti...quero que o leias aqui e que saibas que é para ti...uma prenda de Natal!)
Este sonho bom…
Que nos embala…
Esta melodia que nos envolve…
O bater das ondas na areia…
O envolver da água em nossos corpos!
Este corpo que te acolhe…
E esses braços que me envolvem…
Esse Sol que nos aquece…
Essa boca que me cala…
Os gritos de Amor…
Que me invadem!
Estas mãos que te percorrem…
E exploram…
E essa boca…
Que me marca…
De amor!
Estes movimentos…
Que esse Oceano cúmplice…
Insiste em perpetrar…
Este prazer que não é dor…
Nem é ser…
Nem estar…
Este prazer que é UNO…
Tu e eu no mar!
(Escrevi-o a pensar em ti e ofereci-o ao Poetry Cafe, para o "Ciclo de Poesia Erótica". No entanto, não resisti...quero que o leias aqui e que saibas que é para ti...uma prenda de Natal!)
20 Dezembro 2003
Promessas
Seguindo a idéia da Comadre, em 2004 não prometo:
- Ser boazinha;
- Viajar;
- Comprar roupa;
- Mudar de carro;
- Mudar de casa.
Em 2004, eu quero AMAR!
- Não vou amar este ou aquele, vou amar o Mundo, a Vida, a Natureza, o meu semelhante.
- Em 2004 eu vou olhar melhor para quem passa por mim na rua e vou entender a causa por detrás das atitudes que cada um toma.
Em 2004 em vou Amar, Amando!
- Ser boazinha;
- Viajar;
- Comprar roupa;
- Mudar de carro;
- Mudar de casa.
Em 2004, eu quero AMAR!
- Não vou amar este ou aquele, vou amar o Mundo, a Vida, a Natureza, o meu semelhante.
- Em 2004 eu vou olhar melhor para quem passa por mim na rua e vou entender a causa por detrás das atitudes que cada um toma.
Em 2004 em vou Amar, Amando!
19 Dezembro 2003
Portugal em segundo lugar na pobreza...
É triste mas é a verdade. Na pobreza, só somos ultrapassados pela Irlanda.
Segundo notícia de hoje um em cada cinco portugueses vive abaixo do limiar de probreza.
Portugal está em segundo lugar a nível europeu, com vinte por cento da população em risco de exclusão social.
São notícias muito tristes nesta época de Natal.
Como podemos sentir o espírito tão característico da época sem pensarmos nestas coisas...?
É que Natal é acima de tudo PAZ e AMOR.
Mas onde não há comida, medicamentos, roupa, brinquedos para os filhos, só para falar destes exemplos, não poderá haver paz. Ficaria feliz se pudesse acreditar que poderá haver amor.
Bom Natal...
Segundo notícia de hoje um em cada cinco portugueses vive abaixo do limiar de probreza.
Portugal está em segundo lugar a nível europeu, com vinte por cento da população em risco de exclusão social.
São notícias muito tristes nesta época de Natal.
Como podemos sentir o espírito tão característico da época sem pensarmos nestas coisas...?
É que Natal é acima de tudo PAZ e AMOR.
Mas onde não há comida, medicamentos, roupa, brinquedos para os filhos, só para falar destes exemplos, não poderá haver paz. Ficaria feliz se pudesse acreditar que poderá haver amor.
Bom Natal...
18 Dezembro 2003
Adeus Princesa
O Helder foi meu colega na escola. Era mais velho, estava uns anos atrasado, mas tinha bom coração. Não tinha cabeça para estudar, mas era amigo dos amigos. Conheceu a Filipa na escola. Ele tinha 18 anos e ela 16. Começaram a namorar e eram o complemento um do outro. Onde estava o Helder, estava a Filipa e tinham aquela cumplicidade, aquela forma de comunicar própria e exclusiva das almas gémeas, onde as palavras de um saem com a mesma clareza na boca do outro.
Com 17 anos, a Filipa engravidou da Inês, deixou a escola e casou com o Helder. “Abortar? Abortar é para as mulheres da vida!”, dizia o pai da Filipa. A minha filha vai casar! O Helder e a Filipa casaram. Como não tinham dinheiro, foram viver para casa dos pais dele. Ambos deixaram os estudos e nenhum deles terminou o ensino secundário.
O Helder começou a trabalhar com o pai na Siderurgia. O pai trabalhava nos fornos e ele, não sei o que fazia ao certo. Sei que tapava buracos, fazia várias coisas para ter dinheiro para a família que apareceu do nada. A Filipa foi trabalhar na linha de montagem de uma fábrica de madeiras, deixava a filha com a sogra e ia trabalhar todos os dias.
A Siderurgia começou nos despedimentos, o pai do Helder veio para casa com uma indemnização, o Helder foi trabalhar como soldador para um estaleiro naval. Fazia reparações nos barcos, dentro dos tanques dos petroleiros. Um trabalho para Homens, com um grande e corajoso “H”. Ganhava-se bem e dava para comprar casa. Aproveitaram as baixas de juros de 1998 e investiram numa casita usada, mas suficiente para os três serem felizes.
Apesar das adversidades da vida, foram felizes. Porque o amor preenche-nos o espaço e abafa a miséria da sobrevivência. O ano passado a Filipa engravidou de novo, teve o Miguel e ao fim de quatro meses, quando voltou ao trabalho, as coisas estavam diferentes. O patrão chegava no Mercedes CLK e gritava com os empregados que a produção era pouca, que as encomendas estavam a falhar, que os impostos eram muitos, que os ordenados eram altos e que as coisas tinham que mudar.
Há seis meses atrás, dois depois de voltar ao trabalho, a Filipa foi convidada a sair. O patrão fez-lhe as contas, indemnizou-a, deu-lhe o papel do Fundo de Desemprego e escreveu: Extinção do posto de trabalho. Mas não fazia mal, a vida havia de se compor de novo, diziam o Helder e a Filipa, sempre prontos a ver a vida de uma forma optimista e alegre.
Hoje vi a Filipa na televisão à porta do Hospital a chorar. Telefonei-lhe e perguntei-lhe o que se passava. Por entre soluços e palavras que custam a sair pela dor da vida, ela disse-me: É o Helder. Fecharam-no lá dentro. Juro-te que, eles não me dizem nada, mas eu sei que morreu.
Então é simples, o Helder que, neste momento era o sustento da mulher e dos dois filhos, era soldador num estaleiro onde um barco ardeu. Ficou fechado no tanque, pois o estaleiro não quer perder um barco. Prefere fechar os empregados vivos lá dentro. Cortar-lhes o oxigénio e encarcerá-los com o fogo.
Mas estas coisas não se dizem. Estas coisas sabem-se e calam-se. Porque o medo de perder o trabalho e de não sustentar a família é maior que o medo de perder a vida!
Filipa, eu tenho a certeza que ele te disse uma última vez: Adeus Princesa! Com aqueles olhos cheios de amor que sempre teve por ti.
Com 17 anos, a Filipa engravidou da Inês, deixou a escola e casou com o Helder. “Abortar? Abortar é para as mulheres da vida!”, dizia o pai da Filipa. A minha filha vai casar! O Helder e a Filipa casaram. Como não tinham dinheiro, foram viver para casa dos pais dele. Ambos deixaram os estudos e nenhum deles terminou o ensino secundário.
O Helder começou a trabalhar com o pai na Siderurgia. O pai trabalhava nos fornos e ele, não sei o que fazia ao certo. Sei que tapava buracos, fazia várias coisas para ter dinheiro para a família que apareceu do nada. A Filipa foi trabalhar na linha de montagem de uma fábrica de madeiras, deixava a filha com a sogra e ia trabalhar todos os dias.
A Siderurgia começou nos despedimentos, o pai do Helder veio para casa com uma indemnização, o Helder foi trabalhar como soldador para um estaleiro naval. Fazia reparações nos barcos, dentro dos tanques dos petroleiros. Um trabalho para Homens, com um grande e corajoso “H”. Ganhava-se bem e dava para comprar casa. Aproveitaram as baixas de juros de 1998 e investiram numa casita usada, mas suficiente para os três serem felizes.
Apesar das adversidades da vida, foram felizes. Porque o amor preenche-nos o espaço e abafa a miséria da sobrevivência. O ano passado a Filipa engravidou de novo, teve o Miguel e ao fim de quatro meses, quando voltou ao trabalho, as coisas estavam diferentes. O patrão chegava no Mercedes CLK e gritava com os empregados que a produção era pouca, que as encomendas estavam a falhar, que os impostos eram muitos, que os ordenados eram altos e que as coisas tinham que mudar.
Há seis meses atrás, dois depois de voltar ao trabalho, a Filipa foi convidada a sair. O patrão fez-lhe as contas, indemnizou-a, deu-lhe o papel do Fundo de Desemprego e escreveu: Extinção do posto de trabalho. Mas não fazia mal, a vida havia de se compor de novo, diziam o Helder e a Filipa, sempre prontos a ver a vida de uma forma optimista e alegre.
Hoje vi a Filipa na televisão à porta do Hospital a chorar. Telefonei-lhe e perguntei-lhe o que se passava. Por entre soluços e palavras que custam a sair pela dor da vida, ela disse-me: É o Helder. Fecharam-no lá dentro. Juro-te que, eles não me dizem nada, mas eu sei que morreu.
Então é simples, o Helder que, neste momento era o sustento da mulher e dos dois filhos, era soldador num estaleiro onde um barco ardeu. Ficou fechado no tanque, pois o estaleiro não quer perder um barco. Prefere fechar os empregados vivos lá dentro. Cortar-lhes o oxigénio e encarcerá-los com o fogo.
Mas estas coisas não se dizem. Estas coisas sabem-se e calam-se. Porque o medo de perder o trabalho e de não sustentar a família é maior que o medo de perder a vida!
Filipa, eu tenho a certeza que ele te disse uma última vez: Adeus Princesa! Com aqueles olhos cheios de amor que sempre teve por ti.
Mensagem de Parabéns
ao Sr. Embaixador Jorge Ritto por estar finalmente do lado de cá!
Meu amigo, diga-me, aqui entre nós que ninguém nos ouve..., o nome dos amigos que moveram os lobbies...
Vá lá, não seja assim...Eu tenho umas questões com a D.G.V., sabe....
São uns chatos, essencialmente!
Fale com os seus amigos, por favor, fofo!
Peça-lhes para me devolverem a carta, que eu preciso dela para trabalhar!
Não, não foi crime. Está tudo legal. Foi um problemazito de excesso de velocidade. Mas são uns chatos! Vá lá, dê-me esta prendita de Natal!
Não é nada de pedófilias... não é preciso advogados! É rápido. É tudo informático! Fale com os seus lobbies que eu depois telefono, ok querido?
Ahhh...está sob escuta?
Então falamos no msn. Pode ser? Eu dou-lhe os dados!
Beijinhos para si também!
Cumprimentos às crianças... digo, à família.
Meu amigo, diga-me, aqui entre nós que ninguém nos ouve..., o nome dos amigos que moveram os lobbies...
Vá lá, não seja assim...Eu tenho umas questões com a D.G.V., sabe....
São uns chatos, essencialmente!
Fale com os seus amigos, por favor, fofo!
Peça-lhes para me devolverem a carta, que eu preciso dela para trabalhar!
Não, não foi crime. Está tudo legal. Foi um problemazito de excesso de velocidade. Mas são uns chatos! Vá lá, dê-me esta prendita de Natal!
Não é nada de pedófilias... não é preciso advogados! É rápido. É tudo informático! Fale com os seus lobbies que eu depois telefono, ok querido?
Ahhh...está sob escuta?
Então falamos no msn. Pode ser? Eu dou-lhe os dados!
Beijinhos para si também!
Cumprimentos às crianças... digo, à família.
17 Dezembro 2003
O teu olhar...
Viajando...
...de Blogue em Blogue...cheguei aqui e gostei muito dos temas abordados...
Gostei desta forma corajosa de abordar a psicologia e a inteligência humana!
Gostei desta forma corajosa de abordar a psicologia e a inteligência humana!
Este Natal
.
Entro na carruagem do metro ainda baralhada com os apelos da publicidade que me convida, que me promete, que invade o mais íntimo de mim e se exibe gritando cá dentro: “Compra-me, usa-me, consome-me, Compra…”.
Sento-me e penso nos possíveis defeitos que me vão apontar nesta entrevista. Excesso de habilitações, excesso de experiência profissional…ou a história do último tecnocrata que me entrevistou e que, no fim, encheu os pulmões de ar e disse num parecer de profunda sapiência: Você tem perfil de gestora…Não o convidei a deslocar-se até à m**** porque ao fim de 128,546 entrevistas já temos os ouvidos preparados para ouvir tudo e os olhos prontos a esquecer tudo.
Deambulando sobre as várias formas como a entrevista poderia decorrer, olho em frente e vejo, sentado, um homem com os seus trinta e muitos anos. Tinha um olhar ausente, preso no vazio da linha do metro, como se estar ali nada tivesse de importante, como se estar ali ou aqui fosse indiferente. Pensamentos vazios, semblante descaído, mexia de forma nervosa num papel que trazia enrolado na mão. Enrolava e desenrolava, voltava a enrolar para depois desenrolar, ler e voltar a enrolar. O dito papel era um impresso para inscrição no Centro de Emprego e no Subsídio de Desemprego.
A aliança na mão esquerda denuncia os verdadeiros motivos das suas preocupações: a família, o Natal da família, os brinquedos que os filhos não podem ter, o comer que a mesa não vai exibir, o carro, a casa, a luz, o gás, o telefone, o cartão de crédito que lhe deram quando ainda era empregado, quando ainda era remediado, o comer, a escola dos miúdos. As pequenas coisas do dia-a-dia e que agora se transformam em excessos.
Neste momento invade-me uma tristeza ainda maior. Penso, não sou a única. Ele está pior que eu e terá quem o ajude? Terá quem lhe pague as contas até que a Segurança Social lhe envie um cheque (ao fim de 7 meses)? Terá quem lhe diga que a vida ainda não acabou? Quem lhe mostre que existem outras pessoas que precisam dele vivo e forte? Terá quem lhe dê um colo para chorar, depois de cada entrevista falhada? Despedido em Dezembro, uma semana antes do Natal… vida irónica, esta!
Os meus pensamentos avançam e recordo que este Natal cerca de dois milhões de portugueses não vão ter Natal! Famílias inteiras que, este Natal, só vão pedir uma prenda: Outra oportunidade para viver, para começar de novo.
De seguida, entro no “El Corte Inglès” e sinto-me uma visita num filme de Almodovar, daqueles dos seus melhores anos, em que as personagens constroem vidas paralelas à realidade, onde andam todos drogados, bêbedos, deslumbrados com a fantasia, com a vida que não existe! Penso: Mas será que eles ainda não entenderam como a vida está má? Será que eles têm a certeza que conseguem pagar o cartão de crédito que o banco lhes ofereceu este Natal? Será que eles têm a certeza que também não vão ser despedidos?
No entanto, este Natal, eu tenho uma certeza, uma triste e dura certeza. Eu e cerca de um milhão ou dois de portugueses não vamos ter prendas, nem as queremos! Pedimos todos uma nova oportunidade para viver! Pedimos desculpa aos nossos governantes pela crise que o País vive (e que, se calhar provocámos, sem o saber) e pedimos que nos dêem trabalho, que nos dêem a oportunidade de nos sentirmos inteiros e normais de novo!
Entro na carruagem do metro ainda baralhada com os apelos da publicidade que me convida, que me promete, que invade o mais íntimo de mim e se exibe gritando cá dentro: “Compra-me, usa-me, consome-me, Compra…”.
Sento-me e penso nos possíveis defeitos que me vão apontar nesta entrevista. Excesso de habilitações, excesso de experiência profissional…ou a história do último tecnocrata que me entrevistou e que, no fim, encheu os pulmões de ar e disse num parecer de profunda sapiência: Você tem perfil de gestora…Não o convidei a deslocar-se até à m**** porque ao fim de 128,546 entrevistas já temos os ouvidos preparados para ouvir tudo e os olhos prontos a esquecer tudo.
Deambulando sobre as várias formas como a entrevista poderia decorrer, olho em frente e vejo, sentado, um homem com os seus trinta e muitos anos. Tinha um olhar ausente, preso no vazio da linha do metro, como se estar ali nada tivesse de importante, como se estar ali ou aqui fosse indiferente. Pensamentos vazios, semblante descaído, mexia de forma nervosa num papel que trazia enrolado na mão. Enrolava e desenrolava, voltava a enrolar para depois desenrolar, ler e voltar a enrolar. O dito papel era um impresso para inscrição no Centro de Emprego e no Subsídio de Desemprego.
A aliança na mão esquerda denuncia os verdadeiros motivos das suas preocupações: a família, o Natal da família, os brinquedos que os filhos não podem ter, o comer que a mesa não vai exibir, o carro, a casa, a luz, o gás, o telefone, o cartão de crédito que lhe deram quando ainda era empregado, quando ainda era remediado, o comer, a escola dos miúdos. As pequenas coisas do dia-a-dia e que agora se transformam em excessos.
Neste momento invade-me uma tristeza ainda maior. Penso, não sou a única. Ele está pior que eu e terá quem o ajude? Terá quem lhe pague as contas até que a Segurança Social lhe envie um cheque (ao fim de 7 meses)? Terá quem lhe diga que a vida ainda não acabou? Quem lhe mostre que existem outras pessoas que precisam dele vivo e forte? Terá quem lhe dê um colo para chorar, depois de cada entrevista falhada? Despedido em Dezembro, uma semana antes do Natal… vida irónica, esta!
Os meus pensamentos avançam e recordo que este Natal cerca de dois milhões de portugueses não vão ter Natal! Famílias inteiras que, este Natal, só vão pedir uma prenda: Outra oportunidade para viver, para começar de novo.
De seguida, entro no “El Corte Inglès” e sinto-me uma visita num filme de Almodovar, daqueles dos seus melhores anos, em que as personagens constroem vidas paralelas à realidade, onde andam todos drogados, bêbedos, deslumbrados com a fantasia, com a vida que não existe! Penso: Mas será que eles ainda não entenderam como a vida está má? Será que eles têm a certeza que conseguem pagar o cartão de crédito que o banco lhes ofereceu este Natal? Será que eles têm a certeza que também não vão ser despedidos?
No entanto, este Natal, eu tenho uma certeza, uma triste e dura certeza. Eu e cerca de um milhão ou dois de portugueses não vamos ter prendas, nem as queremos! Pedimos todos uma nova oportunidade para viver! Pedimos desculpa aos nossos governantes pela crise que o País vive (e que, se calhar provocámos, sem o saber) e pedimos que nos dêem trabalho, que nos dêem a oportunidade de nos sentirmos inteiros e normais de novo!
16 Dezembro 2003
Vocês alguma vez notaram que...
Vivemos longe uns dos outros, nunca nos vimos e, no entanto, todos os dias nos encontramos no sítio do costume, partilhamos uns com os outros os nossos medos, as nossas frustrações, as nossas alegrias, as nossas piadas e os nossos pensamentos mais profundos, como se de longa e profunda amizade se tratasse!
Já pensaram nisso?
Já pensaram nisso?
Nota para memória futura nº 22
A pedido dos leitores masculinos:
Pesquisar quem é a parva que faz aqueles anúncios para vender lâminas de barbear!
Será que a criatura acredita que os homens fazem a barba à primeira e sem se cortarem?
Será que é para mulheres?
Realçar em nota de rodapé: Este anúncio também é de máxima urgência!
Pesquisar quem é a parva que faz aqueles anúncios para vender lâminas de barbear!
Será que a criatura acredita que os homens fazem a barba à primeira e sem se cortarem?
Será que é para mulheres?
Realçar em nota de rodapé: Este anúncio também é de máxima urgência!
Nota para memória futura nº 21
Pesquisar quem é o parvo que se lembra daqueles anúncios para vender pensos higiénicos!
Será que eles acreditam que as mulheres os entendem?
Ou será que eles os fazem para homens?
Realçar em nota de rodapé: Este assunto é de máxima urgência!
Será que eles acreditam que as mulheres os entendem?
Ou será que eles os fazem para homens?
Realçar em nota de rodapé: Este assunto é de máxima urgência!
15 Dezembro 2003
O saber...ou a Encefalite Apocalíptica Virtual (II)
.
Quanto mais conheço os auto-proclamados sábios, mais simpatizo com os ignorantes assumidos!
"Só sei que nada sei"
Sócrates, um ignorante assumido
Quanto mais conheço os auto-proclamados sábios, mais simpatizo com os ignorantes assumidos!
"Só sei que nada sei"
Sócrates, um ignorante assumido
14 Dezembro 2003
Polémicas...
Aceito que o Saddam Hussein seja culpado e julgado por crimes, no dia que o General Pinochet também seja capturado e condenado!
Ou a culpa de genocídio só existe onde há petróleo?
...e falo só deste, ou não haveria Blogue para todos os políticos e governantes que atentam contra os direitos humanos!
Ou a culpa de genocídio só existe onde há petróleo?
...e falo só deste, ou não haveria Blogue para todos os políticos e governantes que atentam contra os direitos humanos!
A Intelectualite
Eu sei. Eu tinha prometido não falar mais neles e, bem vistas as coisas, não falo, nem escrevo.
Escrevo sim, sobre o Papaia Express um blog que me deixou maravilhada por estas palavras sobre eles. É pena o texto ser tão inteligente e com palavras tão mordazes e certas. Eles não vão entender!
A dita Confraria, que eu não vou linkar, vive num mundo diferente. Nestas vidas, a crise é psicológica, como dizia a outra deslumbrada, entrevistada pela televisão, no El Corte Inglés.
Esta intectualite é uma doença ainda mais grave que a conjuntivite, a gonorreia, a hepatite ou a ratite. Embora eu denote aqui uns sintomas muito idênticos à encefalite. Atrevo-me até a reclamar para mim os direitos de autora de tal descoberta e a chamar-lhe Encefalite Apocalíptica Virtual.
Só não entendo como ainda ninguém se debruçou sobre esta grave doença que ataca os candidatos a intelectuais portugueses e os transforma em intelectuais dementes, narcisistas e umbiguistas, atacando-lhes primeiro o cérebro, obstruindo as vias de comunicação entre neurónios e transformando a realidade numa linda Aldeia de Strumpfs, idêntica a uma alucinação de cogumelos mágicos... passando a atacar os demais orgãos vitais do corpo, transformando a vítima noutro ser, doutro planeta, tipo versão Alien sem bicho a sair pela barriga, uma vez que aqui as anormalidades saem pela caneta e pela boca, constantemente.
Em suma, concluo que o mal de Portugal e dos portugueses é a falta de Psiquiatras, versados em ciências intelectuais e políticas.
Resta-me, portanto, agradecer ao Papaia Express por me proporcionar este lindo raciocínio.
Escrevo sim, sobre o Papaia Express um blog que me deixou maravilhada por estas palavras sobre eles. É pena o texto ser tão inteligente e com palavras tão mordazes e certas. Eles não vão entender!
A dita Confraria, que eu não vou linkar, vive num mundo diferente. Nestas vidas, a crise é psicológica, como dizia a outra deslumbrada, entrevistada pela televisão, no El Corte Inglés.
Esta intectualite é uma doença ainda mais grave que a conjuntivite, a gonorreia, a hepatite ou a ratite. Embora eu denote aqui uns sintomas muito idênticos à encefalite. Atrevo-me até a reclamar para mim os direitos de autora de tal descoberta e a chamar-lhe Encefalite Apocalíptica Virtual.
Só não entendo como ainda ninguém se debruçou sobre esta grave doença que ataca os candidatos a intelectuais portugueses e os transforma em intelectuais dementes, narcisistas e umbiguistas, atacando-lhes primeiro o cérebro, obstruindo as vias de comunicação entre neurónios e transformando a realidade numa linda Aldeia de Strumpfs, idêntica a uma alucinação de cogumelos mágicos... passando a atacar os demais orgãos vitais do corpo, transformando a vítima noutro ser, doutro planeta, tipo versão Alien sem bicho a sair pela barriga, uma vez que aqui as anormalidades saem pela caneta e pela boca, constantemente.
Em suma, concluo que o mal de Portugal e dos portugueses é a falta de Psiquiatras, versados em ciências intelectuais e políticas.
Resta-me, portanto, agradecer ao Papaia Express por me proporcionar este lindo raciocínio.
13 Dezembro 2003
Apetites para memória futura
Hoje apetecia-me comer uma bola de manteiga daquelas com 15 cm de diâmetro, cheias de recheio...
...Não, acho que vou comer duas!
...três...
...Ai, mas são tão boas...
...Pronto, como quatro e trago três para casa!
Não! Vou trazer doze bolas para casa e como-as todas longe dos olhares invejosos!
...Não, acho que vou comer duas!
...três...
...Ai, mas são tão boas...
...Pronto, como quatro e trago três para casa!
Não! Vou trazer doze bolas para casa e como-as todas longe dos olhares invejosos!
Ando há alguns dias...
...a ponderar este assunto e a melhor forma de o abordar aqui.
Refiro-me ao fenómeno Tatiana, mais conhecido por José Castelo Branco. Faço referência ao nome artístico Tatiana, pois não se pode falar neste ser, sem nos referirmos ao seu lado feminino.
Ando há algum tempo a tentar entender o fenómeno. Acho que consegui. Depois de muito pesquisar nos livros de psicologia barata que leio, depois de ler aquilo que a imprensa nos impinje sobre a criatura, cheguei a uma conclusão.
Finalmente entendi o que a Betty não sei quantas (aquela velhota que se passeia atrás dele) viu no sujeito!
Digam-me, não é o sonho de todas as mulheres terem ao seu lado um homem macho e sensível? Não é? Pois esse homem diz chamar-se Castelo Branco. Ele brinca às bonecas (útil para nós, pois temos de ter filhas para podermos brincar de novo); ele faz-se às fotografias em qualquer local (também muito útil, pois todas nós adoramos uma boa sessão fotográfica); ele usa roupa de mulher e penteados de mulher (escusamos de trocar de roupa com as amigas, pois temos o marido ali); ele bate-se numa valente luta de casa-de-banho para provar a sua masculinidade (coisa de gajo com barba rija), ao mesmo tempo que faz a barba com cera semi-fria de abelhas, para não provocar irritação (na pele dele e na de quem ele beije).
Para além destes pontos todos, não precisamos de telefonar às amigas e perguntar qual a toilette e maquilhagem certas a usar na situação x, só porque a cara metade responde com um grunhido de desprezo quando lhe perguntamos isto. Sempre que virmos um homem interessante, basta-nos dar uma cotovelada ao dito marido e arranjarmos uma discussão de três horas sobre todos os pormenores do assunto, em vez de termos de telefonar a uma amiga a relatar. Enfim, o fenómeno Tatiana Castelo Branco está dentro de qualquer tipo de problema de "gaja".
Para as menos dadas às questões carnais, a Tatiana Castelo Branco será o primeiro a dizer: Hoje não, doi-me a cabeça Amor!
Acredito que este fenómeno seja muito prático para muitas de nós. Não acham o máximo? Eu acredito que este ser seja o homem do futuro!
Quanto às outras, resta-nos dar a mão à palmatória e pedir ao "macho ibérico" para voltar. Que está perdoado...
Refiro-me ao fenómeno Tatiana, mais conhecido por José Castelo Branco. Faço referência ao nome artístico Tatiana, pois não se pode falar neste ser, sem nos referirmos ao seu lado feminino.
Ando há algum tempo a tentar entender o fenómeno. Acho que consegui. Depois de muito pesquisar nos livros de psicologia barata que leio, depois de ler aquilo que a imprensa nos impinje sobre a criatura, cheguei a uma conclusão.
Finalmente entendi o que a Betty não sei quantas (aquela velhota que se passeia atrás dele) viu no sujeito!
Digam-me, não é o sonho de todas as mulheres terem ao seu lado um homem macho e sensível? Não é? Pois esse homem diz chamar-se Castelo Branco. Ele brinca às bonecas (útil para nós, pois temos de ter filhas para podermos brincar de novo); ele faz-se às fotografias em qualquer local (também muito útil, pois todas nós adoramos uma boa sessão fotográfica); ele usa roupa de mulher e penteados de mulher (escusamos de trocar de roupa com as amigas, pois temos o marido ali); ele bate-se numa valente luta de casa-de-banho para provar a sua masculinidade (coisa de gajo com barba rija), ao mesmo tempo que faz a barba com cera semi-fria de abelhas, para não provocar irritação (na pele dele e na de quem ele beije).
Para além destes pontos todos, não precisamos de telefonar às amigas e perguntar qual a toilette e maquilhagem certas a usar na situação x, só porque a cara metade responde com um grunhido de desprezo quando lhe perguntamos isto. Sempre que virmos um homem interessante, basta-nos dar uma cotovelada ao dito marido e arranjarmos uma discussão de três horas sobre todos os pormenores do assunto, em vez de termos de telefonar a uma amiga a relatar. Enfim, o fenómeno Tatiana Castelo Branco está dentro de qualquer tipo de problema de "gaja".
Para as menos dadas às questões carnais, a Tatiana Castelo Branco será o primeiro a dizer: Hoje não, doi-me a cabeça Amor!
Acredito que este fenómeno seja muito prático para muitas de nós. Não acham o máximo? Eu acredito que este ser seja o homem do futuro!
Quanto às outras, resta-nos dar a mão à palmatória e pedir ao "macho ibérico" para voltar. Que está perdoado...
Desespero
.
Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.
Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.
Não fui eu que quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu
A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.
Ary dos Santos, A Liturgia do Sangue (1963)
Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.
Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.
Não fui eu que quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu
A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.
Ary dos Santos, A Liturgia do Sangue (1963)
12 Dezembro 2003
desabafo
.
Em Itália andam a envenenar a água, leite e sumos, e suspeita-se que poderão alargar isso a outros produtos alimentares.
Meu Deus, quem nos acode!!!
Não haverá tréguas um dia só que seja?
A minha cabeça não aguenta. Todos os dias surgem notícias de arrepiar.
Como se pode viver sob uma ameaça desta dimensão?
Em Itália andam a envenenar a água, leite e sumos, e suspeita-se que poderão alargar isso a outros produtos alimentares.
Meu Deus, quem nos acode!!!
Não haverá tréguas um dia só que seja?
A minha cabeça não aguenta. Todos os dias surgem notícias de arrepiar.
Como se pode viver sob uma ameaça desta dimensão?
apontamentos da fruta nº 3...
.
Tomar nota para não me esquecer de perguntar à Xocolaty se ela percebeu esta coisa da Lusíada.
Li agora um comunicado do Conselho de Administração da Fundação Minerva, que veio hoje na imprensa, e não percebi nada.
Afinal não sei a razão de tanto "sururu" à volta da questão cooperativa ou fundação.
Ou será que há razão e eu é que não percebi?!?
Vou comprar a revista Visão para a ler com ela este fim-de-semana.
Depois conto.
Tomar nota para não me esquecer de perguntar à Xocolaty se ela percebeu esta coisa da Lusíada.
Li agora um comunicado do Conselho de Administração da Fundação Minerva, que veio hoje na imprensa, e não percebi nada.
Afinal não sei a razão de tanto "sururu" à volta da questão cooperativa ou fundação.
Ou será que há razão e eu é que não percebi?!?
Vou comprar a revista Visão para a ler com ela este fim-de-semana.
Depois conto.
negligência...
As notícias de hoje falam de 348 casos de negligência médica investigados pela Inspecção-Geral de Saúde em 2002. Destes casos investigados resultaram 47 penas, 23 a médicos e 24 a enfermeiros.
Estes são os casos em que os famíliares (ou alguém em nome das vítimas) procuraram que fosse feita justiça e conseguiram-na.
Pergunto eu: haverá neste belo País, à beira mar plantado, alguém que tenha a certeza dos número exacto dos erros médicos?
Pergunto ainda: os erros médicos estarão relacionados com a má gestão hospitalar?
Desculpem lá e pergunto ainda: um erro médico, que é por vezes ( a maioria ) um erro fatal para o doente será fácil de identificar quando nos morre um ente querido e nós ficamos com aquela terrível suspeita de que o médico se enganou? A quem recorrer??
É que não é a mesma coisa de um erro de um escriturário ou do caixa do supermercado. Mas às vezes ouvimos os responsáveis hospitalares a falar e parece que falam de contabilidade ou de gestão corrente.
E pode o Luis Filipe vir dizer dezenas de vezes como disse há pouco : - " os médicos erram como qualquer outro profissional " que eu digo a jeito de desabafo: Pois, mas eles matam!!!
Estes são os casos em que os famíliares (ou alguém em nome das vítimas) procuraram que fosse feita justiça e conseguiram-na.
Pergunto eu: haverá neste belo País, à beira mar plantado, alguém que tenha a certeza dos número exacto dos erros médicos?
Pergunto ainda: os erros médicos estarão relacionados com a má gestão hospitalar?
Desculpem lá e pergunto ainda: um erro médico, que é por vezes ( a maioria ) um erro fatal para o doente será fácil de identificar quando nos morre um ente querido e nós ficamos com aquela terrível suspeita de que o médico se enganou? A quem recorrer??
É que não é a mesma coisa de um erro de um escriturário ou do caixa do supermercado. Mas às vezes ouvimos os responsáveis hospitalares a falar e parece que falam de contabilidade ou de gestão corrente.
E pode o Luis Filipe vir dizer dezenas de vezes como disse há pouco : - " os médicos erram como qualquer outro profissional " que eu digo a jeito de desabafo: Pois, mas eles matam!!!
Vamos lá conversar...
... de assuntos sérios e importantes para o estado da Nação!
Então é ou não é verdade que a Odete Santos vai casar com o Carlos Carvalhas?
A minha felicidade, como cidadão portuguesa, depende da confirmação desta notícia!
Exijo que a primeira filha do feliz casal se chame Xocolaty!
Então é ou não é verdade que a Odete Santos vai casar com o Carlos Carvalhas?
A minha felicidade, como cidadão portuguesa, depende da confirmação desta notícia!
Exijo que a primeira filha do feliz casal se chame Xocolaty!
Notícias...
Venho só informar que estou a passar por uma grande crise existencial romântica, pelo que não tenho qualquer tipo de inspiração para escrever sobre amor ou ler sobre amor.
Desta forma, aceitam-se elogios dos fans nos comentários deste post. Pode ser que, com ajuda, eu consiga!
Antecipadamente grata...
Desta forma, aceitam-se elogios dos fans nos comentários deste post. Pode ser que, com ajuda, eu consiga!
Antecipadamente grata...
Nota Pública de Memória Futura nº 20
Divulgar ao mundo que, de agora em diante:
1- Não vou pagar qualquer coima à Polícia;
2- Não vou a Tribunal para nada;
3- Recuso-me a prestar qualquer tipo de esclarecimentos ou manter qualquer tipo de diálogo, digno de registo, com a Polícia.
Descobri que os nossos dados, constantes na Base de Dados da P.S.P., são vendidos pelo Estado entre Ministérios, Institutos e demais elementos públicos, podendo ser facultados a qualquer privado por uma módica quantia "que baixe o Deficit"!
Não me venham chatear mais, enquanto não me explicarem muito bem onde anda o meu nome e quanto já ganharam com ele! Não quero estar relacionada com as Taras e Desvios Sexuais da Nélita Ferreira Leite!
1- Não vou pagar qualquer coima à Polícia;
2- Não vou a Tribunal para nada;
3- Recuso-me a prestar qualquer tipo de esclarecimentos ou manter qualquer tipo de diálogo, digno de registo, com a Polícia.
Descobri que os nossos dados, constantes na Base de Dados da P.S.P., são vendidos pelo Estado entre Ministérios, Institutos e demais elementos públicos, podendo ser facultados a qualquer privado por uma módica quantia "que baixe o Deficit"!
Não me venham chatear mais, enquanto não me explicarem muito bem onde anda o meu nome e quanto já ganharam com ele! Não quero estar relacionada com as Taras e Desvios Sexuais da Nélita Ferreira Leite!
11 Dezembro 2003
Não é nota...
mas serve para memória futura!
Esta noite tive o sonho mais romântico da minha vida...toda...todinha!
Sonhei que o Deficit pediu a Nelinha Ferreira Leite em casamento e ela...aceitou!
A cerimónia foi modesta e sóbria! A Nelita estava feliz e dizia para os jornalista presentes:
"Foi Amor à primeira vista, mas eu tinha de ter a certeza que ele me amava para ceder, assumir e casar!"
Digo-vos foi tão lindo, a noiva estava tão bela, o noivo tão bonito que chorei de emoção!
Saíram de Portugal e nunca mais voltaram. Foram felizes para sempre, longe de nós!
Esta noite tive o sonho mais romântico da minha vida...toda...todinha!
Sonhei que o Deficit pediu a Nelinha Ferreira Leite em casamento e ela...aceitou!
A cerimónia foi modesta e sóbria! A Nelita estava feliz e dizia para os jornalista presentes:
"Foi Amor à primeira vista, mas eu tinha de ter a certeza que ele me amava para ceder, assumir e casar!"
Digo-vos foi tão lindo, a noiva estava tão bela, o noivo tão bonito que chorei de emoção!
Saíram de Portugal e nunca mais voltaram. Foram felizes para sempre, longe de nós!
10 Dezembro 2003
Notícias quentes da Blogosfera
(tão quentes que já queimei três dedos)
O Grupo Clone S.G.P.S. colocou mais uma empresa no mercado bloguístico! Esta é a vez da grande revelação na Bolsa de Valores Bloguísticos. O título que o mercado mais esperava!
Chegou a Holding do Grupo e veio para liderar o índice Blog50. Preparem os vossos investimentos, porque eles prometem arrasar o mercado de capitais!
A Holding chama-se, modestamente, Movimento Clone e ainda não está em mercado aberto. Pelo que diz a "Press Release", aguarda-se um consenso do controlo accionista, no que concerne ao valor inicial do título!
O Grupo Clone S.G.P.S. colocou mais uma empresa no mercado bloguístico! Esta é a vez da grande revelação na Bolsa de Valores Bloguísticos. O título que o mercado mais esperava!
Chegou a Holding do Grupo e veio para liderar o índice Blog50. Preparem os vossos investimentos, porque eles prometem arrasar o mercado de capitais!
A Holding chama-se, modestamente, Movimento Clone e ainda não está em mercado aberto. Pelo que diz a "Press Release", aguarda-se um consenso do controlo accionista, no que concerne ao valor inicial do título!
Saúde
.
A oposição quer tratar da saúde ao ministro da Saúde.
Hoje na AR estão todos a falar da saúde que não há e dos hospitais que não funcionam.
Estou tão preocupada! O ministro tem aspecto de quem tem pouca saúde. Já repararam na cara dele! Coitado! Será que aguenta esta quarta-feira em pé a responder àqueles malvados todos?
Ó Luis Filipe, filho, mete baixa...
A oposição quer tratar da saúde ao ministro da Saúde.
Hoje na AR estão todos a falar da saúde que não há e dos hospitais que não funcionam.
Estou tão preocupada! O ministro tem aspecto de quem tem pouca saúde. Já repararam na cara dele! Coitado! Será que aguenta esta quarta-feira em pé a responder àqueles malvados todos?
Ó Luis Filipe, filho, mete baixa...
Onde está a maçã???
.
Tenho tantas saudades da querida e doce Maçã Assada. Sei que ela foi de romance para as arábias e tenho a impressão que está muito entretida.
Se calhar nem se lembra que é quase Natal neste lado do mundo.
Maçã volta!!! Tenho uma prendinha para ti!!!
Tenho tantas saudades da querida e doce Maçã Assada. Sei que ela foi de romance para as arábias e tenho a impressão que está muito entretida.
Se calhar nem se lembra que é quase Natal neste lado do mundo.
Maçã volta!!! Tenho uma prendinha para ti!!!
Apontamentos da fruta nº 2...
.
Não esquecer de falar com a Redação deste Blog no facto de hoje estar tão distraída.
Redação estou a escrever e ainda não deste por isso. Se tiveres que usar um lápis para me corrigir, por favor não uses o azul. Usa o rosa ; gosto tanto.
Não esquecer de falar com a Redação deste Blog no facto de hoje estar tão distraída.
Redação estou a escrever e ainda não deste por isso. Se tiveres que usar um lápis para me corrigir, por favor não uses o azul. Usa o rosa ; gosto tanto.
desabafo...
.
Sempre que penso no fenómeno da pedofilia, penso sempre que ele está relacionado com miséria, famílas descompensadas, problemas educacionais, famílias a viverem no limiar da desgraça total.
Basta-me ouvir os dolorosos relatos dos miúdos para ter o pressentimento de que as coisas podem ser piores do que aquilo que vem à luz do dia nas diversas notícias que nos chegam.
Depois abro um jornal e leio coisas deste tipo, como no "Portugal Díário" de hoje:
- " SIS alertou para a pedofilia nos Açores
O abuso sexual de menores é « um dado estrutural da realidade açoriana » refere um relatório, de 2000.
Depois tenho o pressentimento de que há forças que impedem a solução dos diversos problemas, como:
- desemprego;
- planeamento familiar;
- educação;
- ocupação dos tempos livres das crianças e jovens;
- desporto;
- acompanhamento das famílas problemáticas;
- assistência social eficaz ( que não seja só de fachada );
- protecção de crianças e jovens em risco ( onde estão as comissões?)...
E dentro do meu coração, dentro do mais profundo da minha alma, surge um enorme grito de revolta: é que existem famílias que sobrevivem com o dinheiro que as suas crianças arranjam na rua e não perguntam como foi que o arranjaram. Este dinheiro é fundamental para irem aguentando o dia-a-dia pavoroso em que chafurdam.
Meu Deus diz-me que estou sonhando. Diz-me que vou acordar e esquecer este pesadelo.
Ou então Meu Deus, esquece-me e faz algo mais grandioso, mais digno de fé que em ti deposito. Ilumina os políticos, as pessoas que têm responsabilidades sociais, as que são pagas pelo Estado para decidirem sobre a vida de todos nós, dá-lhes inspiração para que de facto desempenhem o papel decisivo na solução dos problemas.
Será possível viver num mundo onde as crianças sejam as nossas crianças???
Sempre que penso no fenómeno da pedofilia, penso sempre que ele está relacionado com miséria, famílas descompensadas, problemas educacionais, famílias a viverem no limiar da desgraça total.
Basta-me ouvir os dolorosos relatos dos miúdos para ter o pressentimento de que as coisas podem ser piores do que aquilo que vem à luz do dia nas diversas notícias que nos chegam.
Depois abro um jornal e leio coisas deste tipo, como no "Portugal Díário" de hoje:
- " SIS alertou para a pedofilia nos Açores
O abuso sexual de menores é « um dado estrutural da realidade açoriana » refere um relatório, de 2000.
Depois tenho o pressentimento de que há forças que impedem a solução dos diversos problemas, como:
- desemprego;
- planeamento familiar;
- educação;
- ocupação dos tempos livres das crianças e jovens;
- desporto;
- acompanhamento das famílas problemáticas;
- assistência social eficaz ( que não seja só de fachada );
- protecção de crianças e jovens em risco ( onde estão as comissões?)...
E dentro do meu coração, dentro do mais profundo da minha alma, surge um enorme grito de revolta: é que existem famílias que sobrevivem com o dinheiro que as suas crianças arranjam na rua e não perguntam como foi que o arranjaram. Este dinheiro é fundamental para irem aguentando o dia-a-dia pavoroso em que chafurdam.
Meu Deus diz-me que estou sonhando. Diz-me que vou acordar e esquecer este pesadelo.
Ou então Meu Deus, esquece-me e faz algo mais grandioso, mais digno de fé que em ti deposito. Ilumina os políticos, as pessoas que têm responsabilidades sociais, as que são pagas pelo Estado para decidirem sobre a vida de todos nós, dá-lhes inspiração para que de facto desempenhem o papel decisivo na solução dos problemas.
Será possível viver num mundo onde as crianças sejam as nossas crianças???
Aviso
Peço desculpa por esta interrupção alheia à minha vontade, mas tenho que ir ali num instantinho visitar os blogs da vizinhança. Já volto.
Apontamentos da fruta nº 1
.
"... comandante indigitado da BT está a ser investigado pela PJ militar."
Não esquecer de averiguar o que é que o homem fez.
Não esquecer ainda de tentar saber porque razão é que o pessoal da BT não o quer.
"... comandante indigitado da BT está a ser investigado pela PJ militar."
Não esquecer de averiguar o que é que o homem fez.
Não esquecer ainda de tentar saber porque razão é que o pessoal da BT não o quer.
09 Dezembro 2003
Nota para memória futura nº 19
Hoje...
Esqueci-me ....
E agora?
Pensa Bananas Sofia, PENSA!
Ahhhhhh!
Hoje a Ginja faz anos!
FELIZ ANIVERSÁRIO À GINJAAAA!
Esqueci-me ....
E agora?
Pensa Bananas Sofia, PENSA!
Ahhhhhh!
Hoje a Ginja faz anos!
FELIZ ANIVERSÁRIO À GINJAAAA!
Desisto...
Depois do que restou de mim
ter comido o que restou de ti
e do que restou de ti ainda ter tido forças
para acabar com o último bocadinho de mim...
Rendo-me!
Achas qua ainda há mais alguma coisita para petiscarmos?
XuacK
ter comido o que restou de ti
e do que restou de ti ainda ter tido forças
para acabar com o último bocadinho de mim...
Rendo-me!
Achas qua ainda há mais alguma coisita para petiscarmos?
XuacK
08 Dezembro 2003
Pedes-me uma prova de amor?
Não te posso dar!
O Amor não é um objecto
Que se exiba e se use!
Se o Amor fosse flor,
Seria a Papoila
E quando a colhesses e a levasses,
morreria de tristeza!
Se o Amor fosse elemento,
Seria água, a água que te gerou,
Que te lava, que te alimenta,
A água que há em ti!
Se o Amor de água se tratasse,
Seria um oceano
Que vai e vem quando lhe apetece,
Que te molha e que foge,
Que tu não controlas!
Se o Amor fosse um bicho,
Seria um Tigre,
Grande, forte, supremo,
Que te apaixona, que tu temes,
Que te devora e existe sem ti!
Se o Amor fosse planeta
Seria a Lua,
Que te ilumina no escuro,
Que te atrai e que não se deixa apanhar.
Se o Amor fosse gente,
Seria eu, que te amo,
Apenas porque te amo!
Mas o Amor é um Ser, invisível,
Que tu sentes e não vês!
Que tu não controlas, nem escolhes!
Que existe!
Contigo ou sem ti…
Quanto a mim…
Com o Amor nada me pareço,
Porque dele também sofro.
Porque a mim também me consome e alimenta.
Amo-te enquanto existir o Amor que há em mim
E em ti!
O Amor não é um objecto
Que se exiba e se use!
Se o Amor fosse flor,
Seria a Papoila
E quando a colhesses e a levasses,
morreria de tristeza!
Se o Amor fosse elemento,
Seria água, a água que te gerou,
Que te lava, que te alimenta,
A água que há em ti!
Se o Amor de água se tratasse,
Seria um oceano
Que vai e vem quando lhe apetece,
Que te molha e que foge,
Que tu não controlas!
Se o Amor fosse um bicho,
Seria um Tigre,
Grande, forte, supremo,
Que te apaixona, que tu temes,
Que te devora e existe sem ti!
Se o Amor fosse planeta
Seria a Lua,
Que te ilumina no escuro,
Que te atrai e que não se deixa apanhar.
Se o Amor fosse gente,
Seria eu, que te amo,
Apenas porque te amo!
Mas o Amor é um Ser, invisível,
Que tu sentes e não vês!
Que tu não controlas, nem escolhes!
Que existe!
Contigo ou sem ti…
Quanto a mim…
Com o Amor nada me pareço,
Porque dele também sofro.
Porque a mim também me consome e alimenta.
Amo-te enquanto existir o Amor que há em mim
E em ti!
07 Dezembro 2003
Bem, assim não vale!
Achas bem morderes-me, só por eu te pedir para não me olhares assim?
E agora? Deixas-me assim...com água na boca?
Quero mais!
Amanhã não te vou dar uma dentada!
Amanhã o que resta de mim vai comer o que resta de ti!
E agora? Atreves-te?
XuacK
E agora? Deixas-me assim...com água na boca?
Quero mais!
Amanhã não te vou dar uma dentada!
Amanhã o que resta de mim vai comer o que resta de ti!
E agora? Atreves-te?
XuacK
Re-post Vadio...
Como o pessoal mais chegado
deste blog malfadado
Gostou e sugeriu
o nosso fado vadio!
Repito hoje o post
para quem ainda não o viu!
Para os mais ambientalistas
fica já o conselho
que o fado é sobre os artistas
e que os pássaros
se foram sem norte nem trambelho!
Cá vai o nosso fado
nas barracas criado
Com muito tinto
a pedido do Jacinto!
deste blog malfadado
Gostou e sugeriu
o nosso fado vadio!
Repito hoje o post
para quem ainda não o viu!
Para os mais ambientalistas
fica já o conselho
que o fado é sobre os artistas
e que os pássaros
se foram sem norte nem trambelho!
Cá vai o nosso fado
nas barracas criado
Com muito tinto
a pedido do Jacinto!
06 Dezembro 2003
Pssssssssssssssssttt
Sim, TU!
Havia de ser quem?
Vês mais alguém aqui?
Chega-te aqui e lê-me com atenção!
A próxima vez que me olhares assim, dou-te uma dentada!
...na orelha!
..esquerda!
XuacK
Havia de ser quem?
Vês mais alguém aqui?
Chega-te aqui e lê-me com atenção!
A próxima vez que me olhares assim, dou-te uma dentada!
...na orelha!
..esquerda!
XuacK
Deambulando pelos sonhos...
Há alturas, quando viajo nos milhares de pensamentos que os meus neurónios produzem por segundo, dou comigo fixa numa ideia. Paro numa das muitas sugestões de pensamentos do meu cérebro e desenvolvo-a. Confesso que com um certo prazer malévolo ou, como diria a Dondy, de bruxinha!
Imagino-me a renunciar a tudo o que jurei, a dizer não ao comprometimento em não interferir no destino do que quer que seja e de quem quer que seja! Não seria partir do zero, pois não poderia abdicar do que já sei. Digamos que, dentro do meu livre arbítrio, dizia não, um redondo NÃO QUERO!
Então, faria o que bem me desse na telha e iria por ai, armada em Zaratustra do Séc. XXI e a corrigir tudo o que acho mal! Claro que usaria isso em meu proveito próprio e, obviamente, que bens materiais não me faltariam.
Então, nesse sonho, invocaria as forças da natureza e da minha palavra faria trovões, da minha voz sairiam sons graves e imponentes, do vento usaria a velocidade para espalhar a palavra e do dia faria noite e usaria a força da lua nova para transformar. Escolheria um alvo fácil e fraco para brincar. Poderia ser o Cherne, por exemplo.
Dir-lhe-ia com a minha voz de trovoada, que o vento espalharia por todo o lado onde ele estivesse: “Tudo o que fizeres, a ti te será devolvido a triplicar, conforme as leis de x e y que governam a vida. Tudo o que de ti sair, a ti será devolvido a triplicar!” Não estaria a inventar nada, apenas precipitaria os acontecimentos! Anteciparia o destino e mudaria as regras do jogo, a meu proveito!
Depois, continuo a viajar nos tais pensamentos e descubro que a mim também tudo me seria devolvido a triplicar. A diferença está aqui: enquanto a vítima recebe do destino já, eu receberia depois.
Mais adiante no raciocínio, sinto-me mal e penso: “Não! Eu não posso fazer isto! Não sou eu que decido!”…Depois continuo a lógica e sinto-me culpada apenas por pensar, por imaginar, porque nos pensamentos também há magia, mais que nas palavras e nos actos. Sinto-me mal por recuar, por imaginar as hipóteses erradas, quando deveria trabalhar e trabalhar intensamente para construir algo melhor e para explicar, a quem não sabe distinguir o sonho da realidade, que é errado intervir.
Então lembro-me destas palavras que li um dia aqui:
Guerreiro da Luz
«Todo o guerreiro da luz já teve medo de entrar em combate.
Todo o guerreiro da luz já traiu e mentiu no passado.
Todo o guerreiro da luz já trilhou um caminho que não era o dele.
Todo o guerreiro da luz já sofreu por coisas sem importância.
Todo o guerreiro da luz já achou que não era guerreiro da luz.
Todo o guerreiro da luz já falhou nas suas obrigações espirituais.
Todo o guerreiro da luz já disse sim quando queria dizer não.
Todo o guerreiro da luz já feriu alguém que amava.
Por isso é um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.»
Paulo Coelho – Manual do Guerreiro da Luz
No final chego à conclusão que não estou errada, que não devo ter medo. Pois todos nós devemos olhar para trás no caminho da vida, pois todos nós devemos sempre reflectir no caminho que pretendemos seguir.
Nem sempre ir em frente é o caminho certo, tal como nem sempre avançar sem questionar é seguro!
Imagino-me a renunciar a tudo o que jurei, a dizer não ao comprometimento em não interferir no destino do que quer que seja e de quem quer que seja! Não seria partir do zero, pois não poderia abdicar do que já sei. Digamos que, dentro do meu livre arbítrio, dizia não, um redondo NÃO QUERO!
Então, faria o que bem me desse na telha e iria por ai, armada em Zaratustra do Séc. XXI e a corrigir tudo o que acho mal! Claro que usaria isso em meu proveito próprio e, obviamente, que bens materiais não me faltariam.
Então, nesse sonho, invocaria as forças da natureza e da minha palavra faria trovões, da minha voz sairiam sons graves e imponentes, do vento usaria a velocidade para espalhar a palavra e do dia faria noite e usaria a força da lua nova para transformar. Escolheria um alvo fácil e fraco para brincar. Poderia ser o Cherne, por exemplo.
Dir-lhe-ia com a minha voz de trovoada, que o vento espalharia por todo o lado onde ele estivesse: “Tudo o que fizeres, a ti te será devolvido a triplicar, conforme as leis de x e y que governam a vida. Tudo o que de ti sair, a ti será devolvido a triplicar!” Não estaria a inventar nada, apenas precipitaria os acontecimentos! Anteciparia o destino e mudaria as regras do jogo, a meu proveito!
Depois, continuo a viajar nos tais pensamentos e descubro que a mim também tudo me seria devolvido a triplicar. A diferença está aqui: enquanto a vítima recebe do destino já, eu receberia depois.
Mais adiante no raciocínio, sinto-me mal e penso: “Não! Eu não posso fazer isto! Não sou eu que decido!”…Depois continuo a lógica e sinto-me culpada apenas por pensar, por imaginar, porque nos pensamentos também há magia, mais que nas palavras e nos actos. Sinto-me mal por recuar, por imaginar as hipóteses erradas, quando deveria trabalhar e trabalhar intensamente para construir algo melhor e para explicar, a quem não sabe distinguir o sonho da realidade, que é errado intervir.
Então lembro-me destas palavras que li um dia aqui:
Guerreiro da Luz
«Todo o guerreiro da luz já teve medo de entrar em combate.
Todo o guerreiro da luz já traiu e mentiu no passado.
Todo o guerreiro da luz já trilhou um caminho que não era o dele.
Todo o guerreiro da luz já sofreu por coisas sem importância.
Todo o guerreiro da luz já achou que não era guerreiro da luz.
Todo o guerreiro da luz já falhou nas suas obrigações espirituais.
Todo o guerreiro da luz já disse sim quando queria dizer não.
Todo o guerreiro da luz já feriu alguém que amava.
Por isso é um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.»
Paulo Coelho – Manual do Guerreiro da Luz
No final chego à conclusão que não estou errada, que não devo ter medo. Pois todos nós devemos olhar para trás no caminho da vida, pois todos nós devemos sempre reflectir no caminho que pretendemos seguir.
Nem sempre ir em frente é o caminho certo, tal como nem sempre avançar sem questionar é seguro!
E se eu ...
...fosse um (a) líder, quem seria?
O GHANDI, pois está claro!
Mas, confesso que fiquei com muito medo de ser um Bush ou um Cherne! Pronto, agora tenho mais esperança em mim!
O GHANDI, pois está claro!
Mas, confesso que fiquei com muito medo de ser um Bush ou um Cherne! Pronto, agora tenho mais esperança em mim!
05 Dezembro 2003
O Vôo das Aves
.
Alberto, o Desalinhado vestiu o seu melhor fato, sacudiu-lhe o pó, alisou o cabelo e ajeitou o bigode. Subiu a calçada de andar gingão, olhar maroto e pensamentos até mais não...
Dobrou a esquina, entrou na Tasca do Xico e pediu um copo de três, se faz favor!
João das Boinas já lá estava. É sempre o primeiro a chegar à Tasca, perdão...ao emprego.
Alberto e João, colegas de profissão ou, se preferirem, profissionais do "Galão" na Tasca do Xico das Febras, aliviaram o bicho com dois penaltis de tinto maduro, reserva do Xico, da boa...da de Palmela. Vamos indo? Falou João das Boinas, nervoso. Tá na hora...
Após ordenarem ao Xico para juntar a despesa à conta dos últimos dez anos saem da Tasca. Andar gingão, palpites de macho às gajas que passam. Lá vão os colegas a caminho da igreja!
Hoje é dia de festa! A Maria Coxa casa-se com o Manel Xibo. Dia de festa grossa!
Cinquenta gajas boas à frente está a Igreja! Uii.... estão cá todos, exclama esta vossa humilde e nada omnipresente narradora.
À porta da Igreja está o Carlitos da Bica, o Xico das Naifas, a Tóina Branca e a Tóina Preta (para os invejosos que me acusem de racismo, reformulo: a Tónia Castanha Clara e a Tóina Castanha Escura), a Tóina do Xico das Febras, a Jacinta Ratinha, o Zé das Couves, o Zé dos Finos, a Comadre Jesuína e o Rui das Neves. O casamento será realizado pelo padre da Paróquia e amigo cá do pessoal, Padre Augusto. Grande conviva lá da Tasca do Xico das Febras, amigo da boa colheita de Palmela e de uma batotazita no final da noite.
O noivo, Manel Xibo, pulula (permitam-me as palavras de sete tostões, pois a cerimónia assim o merece)...dizia eu, pulula de nervosismo por entre os convidados.
O padre abre a porta da igreja e entra o Povo sereno e ordeiro, pois na casa de Deus não há lugar para confusões.
No altar, o noivo mais o padre e os padrinhos. O Zé Cangalheiro e a Rosa Coxa (irmã da noiva), padrinhos da noiva e a Judite Zarolha e o Aníbal da Judite, padrinhos do noivo. Comadre Jesuína, beata de profissão e D.J. de serviço, coloca o disco da Avé Maria, como a cerimónia o exige.
Entra a noiva, acompanhada pelo Márinho das Docas, patrão do noivo e empresário de sucesso muito respeitado lá para o lado do Casal dos Antónios. Lá vai a noiva, caminhando lentamente até ao altal, no meio do mais puro cheiro de naftalina que aquela paróquia alguma vez testemunhou. O Manel Xibo sua que nem um perdido. Não é razão para menos, digo-vos eu que sou a narradora e percebo destas coisas, pois a Maria Coxa obrigou-o a dar o nó com uma pinta do caraças!
Começa o padre o casório e a dizer aquelas coisas próprias destas alturas. O pessoal levanta-se, o pessoal senta-se, o pessoal levanta-se, benze-se, ora e senta-se, o pessoal levanta-se e senta-se, o pessoal levanta-se, benze-se, ora e senta-se... terminados estes exercícios de ginástica cristã, os noivos beijam-se. Zé dos Finos, fotógrafo de serviço, grava os momentos mágicos da celebração para mais tarde recordar.
Sai o Povo da Igreja, atira-se o arroz, beijam-se os noivos, fotografa-se o grupo com o padre também no retrato e lá vão todos para a festa!
Para que serve um casório, se não houver festa onde o Povo coma, beba e dance?
Juntou-se o Povo, no quintal da barraca do Marinho das Docas, e aí se fez a maior festa alguma vez vista no Casal dos Antónios, o maior e mais formoso Bairro de Barracas de Lisboa.
Os petiscos da Amélia do Márinho, mais a produção de vinho do Xico das Febras ( a tal de Palmela) e mais os bagaços do Rui das Neves (grande produção made in Damaia), mais os tangos, as valsas, as salsas, as modas lá da terra e o bom do faducho (cantado pelo Rouxinol, nome de guerra do Carlitos da Bica a acompanhar na viola pelos três estarolas, respectivamente Padre Augusto, Beto Desalinhado e João das Boinas).
Estava a festa animada com o Povo bem comido, bebido e dançado, quando entra a polícia a gritar e a mandar o pessoal encostar e a festa terminar.
Ora, o Povo arreliou-se, o sossego acabou-se e gerou-se a confusão. Houve estalada, pontapé, calduço e safanão. Salta a Tóina Preta para o baile e grita para a multidão: Que falta de respeito pelos noivos e pelo fadista de coração! Mal educados os bófias! Ora não sabem eles que quando se canta o fado ninguém pia? Já dizia a minha avó Maria!
Vai daí, um dos polícias excitado, saca da arma e dispara, acertando nos enfeites do Márinho que caem em cima da Tóina Branca, que desmaia.
Ora começa de novo a confusão com o Povo ao pontapé e à estalada, mais garrafas e copos a voarem e os polícias a gritarem que o Povo do Casal dos Antónios precisa de uma lição! ...e a Tóina desmaiada!
Acorda a Tóina alvoraçada e sai a gritar, para o bairro ajudar: Acudam que nos querem matar!!!!
Vai o Povo dos Antónios, junta-se ao Povo do casório e multiplica-se a confusão!
Socorrooooo! Grita a Tóina. A trolitada na cabeça deixou-a desvairada!
São mais de duzentos no quintal da barraca do Márinho, uns polícias, outros Povo, todos à estalada e ao calduço! Eis que se ouve na confusão uma voz fininha que grita: Larga-me a breguilha, cabrão!
Cala-se o Povo e a bófia e do silêncio se fez indignação. Haverá pedófilo na freguesia? Mata-se já o bicho que é uma alegria!
Já o Márinho das Docas, atracado à Comadre Jesuína, fugia, carregado com a mercadoria e gritando: a mim não me apanham, não!
Diz o Padre já cansado de tamanha confusão: Então que se passa? Somos homens ou não?
Pede o chefe da polícia a palavra para falar:
- Não sou doutor nem letrado, não tenho curso nem mestrado, mas peço a palavra para explicar a situação!Enganámo-nos na casa e, por isso, peço perdão!
Fica o povo excitado e começa desvairado a correr com a bófia do barracão!
Fica o povo arreliado lembrando-se do pedófilo a quem chamaram cabrão! Descobre-se a Amélia, cuja breguilha estava o Xico das Naifas preso, pela mão. Fugiu-lhe o homem com a outra, mas não faz mal! O Xico é mais brincalhão!
Vai o padre, já corado, pede respeito pelo homem casado que fugiu com outra pela mão!
Zanga-se o povo já bebido pelo tinto bem servido e mais o bagaço do das Neves. Gera-se, de novo a confusão. Há estalada que ferve e salta a narradora farta desta trama sem fim, nem solução:
-Oh que raios, que fado, digo-vos eu Povo irado! Já não posso com a situação e parti uma unha desta mão!
-Voem os pássaros para longe, alinhe-se o Alberto Desalinhado, tira a bóina óh João!
- Acaba-se já a história do casório neste bairro malfadado e dado à confusão!
Alberto, o Desalinhado vestiu o seu melhor fato, sacudiu-lhe o pó, alisou o cabelo e ajeitou o bigode. Subiu a calçada de andar gingão, olhar maroto e pensamentos até mais não...
Dobrou a esquina, entrou na Tasca do Xico e pediu um copo de três, se faz favor!
João das Boinas já lá estava. É sempre o primeiro a chegar à Tasca, perdão...ao emprego.
Alberto e João, colegas de profissão ou, se preferirem, profissionais do "Galão" na Tasca do Xico das Febras, aliviaram o bicho com dois penaltis de tinto maduro, reserva do Xico, da boa...da de Palmela. Vamos indo? Falou João das Boinas, nervoso. Tá na hora...
Após ordenarem ao Xico para juntar a despesa à conta dos últimos dez anos saem da Tasca. Andar gingão, palpites de macho às gajas que passam. Lá vão os colegas a caminho da igreja!
Hoje é dia de festa! A Maria Coxa casa-se com o Manel Xibo. Dia de festa grossa!
Cinquenta gajas boas à frente está a Igreja! Uii.... estão cá todos, exclama esta vossa humilde e nada omnipresente narradora.
À porta da Igreja está o Carlitos da Bica, o Xico das Naifas, a Tóina Branca e a Tóina Preta (para os invejosos que me acusem de racismo, reformulo: a Tónia Castanha Clara e a Tóina Castanha Escura), a Tóina do Xico das Febras, a Jacinta Ratinha, o Zé das Couves, o Zé dos Finos, a Comadre Jesuína e o Rui das Neves. O casamento será realizado pelo padre da Paróquia e amigo cá do pessoal, Padre Augusto. Grande conviva lá da Tasca do Xico das Febras, amigo da boa colheita de Palmela e de uma batotazita no final da noite.
O noivo, Manel Xibo, pulula (permitam-me as palavras de sete tostões, pois a cerimónia assim o merece)...dizia eu, pulula de nervosismo por entre os convidados.
O padre abre a porta da igreja e entra o Povo sereno e ordeiro, pois na casa de Deus não há lugar para confusões.
No altar, o noivo mais o padre e os padrinhos. O Zé Cangalheiro e a Rosa Coxa (irmã da noiva), padrinhos da noiva e a Judite Zarolha e o Aníbal da Judite, padrinhos do noivo. Comadre Jesuína, beata de profissão e D.J. de serviço, coloca o disco da Avé Maria, como a cerimónia o exige.
Entra a noiva, acompanhada pelo Márinho das Docas, patrão do noivo e empresário de sucesso muito respeitado lá para o lado do Casal dos Antónios. Lá vai a noiva, caminhando lentamente até ao altal, no meio do mais puro cheiro de naftalina que aquela paróquia alguma vez testemunhou. O Manel Xibo sua que nem um perdido. Não é razão para menos, digo-vos eu que sou a narradora e percebo destas coisas, pois a Maria Coxa obrigou-o a dar o nó com uma pinta do caraças!
Começa o padre o casório e a dizer aquelas coisas próprias destas alturas. O pessoal levanta-se, o pessoal senta-se, o pessoal levanta-se, benze-se, ora e senta-se, o pessoal levanta-se e senta-se, o pessoal levanta-se, benze-se, ora e senta-se... terminados estes exercícios de ginástica cristã, os noivos beijam-se. Zé dos Finos, fotógrafo de serviço, grava os momentos mágicos da celebração para mais tarde recordar.
Sai o Povo da Igreja, atira-se o arroz, beijam-se os noivos, fotografa-se o grupo com o padre também no retrato e lá vão todos para a festa!
Para que serve um casório, se não houver festa onde o Povo coma, beba e dance?
Juntou-se o Povo, no quintal da barraca do Marinho das Docas, e aí se fez a maior festa alguma vez vista no Casal dos Antónios, o maior e mais formoso Bairro de Barracas de Lisboa.
Os petiscos da Amélia do Márinho, mais a produção de vinho do Xico das Febras ( a tal de Palmela) e mais os bagaços do Rui das Neves (grande produção made in Damaia), mais os tangos, as valsas, as salsas, as modas lá da terra e o bom do faducho (cantado pelo Rouxinol, nome de guerra do Carlitos da Bica a acompanhar na viola pelos três estarolas, respectivamente Padre Augusto, Beto Desalinhado e João das Boinas).
Estava a festa animada com o Povo bem comido, bebido e dançado, quando entra a polícia a gritar e a mandar o pessoal encostar e a festa terminar.
Ora, o Povo arreliou-se, o sossego acabou-se e gerou-se a confusão. Houve estalada, pontapé, calduço e safanão. Salta a Tóina Preta para o baile e grita para a multidão: Que falta de respeito pelos noivos e pelo fadista de coração! Mal educados os bófias! Ora não sabem eles que quando se canta o fado ninguém pia? Já dizia a minha avó Maria!
Vai daí, um dos polícias excitado, saca da arma e dispara, acertando nos enfeites do Márinho que caem em cima da Tóina Branca, que desmaia.
Ora começa de novo a confusão com o Povo ao pontapé e à estalada, mais garrafas e copos a voarem e os polícias a gritarem que o Povo do Casal dos Antónios precisa de uma lição! ...e a Tóina desmaiada!
Acorda a Tóina alvoraçada e sai a gritar, para o bairro ajudar: Acudam que nos querem matar!!!!
Vai o Povo dos Antónios, junta-se ao Povo do casório e multiplica-se a confusão!
Socorrooooo! Grita a Tóina. A trolitada na cabeça deixou-a desvairada!
São mais de duzentos no quintal da barraca do Márinho, uns polícias, outros Povo, todos à estalada e ao calduço! Eis que se ouve na confusão uma voz fininha que grita: Larga-me a breguilha, cabrão!
Cala-se o Povo e a bófia e do silêncio se fez indignação. Haverá pedófilo na freguesia? Mata-se já o bicho que é uma alegria!
Já o Márinho das Docas, atracado à Comadre Jesuína, fugia, carregado com a mercadoria e gritando: a mim não me apanham, não!
Diz o Padre já cansado de tamanha confusão: Então que se passa? Somos homens ou não?
Pede o chefe da polícia a palavra para falar:
- Não sou doutor nem letrado, não tenho curso nem mestrado, mas peço a palavra para explicar a situação!Enganámo-nos na casa e, por isso, peço perdão!
Fica o povo excitado e começa desvairado a correr com a bófia do barracão!
Fica o povo arreliado lembrando-se do pedófilo a quem chamaram cabrão! Descobre-se a Amélia, cuja breguilha estava o Xico das Naifas preso, pela mão. Fugiu-lhe o homem com a outra, mas não faz mal! O Xico é mais brincalhão!
Vai o padre, já corado, pede respeito pelo homem casado que fugiu com outra pela mão!
Zanga-se o povo já bebido pelo tinto bem servido e mais o bagaço do das Neves. Gera-se, de novo a confusão. Há estalada que ferve e salta a narradora farta desta trama sem fim, nem solução:
-Oh que raios, que fado, digo-vos eu Povo irado! Já não posso com a situação e parti uma unha desta mão!
-Voem os pássaros para longe, alinhe-se o Alberto Desalinhado, tira a bóina óh João!
- Acaba-se já a história do casório neste bairro malfadado e dado à confusão!
04 Dezembro 2003
Nota para memória futura nº 18
Ontem telefonei ao Papa, conforme tinha anotado.
Pedi-lhe para mexer uns lobbies por nós, na Europa.
Ele disse-me um segredo que eu tenho de guardar para sempre nas minhas notas:
Deus morreu e só o Cherne ainda não entendeu!
Pedi-lhe para mexer uns lobbies por nós, na Europa.
Ele disse-me um segredo que eu tenho de guardar para sempre nas minhas notas:
Deus morreu e só o Cherne ainda não entendeu!
Receita especial de Natal
.
Prepare uma forma do tamanho do mundo.
Barre com muito amor.
Polvilhe, mesmo levemente, com fraternidade.
Bata, em separado, uma boa dose de amizade.
Junte um sorriso de criança
com flores de ternura e tolerância.
Misture tudo na forma
Até que a massa fique consistente.
Leve a lume brando indefinidamente.
Faça a cobertura
Com pedaços de paz que conseguir reunir!
Ah! Não é necessário mal!
Sirva-se em todo o lado, todo o ano.
(por Maria de Fátima Feliciano Fajã de Baixo
Ponta Delgada - Açores)
Prepare uma forma do tamanho do mundo.
Barre com muito amor.
Polvilhe, mesmo levemente, com fraternidade.
Bata, em separado, uma boa dose de amizade.
Junte um sorriso de criança
com flores de ternura e tolerância.
Misture tudo na forma
Até que a massa fique consistente.
Leve a lume brando indefinidamente.
Faça a cobertura
Com pedaços de paz que conseguir reunir!
Ah! Não é necessário mal!
Sirva-se em todo o lado, todo o ano.
(por Maria de Fátima Feliciano Fajã de Baixo
Ponta Delgada - Açores)
Nota para memória futura nº 17
Hoje acordei e desejei que todos os Mentecaptos do mundo tivessem luz e conseguissem entender o mais básico dos conceitos.
Saí de casa e descobri que o mundo está igual...
pena...
Saí de casa e descobri que o mundo está igual...
pena...
03 Dezembro 2003
Extra Extra
Surgiu o primeiro livro interactivo da Blogosfera e sem fins lucrativos!
Proposto pelo Bichinho-de-conta, a Frutó Xocolaty, S.G.P.S., S.A. (250 anos a pensar em si!) desenvolveu os alicerces para o primeiro livro interactivo da Blogosfera Portuguesa!
Os candidatos a participar na louca e fantástica aventura devem enviar os dados para o nosso e-mail, a fim de podermos delinear os traços gerais do livro.
Podem, também, consultar a ideia inicial nos comentários ao post aqui em baixo! Este!
Ora o título está definido e chama-se Há coincidências!
Proposto pelo Bichinho-de-conta, a Frutó Xocolaty, S.G.P.S., S.A. (250 anos a pensar em si!) desenvolveu os alicerces para o primeiro livro interactivo da Blogosfera Portuguesa!
Os candidatos a participar na louca e fantástica aventura devem enviar os dados para o nosso e-mail, a fim de podermos delinear os traços gerais do livro.
Podem, também, consultar a ideia inicial nos comentários ao post aqui em baixo! Este!
Ora o título está definido e chama-se Há coincidências!
Há ou não há coincidências?
Preciso de ajuda!
Calma, eu explico! Ao fim de vários meses de intensa procura, descobri uma amiga que tem os livros da Margarida Rebelo Pinto. Saquei-lhe vários. Distribuí-os equitativamente por mim e pela Melancia, para nos inteirarmos da cultura pop. Enfim, temos de estar na moda. Temos um blog e um grande peso nas costas!
Ora, dizia eu...Comecei a ler o "Não há coincidências". Aliás, li a nota inicial depois dos agradecimentos. A qual vou citar:
"Só acreditaria num Deus que soubesse dançar."
Nietzsche, in Also sprach Zarathustra
O que me choca não é o facto da velha jovem saber falar alemão (coisa que todos sabemos, devidamente munidos de intérprete e dicionário). O que me choca é o pobre Nietzsche naquela boca!
Logo me ocorreram estas dúvidas existenciais: Saberá ela o contexto do Assim falou Zaratustra? Terá ela lido aquele livro chatíssimo, no ponto de vista de uma cabeça pop?
Agora estou com medo de ler o livro. Imagino lá dentro um cenário com a personagem principal que encontra o Zaratustra dentro da caverna, tal e qual como Nietzsche o descreve antes de ele descer à cidade. Enfim, não há coincidências...o título diz tudo!
Ou pior: Imaginem o Karl Marx como o amante da personagem principal e a Jenny, a oficial do Karl, a perseguir a personagem principal, a surpreendê-los a ambos em locais públicos...enfim, não há coincidências e uma peixeirada amorosa com crime à mistura fica sempre bem neste cenário pop!
Pior ainda: uma orgia daquelas típicas na nossa alta esfera social. Muita cocaína, muito alcool e, no meio daqueles depravados todos...o Kant! Sim, o Kant! Kant, o Pornófilo! Figura sempre presente em todas as orgias e demais depravações de um livro que, chamando-se Não há coincidências, me mete um medo do caraças...!
Preciso de sugestões, por favor...
Calma, eu explico! Ao fim de vários meses de intensa procura, descobri uma amiga que tem os livros da Margarida Rebelo Pinto. Saquei-lhe vários. Distribuí-os equitativamente por mim e pela Melancia, para nos inteirarmos da cultura pop. Enfim, temos de estar na moda. Temos um blog e um grande peso nas costas!
Ora, dizia eu...Comecei a ler o "Não há coincidências". Aliás, li a nota inicial depois dos agradecimentos. A qual vou citar:
"Só acreditaria num Deus que soubesse dançar."
Nietzsche, in Also sprach Zarathustra
O que me choca não é o facto da velha jovem saber falar alemão (coisa que todos sabemos, devidamente munidos de intérprete e dicionário). O que me choca é o pobre Nietzsche naquela boca!
Logo me ocorreram estas dúvidas existenciais: Saberá ela o contexto do Assim falou Zaratustra? Terá ela lido aquele livro chatíssimo, no ponto de vista de uma cabeça pop?
Agora estou com medo de ler o livro. Imagino lá dentro um cenário com a personagem principal que encontra o Zaratustra dentro da caverna, tal e qual como Nietzsche o descreve antes de ele descer à cidade. Enfim, não há coincidências...o título diz tudo!
Ou pior: Imaginem o Karl Marx como o amante da personagem principal e a Jenny, a oficial do Karl, a perseguir a personagem principal, a surpreendê-los a ambos em locais públicos...enfim, não há coincidências e uma peixeirada amorosa com crime à mistura fica sempre bem neste cenário pop!
Pior ainda: uma orgia daquelas típicas na nossa alta esfera social. Muita cocaína, muito alcool e, no meio daqueles depravados todos...o Kant! Sim, o Kant! Kant, o Pornófilo! Figura sempre presente em todas as orgias e demais depravações de um livro que, chamando-se Não há coincidências, me mete um medo do caraças...!
Preciso de sugestões, por favor...
Nota para memória futura nº 16
Ando tão arreliadaaaaa!
Muito arreliada mesmoooo!
Então se Deus não faz parte da Constituição Europeia, como é que ele vai cuidar de nós?
Recordar (em negrito): Telefonar, hoje, ao Papa às 17 horas (momento dos comprimidos da tarde), pedir-lhe para mover os lobbies e arranjar um lugarzito para Deus na Constituição.
Estes sacanas da Europa andam a estragar os pedidos do Cherne!
Chatos, pá!
Muito arreliada mesmoooo!
Então se Deus não faz parte da Constituição Europeia, como é que ele vai cuidar de nós?
Recordar (em negrito): Telefonar, hoje, ao Papa às 17 horas (momento dos comprimidos da tarde), pedir-lhe para mover os lobbies e arranjar um lugarzito para Deus na Constituição.
Estes sacanas da Europa andam a estragar os pedidos do Cherne!
Chatos, pá!
Nota para memória futura nº 15
Adicionar à lista de prendas de Natal:
Máquina de Calcular para o Luis Filipe Pereira!
(Alguém tem de deixar de dizer mal do Governo e ajudar! Afinal o homem é vítima do sistema de ensino português!
Não sabe fazer contas, porque teve uma matemática deficiente e para ser economista não é preciso contar, basta saber assinar o nome!)
Máquina de Calcular para o Luis Filipe Pereira!
(Alguém tem de deixar de dizer mal do Governo e ajudar! Afinal o homem é vítima do sistema de ensino português!
Não sabe fazer contas, porque teve uma matemática deficiente e para ser economista não é preciso contar, basta saber assinar o nome!)
02 Dezembro 2003
Escrevi-o...
...há 12 anos, no auge da adolescência. Tu ainda não existias, nem tu, nem tu, muito menos tu e ele e o outro e mais aquele...e outros tantos que não merecem referência...
Escrevi-o a pensar nele, quando apenas era uma recordação de umas férias de Verão. Quando ainda não era oficial...
Escrevi-o nos momentos de saudade daqueles grandes olhos azuis, onde me afoguei na Zambujeira do Mar e onde naveguei durante três maravilhosos anos.
Lembrei-me hoje dele, quando fui reler os poemas que escrevia sobre desenhos a pastel.
Publico-o, sabendo que mesmo que ele me leia, nunca sonhará que é sobre ele!
E agora...
Quero voltar ao passado,
Quero fazer aquilo que nunca esqueci,
Quero ser aquela que nunca fui.
Quero amar,
Quero perdoar,
Quero odiar,
Quero desprezar.
Quero tudo e nada,
Quero muito e pouco.
Quero aprender e saber e, sobretudo,
Quero esquecer
Que nunca voltarei a Ser
Aquilo que Fui!
Gelatina, Poemas de Adolescência - 1991
Escrevi-o a pensar nele, quando apenas era uma recordação de umas férias de Verão. Quando ainda não era oficial...
Escrevi-o nos momentos de saudade daqueles grandes olhos azuis, onde me afoguei na Zambujeira do Mar e onde naveguei durante três maravilhosos anos.
Lembrei-me hoje dele, quando fui reler os poemas que escrevia sobre desenhos a pastel.
Publico-o, sabendo que mesmo que ele me leia, nunca sonhará que é sobre ele!
E agora...
Quero voltar ao passado,
Quero fazer aquilo que nunca esqueci,
Quero ser aquela que nunca fui.
Quero amar,
Quero perdoar,
Quero odiar,
Quero desprezar.
Quero tudo e nada,
Quero muito e pouco.
Quero aprender e saber e, sobretudo,
Quero esquecer
Que nunca voltarei a Ser
Aquilo que Fui!
Gelatina, Poemas de Adolescência - 1991
O Silêncio da escolha
.
O rádio toca para despertar quem já não acorda para trabalhar. É sinal que são oito horas da manhã. Vanda finge dormir. O frio aperta e a chuva cai lá fora fustigando os estores.
Sente as lambidelas de Barnabé e o focinho frio na cara. São oito horas e o gato ruivo quer comer. Já lá vão seis anos, recorda Vanda. Parece ter sido ontem a manhã de Inverno, como hoje, em que uma bolinha de pêlo laranja miou dentro do motor do carro. Desde essa altura, Barnabé revelou-se um fiel companheiro de vida.
Vanda levanta-se pensando: o gato não tem culpa no caos em que isto se tornou. Vai ao armário, vazio. Retira o único pacote de leite e enche um prato. Junta-lhe a última bolacha e oferece-o a Barnabé.
Puxa de uma cadeira, senta-se e chora. Chora pela fome que também ela tem e pelo comer que acabou. Chora pelo trabalho que não tem e pelo subsídio que nunca chegou. Chora pelas entrevistas a que não pode ir, porque não tem como lá chegar. Chora pelas contas que não foram pagas. Chora pelos trinta e três anos de uma vida que não dá para voltar, remendar, alterar e voltar a rodar. Chora simplesmente porque precisa e porque tudo a faz chorar.
Levanta-se, veste-se e sai de casa. Leva a bicicleta. Precisa de apanhar ar! Não importa a chuva, não importa o frio, importa apenas pensar e descobrir uma solução…hoje!
Pedala pela cidade, indiferente aos olhares de espanto de quem a vê a pedalar com toda aquela força, à chuva, ao vento e ao frio.
Decidiu! Sim, é a melhor solução para todos, pensou!
Regressa a casa. Senta-se e escreve algo, a alguém. As lágrimas caem-lhe involuntariamente para o papel. Paciência, já não há retorno!
Volta a sair e desta vez pedala com destino. Vai para o rio. A água está zangada, o vento torna-a mais enraivecida e a chuva dá-lhe ainda mais força. Ao longe, os relâmpagos fustigam os céus e tornam o Tejo ainda mais ameaçador. Vanda não se importa! Está decidido!
Calmamente, deita a bicicleta no chão e senta-se na muralha, construída para travar a força do rio zangado.
Saltou!...e não voltou!
Ao final da tarde, Violeta (a mãe) entra em casa de Vanda. Na cozinha encontra um papel. Enquanto as lágrimas de dor lhe caem pelo rosto, lê:
"
Amo demasiado a vida para viver assim!
Escolhi nascer de novo!
Amo-te demasiado para te dizer o que fiz.
Por favor, trata do Barnabé.
Até sempre!
Vanda"
O rádio toca para despertar quem já não acorda para trabalhar. É sinal que são oito horas da manhã. Vanda finge dormir. O frio aperta e a chuva cai lá fora fustigando os estores.
Sente as lambidelas de Barnabé e o focinho frio na cara. São oito horas e o gato ruivo quer comer. Já lá vão seis anos, recorda Vanda. Parece ter sido ontem a manhã de Inverno, como hoje, em que uma bolinha de pêlo laranja miou dentro do motor do carro. Desde essa altura, Barnabé revelou-se um fiel companheiro de vida.
Vanda levanta-se pensando: o gato não tem culpa no caos em que isto se tornou. Vai ao armário, vazio. Retira o único pacote de leite e enche um prato. Junta-lhe a última bolacha e oferece-o a Barnabé.
Puxa de uma cadeira, senta-se e chora. Chora pela fome que também ela tem e pelo comer que acabou. Chora pelo trabalho que não tem e pelo subsídio que nunca chegou. Chora pelas entrevistas a que não pode ir, porque não tem como lá chegar. Chora pelas contas que não foram pagas. Chora pelos trinta e três anos de uma vida que não dá para voltar, remendar, alterar e voltar a rodar. Chora simplesmente porque precisa e porque tudo a faz chorar.
Levanta-se, veste-se e sai de casa. Leva a bicicleta. Precisa de apanhar ar! Não importa a chuva, não importa o frio, importa apenas pensar e descobrir uma solução…hoje!
Pedala pela cidade, indiferente aos olhares de espanto de quem a vê a pedalar com toda aquela força, à chuva, ao vento e ao frio.
Decidiu! Sim, é a melhor solução para todos, pensou!
Regressa a casa. Senta-se e escreve algo, a alguém. As lágrimas caem-lhe involuntariamente para o papel. Paciência, já não há retorno!
Volta a sair e desta vez pedala com destino. Vai para o rio. A água está zangada, o vento torna-a mais enraivecida e a chuva dá-lhe ainda mais força. Ao longe, os relâmpagos fustigam os céus e tornam o Tejo ainda mais ameaçador. Vanda não se importa! Está decidido!
Calmamente, deita a bicicleta no chão e senta-se na muralha, construída para travar a força do rio zangado.
Saltou!...e não voltou!
Ao final da tarde, Violeta (a mãe) entra em casa de Vanda. Na cozinha encontra um papel. Enquanto as lágrimas de dor lhe caem pelo rosto, lê:
"
Amo demasiado a vida para viver assim!
Escolhi nascer de novo!
Amo-te demasiado para te dizer o que fiz.
Por favor, trata do Barnabé.
Até sempre!
Vanda"
ORFANDADE
Há dias o Diário de Notícias publicou um artigo onde divulgava o número previsto de orfãos de Sida que haveria no mundo em 2010: 42 milhões de crianças. Um número impressionante.
No entanto, os orfãos deste mundo não são só os da Sida.
Há crianças orfãs de pais por omissão;
Há crianças orfãs de amor e de pão;
Há crianças orfãs de infância;
Depois, há os idosos orfãos de família, por omissão ou não;
Há idosos orfãos de pão e agasalho;
Há idosos orfãos de um fim de vida digno.
E que dizer de todos nós que vivemos num mundo orfão de paz, de respeito e amor pelos outros, de solidariedade e de bom senso?
Afinal, somos todos orfãos.
Quantos milhões seremos em 2010?
No entanto, os orfãos deste mundo não são só os da Sida.
Há crianças orfãs de pais por omissão;
Há crianças orfãs de amor e de pão;
Há crianças orfãs de infância;
Depois, há os idosos orfãos de família, por omissão ou não;
Há idosos orfãos de pão e agasalho;
Há idosos orfãos de um fim de vida digno.
E que dizer de todos nós que vivemos num mundo orfão de paz, de respeito e amor pelos outros, de solidariedade e de bom senso?
Afinal, somos todos orfãos.
Quantos milhões seremos em 2010?
Nota para memória futura nº 14
Aguardo acções de greve por parte dos políticos portugueses.
São os únicos que ainda não manifestaram o descontentamento...
São os únicos que ainda não manifestaram o descontentamento...
outro desabafo
.
Li algures uma frase que traduz exactamente o que penso :
" os velhos em Portugal não morrem de frio nem de calor; morrem de Portugal."
Li algures uma frase que traduz exactamente o que penso :
" os velhos em Portugal não morrem de frio nem de calor; morrem de Portugal."
pensamento matinal
.
"NÃO SOMOS AMADOS POR SERMOS BONS. SOMOS BONS PORQUE SOMOS AMADOS."
(Desmond Tutu )
"NÃO SOMOS AMADOS POR SERMOS BONS. SOMOS BONS PORQUE SOMOS AMADOS."
(Desmond Tutu )
01 Dezembro 2003
Campo de Concentração
Teus olhos, aves que poisas
sobre as amarguras do mundo,
e que bebem até ao fundo das coisas
como se as coisas não tivessem fundo;
teus olhos, de asas abertas,
povoaram de voos o claustro do meu rosto,
e interrogaram as sombras, as sombras sempre despertas
deste sono pressuposto.
Vai-te. Não interrogues nada que eu não sei dizer-te nada.
Isto, e isso, e aquilo, não é isso, não é aquilo nem isto.
Não é nada.
Ou talvez não seja nada.
Ou talvez seja só isto:
um pavor de madrugada,
um mal que se chama existo.
António Gedeão, Movimento Perpétuo - 1956
sobre as amarguras do mundo,
e que bebem até ao fundo das coisas
como se as coisas não tivessem fundo;
teus olhos, de asas abertas,
povoaram de voos o claustro do meu rosto,
e interrogaram as sombras, as sombras sempre despertas
deste sono pressuposto.
Vai-te. Não interrogues nada que eu não sei dizer-te nada.
Isto, e isso, e aquilo, não é isso, não é aquilo nem isto.
Não é nada.
Ou talvez não seja nada.
Ou talvez seja só isto:
um pavor de madrugada,
um mal que se chama existo.
António Gedeão, Movimento Perpétuo - 1956
Nota para memória futura nº 13
E como se trata de um número especial e perfeito, esta tem de ser uma nota ainda mais especial.
E como poucos entendem a força do número, vou dedicá-lo a quem?
hummm....perfeito...Genial...aliás, quem mais o entenderia?
Não esquecer de recordar os donos do Cherne Barroso (e usando na nota toda a força do nº 13) que 2007 está quase!
Apressem-se! Faltam 3 anos...depois...Kaput!
E como poucos entendem a força do número, vou dedicá-lo a quem?
hummm....perfeito...Genial...aliás, quem mais o entenderia?
Não esquecer de recordar os donos do Cherne Barroso (e usando na nota toda a força do nº 13) que 2007 está quase!
Apressem-se! Faltam 3 anos...depois...Kaput!
Nota para memória futura nº 12
Recordar para mais tarde agradecer ao Cherne Barroso e ao seu governo de incompetentes a oportunidade que me deram para voltar a viver no Séc. XIX.
Sinto-me como os operários no tempo da Industrialização. Posso trabalhar até 12 horas, sem que, por isso, me paguem.
Posso estar seis anos a trabalhar, em regime de contrato a termo certo, e ser despedida.
Obrigada Cherne!
Só não entendo a proibição do trabalho infantil...escravos por escravos...somos todos carne para canhão...e as nossas crianças também!
Já agora... e os Blogs?
Recordar para lembrar ao incompetente do Cherne Barroso: Acaba com os Blogs...ou eles acabam contigo!
Sinto-me como os operários no tempo da Industrialização. Posso trabalhar até 12 horas, sem que, por isso, me paguem.
Posso estar seis anos a trabalhar, em regime de contrato a termo certo, e ser despedida.
Obrigada Cherne!
Só não entendo a proibição do trabalho infantil...escravos por escravos...somos todos carne para canhão...e as nossas crianças também!
Já agora... e os Blogs?
Recordar para lembrar ao incompetente do Cherne Barroso: Acaba com os Blogs...ou eles acabam contigo!
Muro da Vergonha
O Fruto Xocolaty junta-se às palavras de protesto, que ecoam por todo o mundo, contra o novo "Muro da Vergonha":
MAKE LOVE NOT WALLS!
MAKE LOVE NOT WALLS!
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